Category: orgulho lusitano

  • Amanhã será o primeiro dia do quê?

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    A nação está mobilizada, o manifesto reivindicativo é público e dizem que não desmobilizarão enquanto não forem atendidos. Que assim seja. Porque se o dia de amanhã vai ser mais um dia, ou o primeiro dia do resto da nossa vida, está nas mãos dos Portugueses.

    As forças de segurança estão prontas, infiltradas inclusive no meio dos manifestantes, e apelam ao cumprimento da lei. A classe política faz eco do mesmo. O Primeiro Ministro falou ontem sobre o assunto, e no seu tom de paternalismo diz que “espera que as manifestações decorram com calma e tranquilidade”. António Costa e a classe política não sabem com o que lidam. No fundo o que ele diz aos portugueses é o que um pai responde a um filho quando faz birra: chora, chora, que quanto mais choras menos mijas.

    Sucede que a democracia portuguesa já não é nenhuma criança. Está a sair da adolescência, a amadurecer, a tornar-se adulta. Tem sangue na guelra, quer mundo. A força motora deste país já não é o Portugal manso, Costa. Quem hoje reivindica já nasceu em democracia, não tem medo da policia ou do chicote porque nem sequer sabe o que é andar a toque de chicote. Não estão habituados a ficar calados. Não é o reverente povo de outrora que presta vassalagem  ao sr. doutor e sr. engenheiro, porque somos todos doutores e engenheiros, para isso os nossos pais lutaram, e a agora é a nossa vez de lutarmos, por nós, por os nossos filhos, e por eles que nos deram a democracia. Temos de honrar essa herança que nos ofereceram e com as armas dela lutaremos. Porque basta de nos roubarem a democracia. Que ela é nossa e não vossa – seus corruptos e polutos.

     

  • Manifs, pantomineiros e paralisação

     

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    Enquanto a imprensa desespera pela primeira foto de coletes amarelos em multidão  que sejam verdadeiramente portugueses, para deixarem de ter necessidade de ilustrar as notícias com imagens francesas, recorde-se uma foto da última grande manifestação ocorrida em Portugal, promovida pela juventude portuguesa o também designado movimento da Geração à Rasca, a de 12 de Março de 2011 e subsequentes.

    O diário francês Libération na altura publicou um artigo pertinente que procurava mostrar que a juventude portuguesa votava com os pés, ou seja, manifestando-se mas abstendo-se nas urnas.

    Os franceses não estão de facto habilitados para avaliar a sociedade portuguesa pelo simples motivo de que a nossa é diferente da deles, e inclusive da Europa, coisa que eles desconhecem.

    Sobre a manifestação do 12 de Março, aquela foi uma manifestação germinada por um grupo de amigos relacionados com o Bloco de Esquerda, na altura em que o Bloco era ainda anti-poder, e essa era idónea para a população em geral, mas quando os tiques extremistas do movimento vieram ao de cima e o povo viu estar ali mais do mesmo, ideologias partidárias, a força do movimento que durou várias semanas desvaneceu-se.

    Agora dizem que “Vamos Parar Portugal”, e ao contrário da de outrora que foi amplamente apoiada pelas instituições, desta feita a extrema esquerda, partidos, associações, sindicatos, demarcam-se e aparecem os fantasmas reacionários esquerdistas, inclusive os de vários cidadãos, que partem para a chacota deste movimento porque, dizem todos, anda ali o dedo da extrema direita e isso é que não. Estes, para além de só assinarem de cruz tudo o que seja à esquerda da esquerda, e que se foda Portugal, Ignoram portanto que não existe extrema direita propriamente dita no retângulo local. Okay, há o André ventura a por-se ao jeito, mas tem ainda muito para pedalar.

    A realidade portuguesa é muito diferente da francesa e até mesmo da espanhola, no que toca a extrema direita, vandalismo e terrorismo. É muito diferente porque Portugal disso ainda não tem, mas isso dava e fica para outro post. Os Portugueses têm é falta de condições de vida.

