A excelente revista mensal So Foot dedica, no número deste mês de Junho, um artigo aos jogadores naturalizados que jogaram ou jogam pela selecção do país de acolho. E estabelece uma classificação que engloba 25 jogadores.
A naturalização não é um fenómeno novo no mundo do futebol. Basta lembrar Di Stefano e Ferenc Puskas que, uma vez naturalizados, jogaram pela Espanha. Existe ainda, quanto à Espanha, o exemplo de Marcos Senna, nascido no Brasil. Jogador que ajudou a “selecion” a conquistar um titulo maior em 2008. O que não acontecia desde 1964.
O topo da classificação é encabeçado pelo “naturalizado” Deco. A chamada do maestro do FC Porto à “selecção” aparece como a mais controversa devido às declarações na altura de Figo: “Isso prejudica o espírito de equipa. Se nasceu na China, muito bem, joga pela China“. E, uma vez Figo citado podemos ler, ironicamente: Se Deco tem os olhos em amêndoa é porque tem sangue Japonês e não Chinês.
O que terá levado Figo a tais declarações? Não era ele um jogador habituado ao cosmopolitismo? Não conhecia ele a historia de Di Stefano e Puskas? As palavras de Figo espelham uma sociedade Portuguesa que é racista? Uma sociedade que esqueceu que é fruto duma enorme mistura? Pode ser racista uma sociedade em que qualquer família tem, no mínimo, um familiar que é e/imigrante?
Porque e quem tanto incomodava o “maitre à penser de Porto“? Por ser do FC Porto? Por ter sido descoberto pelo FC Porto? Por não incarnar nem o centralismo lisboeta nem a ruralidade Portuguesa?
A politica sempre esteve, embora em graus diversos, presente no mundo do futebol. Há quem compare a Ucrânia de hoje à Argentina de Videla.
Dezasseis selecções e trinta e um jogos. Até 2 de Julho haverá dois Euros: Um dirá respeito ao futebol; Outro à moeda e à economia. Os governos em dificuldade apostam no Euro para fazerem ilusão ou diversão. Já o governo Francês não terá representantes oficiais na Ucrânia.
Explicitas são também as palavras do capitão Alemão, Phillipp Lahm: “A minha posição sobre os direitos fundamentais, direitos humanos, liberdade de expressão ou de imprensa não correspondem à situação actual da Ucrânia.” Quando o primeiro ministro Espanhol pede ao seleccionador Espanhol para ganhar o Europeu, para dar alegria ao Espanhóis, Del Bosque responde-lhe com sabedoria e razão: “… a possivel vitoria no Euro não é a solução para os problemas do país.” (Libé, p.4 / 6 jun)
E se tudo ainda não estivesse podre?
Fontes: So Foot, n°97 ; Libération, 6 Juin 2012
Nuno
Comments
2 responses to “Dois €uros por um Gol€…”
São vários os temas que aborda, Nuno. E todos interessantes: a palermice dos políticos que acham que os problemas se resolvem com golos, a lucidez de gente da bola que os expõe ao ridículo, os que não pactuam com o “General Videla”, jogadores que vêm para além das quatro linhas (a selecção alemã visitou Auschvitz para dizer que, daquilo, nunca mais), xenofobia e racismo, a que Platini veio dar novo enquadramento, com a possibilidade de os árbitros suspenderem os jogos em que surjam manifestações desse tipo (só acho que é pedir demais aos árbitros, deveria ser outro agente a ficar com essa responsabilidade).
Mas sobre Deco, que se fez jogador e homem em Portugal (não foi importado como produto acabado, tal como o Pepe, que veio com 17 anos para Portugal) não posso deixar de o corrigir: foi descoberto pelo Benfica, e era jogador do Benfica! A habitual “esperteza” de Pinto e a frequente inabilidade dos dirigentes do Benfica é que permitiram que ele voasse para FCP com escala no Salgueiros.
Um abraço, Nuno.
ENQUANTO ISSO… VEJAM QUE POLÉMICA PARA AQUI VAI:
Ignorant, assassin, paranoïaque, cupide, lâche, cruel: le vrai Vasco de Gama
La biographie que Sanjay Subrahmanyam a consacrée au marin a été très mal accueillie au Portugal: Vasco de Gama y est un héros national. Il n’y a pourtant pas de quoi. Entretien avec le déboulonneur de statues.
http://bibliobs.nouvelobs.com/essais/201 20618.OBS8944/ignorant-assassin-paranoia que-cupide-lache-cruel-le-vrai-vasco-de-g ama.html
AGORA DIGO EU:
Ó génio de Camões e Pessoano
Venham calar o bico a este pedante
Ó sabedoria do Herculano
Vem ensinar A História ao ignorante!…
Eunice