Category: futebol: uma arena de morte?

  • Será do Benfica? …Perguntar Não Ofende #20

     

    Curioso como depois de vários anos em banho maria, no regresso da atividade definitiva do Blog, encontra-se no top dos posts mais vistos do dia este de 2009: A Galinha da Vizinha.

    O Benfica jogou ontem. Mal, ao que parece. Serão saudades doutros tempos e espetáculos? Ou de outras belas coisas por aí ilustradas e escritas?

     

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    foto ilustrativa de A Galinha da Vizinha (link)

     

  • O Melão de T3LL0

     

    Pelo sim pelo não, porque já me arrempendi de não o ter feito na altura de se terem averbado no dragão outros 5-0 noutro clássico, ou porque nas redes sociais (culpadas da suspensão de assuntos neste blog) os temas são tão efémeros e voláteis, deposito neste obituário o pensamento de ontem pelo pê de T3LL0. E desafio o Nuno PortoMaravilha a fazer o mesmo.

     

     

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    É pá, isto não se faz!
    Faltam ainda 10 minutos para acabar o jogo mas tenho de solicitar desde já o livro de reclamações aos senhores do Dragão.
    Então a malta compra bilhete para assistir àquilo que se espera ser um grande clássico de futebol e apresentam-nos em palco um Bailinho da Madeira?!

    Não vale!
    Ao menos digam ao Jackson onde estamos, que em portugal tal dança não tem passo doble… ao quaresma que se deixe de invenções porque esta não é uma coreografia cigana, é da terra do amigo Ronaldo portanto não vale trocar o passo ao adversário, não vale… e ao Lopetegui que não estamos no País Basco nem na tropa, pois que o Bruno de Carvalho não é propriamente dirigente da ETA nem era preciso acertar-lhe o passo… é que sinceramente… assim não há condições!

    Paulo Jerónimo

  • A Transmissão Simbólica n°29 ………………………….. ……………………….La Transmission Symbolique n°29

     

     

    “Viver só em Lisboa, com 11 anos, era muito complicado. A língua é quase diferente. Não é absolutamente nada o mesmo sotaque que na Madeira. Não compreendia nada.

     

    Cristiano Ronaldo

    So Foot-Junior, mai 2014, p.37 

    Nuno

  • Benfica: Orgulhosamente só no Cosmos?

     

     

     Clicar nas imagens para ampliar

     

    A imprensa Francesa ganhou mais um título neste mês de Abril: So Foot-Junior. O lançamento desta publicação, protagonizado pela prestigiada revista So Foot, foi salientado pelos mídia. É, após So Film e So Film-España, o último capítulo publicado, mas certamente não o derradeiro, duma aventura editorial que começou com quatrocentos euros.

    A revista, como o deixa entrever o seu nome, é destinada, sobretudo, a jovens e adolescentes. Contudo, certas “más línguas”, dizem que vai ser confiscada pelos pais e adultos. Este primeiro número apresenta um dossier central dedicado a Cristiano Ronaldo que tem, por essa razão, as honras da capa.

     

    Outro caderno interessante é aquele que, resumindo a história recente do futebol, aponta várias definições e escolhas do clube ideal. O único clube Português a ser citado é o FC Porto e relativamente aos itens aqui apresentados. 

    E quem acredita que o Benfica é o clube com mais sócios no mundo pensa que o Sol anda à volta da Terra.

    Fonte: So Foot-junior, mai 2014, pp. 48-49

     

    Nuno

  • A Transmissão Simbólica n°28 ………………………….. ……………………… La Transmission Symbolique n°28

     

    A biografia futebolística de Gianni Rivera parece ter sido esquecida e diluída nas “brumas da memória”, dando-se maior relevo às declarações filosóficas do Brasileiro Sócrates, às considerações terceiro-mundistas de Maradona, às concepções tácticas de Johan Cruyff, ao “design” de Beckham ou de C. Ronaldo…

    Gianni Rivera foi campeão Europeu em 1969 com o Milão AC (4-1 contra o Ajax) e, em 1970, foi, com a selecção Brasileira, uma das “grandezas” da Copa do Mundo, no México. E, isto, por duas razões: Qualificou a Itália para a final (golo aos 111 minutos, contra a RFA) e apenas joga os derradeiros cinco minutos, na final perdida contra o Brasil (4-1).

