Category: orgulho lusitano
-
Esta noite só estou para o António… …………………. Ce soir je n’y suis que pour António… ………………..
Pendant six mois la MC93 va recevoir en résidence António Lobo Antunes.
C’est sans doute un plus pour la Lusophonie.
Toutefois, malgré tout, il est questionnant de voir le silence qui entoure l’oeuvre qui a fait connaître Lobo Antunes : Le Cul de Judas
Le Cul de Judas est un texte qui a trait à tous les pays qui ont connu des guerres coloniales. Est-ce cela qui dérange ?
“…je haissais, Sofia, ceux qui nous mentaient et nous opprimmaient, nous humiliaient et nous tuaient en Angola, les messieurs sérieux et dignes qui de Lisbonne, nous poignardaient en Angola, les politiciens, les magistrats, les policiers, les indics, les évêques, ceux qui aux sons d’hymnes et de discours nous poussaient vers les navires de la guerre et nous envoyaient en Afrique, nous envoyaient mourrir en Afrique, et tissaient autour de nous de sinistres mélopées de vampires.”
(Extrait du livre Le Cul de Judas)
Nuno

Durante seis meses a MC93 de Bobigny vai acolher uma parte da obra de António Lobo Antunes em residência.
Tal encenação e programação é algo inédito no que toca à cultura Portuguesa em França.
No que diz respeito à divulgação da obra de Lobo Antunes, não deixa de ser questionante que se tenha esquecido o livro que lhe deu uma dimensão internacional.
Os Cus de Judas, talvez por dizer respeito a países que conheceram guerras coloniais, ficou nas brumas da memória. Ou talvez que essa mesma memória ainda não seja bruma e que, por essa razão, se tente apagar o que ainda hoje continua válido :
“…eu odiava, Sofia, os que nos mentiam e nos oprimiam, nos humilhavam e nos matavam em Angola, os senhores sérios e dignos que de Lisboa nos apunhalavam em Angola, os políticos, os magistrados, os polícias, os bufos, os bispos, os que ao som de hinos e discursos nos enxotavam para os navios da guerra e nos mandavam para África, nos mandavam morrer em África e teciam à nossa volta melopeias sinistras de vampiros. “
(Extracto da obra Os Cus de Judas)
Nuno
-
Boas festas, boas Cosméticas! …………………………. ……………………….. Bonnes fêtes, boas cosméticas!
On a déjà dû comprendre que je suis fan de ce mec…
Ma femme ne le supporte pas. En réalité, Rui Unas appartient à ce groupe de personnages qui sont typiquement “moches,cochons et mauvais”.
Je suis d’accord avec tout cela, mais je ne peux m’empêcher d’applaudir celui qui arrive à réinventer notre quotidien portugais d’une façon moins sage (lien), celui qui arrive avec un peu de magie et avec des retouches à embellir et à faire en sorte que le “moins bon” devienne qualque chose de rayonnant et hilarant.Bonnes fêtes, boas Cosméticas,
Bonne 2011!Já deve ter dado para perceber que sou fã do gajo…
A minha mulher não o suporta. Na realidade, Rui Unas pertence àquele grupinho de homens tipicamente “feios, porcos e maus”.
Concordo, mas não deixo de aplaudir quem consegue reinventar o quotidiano de forma menos sisuda (link). Ou por outra: quem consegue, com alguns pozinhos e retoques de maquilhagem, embelezar e tornar o “menos bom” numa coisa irradiante ilariante.
Boas festas, boas Cosméticas,
Bom 2011!
-
Boas festas, boas Cosméticas! …………………………. ……………………….. Bonnes fêtes, boas cosméticas!
On a déjà dû comprendre que je suis fan de ce mec…
Ma femme ne le supporte pas. En réalité, Rui Unas appartient à ce groupe de personnages qui sont typiquement “moches,cochons et mauvais”.
Je suis d’accord avec tout cela, mais je ne peux m’empêcher d’applaudir celui qui arrive à réinventer notre quotidien portugais d’une façon moins sage (lien), celui qui arrive avec un peu de magie et avec des retouches à embellir et à faire en sorte que le “moins bon” devienne qualque chose de rayonnant et hilarant.Bonnes fêtes, boas Cosméticas,
Bonne 2011!Já deve ter dado para perceber que sou fã do gajo…
A minha mulher não o suporta. Na realidade, Rui Unas pertence àquele grupinho de homens tipicamente “feios, porcos e maus”.
Concordo, mas não deixo de aplaudir quem consegue reinventar o quotidiano de forma menos sisuda (link). Ou por outra: quem consegue, com alguns pozinhos e retoques de maquilhagem, embelezar e tornar o “menos bom” numa coisa irradiante ilariante.
Boas festas, boas Cosméticas,
Bom 2011!
-
O Orgasmo Feminino : Um Tabu Salazarista ………… L’ Orgasme Féminin : Un Tabou Salazariste ………….
Le texte de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta et Maria Velho da Costa, Nouvelles Lettres Portugaises, a été publié au début des années 70.
Ce livre provoque un très grand scandale dans le Portugal fasciste. L’ouvrage est interdit par la censure et les auteures sont accusées de pornographie, outrage aux bonnes moeurs, …
Les confidences de Maria Velho da Costa ( p.20 ) nous montrent à quel point le fascisme portugais encadrait la sexualité des femmes.
L’orgasme féminin était un mot tabou et, donc, une réalité qui n’existait pas.
Suit, ci-joint, l’article de la revue Latitudes dans son intégralité.
Nous remercions vivement la collaboration de Latitudes.
Nuno





