Category: literatura

  • Quando o JRS pisca o olho à Igreja 😉

     

     

    O gesto do Jornalista que se despede diariamente no serão dos portugueses com um piscar de olho malandreco nunca mais será o mesmo.

    Com aquele piscar de olho do José ao terminar os telejornais, os portugueses passarão a lembrar-se: “Olha-me este, que diz que Cristo não era Cristão” – como se alguém pudesse nascer conotado com uma filosofia que só na idade adulta viria a lançar ou divulgar.

    Ou como se fosse alguma novidade que Jesus era Judeu, segundo as suas raízes de linhagem e conforme a “profecia do prometido salvador dos judeus”…

    Ou ainda, como se o cristianismo não passasse a ser alicerçado e difundido enquanto filosofia universalmente reconhecida, sobretudo, somente a partir do Século II depois de Cristo, com a Fundação da Igreja Católica.

     

    A segunda acusação que fez furor por estes dias com a divulgação do novo romance de José Rodrigues dos Santos, “O Último Segredo”, passa por por a nu a realidade de que a “Virgem Maria” não é merecedora do título.

    Será evidente a reacção hostil de um comum católico que seja confrontado com esta verdade bíblica, a de que segundo as evidencias do novo testamento, Maria de Nazaré, tendo sido concebido seu primeiro filho enquanto rapariga virgem, “por obra e graça do Espírito Santo” ,  que a mesma perderia essa condição no seu casamento com José, sendo inclusive  descriminados vários nomes dos filhos que o casal veio a ter, “Irmãos mais novos de Jesus”.

     

    O que não havia necessidade, digo eu… era do JRS querer buscar publicidade gratuita desta forma baixa, que tal como dizia de José Saramago, e tratando-se de escritores com créditos reconhecidos, dispensavam-se de piscares de olhos provocadores à Igreja, não?

    Pois agora, ó José, tu que pensas ter redescoberto a fórmula da pólvora para o sucesso literário, deixo-te aqui mais estas dicas de outros bons dogmas católicos facilmente desmontados pelo próprio relato bíblico, para que possas fundamentar novos enredos das tuas futuras “estórias”:

     

    1. O Dogma da Santíssima Trindade
    2. O da Imortalidade da Alma
    3. O do Inferno
    4. O do dia Natal
    5. O da Proibição da Carne na Quaresma
    6. O da Cruz (Jesus foi pregado numa estaca ou tronco direito)
    7. O do Celibato
    8. O da Confissão
    9. O da devoção a Santos
    10. e assim de repente fico-me por estes, tendo em conta que os dou de graça…

    Paulo Jerónimo

  • Google sabe traduzir Mia Couto? ……………………… Google sait-il traduire Mia Couto? ……………………..

     

    Le Livre de Mia Couto, L’accordeur de Silences, connaît un succès éditorial hors pair.

    Publié par les éditions Métailié, ce texte a vu Philippe Lançon lui consacrer deux pages dans le Libé du 20 oct: L’accordeur du Silence “n’est plus ni moins que l’art du récit par la poésie”.

    La traduction du portugais (Mozambique) de Jerusálem (titre portugais) est de Elisabeth Monteiro Rodrigues.

     

    Image: Télérama, 17 aout 2011 (image qui illustre l’article de Marine Landrot à propos du texte cité), p.44

    Ce post peut et doit être lu comme la suite de Google: Sait-il traduire Pessoa?

    Nuno

     

     

    A obra de Mia Couto, Jerusalém, conhece um sucesso editorial, em França, fora do comum.

    Publicada pelas edições Métailié, com o título L’accordeur de Silences, o texto de Mia Couto tornou-se ume referência.

    Para Philippe Lançon que, no Libé de quinta passada (20 de Out), dedica duas páginas à análise da obra de Mia Couto, o livro assume “a arte do relato pela poesia”.

     

    A tradução do Português (Moçambique) é de Elisabeth Monteiro Rodrigues.

     

    Imagem: Télérama, 17 de Ag de 2011, (imagem que ilustra a análise de Marine Landrot sobre o livro de Mia Couto), p.44

    Este post pode e deve ser lido como a continuação de Google: Sabe traduzir Pessoa?

    Nuno

  • A Bola canibaliza a sociedade Portuguesa ………….. Le foot cannibalise la société portugaise …………….

     

    Dans l’entretien que l’écrivain portugais a donné au magazine So Foot, du mois de septembre de cette année 2011, p. 124, il en ressort que le foot cannibalise la société portugaise.

    Rui Zink nous fait observer que dans la société portugaise tout est pretexte pour parler foot. Et c’est trop!

     

    Source: Op.cit /  Photo: Porto: Fotografias e texto de Werner Radasewsky et Gunter Scheiner, ed. Nicolai

    Nuno

     

     

    Na entevista dada à revista So Foot, deste mês de Setembro, o escritor,  Rui Zink, releva que em Portugal tudo é pretexto para falar de futebol.

    Como aponta Rui Zink, mais é demasiado.