     

    Gianni Rivera é na altura, momento em que o futebol se torna cada vez mais atlético, muito criticado, pela imprensa Italiana, devido à sua constituição física. Chega a ser denominado “bom futebolista para jogos amigáveis” ou “sacristãozinho”…

    Na entrevista que deu à revista So Foot n°108 – 2013, pp. 160-163, decorridos 40 anos, Rivera continua igual a si próprio, declarado:

     

    Ser treinador? Não tinha vontade de passar toda a minha vida em fato de treino.

     

    E, para concluir, este remate:

     

    O futebol são duas coisas: a visão do jogo e a técnica. Alguns vêem o que é preciso fazer, mas não têm posses para o realizar. Alguns, ainda, sabem fazer tudo com uma bola, salvo o que seria preciso fazer. Eu tinha estas duas qualidades.”

     

    Fonte:  So Foot n°108 – 2013, pp. 160-163

    Nuno

  • Porto; Ponte, Vida – 2 : P. Futre & Luta de Classes

     

     

    Para festejar o seu décimo aniversário, a revista So Foot, nascida com um capital de 450 euros, apresenta 198 páginas de entrevistas “orgásticas” com jogadores que marcaram e pontuam a história do futebol moderno. 

    Dado a conhecer, graças ao FC Porto, com a conquista da Liga dos Campeões Europeus em 1987, Paulo Futre é o único jogador Português presente no conjunto de entrevistados, destacando-se, assim, com Platini, Zidane, Ronaldinho, Hagi…

     

    Após a consagração da Liga dos Campeões Europeus, Paulo Futre é transferido para o Atlético de Madrid por 400 milhões de pesetas (2,2 milhões de euros). A segunda maior transferência de sempre para aquela época. E esta transferência desagua, com o tempo, em outras. E, no âmbito da sua carreira, Paulo Futre, conhecerá Berlusconi e Bernard Tapie homens que, ainda hoje, são actores da actualidade internacional. 

    Nascido em 1966, numa família operária de Montijo, Paulo Futre, depressa toma consciência da sua condição social e define-se como anti-burguês. O seu primeiro salário é destinado a comprar um gira-discos e para ouvir a música de Queen e, se a história se repetisse, tornaria a fazer greve, como jogador, aquando a Copa do Mundo de 1986. 

     

    Poder-se-ia continuar a descrever a entrevista com Paulo Futre e, no fundo, poder-se-ia pensar que este depoimento não aponta nada de novo se não existissem estas palavras do mesmo Paulo Futre:

     

    … (eu) não compreendia nada, não compreendia que se ganhássemos a final (LdC) todo o povo do Porto, ricos e pobres, ficaria feliz. E se perdêssemos todos chorariam. Porque só no Porto é que é assim.”

     

    Haverá melhor do que estas palavras para definir uma nação? 

    O Porto é uma nação!

    Fonte: So Foot – 10 ans – n°108 – pp.180-184

    Nuno

  • Porto; Ponte, Vida – 1

     

     

    Em seis de Agosto de 1968, Miguel Torga, visitou Vilarinho das Furnas, no Gerês, véspera do dia em que esta Aldeia foi inundada. Como outras comunidades comunitárias foi escolhida consciente e politicamente pelos Serviços Florestais dependentes do governo fascista. Os sectores geográficos correspondentes à construção das barragens foram determinados, essencialmente, por razões ideológicas. Era necessário desenhar uma unidade que nunca existiu. Aceitar que “para lá do Marão mandam os que lá estão” não era compatível com o conceito de centralismo.

     

    A diversidade de inúmeras “minha terra = meu país” não é incoerente com uma vivência de 8 séculos no âmbito da mesma fronteira administrativa e nacional. Miguel Torga como Fernão Magalhães é Transmontano. Se Miguel Torga, prémio Internacional de Poesia em 1972, é um ilustre desconhecido em Portugal, Fernão Magalhães, o maior navegador Português, não figura no monumento realizado em honra dos descobrimentos.

     

    Não se trata, nesta nova rubrica, de construir novas teorias ou ideias. Sim de disponibilizar documentos sobre a cidade do Porto e a sua história que o centralismo lisboeta procura apagar ou normalizar na memória colectiva dos Portugueses.