[clicar para ampliar / cliquez pour agrandir]
A revista “Latitudes” publicou em Junho de 2006 um artigo fabuloso cuja autora é Maria Graciete Besse.
Trata-se dum texto que re-visita a obra : Novas Cartas Portuguesas.
Foi no contexto da época setenta que foi publicada. Foi uma obra que marcou o movimento feminista Europeu.
Quanto a mim, este artigo mostra que o Fascismo Português vai muito além da PIDE e das torturas físicas.
O Salazarismo foi também uma tortura psicológica, impedindo a palavra e diálogo que são indispensáveis à democracia.
Quando lemos o artigo, é impossível não nos atardarmos sobre as confidências de Maria Velho da Costa ( p.20 ) : As mulheres Portuguesas, mesmo as mais esclarecidas não ousavam, nos anos setenta, falar de orgasmo feminino.
Pergunto-me se mudou mesmo algo na sociedade Portuguesa ?
Segue, “aqui” , na sua totalidade o artigo de “Latitudes“.
Agradecemos, vivamente, a colaboração da revista Latitudes.
Nuno
-
Os Mitos têm um sexo ? ………………………………….. ……………………………..Les Mythes ont-ils un sexe ?
Nuno Álvares Pereira et Jeanne d’ Arc ont été des figures charismatiques de leurs pays.
Tous les deux ont été des chefs de guerre et tous les deux ont été sanctifiés par l’ Eglise.
Un homme, une femme ?
Ce qui m’interroge est le suivant : La statue de Jeanne d’Arc differe-t-elle esthetiquement de celle de Nuno Álvares Pereira ?
Ce post m’est venu à l’idée suite à l’annonce de la conférence-débat organisée par la délégation Française à Paris de la Fondation Calouste Gulbenkian, le 9 décembre à 18h30 : “Nuno Álvares Pereira et Jeanne d’Arc ” : L’ Histoire et le mythe “
Cette conférence-débat a été presentée par Luís Adão da Fonseca, de l’ Université de Porto et par Évelyne Morin-Rotureau, historienne.
Qui a été Jeanne D’ Arc ou / et qui a été Nuno Ávares Pereira dans cette conférence ?
Nous ne pouvons que féliciter la Gulbenkian pour une telle réalisation.
Ce post peut être lu comme une suite de “Les langues ont-elles un sexe ?“
Nuno

Nuno Álvares Pereira e Jeanne D’Arc foram e são figuras emblemáticas dos seus países respectivos.
Ambos criaram alicerces, pelo pior ou/e pelo melhor, para que a noção de nação se desenhasse séculos mais tarde.
Ambos foram chefes de guerra.
Um é homem e uma é mulher. Ambos foram guerreiros e ambos foram santificados pela igreja.
O que me questiona é saber até que ponto a estátua de Nuno Álvares Pereira se pode diferenciar, esteticamente, da de Jeanne d’ Arc ?
Homem ou mulher ?
A delegação Francesa da Fundação Calouste Glubenkian organizou dia 9 de Dezembro uma conferência-debate às 18h30 : ” Nuno Álvares et Jeanne d’Arc : L’ Histoire et le mythe “.
Esta foi animada por Luís Adão da Fonseca da Universidade do Porto e pela historiadora Évelyne Morin-Rotureau.
Quem foi Nuno Álvares Pereira e quem foi Jeanne D’Arc nesta conferência-debate ?
Parabéns à delegação Francesa da Gulbenkian por tal iniciativa.
Este post pode ser lido como uma continuação de “As línguas têm um sexo ?“
Nuno
-
Aprender a Rezar na Era da Técnica………………….. Apprendre à Prier à l’Ere de la Technique …………..
Le Prix du meilleur livre étranger Hyatt Madeleine a recompensé le roman de Gonçalo M. Tavares.
Une récompense méritée.
La traduction de Viviane Hammy est excellente.
Nuno