     

  • O Facebook e as Pessoas, Que São Todas Iguais

     

     

    A segunda é de vez. Está decidido. O meu voto de ano novo? Iniciar 2019 desinfetado da rede social Facebook.

    Confesso que não é fácil, até porque já havia decidido e anunciado isto há pouco mais de um ano e fracassei, não tendo resistido à tentação e por lá me fui arrastando. 

    Mas soam as campainhas e disparam as luzes de emergência quando em pouco tempo me vejo forçado, por uma questão de atitude, a bloquear o meu perfil a duas pessoas bastante idóneas e com quem há mais de 10 anos sabia dialogar por estas vias e hoje não há espaço nem para as ver espirrar na mais selvagem de todas as redes sociais. As pessoas em geral agridem-se gratuitamente, não medem atos e palavras, não medem nada. De ataques a orgasmos tudo se despeja na rede social.

    O que se passa com o Facebook? 

    Talvez Os Azeitonas ajudem a perceber com esta resenha bem atual.

    As pessoas são todas iguais, canta a banda portuense no seu último álbum. Uma pérola. Mordaz sem o ser, uma leitura da sociedade sem o parecer, uma boa critica aos que só já não deixam cair a máscara porque fazem questão de fazer login desmascarados. Sem dor nem pudor.

    Porque alí há coisas que irritam todos os dias ver, ou ler, vomitadas na rede, e que se personificam em: a  miúda do cabelo azul; o cavalheiro ali atrás; o homem do olhar obtuso; e a senhora de uma certa idade.

    Indo por partes,

     

    A miúda do cabelo azul. Os azeitonas vingam desde a sua nascença, entre outras coisas, pelo conteúdo substancial que colocam nas suas músicas, seja a nível lírico ou musical. Com o cabelo azul temos claramente uma alusão ao filme “A Vida de Adele“, onde uma das duas lésbicas protagonistas se destaca por este estilo de cabelo. E se dúvidas houvessem elas desfazem-se quando o letrista decide intruduzir a partir do sexto verso uma clara alusão ao mundo da psicanalise, com a filha a chamar pela atenção do pai que a ignora. Trata-se de uma abordagem ao denominado por  Complexo de Electra, analogia desenvolvida pelo pai da psicanalise Sigmund Freud e na qual, segundo ele e mais alguns, justifica o desvio comportamental sexual das mulheres lésbicas. O facto do grupo musical optar por abordar esta temática pelo lado feminino da questão, ao contrario do mais habitual, que são os casos abundantes masculinos, comportamento este descrito na psicanalise pelo Complexo de Édipo – analogia idêntica onde Freud assenta a sua justificação para tal desvio (perdão pelo termo!) nos rapazes – e como por exemplo os Xutos & Pontapés já o fizeram há muitos anos aqui. A abertura da música com este tema na versão feminina, muito menos falado e conhecido,  dá azo, talvez , a uma sátira a corrente em voga #metoo.

     

    O Cavalheiro ali atrás, esta é fácil, é de caras, ao cavalheiro a vida corre-lhe bem, se o país cai nas mãos dos espanhois, tanto lhe faz. Representa o grosso da classe média portuguesa, que se abstem nas eleições. Preocupada com a sua vidinha e, desde que esta lhe corra bem, está-se a marimbar para o ir votar. 

     

    O homem do olhar obtuso é um caso mais sério. Não suporta gente como o “indigente cavalheiro ali atrás”. Mais, o grunho de olhar obtuso tresanda a bafio, por baixo da sua manga à cave deve aplicar o mesmo desodorizante do grande Salazar e o cheiro é a perfume patchouli. Os modos, os trejeitos, os tiques machistas, a falta de tolerância, é estilo “Deus, Pátria e Família”. Uma representação ou medo da possivel crescente franja de extrema direita em portugal. 

