Category: orgulho lusitano

  • Saramago: Espero que não esquecerão que existo ……J’ espère que vous n’oublierez pas que j’existe

     

    Comment Dieu va-t-il recevoir Saramago ?

    Tout l’univers de Saramago est déjà dans Le Dieu Manchot . La traduction de Geneviève Leibrich est sublime.

    Saramago ne nous raconte pas seulement l’histoire du Portugal.  Mêlant fresque historique et fresque amoureux, Saramago nous narre l’histoire du barroque et du classicisme. Autrement dit, l’opposition entre les humbles et les puissants.

     

    Citant l’un des personnages de La Caverne : ” Je prévois qu’à partir de maintenant je vais disparaître du paysage, j’ espère au moins que vous n’oublierez pas que j’existe “.


    Ce post peut être mis en liaison avec : Google Sait il traduire F. Pessoa ?

    Nuno

     

     

    A imprensa Francesa focou em grande destaque nas suas  várias “une” o falecimento de Saramago.

    É com a sua obra Memorial de Convento que Saramago alcançou notoriedade. Traduzida em Francês por Geneviève Leibrich em 1987 com o título Le Dieu Manchot, foi um sucesso de livraria e, rapidamente, foi editada em livro de bolso.

     

    Memorial de Convento é uma obra prima da literatura mundial que tem como pano de fundo a sociedade Portuguesa do século XVIII e a Inquisição. Mas o texto não diz só respeito à sociedade Portuguesa. É um livro que visita a história da Europa e da humanidade e, sobretudo, a história dos humilhados e dos ofendidos.

     

    A tradução do título, Memorial de Convento, é em Francês, O Deus Maneta ( Le Dieu Manchot ).

    O génio da tradutora Francesa foi de ter resumido no título da tradução Francesa a síntese da obra. E, deste ponto de vista, talvez se possa entender porque Memorial de Convento é o alicerce de toda a obra de Saramago.

    É à direita de Deus que se sentam os seus eleitos. Leiam-se os textos.  Deus é maneta da mão esquerda.

     

    Memorial de Convento apresenta uma trindade diferente :

     

    1 : Deus é o Padre ( o Pai )  Bartolomeu Lourenço de Gusmão. Desafiando a Inquisição, fará funcionar o primeiro engenho voador da história da humanidade, a Passarola.

    2 : O Filho é Baltasar Sete Sóis e que é maneta porque perdeu uma mão na guerra.

    3 : O Espírito Santo é Blimunda Sete Luas que pode ver a vontade dos outros.

     

    Esta Trindade Profana é subversão e é, também, progresso e inovação. É a memória eterna do confronto entre barroco e classicismo, entre os humildes e os poderosos.

    Citando um dos personagens do romance A Caverna : ” Prevejo que a partir de agora vou desaparecer da paisagem, espero, ao menos que não esquecerão que existo .”

    Haveriam muitos mais aspectos a desenvolver. Mas fica um sumário. E continuo a pensar que Memorial de Convento só pode ser consensual para quem nunca leu a obra.

     

    obs : A citação está traduzida do Francês. Não possuo a obra, A Caverna, em Português. Peço desculpa.

    Imagens : Capas dos livros citados.

    Este post pode ter interligação com : Google sabe traduzir F. Pessoa ?

    Nuno

  • Saramago: Espero que não esquecerão que existo ……J’ espère que vous n’oublierez pas que j’existe

     

    Comment Dieu va-t-il recevoir Saramago ?

    Tout l’univers de Saramago est déjà dans Le Dieu Manchot . La traduction de Geneviève Leibrich est sublime.

    Saramago ne nous raconte pas seulement l’histoire du Portugal.  Mêlant fresque historique et fresque amoureux, Saramago nous narre l’histoire du barroque et du classicisme. Autrement dit, l’opposition entre les humbles et les puissants.

     

    Citant l’un des personnages de La Caverne : ” Je prévois qu’à partir de maintenant je vais disparaître du paysage, j’ espère au moins que vous n’oublierez pas que j’existe “.