O prémio do melhor livro estrangeiro Hyatt Madeleine coube a Gonçalo M. Tavares pelo seu último romance.
Uma justa recompensa.
A tradução de Viviane Hammy é fabulosa.
Nuno
-
Aprender a Rezar na Era da Técnica………………….. Apprendre à Prier à l’Ere de la Technique …………..
Le Prix du meilleur livre étranger Hyatt Madeleine a recompensé le roman de Gonçalo M. Tavares.
Une récompense méritée.
La traduction de Viviane Hammy est excellente.
Nuno

O prémio do melhor livro estrangeiro Hyatt Madeleine coube a Gonçalo M. Tavares pelo seu último romance.
Uma justa recompensa.
A tradução de Viviane Hammy é fabulosa.
Nuno
-
Um Chá com um cheirinho de Fado, por favor ! …….. Un Thé avec un soupçon de Fado, s’il vous plaît ! …
Et si le Fado n’était que du Blues à échelle variable ?
Ecouter du Fado sans guitare portugaise ? Oui ! Aucun soucis !
Le Fado qui n’est plus du Fado retrouve sa liberté et son improvisation que le fascisme salazariste lui avaient interdit.
Et c’est tant mieux !
Ce post peut être lu comme la suite de : “Estou Fadado / J’ai un coup de Blues”
Source : Libé, 14 et 15 Nov 2010, p. 23
Nuno
[clicar para ver / cliquez pour voir]
O álbum de Deolinda, “Dois selos e um Carimbo”, está na moda em Paris. Foi citado em destaque nas páginas culturais do diário “Libération” de 13 e 14 de Novembro.
A representação ao vivo, sábado dia 15, no “Café de la Danse”, bem perto da Praça da Bastille deixou entrever que o Fado se vai afirmando, uma vez liberto das amarras salazaristas.
Qual viola Portuguesa, qual guitarra Portuguesa e qual o quê ?
O Fado que já não é Fado vai recuperando a sua liberdade e a sua arte.
E tanto melhor !
Este post pde ser lido como a continuação de : “Estou Fadado / J’ai un coup de Blues”
Fonte : Libé, 14 e 15 de Nov de 2010, p. 23
Nuno
-
Estou Fadado ! J’ai un coup de Blues !
Le Fado semble continuer à se libérer de ses démons salazaristes !
Depuis le 25 avril, plusieures tentatives ont réussi à libérer le Fado du carcan salazariste ou fasciste.
Rão Kyão a été le premier.
Zambujo suit les mêmes traces. Du Brésil jusqu’au Portugal ou vice-versa.
Il n’est jamais simple de traduire : Mais “un coup de blues” veut bien un “Estou Fadado”…
Suivent les choix Emmanuelle Honorin dans la révue Géo :
A lire:
Source : Géo, oct 2010, p. 138
Nuno
[clicar para aumentar / cliquez pour agrandir]
Durante anos, o Fado foi instrumentalizado pelo salazarismo que lhe roubou a sua história e memória.
Penso que o primeiro a dar de novo voz ao Fado, a lembrar que este é improvisão e variação foi Rão Kyão…
O que é certo é que, após o 25 de Abril de 1974, a sociedade Portuguesa, quer se queira ou não, nunca mais será estática.
A revista, Géo, publicação de grande difusão em França, apresenta, em destaque, nas suas escolhas musicais, o artista em vista : António Zambujo.
Nunca é fácil traduzir : Mas acho que a expressão Francesa bem educada, “J’ai un coup de blues”, para exprimir estou triste e sem eira nem beira, em nada ficaria a dever à espressão Portuguesa “Estou Fadado” que ainda estará para inventar ? ….
Se o Blues é arte porque não o Fado ?
Segue em integralidade as escolhas de Emmanuelle Honorin, na revista Géo.
Leia-se o texto.
Fonte : Géo, out de 2010, p.138
Nuno


Chamam-lhe música de intervenção.
“Parva que sou” – a nova música dos Deolinda, estreou no Coliseu do Porto há cerca de duas semanas, cumprindo o espectáculo mais duas repetições naquela sala, e outra no Coliseu de Lisboa.
A receptividade do público foi abismal, surpreendendo pelo visto os próprios artistas, que já anunciaram que estão a tratar da masterização do novo tema a fim de ficar disponível nos próximos dias para as rádios e público em geral, sendo que gravações amadoras da música extrapolaram de imediato para as redes sociais online.
Um “novo hino dos Deolinda”, dizem, que reflecte as preocupações de uma geração.
Interessante: em vinte anos a questão evoluiu de “rasca” para … “parva” (?).
Naquele tempo mostrava-se o cu. Hoje cada vez mais, “quem tem cu, tem medo”.
Edit (14.02.2011): Nem à propósito, anuncia-se um toca à reunir e protestar, aqui.
“Sou da geração sem remuneração e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar, já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração casinha dos pais, se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou!
Filhos, marido, estou sempre a adiar e ainda me falta o carro pagar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração vou queixar-me pra quê? Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração eu já não posso mais que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar..
—
Relacionado: Um Chá com um cheirinho de Fado, por favor !