     

    A senhora de uma certa idade. Também não é difícil. Saudosista, nostálgica, mais do que agarrada à mala marron, abraça-se aos velhinhos discos de vinil que não são os do tempo da sua juventude, mas sim da nossa, os que crescemos nos anos oitenta. Ver representada uma velhinha de cabelos brancos abraçada ao LP sensação do Kenny Rogers nos eighties, coloca-me, e com propriedade, no papel de um velho de 90 anos, quando se chega a condição dos, vá lá… três dias – para ser generoso – de sintonia na M80 sem mudar de estação.

    Os Azeitonas é que sabem e sabem-na bem, antes vê-los ou ouvi-los a eles, do que viver com gente desta diariamente a espreitar na janela do ecrã. 

    A música é uma arte, aliás, a mãe das artes. E como tal, cada um a ouve, vê e interpreta como quer, de maneira distinta ou igual. Já o José Mario Branco dizia: “A Cantiga é uma Arma“. 

    Já quanto ao Facebook, acabaram-se emissão de opinião direta, respostas a comentários provocadores, fica para um simples canal de propaganda dos posts do blog. Já que é lá que a carneirada para toda, sempre se faz desta forma um favor à sociedade.

    Rest in peace FB.

     

  • Do Panorama Televisivo Nacional

    Escrito e dirigido por Cristina Boavida, protagonizado por Ana Padrão e Diogo Morgado, este último na sua primeira aparição que o traria para o estrelato, “Amo-te Teresa” é uma co-produção da SIC corria o ano de 2000, que confirma a  reviravolta do panorama televisivo que se vinha encetando desde há três anos, sem a mínima concorrência, por este canal.

    E se à TVI e ao já Saudoso Nicolau Breyner com a sua produtora de conteudos NBP, se devem a subida da fasquia do extraórdinário melhoramento da produção de telenovelas em Portugal, que somado ao “grande pontapé” que revirou a seu favor a liderança das audiências nacionais, numa cartada dupla de telenovela com reality show – o primeiro que rebentou no pais e por este canal, com o roteiro exibido na telenovela “Todo o Tempo do Mundo” com Ruy de Carvalho e Eunice Muñoz, e que apartir dai foi sempre a somar; se à RTP, já mais recentemente, se deve o mérito das grandes produções de séries nacionais de alto gabarito, sejam de elas cariz Histórico mas não só;  já na SIC tempos houve (saudades…) em que era esta foi a senhora dos Tele-filmes e cujo expoente máximo do pequeno ecrã foi a a sua primeira longa metragem “Tentação” (1997) , produzida inicialmente para o canal de Carnaxide mas que acabaria a dar cartas no grande ecrã da sétima arte atingindo um recorde de vendas de bilheteira inigualável durante mais de uma década do cinema português. Neste aspecto foi preciso mais de uma década para “A Gaiola Dourada” (2013) do luso-francês Rubén Alves o destronar e que aqui pode recordar.

     

  • Terapias provincianas para o trânsito de Lisboa

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     Aqui vão umas dicas terapeuticas caseiras tipo “mezinhas d’avó” que a gente tanto gosta na aldeia, porque:

    1. Se chegas-te a Lisboa tens de ter noção de que ‘aqui é Portugal e o resto é paisagem’.

    2. Provinciano: nunca esqueças as tuas origens pois nas mesmas descobrirás segredos terapêuticos que nem a tua gaja sabia que tinhas dentro dessa braguilha. 

    3. Se ouves buzinar no transito -sim esse ruído mesmo que te tira do sério a cada 3 minutos- manda-os para um sítio qualquer. Provinciano que se preze nem tem papas na língua, nem se exprime com eufumismos (i.e. adjetivo masculino plural; ‘rodriguinhos’ em lx)  pois que essas são daquelas palavras de sete e quinhentos.