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    Nuno

     

     

    A imprensa Francesa focou em grande destaque nas suas  várias “une” o falecimento de Saramago.

    É com a sua obra Memorial de Convento que Saramago alcançou notoriedade. Traduzida em Francês por Geneviève Leibrich em 1987 com o título Le Dieu Manchot, foi um sucesso de livraria e, rapidamente, foi editada em livro de bolso.

     

    Memorial de Convento é uma obra prima da literatura mundial que tem como pano de fundo a sociedade Portuguesa do século XVIII e a Inquisição. Mas o texto não diz só respeito à sociedade Portuguesa. É um livro que visita a história da Europa e da humanidade e, sobretudo, a história dos humilhados e dos ofendidos.

     

    A tradução do título, Memorial de Convento, é em Francês, O Deus Maneta ( Le Dieu Manchot ).

    O génio da tradutora Francesa foi de ter resumido no título da tradução Francesa a síntese da obra. E, deste ponto de vista, talvez se possa entender porque Memorial de Convento é o alicerce de toda a obra de Saramago.

    É à direita de Deus que se sentam os seus eleitos. Leiam-se os textos.  Deus é maneta da mão esquerda.

     

    Memorial de Convento apresenta uma trindade diferente :

     

    1 : Deus é o Padre ( o Pai )  Bartolomeu Lourenço de Gusmão. Desafiando a Inquisição, fará funcionar o primeiro engenho voador da história da humanidade, a Passarola.

    2 : O Filho é Baltasar Sete Sóis e que é maneta porque perdeu uma mão na guerra.

    3 : O Espírito Santo é Blimunda Sete Luas que pode ver a vontade dos outros.

     

    Esta Trindade Profana é subversão e é, também, progresso e inovação. É a memória eterna do confronto entre barroco e classicismo, entre os humildes e os poderosos.

    Citando um dos personagens do romance A Caverna : ” Prevejo que a partir de agora vou desaparecer da paisagem, espero, ao menos que não esquecerão que existo .”

    Haveriam muitos mais aspectos a desenvolver. Mas fica um sumário. E continuo a pensar que Memorial de Convento só pode ser consensual para quem nunca leu a obra.

     

    obs : A citação está traduzida do Francês. Não possuo a obra, A Caverna, em Português. Peço desculpa.

    Imagens : Capas dos livros citados.

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    Nuno

  • “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”

     

     

    O País enterrou ontem o homem sem ter verdadeiramente conhecido o escritor.

    Aprenderá algum dia o povo português a ver, a ler, a compreender ou reconhecer o seu (e até a data, único) Prémio Nobel da língua Portuguesa?

     

    A avaliar pelos comentários que se ouvem entre os mais comuns dos Portugueses, fica  a dúvida…

  • Mourinho Bullshits

     

     

    Sim, é Português. Sim, também/talvez se possa dizer que é um bocado de Portugal que se está a prestagiar. Sim, já me deu das maiores, e das melhores alegrias que um adepto de futebol pode ter, e saborear. Obrigado.

     

    Mas não tem como maquilhar: o que lhe excede em talento falta-lhe em sobriedade. Tem o mérito (e os deméritos) que tem.

    O excesso de vaidade, a arrogância sempre a “babejar”, et voilá, o antí-jogo: praticamente a única forma  que apresenta e que o põe a ganhar… não percebo a coerência de tanta rebanhada para o idolatrar.

    Quer dizer, ou se calhar percebo. Idolatrar a ANTíTESE do futebol, antes de ser coisa de adepto do jogo, deve ser mais o “esfrega-esfrega” dos mass-média, para orgasmos em bacanais cada vez mais bacocos e nacionais.

    O quê de mais suculento e apetecível pode o colesterol das audiências nos mass-média pedir? Nada como um bom e excelente intervalo publicitário entre as conquistas do MaiÓre dos clubes no mundo e o arranque da Selecção das Quinas elevada a níveis dos Tonys Carreiras, das Sagres e bifanas. Parabéns Mourinho!

