Category: orgulho lusitano

  • As Fantochadas de 5 de Outubro

     

     

    Comemoram-se hoje os 868 anos da fundação de Portugal segundo o Tratado de Zamora (1143) que legitima a indepêndencia de Portugal, a mais antiga nação viva da Europa, e uma das mais antigas do mundo.

     

    Mas oficialmente, comemoram-se os 101 anos da instituição do regime republicano em Portugal.

    Independentemente das guerras ideológicas de regime, quando se atira às urtigas a própria data de nascimento de alguém, haverá com certeza alguma coisa que não bate bem…

  • Portugal: Une Bd d’Exception ou un Monument Anthropologique ?

     

    La Bd, Portugal, de Cyril Pedrosa est grave et légère au même temps.

    La Bd nous montre la vie de Simon Muchat, auteur de Bd en quête d’inspiration.

    Pour combler ce manque, Simon Muchat part à la recherche de ses origines. Saisissant une invitation à un festival de Bd, il part au Portugal pays de ses ancêtres.

    Cette Bd questionne les rapports intimes que les adultes ont ou/et peuvent avoir avec leur enfance et leur passé.

    Cette Bd est l’ un des succés les plus importants da la rentrée pour le rayon Bd.

    Cette Bd a été publiée avec le concours du “Centre National du Livre”.

     

    Photo: Planche de la Bd.

    Nuno

     

     (clicar para aumentar / cliquez pour agrandir)

     

    A Bd Portugal não é uma obra de leitura fácil.

    Se o belo grafismo do autor, Cyril Pedrosa, é fácil e deslizante, já menos poderão ser os sentimentos complexos que o autor trata na sua obra.

    Não creio que esta Bd seja uma obra, meramente, autobiográfica.

    Existem, todavia, nela aspectos que reenviam para a memória: Simon Muchat, autor de Bd, deixou de ter inspiração criativa e parte em busca das suas origens, desaguando em Portugal. E desagua em Portugal porque é convidado para um festival de Bd.

     

    Portugal é o país do avô de Simon Muchat. E Simon Muchat descobre, pouco a pouco, uma parte das suas origens.

    A reflexão que nos livra Cyril Pedrosa é leve. Mas, ao mesmo tempo, grave porque questiona as relações que os adultos podem ter com o seu passado e com a sua infância.

    Esta Bd é, actualmente, um dos maiores sucessos da “Rentrée”, sendo destacada quer nas livrarias especializadas quer nas revistas especializadas.

    O Albúm foi editado graças ao apoio do “Centre National du Livre”.

    E, graças a este apoio, a Bd não foi publicada, passem-me a expressão, em fatias de salpicão, ou seja, em folhetins.

     

    Foto: Prancha da Bd.

    Nuno

  • Estamos todos de acordo (Por falar em Rui Zink…)

     

     

    Na semana posterior ao arranque do novo ano létivo escolar que introduziu a norma para a Língua Portuguesa ao abrigo do novo Acordo Ortográfico, era já curioso constatar como o “resmungão” povo luso já o vinha adotando sem se aperceber mesmo, pelo menos na leitura do seu dia a dia, desde há vários meses, nos jornais, telejornais ,blogs, outdoors, etc, sem assaltos nem alaridos.

     

    Gostava de saber a resposta de quantos terão reparado objectivamente, e dado pelas diferenças nesta breve introdução do texto segundo as mais flagrantes alterações do AO…

    Contam-se pelo menos três: léctivo ; adoptando; diaadia (com hífens) – eventualmente quatro: tele-jornais (com hífem).

    Importa de facto por isso recordar e repetir, o que destacávamos já aqui há atrasado numa entrevista de Rui Zink.

    E sim, o “C” de facto não cai alí porque não é mudo, pronuncia-se, portanto, escreve-se.

     

    “A elite portuguesa é ignorante” (aqui completa):

     

     

    “-Jornal do Fundão E é preciso tanto “barulho” sobre o novo acordo ortográfico?

     -Rui Zink – Sou completamente a favor. Nós não somos os donos da língua… a única forma de evitar que a língua que nós falamos passe a ser uma espécie de mirandês, muito bonito, com interesse arqueológico, mas sem projecção internacional, é colarmo-nos ao Brasil. Quando as pessoas dizem “ai, mas nós é que falamos o bom Português”, eu não sabia que em Portugal havia tanta gente a falar bom português, a escrever bom português, a ler bom português e não sabia que nós tínhamos exactamente o mesmo sotaque de São Miguel ao Porto….


    Houve uma coisa que me horrorizou… Há uns três anos fui a Paris e vi um dicionário “Francês – Brasileiro” e logo na introdução diziam que o português de Portugal já não tem nada a ver com o português do Brasil… Já são duas línguas completamente opostas. É evidente que a França aqui, embora seja nossa amiga, é rival. E eu tive oportunidade numa conferência que dei a certa altura dizer: “ah, pois, eu no outro dia estava com uns senhores que estavam a falar senegalês”. E aí os franceses levantaram-se logo a dizer “não é senegalês, é francês”… E eu disse: “Oh meus filhos da p***, se vocês falam do brasileiro e do português, então, também há o senegalês”. Quando o nosso adversário nos quer dividir, acho um tiro no pé este nacional-patriotismo em relação à ortografia perfeita, até porque nós não usamos a mesma ortografia que o Fernando Pessoa usou.”