    4. A partir da terceira buzinadela que ouvires, e que mesmo não tendo certeza, assumes como tendo sido para ti, já podes manda-los pr’ó caralho, mas com estilo: acrescenta “morcão” se és do Porto, “vacão” se és de Leiria, ou outro qualquer’ão da tua provincia, que é tão rica nestas terapias.

    5. Buzinas, buzinas, e mais buzinas…. sejam 4 da tarde ou 4 da manhã. Os alfacinhas são – tirando os do Belenenses assim mais armados ao pingarelho porque vivem ao lado do Palácio de São Bento – conas todos os dias. Comodistas por natureza. Assim da-lhes portanto o desconto terapêutico de quem tem um QI abaixo dos 69. É que nunca leram as leis de trânsito sobre  a obrigação de substituir as buzinas por sinais de luzes apenas que anoiteça, ou as civis da República Portuguesa no que estabelece sobre horário limite de ruído público. 

    6. Em Lisboa conduz sempre de vidro aberto. Faça chuva ou faça sol. És da província, canudo! E vais precisar dele. Para fumar aquele cigarro terapêutico que te restabelece os índices de raciocínio, confiança e calma santa, tantas vezes necessárias para pores a mão de fora e lançares aquele pirete a que só os provincianos se dão ao trabalho. Aquele torcer de dedos bem desenhado. Porque a arte de um pirete aprende-se na provincia. É de coragem e feito com os colhões no sítio, tipo: os  dedos indicador e anelar simetricamente enrolados paralelamente ao “pai de todos” bem centrado e esticado. 

    7. quando regressares à província, esquece lá essa moda urbana de que as rotundas são o prolongamento por natureza das várias vias que se lhe confluem, blá,blá… ide más é ler o que do uso da buzina a lei diz. Portanto, deixa-te de merdas e de entrar nas rotundas da aldeia depois, sempre a acelerar. Mesmo sem sinais de stop, as rotundas na província tem um código de conduta próprio para se respeitar.

    8. Os piretes são uma arte, já disse. Não os esbanjes. Tinhas nada que ensaiar assim à sucapa – umas linhas aqui acima, que eu bem ví – se és ou não artista de enrolar os dedos simétricamente. Guarda esses ensaios para quando no trânsito, e a ver vamos se com estas terapias não te comportas lindamente no meio do barulho.

     

  • Bravô! Palma de Ouro à Gaiola Dourada ……………… …………….Conversas com os botões da camisa (6)

     

     

      

    “Quando a esmola é grande o pobre desconfia” e tanta propaganda que se viu no pré-lançamento do filme de Rúben Alves A Gaiola Dourada – um retrato dos portugueses, resultante da epopeia de sua emigração nas últimas décadas – confesso que me levou a sentar na sala com a esperança e espetativa de que ia enganado.

     

    Tentando apaziguar a discussão entre meus dois neurónios frontais contra um ocipital, degladiavam-se: “lá tás tu Paulo… vai-se a ver e na volta o filme até que merece mesmo uma Palma de Ouro, à grande e à francesa (link). Espera…”

    1.ª Surpresa: a sala começava a mostrar-se demasiadamente bem composta.

    Mais de metade dos lugares ocupados, tendo em conta que estamos ao meio da tarde de um dia de semana, no pais que, contam  as estatísticas, tem a mais baixa taxa de cultura cinéfila (ou de leitura, já agora…) bom, isto por si só já é obra.

     

    Vês o efeito da propaganda? Picardava o neurónio ocipital.

     Achas que sim, oh cromo? Vinte e seis dias depois da estreia nacional? Ripostava um dos do lóbulo frontal.  Em parte, talvez… mas no todo, duvido – atiçava o segundo dos frontais, prosseguindo: Ó “neurónio ressabiado”, pá. Aqueles anos de neve na infância passada pelos Pirenéus Bascos afetaram-te mesmo do clima, com certeza…” E a Sala continuava enchendo.