    E até qualquer dia, aquele em que vais ensinar ao País qual a (tua) única forma de Portugal ganhar um Europeu ou um Mundial: Pode ser com um igual, vaidoso e arrogante CR, mas a 10km/h, (há que o poupar). Com o anti-jogo do custume, ciencia exacta que dominas como ningém, à italiana, ou porque não? – também à da Grécia 2004, que com o mesmo estilo de “futebol-coito-interrompido” tanto se queixou e desculpou a mesma “rebanhada” de Portugal…

     

    PS: Dizem que o Primeiro Ministro tenta ou precisa de manipular a comunicação social… Tá tudo doido!

    Atão se o “Quarto Poder” cumpre o seu papel  no   dar de “papas e bolos” tão bem, por iniciativa própria, e de borla… o PM esfrega as mãos e agradece.

    PC

  • Mourinho Bullshits

     

     

    Sim, é Português. Sim, também/talvez se possa dizer que é um bocado de Portugal que se está a prestagiar. Sim, já me deu das maiores, e das melhores alegrias que um adepto de futebol pode ter, e saborear. Obrigado.

     

    Mas não tem como maquilhar: o que lhe excede em talento falta-lhe em sobriedade. Tem o mérito (e os deméritos) que tem.

    O excesso de vaidade, a arrogância sempre a “babejar”, et voilá, o antí-jogo: praticamente a única forma  que apresenta e que o põe a ganhar… não percebo a coerência de tanta rebanhada para o idolatrar.

    Quer dizer, ou se calhar percebo. Idolatrar a ANTíTESE do futebol, antes de ser coisa de adepto do jogo, deve ser mais o “esfrega-esfrega” dos mass-média, para orgasmos em bacanais cada vez mais bacocos e nacionais.

    O quê de mais suculento e apetecível pode o colesterol das audiências nos mass-média pedir? Nada como um bom e excelente intervalo publicitário entre as conquistas do MaiÓre dos clubes no mundo e o arranque da Selecção das Quinas elevada a níveis dos Tonys Carreiras, das Sagres e bifanas. Parabéns Mourinho!

    E até qualquer dia, aquele em que vais ensinar ao País qual a (tua) única forma de Portugal ganhar um Europeu ou um Mundial: Pode ser com um igual, vaidoso e arrogante CR, mas a 10km/h, (há que o poupar). Com o anti-jogo do custume, ciencia exacta que dominas como ningém, à italiana, ou porque não? – também à da Grécia 2004, que com o mesmo estilo de “futebol-coito-interrompido” tanto se queixou e desculpou a mesma “rebanhada” de Portugal…

     

    PS: Dizem que o Primeiro Ministro tenta ou precisa de manipular a comunicação social… Tá tudo doido!

    Atão se o “Quarto Poder” cumpre o seu papel  no   dar de “papas e bolos” tão bem, por iniciativa própria, e de borla… o PM esfrega as mãos e agradece.

    PC

  • O Salto : Um Adeus Português …………………………. Le Salto : Un Adieu Portugais …………………………..

     

     

     

    A leitura de vários blogs Portugueses , no dia 25 de Abril , levou-me a pensar neste texto .

    Parece-me que existe um desconhecimento do que foi o fascismo e também a falta de peças de arquivos me parece que não ajuda a entender o que foi este período sombrio da história de Portugal.

     

    Em 24 de Abril de 1964 ,  o diário “Le Figaro ” publica na sua capa um artigo que mostra o que foi o fascismo :

    Escândalo em Champigny sur Marne : Cerca de 10 000 operários Portugueses amontoados num bairro de lata sem a mínima higiene

     

    Vivia-se melhor num bairro de lata em França que no Portugal Fascista de Salazar ? Parece que sim .

    Esta peça de arquivo foi publicada no fascículo que acompanha a obra de José Vieira , em dvd  bilíngua  :

    ” Gens du Salto : Mémoires de portugais qui ont fui vers la France dans les années 60 ” .