     

    Nota da redação: «“Oh meus filhos da p***» – palavra incognita e censurada pelo maior jornal português antí censura de sempre, Jornal do Fundão em bom português, continua-se a escrever, ler e declamar da mesma maneira de sempre: Oh meus filhos da puta!

  • Ver o Alentejo e Morrer !

     

    Não editarei este post em Francês.

    Também não darei qualquer foto.

    Pensei que a bacia do Alqueva tivesse sido feita para ajudar a rega de plantações.

    Mas não!

    Ofícios ou agências de viagem propõe passeios pelo Alqueva e pelo Alentejo.

    Três dias são 1500 euros… E só a estadia!

    Quem pode?

    Um jovem prof Francês tem,  por mês, um salário máximo de 1300 euros…

     

    Este texto não é um texto populista. Que se reconheçam as greves, as manifestações…cada vez mais abafadas, pela imprensa, na Europa.

    A teoria Marxista, quer se queira ou não, está cada vez mais de actualidade.

     

    Ou seja, o nosso futuro está nas mãos da pequena burguesia.

    Quem teve a sorte de aprender o questionamento?

    Internacionalismo ou nacionalismo?

    E a pequena burguesia és tu e também sou eu.

    Nuno

  • Habemus Papam: Poder e Liberdade? ……………….. Habemus Papam: Pouvoir et Liberté? …………………

     

    Michel Piccoli qui a tourné avec de grands réalisateurs ( Buñuel, Ferreri, Godard, Oliveira, Varda… ) incarne de façon fabuleuse le Cardinal de Melville, le film événement (de Nanni Moretti) de cette rentrée.

    Le Cardinal de Melville ne semble pas vouloir être Pape. Ce n’est pas une révolte contre la Papauté ou les systèmes financiers… C’est une crise intime… Mais aussi intime soit elle, elle questionne le poids de la responsabilité collective et individuelle.

     

    Dans le long entretien que Michel Piccoli à accordé à Télérama, il me semble que ces propos qui suivent peuvent nous autoriser à mieux comprendre l’histoire du cinéma (et du thêàtre): ” Aujourd’hui toutes les filles veulent faire du cinéma ou du théâtre. Avant, dans les familles aisées comme modestes, c’était une honte, presque de la prostituition. Maintenant, c’est valorisant… 

     

    Ce post peut être lu comme la suite de Le Pape Terrible

    Source citée: Télérama, nº 3215, août 2011, p.11 /  Photo: Affiche du film

    Nuno

     

     

    O filme de Nanni Moretti é um acontecimento cinamatográfico invulgar.

    Ele põe em cena o Cardinal Melville que não quer ser Papa.

    Não quero, com isto, escrever que o Cardinal de Melville fosse contra o Papado, o capitalismo… Ele queria era ser livre. Daí o seu silêncio e o enorme grito que rasga o silêncio.

     

    Tem encontro com a História, mas fica sentado enquanto a multidão o espera vê-lo no balcão, na Praça São Pedro, em Roma.

    A noção de responsabilidade colectiva e pessoal é questionada pelo filme.

    O Cardinal de Melville é, fantasticamente, incarnado por Michel Piccoli.

    Michel Piccoli deu uma grande entrevista à revista Télérama. Passo a traduzir as palavras, deste grande actor, que me parecem pôr em relevo a evolução do cinema (mas também do teatro) no seio das nossas sociedades ocidentais.

     

    Leia-se:

    A sua carreira dá uma impressão de liberdade, de diversidade, mas também de fidelidade: A Ferreri, Buñuel, Varda, Sautet, Godard, Oliveira…

     

    O que sempre me interessou na minha profissão foi de viajar, de poder fazer tudo e ainda mais. Estando sempre atento às pessoas que pediam para trabalhar comigo. Tive a sorte de ter sido escolhido por pessoas excepcionais e duma grande elegância. Foram encontros e relações apaixonantes… Nunca calculei para atingir o cume. O que é o cume? Se queremos guardar prazer para exercer esta profissão, é preciso estarmos disponíveis, egoistamente, para as coisas mais enriquecedoras. Para si mesmo. Mesmo se tenho a pretensão de pensar que fiz muitas coisas que eram enriquecedoras para o público. Mas a profissão de actor é cada vez mais “dificultuoso” (“difficultueux” no texto Francês). Insisto nesta palavra. Hoje todas as moças querem seguir cursos de cinema ou de teatro. Antes, nas famílias abastadas como modestas era uma vergonha, era quase prostituição. Hoje é valorizante…

     

    Este post pode ser lido como a continuação de O Papa Terrível

    Fonte citada: Télerama, nº 3215, Agosto 2011, p.11 /Foto: Cartaz do filme.