     

    É relevante e sintomático o percurso cultural dos Portugueses.

    Eles aprenderam a ver televisão, antes mesmo de terem tido oportunidade de aprenderem a ler. Sim, literalmente. E esse fenómeno, de certo modo prolongado pelos próximos 30 anos é determinante para o nível e exigência cultural que demonstramos hoje. Com o aparecimento das primeiras emissões da RTP nos anos 50 num pais maioritariamente analfabeto como o era o nosso, o povo entra em transe com emissões de futebol, festivais da canção ou concursos. Entre os prazeres de assistir, ver e ouvir as emoções de “Gabriela” ao vivo, in loco na pequena “caixa mágica” ou deleitar-se na leitura da mesma, escrita pela pena de Jorge Amado, a escolha seria óbvia.

    E se hábitos de leitura  nunca pegaram, os da sétima arte então, nunca vingaram.  Os Portugueses continuam a ser os cidadãos da Europa

    que menos cinema frequentam, onde mais salas fecham ou as cadeiras livres abundam.

     

    Mas cultura? O que é isso da cultura?

    Depois de alguns anos de investimento nesse sentido, o atual governo português retrocede dizendo-nos que, por culpa da crise… há que exterminar, precisamente este Ministério, o da Cultura. Foi a primeira das Reformas de Estado a pôr em prática, aquando da remodelação de Ministérios. A população, a que “sabe ler” inclusive nas entrelinhas, retira daqui outras leituras: demonstram-nos o modo como os dirigentes do país, eles próprios uns incultos, encaram o assunto. Numa atitude “comezinha”, “portuguesinha”, revivem-se memórias antigas: “cultura é no campo, no lavradio. A cultura do ancinho, da enchada, do terreno que germina. Recupere-se a agricultura, a verdadeira cultura.” Como em tudo, há que definir prioridades.

     

    Alors, e o filme? O filme… bon, c’est ça: “La Cage Dorée” –  A Gaiola Dourada escreve-se, fala-se e protagoniza-se na mais francesa e incontornável de todas as cidades – aquela que, dentre todas as outras, mais portugueses acolheu em todo o mundo: Paris.

    Na película estereotipa-se uma família emigrante portuguesa. Mas a estória extravasa o que se possa considerar ou etiquetar como sendo exclusivamente a imagem ou vivências experimentadas pelos nossos emigrantes franceses. Porque as emoções que ali se vivem, assistindo-se à película, universalizam-se. Serão as mesmas e comuns a quaisqueres outras experiências de vidas em qualquer outro país onde quer que exista um portuga estrangeiro

     

    Cada um experienciará o filme à sua maneira mas eis uma das cenas que se me mostrou particularmente das mais marcantes:

    Maria e Zé (Rita Blanco e Joaquim de Almeida) na arrecadação da casa vão selecionando alguns haveres, presume-se que para levarem de regresso para a terra natal. Como plano de fundo na imagem temos um grande placard de ferramentas, à imagem do personagem, o Zé, um humilde e prestável pedreiro, biscateiro habilidoso, de quem os vizinhos franceses tanto apreciam e recorrem (interesseiramente).

    Enquanto Zé enrola o fio de um berbequim, Maria  puxa de um monte de roupas antigas um par de calças que o filho já há muito não veste desdobrando-o e apelando à memória de Zé: “Lembras-te como o Pedro detestava estas calcas?”.

    Um mero exemplo de uma entre várias cenas que resultará num potencial reboliço às entranhas de qualquer espectador que tenha vivido noutra comunidade ou cultura fora da sua terra natal. À qual lhe baterá um potente flashback rodeado de emoções à flor-da-pele, vestindo ele próprio aquelas mesmas calças e revendo-se no lugar do filho de emigrante, nas discussões matinais sobre a roupa para vestir e dentre as quais, eram por nós (crianças) de imediato descartadas todas aquelas peças de indumentária que evidenciassem a cultura portuguesa (ou imagem de coitadinho) num pais onde se é forasteiro. Basta o que basta, não se esperá-se que fosse o catraio, o primeiro naquele dia a acordar o estigma sofrido em qualquer recreio escolar estrangeiro pelo “típico filho do pedreiro e mulher a dias portugueses” que os nativos daquela terra fazem questão de nos recordar copiosamente, quotidianamente, direta ou indiretamente.