    ” Gentes do Salto : Memórias de Portugueses que fugiram para França nos anos 60 “.

    Nuno

     

    Link do site oficial

  • Capitães de Abril: Um Filme, um Povo ………………. Capitaines d ‘Avril : Un film , un peuple ……………..

     

    Le fime de Maria de Medeiros , Capitaines d’Avril , est un conte universel .

    Maria de Medeiros avec son film ouvre un nouveau cycle dans l’histoire du cinéma : La fiction qui sait exprimer la réalité en faisant appel à des images d’archives.

     

    Le succès de films tels que : “Entre les murs” ou “Le Prophète” aurait il été possible sans cette première expèrience: “Capitaines d’ Avril” ?

    Selon “Le Figaro” qui n’est pas un journal gauchiste , “Capitaines d’Avril ” fait partie des 12 grands films qui éclairent l’ histoire .

    Nuno

     

     

    O filme de Maria de Medeiros “Capitães de Abril ” marcou ou abriu uma página na história do cinema .

    Não irei catalogar os prémios oficiais que esta obra teve porque são conhecidos. A estes prémios oficiais acrescentam-se os prémios dados pelo público (Arcachon , Cinnessone …) .

    E a opinião do público não deve ser desprezada.

     

    A imprensa Francesa escreveu na altura da saída do filme que , “Capitães de Abril” , tinha rompido com a história do cinema Português. E que não era um filme Português , propriamente dito.

    Eu concordo e acrescentaria o seguinte: A primeira longa metragem de Maria de Medeiros inaugura algo novo no cinema.

    Ela é precursora da nova vaga que ilustra o sucesso de filmes como “Entre les Murs” e “Le Prophète“.

    Trata-se duma obra que sabe através da ficção expressar a realidade recorrendo a imagens de arquivos .

     

     

    E talvez não seja um acaso se o diário Francês “Le Figaro” que nada tem de esquerdista (antes pelo contrário) tenha escolhido o filme de Maria de Medeiros como um dos doze filmes que esclarecem a História.

    Maria de Medeiros soube realizar uma ficção que expressa o universal.

     

     

    Nuno

  • 25 de Abril: Orgulho Lusitano

    [clicar na imagem para ampliar]

     

    .

    1ª página do Jornal ‘Diário Popular’ no dia 25 de Abril de 1974

    Nuno

  • Rui Zink: “A elite portuguesa é ignorante”

     

    O aperitivo introdutório que abre uma excelente peça jornalistica, ao muito bem denominar Rui Zink (RZ) como sendo “um dos grandes provocadores portugueses”, palavras de  Nuno Francisco na entrevista publicada no Jornal do Fundão, versão online de 31 de Março último, pode facilmente deixar o leitor com “agua na boca”, convidando-o, se quiser,  a recostar-se  e apreciar ao que só não chamaria de  peça única, pelo simples facto que considero que esta de RZ deve, pelo menos por aqui no Cosméticas, ser lida, como continuação desta outra: “A imagem de Portugal no mundo” cuja nossa tradução exclusiva de FR para PT, tem feito bastante sucesso, ao ponto de estar a ser imprimida e distribuida, segundo testemunhos recebidos.

     

    Na de hoje, Rui Zink, desde nos dar a sua visão do porquê considerar “Portugal ser um País giro”, ao argumentar do estado de coisas pelas misturadas e ocupações indevidas do poder da esquerda andar-se a passear pelas “ruas da direita”, indo mais fundo ainda no que toca a questões politicas, mas sem deixar de opinar noutros assuntos que nos são aqui tão caros: temas relacionados com a cultura , ou outros controversos da actualidade, tal só vem evidenciar, mais uma vez com esta entrevista, o porquê de o Jornal do Fundão,  ser tido pelo Cosméticas por uma GRANDE REFÊRENCIA, do jornalismo regional. Mérito do Nuno que o tem dado a conhecer aqui a muita gente.