    Nuno

  • Os Portugueses continuam a saber rir de sí mesmos ……………………………….. et “c’est ça que c’est bon!”

     

    Les Portugais continuent à savoir rire d’eux-mêmes, et “c’est ça que c’est bon!”

     

     

    Com a salutar “invasão francesa” no mês de Agosto pelas várias gerações de emigrantes portugueses de férias, repara-se que há uma nova e contagiante expressão que parece ter virado moda, jovialmente exaltada sobretudo entre as gerações mais novas luso-gaulesas, dos muitos já nascidos lá.

     

    Foi com particular surpresa e admiração que fiquei a saber que tal expressão foi popularizada pela dupla V.I.P Ro et Cut já aqui apresentados, et “c’est ça que c’est bon!”

  • O Jornalismo e a Video Esfera …………………………. Le Jornalisme et la Vidéosphère ……………………….

     

    Il me semble qu’il existe un ouvrage essentiel pour mieux pouvoir comprendre l’évolution du journalisme:

    “L’Etat séducteur: Les Révolutions médialogiques du pouvoir” de Régis Débray.

    Si l’oeuvre date de 1993 et que sa teneur théorique peut être discutée, il n’est pas moins vrai que ce meme texte nous laisse un témoignage indispensable, celui de Jean Claude Guillebard, journaliste à Sud-Ouest Dimanche en 1970.

     

    Lisons :

    “...on attendait de nos articles qu’ils émeuvent, rarement qu’ils expliquent. Le Biafra attendait que l’on s’intéresse à sa cause et nous ne  nous sommes prudemment occupés que de ses souffrances. Il en est mort.”

     

    Source: Oeuvre citée, p.117, Paris, Gallimard, 1993 /  Photo: Dos de la couverture de la revue Latitudes, Jun 2011

    Nuno

     

     

    Parece-me que existe uma obra indispensável para melhor compreender a evolução do jornalismo :

    L’Etat séducteur: Les Révolutions médialogiques du pouvoir” de Régis Débray.

    Se esta obra data de 1993 e que o seu teor teórico pode ser posto em causa, também não é menos verdade que nos lega um testemunho indispensável, o de Jean Claude Guillebard, jornalista do Sud-Ouest-Dimanche em 1970.

     

    Leia-se:

    “… Esperava-se dos nossos artigos que estes emocionassem, raramente, que explicassem. O Biafra esperava que nos interessássemos pela sua causa e, nós, ocupámo-nos, prudentemente, dos seus sofrimentos. O Biafra, por isso, morreu.”

     

    Fonte: Obra citada, p. 117, Paris, Gallimard, 1993 /  Foto: Contra capa da revista Latitudes, jun 2011

    Nuno

  • Procure o Intruso ! ………………………………………… ………………………………………… Cherchez l’ Intrus !

     

    Cette photo me semble intéressante.

    Publiée dans Libé, le 11 avril de l’ année en cours, cette photo, prise à Lisbonne, nous interroge sur les liens établis entre les portugais et la lecture?

     

    Sources et photo: Op.Cit

    Nuno

     

     

    Esta fotografia parece-me interessante.

    Publicada pelo diário Libération, em 11 de Abril do ano em curso, esta foto, tirada em Lisboa, mostra-nos que as Portuguesas e os Portugueses não sabem ler ou não querem ler ?

     

    Fontes e foto: Op. Cit

    Nuno

  • História do Fado para principiantes …………………… Histoire du Fado pour débutants ……………………….

     

    Le texte d’Agnès Pellerin nous montre un regard différent sur l’histoire du Fado.

     

    Le texte d’ Agnès Pellerin peut être lu ici: lien (attendre pour le téléchargement du pdf)

    Nous remercions vivement la collaboration de la revue Latitudes.

     

    Source: Revue Latitudes, nº26, avril 2006

    Nuno

     

     

    O texto de Agnès Pellerin apresenta-nos uma história do Fado que esclarece a ambivalência desta forma musical.

    É um olhar exterior a Portugal que mostra que o Fado sempre soube, graças às suas origens populares, guardar a ideia que a vida é movimento.

    As suas origens populares permitiram-lhe conservar, “bom ano mau ano”, uma recusa de qualquer identificação com os modelos elitistas, ou seja, a expressão de desconfiança em relação à cultura oficial.

     

    O texto de Agnès Pellerin pode ser lido aqui:  link (aguardar pela descarga do pdf)

    O Cosméticas deixa, aqui, bem expresso, o seu agradecimento à revista Latitudes.

     

    Fonte: Revista Latitudes, nº26, Abril 2006

    Nuno

  • Ei Moody’s: Não te metas com os Egrégios Avós!

     

     

    A Moody’s despertou a padeira escondida que existe em cada um de nós.

    Povo de brandos costumes sim, mas que não lhes pisem os calos, ou vai tudo corrido à pazada.

     

    Desde encomendas mal cheirosas, a centenas de milhares a perfilarem para contra o website da Moody’s marchar, marchar, marchar, os mais velhos do canto da Europa alertam os Iankees que respeitinho é bom, e eles gostam.

     

    Sobre a BD