     

    E quando um filme nos arranca consecutivas gargalhadas com a mesma facilidade e naturalidade que a seguir nos leva às lágrimas, então arriscaria que não há dúvida: só podemos estar perante um grande filme, digno do mais prestigiado troféu de cinema francês e europeu, mas para o qual é preciso ser-se Português para o entender em toda a sua plenitude.

    BravôPalma de Ouro à Gaiola Dourada!

    E desengane-se: mais propaganda sim. É disso que precisam, afinal, os filmes portugueses. Para que os pobres de espírito deste pais deixem de encarar ofertas culturais como esmolas.


     

    Paulo C. Jerónimo

  • Conversas com os botões da camisa (5) : …………… ………………………………………………..Da Boçalidade

     

    Confirmar a boçalidade patente no povo português em pleno 2013 é preocupante.

    As redes sociais dizem que isto é o grande sucesso do verão…
    PS: Já agora um pouco de cultura segundo a Wikipédia: “Jah é a forma poética abreviada de Jeová, o nome do Deus Altíssimo. (Êx 15:1, 2)”.



  • Perguntar Não Ofende ………………………………..#18


    Palma d’Ouro à Gaiola Dourada {#emotions_dlg.unknown}

     

    Ce film a été très plébiscité au Portugal! On dit aussi qu’il a connu un franc succès en France. C’est à se demander si “La Cage D’Orée” n’a pas eu la Palme d’Or. Voici la bande annonce.

     

     

    Dizem que o lançamento em França foi um sucesso. Tem sido uma propaganda tal por cá que até desconfiamos ser película digna de alguma Palma d’Ouro… Aqui o trailer.

  • Conversas com os botões da camisa (4) : …………… …….e O Complexado Ensino Profissional Português

     

     

    Dizem-me que este é um complexo que existe ou existiu num passado recente um pouco por todas as sociedades de países que foram outrora colonizadores. A ideia deriva duma pseudo atitude envergonhada mas não claramente assumida, de que executar “trabalhos manuais”, desprezíveis que são – até porque historicamente estão associados à mão de obra escrava, ou nas décadas mais recentes, à população analfabeta – não será uma ambição por aí além louvável… Cidadão que se preze almeja um oficio mais “intelectual”, investirá nisso, desmedidamente se necessário. 

     

    Acrescentarei eu que no caso português, como em demais outras matérias, o problema agrava-se, porque, neste capitulo da educação e formação para o mercado de trabalho, levamos mais de 20 anos de atraso em relação à Europa, iludidos que vivemos durante este tempo todo com utopias megalómanas que resultam em conclusões do género: “a atual população de jovens portugueses que chegam ao mercado de trabalho é a melhor preparada e qualificada de todos os tempos”.  A questão que se impõe é: qualificada para que? 

    Este governo cairá (um dia), não porque em abstrato a linha orientadora delimitada inicialmente fosse de todo errada – era evidente que tínhamos de descer à terra e passar a viver à medida das nossas posses, deixar de nos armar em “novos ricos” – mas cairá então um dia este governo, de tanto baixar as calças e se prostituir a soldo do país que ousou outrora sonhar em desenhar uma cruz suástica para toda a Europa.Dai que faz notícia hoje o Ensino Profissional (EP). Parece que o atual ministro com a pasta da educação, Nuno Crato, quer-me convencer, a mim e a uns quantos que, se o vamos fazer mais e melhor (o EP) é porque a Angela Merkel o demostrou mandou. Sim porque para bom entendedor meia palavra meia notícia (como esta) basta.  