     

    Acabo por destacar neste post alguns trechos da entrevista, até porque, “às duas por três”, dou comigo a rir com Rui Zink a insitir em ir pela via de uma de nossas etiquetas de marca: “cosmetiquices”, e no fundo, o tema deste blogue. E eu a pensar: “querem lá ver que o Rui Zink também já anda a ler este mal fadado blog da outra galáxia?” 😉

    Mas depressa desci à terra:

    “Nááá´! Qualquer dia… Qualquer dia talvez ele veja o que anda a perder :-))))”

     

    Portanto já sabem, eis alguns trechos. Mas não dispensa a consulta completa!

     

    JF – E qual é o nosso handicap [de Portugal]?

    RZ – O nosso handicap é tudo. O nosso handicap é que o PS decidiu roubar o terreno ao PSD e, portanto, neste momento, estamos a ser governados pelo PSD. E o verdadeiro PSD queixa-se – e com razão – de que o seu lugar foi roubado. […] Eu não consigo aceitar o que o governo de Sócrates fez com os professores e com as escolas. O modo como o Ministério da Educação tratou os professores e as escolas públicas, convenceu-me, finalmente, a desistir das escolas públicas. É mesmo para destruir. Mas, depois, há outras coisas em que tem [o actual Governo] componentes interessantes: é evidente que o governo PS tenta, apesar de tudo, não ser xenófobo e isso para algumas pessoas tem alguma importância. Depois, a questão do casamento gay, que não interessa ao país, mas interessa às pessoas deste país a quem isso interessa, que também são o país! Há diferenças. Há batalhas nos costumes em que ainda há diferenças e que não são tão cosméticas quanto isso. No modo como tentam agarrar o poder, como cada vez se confundem mais com o poder económico, na promiscuidade, num certo terrorismo cultural…

     

    JF  – A esquerda é mais “amiga” da cultura?

    RZ – A esquerda tem mais amigos na cultura! Quando a esquerda está no poder, eles dizem: “Bom, vamos escolher este nosso amigo de longa data do partido, em vez de escolher aqui o Zink”, enquanto que a direita diz: “Os gajos são todos de PS para baixo… Portanto, já agora, convidamos o Zink”. Portanto eu beneficio mais quando a direita está no poder.


    JF  – Já foi asfixiado democraticamente?

    RZ – Não… Mas acho que deve ser por causa do meu pescoço gordo. […] Se eu fosse verdadeiramente uma voz incómoda, levava um tiro. Ora, eu não quero levar um tiro, é desagradável; dói. Se ainda tenho acesso, de vez em quando, aos microfones é porque, na verdade, eu também faço parte da cosmética. Parece do contra, mas na verdade faz parte do sistema, o que é normal quando uma pessoa está quase com 50 anos.

     

    JF  – Do que precisamos: de um Presidente da República (PR) economista, de um PR poeta ou de um PR médico?

    RZ – […] Não tenho grande respeito intelectual por Manuel Alegre. Ele dá muitos tiros no pé e é um bocadinho vago em muitas coisas. Mas, dos três [candidatos as presidenciais] , nitidamente é o que tem mais perfil para o cargo: é um fidalgo, tanto lê poesia – que é uma coisa simpática – como vai à caça, tem uma bonita voz, fica bem de barba… acho que ele pode estar em Belém melhor que os outros dois.

     

    JF  – E é preciso tanto “barulho” sobre o novo acordo ortográfico?

    RZ – Sou completamente a favor. Nós não somos os donos da língua… a única forma de evitar que a língua que nós falamos passe a ser uma espécie de mirandês, muito bonito, com interesse arqueológico, mas sem projecção internacional, é colarmo-nos ao Brasil. Quando as pessoas dizem “ai, mas nós é que falamos o bom Português”, eu não sabia que em Portugal havia tanta gente a falar bom português, a escrever bom português, a ler bom português e não sabia que nós tínhamos exactamente o mesmo sotaque de São Miguel ao Porto….