     

    Fonte: So Foot, sept 2011, p.124 /  Foto: Porto: Fotografias e texto de Werner Radasewsky e Gunter Scheneider, ed. Nicolai

    Nuno

  • Sê Macaco e Grita… // … Sois Singe et Crie…

     

    Tu as encore le temps…

    Va voir, La Planète des Singes: Les origines, de Rupert Wyatt.

    Tu ne seras pas deçu(e).

     

    Photo: Le Figaro Magazine, 12 aout 2011, p. 76

    Nuno

     

     

    Foram precisas décadas para que se desse, finalmente, uma continuação conseguida ao romance de Pierre Boulle: La Planète des Singes.

    Continuação que o realizador Rupert Wyatt soube elaborar.

    Pierre Boulle, conheceu os acontecimentos da segunda guerra mundial. Em 1963, elabora o seu romance, La Planète des Singes. Não é só um romance de ciência ficção. É também um questionamento sobre o funcionamento das sociedades humanas.

    Esta obra, tornando-se um clássico, começa a questionar a sociedade Francesa. Se acrescentarmos, a este suceso de edição, o sucesso da canção de Françoise Hardy, tous les garçons et toutes les filles de mon âge, praticamente publicado na mesma altura, podemos pensar que as premissas de Maio de 68 estavam reunidas nestas duas obras.

     

    Curiosamente, a primeira versão cinematográfica do livro de Pierre Boulle sai nos USA em 1968. O Filme é de Schaffner, tendo como actor principal C. Heston.

    Da obra de Pierre Boulle, nascerão Bandas Desenhadas, folhetins televisivos e vários filmes. Em 2001, Tim Burton, tentou uma adaptação demasiada pretensiosa (opinião subjectica) que não teve qualquer êxito.

    O filme de Rupert Wyatt, focando a pesquisa sobre a doença de Alzheimer, nos remete para a memória do texto e da tela.

    Existem demasiados paplimpsestes, piscadelas…, na obra de Wyatt para que se possa resumir tudo. O filme apresenta uma vitória do dominados sobre os dominantes. César deveria chama-se Espartacus…, por exemplo.

     

    O filme de Rupert Wyatt, sem 3D e sem cenas de sexo ou violência deliberada, convida-nos a pensar a ciência e o progresso.

    Interessante verificar que, novamente, Andy Serkis, após a sua prestação no “Senhor dos Anéis”, no papel de Gollum, se torna o actor que sabe actuar com os seus olhos, qualquer que seja o disfarce ou a técnica elaborada.

    O Planeta dos Macacos: A origem, é um filme que nos leva a meditar sobre a ciência, o progresso e a violência.

    E talvez melhor que certos pomposos tratados filosóficos.

     

    Foto: Le Figaro Magazine, 12 de Ag de 2011, p. 76

    Nuno

  • Manoel de Oliveira: Um clássico da história da Arte? M. de Oliveira: Un classique de l’histoire des arts ?

     

    (Cliquez sur la image pour agrandir)

     

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    O “Centre National d’Education Pédagogique” acaba de publicar um trabalho de grande qualidade em torno do filme de Manoel de Oliveira: “Singularidades de uma rapariga Loura“.

    Tive conhecimento desta publicação no meio desta semana.

    E fiquei a pensar se Manoel de Oliveira, tal como Saramago, por exemplo, não é mais conhecido e admirado no estrangeiro do que em Portugal ?

     

    Ou talvez o poeta e filósofo Hans Magnus Enzensberger tenha razão, quando escreve : “ como explicar que ninguém detesta os Portugueses, exceptuando os próprios Portugueses “.

     

    Fonte : H. M. Enzensberger, Ach Europa!, Frankfurt am 1987.

    Nuno

  • Camões é Labbé e Luís é Louise: Viva o 8 de Março!

     

    Amor é fogo que arde sem se ver.

    Je vis, je meurs : je me brûle et me noie ;

    é ferida que dói e não se sente ;

    J’ai chaud extreme en endurant froidure:

    é um contentamento descontente.

    La vie m’est trop molle et trop dure.

    é dor que desatina sem doer;

    J’ai grands ennuis entremêlés de joie.

     

    Louise Camões (1525 ? – 1580) & Luís Labbé (1525 – 1566)

    Nuno   

  • Camões é Labbé e Luís é Louise: Viva o 8 de Março!

     

    Amor é fogo que arde sem se ver.

    Je vis, je meurs : je me brûle et me noie ;

    é ferida que dói e não se sente ;

    J’ai chaud extreme en endurant froidure:

    é um contentamento descontente.

    La vie m’est trop molle et trop dure.

    é dor que desatina sem doer;

    J’ai grands ennuis entremêlés de joie.

     

    Louise Camões (1525 ? – 1580) & Luís Labbé (1525 – 1566)

    Nuno   

  • Esta noite só estou para o António… …………………. Ce soir je n’y suis que pour António… ………………..

     

    Pendant six mois la MC93 va recevoir en résidence António Lobo Antunes.

    C’est sans doute un plus pour la Lusophonie.