     

     

    Deixemos-nos de merdas, que isto não é uma questão de imitar ou ser cordeirinhos dos Alemães e os Portugueses sabem disso muito bem. A lavagem cerebral que determinados políticos bem como o “4.º poder” – a imprensa voraz – gosta de fazer ao público tem tanto de ridículo como de excecional!
    O Ensino Profissional em Portugal já tem barbas. Já se tentou implementar e discute-se há muito ano. Salvo erro meu, o espirito subentendido seria o de uma evolução do antigo modelo das Escolas Técnicas, Comerciais e Industriais das quais não sou contemporâneo. Mas o lobby das universidades que rebentavam como cogumelos nos anos 90, aliado ao complexo tuga que se instalou entre os pais da Geração de Abril de que só quem fosse Doutor ou Engenheiro é que era alguém na vida, até porque em boa verdade era essa a realidade que os mesmos viviam, nunca permitiu que esta politica  tivesse pernas para andar.

    Por mim falando, pelo menos há 2 décadas, quer desde que conclui o 9.º ano e fui desafiado a integra-lo (o EP), quer pelo tomar conhecimento mais de perto do estado do Ensino enquanto membro executivo de algumas Associações de Pais e Encarregados de Educação que integrei, que defendo esta modalidade de ensino profissionalizado como forte mérito provável de sucesso em grande parte de muitos casos de alunos na entrada e eventual conclusão do ensino secundário. Nesse tempo mais atrasado, inicio dos anos 90 (Governo de Cavaco Silva), existiam directrizes politicas do meu ponto de vista excelentes, não obstante tratar-se do mesmo ministério que pôs a mesma Geração Rasca de estudantes a virar o cu ao ministério da educação – uma vez mais pelo lobby das universidades querer vingar (pagamento de propinas). Recordo que, enquanto aluno a frequentar o secundário em regime profissional tal permitiria p. ex. acumular de apoios monetários (subsidiados pela UE e empresas envolvidas) na ordem dos 30 Contos de Reis por mês (150,00€), isto numa altura em que ainda era cultura enraizada nas famílias os jovens daquela idade começarem a ganhar dinheiro em detrimento dos estudos, e que o ordenado mínimo nacional rondaria os cerca de 40.000$ (200,00€).

     

     

    No caso que conheci por dentro, mas havia várias outras soluções no distrito, era um Curso Secundário com a área profissional de desenho de Moldes assistido em CAD CAM, apoiado por várias empresas na Marinha Grande. Houve até vários e variados cursos que arrancaram mas que nunca se percebeu o porque da pujança inicial destas modalidades de ensino secundário profissional arrefecer num ápice, acabando praticamente delegados à gaveta e alí permaneceriam durante vários anos em Banho Maria.

     

    Deixou-se cair inclusive tal modalidade num descrédito total. Ainda hoje esta forma de ensino é considerada ou olhada por muitos pais e professores como a solução obvia para alunos burros… Assim como o Ensino para adultos, chamem-lhe “Novas Oportunidades” ou seja lá o que quiserem, continua a pôr em alvoroço a pudica sociedade portuguesa que não admite depois de tanto dinheiro e prestigio pretendido para os seus filhos, que se venha agora atribuir equivalencias aos pobrezinhos!

    Há mais de 5 anos que se vinha notando um esforço considerável pelo ministério da educação em tentar recuperar esta modalidade e tempo perdido com o EP. Assim como há varios anos um punhado de profissionais lutam pela credibilização do reconhcimento do sistema de ensino a adultos muito para além da mera estatistica, a partir do desenvolvido das competências adquiridas, não obstante casos tipo “Relvas” fazerem questão de os enxovalhar – o que não deixa de ser curioso: este caso colocou as próprias e insuspeitas todas poderosas Universidades no centro da questão. 