    Houve uma coisa que me horrorizou… Há uns três anos fui a Paris e vi um dicionário “Francês – Brasileiro” e logo na introdução diziam que o português de Portugal já não tem nada a ver com o português do Brasil… Já são duas línguas completamente opostas. É evidente que a França aqui, embora seja nossa amiga, é rival. E eu tive oportunidade numa conferência que dei a certa altura dizer: “ah, pois, eu no outro dia estava com uns senhores que estavam a falar senegalês”. E aí os franceses levantaram-se logo a dizer “não é senegalês, é francês”… E eu disse: “Oh meus filhos da p***, se vocês falam do brasileiro e do português, então, também há o senegalês”. Quando o nosso adversário nos quer dividir, acho um tiro no pé este nacional-patriotismo em relação à ortografia perfeita, até porque nós não usamos a mesma ortografia que o Fernando Pessoa usou.

     

    Link para a entrevista completa:“A elite portuguesa é ignorante”

    PC Jerónimo da Silva

  • Futebol: uma arena de morte? [cap. 6]

    FC Porto, uma lenda viva!«

     

    O FC Porto, pelos resultados desportivos internacionais conseguidos, está no âmbito dos melhores clubes do mundo.
    Não vou referir os títulos internacionais alcançados pelo FC Porto, porque penso que são conhecidos de quem acompanha e segue o futebol.
    Hoje vou debruçar-me, sintecticamente, sobre aspectos que mostram que o FC Porto é o único clube Português a fazer parte da Lenda do futebol Mundial. E isto, porque o futebol também pode ser pensado dum ponto de vista histórico e geo-político.
    Em 17 de Maio de 1984, após a final de Basileia, o diário “Libération“, criado pelo filósofo Jean Paulo Sartre, dedica a sua primeira página à final da Taça das Taças: “La Juve a gagné, mais Bravo Porto!“. Esta primeira página está esgotada. Quem a tem, sabe que assim foi.
    A equipa treinada por António Morais, apresentou um futebol sublime, um futebol que anunciava, simbolicamente, a possibilidade da sociedade Portuguesa poder entrar na CEE, para consolidar a democracia dum país que acabava de sair do fascismo. Se, na altura, o diário “Libération“ é o único diário generalista Francês a escrever sobre o FC Porto e sobre Portugal, é porque será um dos raros diários a defender o pleno direito de Portugal fazer parte da CEE. O jogo do FC Porto, sob a batuta de António Morais , apesar da derrota, foi arte. E a arte cria diálogo.

     

     

    A esta prestação, haverá que acrescentar a final de Viena pela continuação de tal valor simbólico.
    Por outro lado, pela primeira vez na história do futebol Europeu, uma equipa, o FC Porto, permite a um futebolista Africano ser campeão Europeu. E, pela primeira vez, uma equipa campeã Europeia apresenta jogadores oriundos de três continentes: Europa, América e África. A Aldeia Global estava, na altura, em marcha e o primeiro clube do mundo (a meu conhecimento) a desenhar ou a figurar essa evolução, foi o FC Porto.
    Poderíamos acrescentar que o FC Porto é um dos raros clubes Europeus a ter participado e marcado presença numa final das três grandes provas Europeias: Taça dos Campeões, Taça da Taças e Taça UEFA. O único clube Português a ter tal mérito.

    Poderíamos também acrescentar que o FC Porto é, igualmente, o primeiro clube do mundo a conjugar cultura e futebol. Artur Jorge foi o primeiro treinador do mundo culto a ser reconhecido internacionalmente como tal. Este aspecto fica para uma próxima oportunidade com um papelinho “Artur Jorge-Wenger: O combate dos diplomados?“.

    Quer se queira ou não, embora o FC Porto não tenha participado nos quartos-de-final da Taça dos Campeões Europeus, parece que houve por lá um gestozinho à Madjer e à Porto!

    Nuno

    Também em BiBó PoRtO, carago!!