    Toutefois, malgré tout, il est questionnant de voir le silence qui entoure l’oeuvre qui a fait connaître Lobo Antunes : Le Cul de Judas

    Le Cul de Judas est un texte qui a trait à tous les pays qui ont connu des guerres coloniales. Est-ce cela qui dérange ?

     

    “…je haissais, Sofia, ceux qui nous mentaient et nous opprimmaient, nous humiliaient et nous tuaient en Angola, les messieurs sérieux et dignes qui de Lisbonne, nous poignardaient en Angola, les politiciens, les magistrats, les policiers, les indics, les évêques, ceux qui aux sons d’hymnes et de discours nous poussaient vers les navires de la guerre et nous envoyaient en Afrique, nous envoyaient mourrir en Afrique, et tissaient autour de nous de sinistres mélopées de vampires.”

    (Extrait du livre Le Cul de Judas)

     

    Nuno

     

     

    Durante seis meses a MC93 de Bobigny vai acolher uma parte da obra de António Lobo Antunes em residência.

    Tal encenação e programação é algo inédito no que toca à cultura Portuguesa em França.

    No que diz respeito à divulgação da obra de Lobo Antunes, não deixa de ser questionante que se tenha esquecido o livro que lhe deu uma dimensão internacional.

    Os Cus de Judas, talvez por dizer respeito a países que conheceram guerras coloniais, ficou nas brumas da memória. Ou talvez que essa mesma memória ainda não seja bruma e que, por essa razão, se tente apagar o que ainda hoje continua válido :

     

    “…eu odiava, Sofia, os que nos mentiam e nos oprimiam, nos humilhavam e nos matavam em Angola, os senhores sérios e dignos que de Lisboa nos apunhalavam em Angola, os políticos, os magistrados, os polícias, os bufos, os bispos, os que ao som de hinos e discursos nos enxotavam para os navios da guerra e nos mandavam para África, nos mandavam morrer em África e teciam à nossa volta melopeias sinistras de vampiros.

    (Extracto da obra Os Cus de Judas)

     

    Nuno

  • Mystères de Lisbonne : …………………………………… …………………..Quando o cinema vai além da ficção!

     

    Mystères de Lisbonne : Quand le cinéma dépasse la fiction!

     

    Un immense film. Un Chef-d’oeuvre !

    Un film qui est mémoire de la tradition des feuilletons de la presse du XIX siècle.

    Le film du cinéaste franco-chilien est une adaptation de l’oeuvre du grand romancier portugais Camilo Castelo Branco ( XIX siècle).

     

    Image : Médias et affiches Françaises.

    (bande-annonce ici)

    Nuno

     

     

    Um grande filme, uma obra prima que soube dar memória aos folhetins da imprensa escrita do século XIX.

    Um filme que não deixa morrer a memória !

    Um filme que mergulha na obra Camilo Castelo Branco.

    Realizado pelo cineasta Franco-Chileno, Raúl Luìz, este filme lembra que a literatura Portuguesa do século XIX é muito mais que Eça de Queiróz.

    Raramente, um filme foi tantas vezes citado, elogiosamente, na crítica Francesa.

     

    Imagem : Médias e cartazes Franceses.

    (trailer aqui)

    Nuno

  • O Orgasmo Feminino : Um Tabu Salazarista ………… L’ Orgasme Féminin : Un Tabou Salazariste ………….

     

    Le texte de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta et Maria Velho da Costa, Nouvelles Lettres Portugaises, a été publié au début des années 70.

    Ce livre provoque un très grand scandale dans le Portugal fasciste. L’ouvrage est interdit par la censure et les auteures sont accusées de pornographie, outrage aux bonnes moeurs, …

    Les confidences de Maria Velho da Costa ( p.20 ) nous montrent à quel point le fascisme portugais encadrait la sexualité des femmes.

    L’orgasme féminin était un mot tabou et, donc, une réalité qui n’existait pas.

    Suit, ci-joint, l’article de la revue Latitudes dans son intégralité.

     

    Nous remercions vivement la collaboration de Latitudes.

    Nuno

     

    [clicar para ampliar / cliquez pour agrandir]

     

    A revista “Latitudes” publicou em Junho de 2006 um artigo fabuloso cuja autora é Maria Graciete Besse.

    Trata-se dum texto que re-visita a obra : Novas Cartas Portuguesas.

    Foi no contexto da época setenta que foi publicada. Foi uma obra que marcou o movimento feminista Europeu.

    Quanto a mim, este artigo mostra que o Fascismo Português vai muito além da PIDE e das torturas físicas.

    O Salazarismo foi também uma tortura psicológica, impedindo a palavra e diálogo que são indispensáveis à democracia.

    Quando lemos o artigo, é impossível não nos atardarmos sobre as confidências de Maria Velho da Costa ( p.20 ) : As mulheres Portuguesas, mesmo as mais esclarecidas não ousavam, nos anos setenta, falar de orgasmo feminino.

     

    Pergunto-me se mudou mesmo algo na sociedade Portuguesa ?

    Segue, “aqui” , na sua totalidade o artigo de “Latitudes“.

    Agradecemos, vivamente, a colaboração da revista Latitudes.

    Nuno