    Mas Pronto… hoje o Expresso quer-me convencer que se o vamos fazer (reforço do EP) é porque a A. Merkel mandou. Tá bem abelha! Esqueçam isso.

    Conforme o slogan parvo que a empresa alema de grande implementação em Portugal, a Media Markt, gosta de lembrar aos matcho-mans tugas ou aos doutos inteligentes como os vídeos do Prof. Marcelo“eu é que não sou parvo”. Se há coisas que interessam e muito ao país de A. Merkel, é saber por exemplo se os latinos portugu€s€s já decidiram qual o próximo carro de alta cilindrada em que que se vão montar. E nesta luta renhida pela defesa dos valores da indústria automóvel europeia até a subsidiaria do bon ami François, que se sabe ser mais “camarada” dos pobrezinhos, Já anda em bicos dos pés a oferecer Renault Clios à assembleia da República! E porque não Fernando Assis? Vide aqui. 

     

     

     

     Paulo C. Jerónimo

  • “O Pintinho Piu” e a “Puta Mais Velha”



    Este video ao ser repescado da minha videoteca caseira e republicado à data corrente aparece um pouco descontextualizado, mas tem a sua razão de ser. 
    Convêm talvez referir que o discurso aqui patente de Pinto da Costa é proferido após decisão judicial
     (da verdadeira justiça, a civil) que o inocenta das acusações do Processo Apito Dourado, ao mesmo tempo que a pseudo justiça desportiva de Ricardo Costa na Liga de Futebol punia o FCP com a retirada de 6 pontos na clasificação, já campeão (com mais de 20 pontos de distância para o segundo lugar). Dai o calor do mesmo, e os aplausos em que foi recebido pela congregação portista, e que o mesmo presidente recupere um tom de discurso de guerrilha que já fora chão que dera uvas noutros tempos (anos 90). Quando alguns previam um Dragão ferido, verificasse apenas  ou sobretudo um Dragão bastante acossado.


    O ataque incisivo ao FCP (por via do seu presidente J.N. Pinto Costa) foi tão flagrante quanto estúpido ou inócuo. Basta referir que foi este «O Grande Processo» em que a Procuradoria Geral da República, do outro agora cessante, Pinto Monteiro investiu mais dinheiro e recursos.
    Num momento em que já se podem começar a escrever para memória futura, as memórias do “insonso” procurador Pinto M. , “há que dar o mérito a quem o tem” (João Pinto – capitão FCP dixit) e referir que sem dúvida se tivermos de enumerar o grande caso que se pode atribuir à passagem de Pinto Monteiro pela Chefia máxima do Ministério Publico Português, foi este… derrubar o FC Porto, com ordem expressa e inédita de recorrer para instâncias superiores sempre que os tribunais não validassem a posição do Ministério Público (que nunca validaram) e assim curiosamente se quis derrubar a única instituição de sucesso resistente, ou evidente, em Portugal, e crítica ao poder central. Sim porque, vá lá, deixemo-nos de estórias da carochinha: o tratamento de investigação e ação não foi igual nem neutro, perante as demais descobertas (acidentais?) patentes e abafadas do panorama desportivo no futebol português.

    Muitas linhas já foram escritas sobre o assunto, inclusive por mim na blogosfera em tempo ido, mas o curioso no meio disto tudo, e a esta distância, quando o Pinto abandona a cadeira de Procurador não deixando o sotaque de suas piadelas saudades a ninguém, foi verificar como o “sistema nacional” conseguiu pôr em sintonia discordâncias tão dispares que existiam entre os portistas (como a minha discordância contra a guerra Norte-Sul enveredada por J.N. Pinto da Costa nos anos 90, tempos do Penta) unindo um clube que se vai vendo obrigado a continuar a “chafurdar”, na filha da putice que é o futebol Português (hoje com outros donos), e onde o grande mérito de Pinto da Costa reside apenas em ser “A Puta Mais Velha”.



    Paulo C. Jerónimo