     

    Na foto, tirada em 1963/4, aparece a seleção de andebol da cidade do Porto. Esta seleção reunia jogadores de vários clubes da cidade Invicta e participava em torneios na Galiza. O quadro da foto é o campo de andebol do antigo complexo desportivo do FC Porto, situado na Rua da Constituição. Este complexo, guardando-se a fachada, foi totalmente renovado. 

     

    Fontes: Miguel Torga, En franchise intérieure, ed. Aubier Montaigne, Paris 1982, p.347 | O Título é tirado do nome duma novela, em honra do Porto, do escritor Brasileiro Moacyr Scliar | A foto é minha

    Nuno

  • Pensar o Futebol Alemão

     

     

    Bundesliga, Mapa de Época 2007-2008 (clicar para ampliar)

     

    Pela primeira vez, na história da Liga dos Campeões, as meias finais deram lugar a um embate entre dois países: A Alemanha e a Espanha. E, naturalmente, os clubes espanhóis foram eliminados e a final foi disputada entre o Bayern de Munique e o Borussia de Dortmund. O encontro entre estes dois clubes veio destruir ideias e preconceitos a propósito do futebol Alemão. Este não é um espectáculo frio e racional em que a força física esmagaria a técnica e a arte de saber brincar com a bola. Antes pelo contrario: é o que podemos deduzir do deslumbramento que nos foi proporcionado.

     

    O resultado vitorioso dos clubes Alemães nas meias finais é o retrato duma Liga que apresenta resultados económicos e desportivos invejáveis. A Liga Alemã tem a maior média de espectadores por jogo no mundo: 45 000. Em contrapartida, apesar de todas as estrelas que nela actuam, a Liga Espanhola conhece uma média de 28 000 espectadores por jogo.

     

    A apresentação caricatural do futebol e da sociedade Alemã que, em geral, era feita pela imprensa Europeia (não Alemã) não permitiu descortinar a evolução da Bundesliga. Atestemos os preços, em euros, dos bilhetes das meias finais, por ordem crescente: Allianz Arena 40 -150; Signal Iduna Park 45 – 175; Santiago Bernabeu 70 – 325; Camp Nou 91 – 359. Os dois clubes Ibéricos apresentam, claramente, preços bem mais altos. O que pode ser considerado como uma insolência ou como um absurdo, considerando a crise e as suas repercussões distintas nas duas sociedades referidas. Mas também é possível verificar que, se o orçamento dos clubes Espanhóis é superior ao dos clubes Alemães, a reserva financeira ou divida para 2012 – 2013 é a seguinte (em milhões de euros): Bayern +129; Dortmund -40; Barcelona -350; Real Madrid -450. Resumindo, saldo de 89 milhões para a Bundesliga e déficite de 980 milhões para a Liga Ibérica.

     

    Uma vez as obrigações fiscais pagas, a Bundesliga multiplicou, em dez anos, por dois os seus resultados positivos. As receitas são oriundas da bilheteria (21,2 %), direitos tv (26,2%) e publicidade (26,6%). Em 18 clubes 14 dão lucro e a Bundesliga conheceu, uma vez os impostos pagos, um lucro de 55 milhões de euros. Uli Hoeness, presidente do Bayern declarou à revista So Foot (Abril 2013) que o que fazia a força do campeonato Alemão era a ideia que “só é possível sobreviver se outros que te rodeiam sobrevivem“. E, efectivamente, o Bayern contribui para ajudar e consolidar os orçamentos financeiros dos seus rivais, comprando sobretudo no mercado interno.

     

    Todavia, o actual presidente do Bayern, esteve, nos anos 1990, ligado a casos de corrupção. O que, por um lado, relativiza a exemplaridade do futebol Alemão,mas, por outro,  não invalida que o Bayern tenha uma reserva financeira de 129 milhões de euros. Há vinte anos consecutivos que o Bayern tem um excedente financeiro. O que leva Uli Hoeness a dizer: ” Quando os outros clubes vão ao banco é para pedir emprestado, nos quando vamos é para depositar.”

     

    Mas entre todos estes aspectos penso que o que sobressai é o número, a média de espectadores por jogo. Tanto mais que a classe trabalhadora Alemã conhece também as dificuldades da crise. 

    Nuno

    Fonte: Le Monde, Sport & Forme p.4, 27 avril 2013

    Créditos de imagem: billsportsmaps.com

  • So Foot, So Porto…

     

     

    A edição de Fevereiro da já lendária revista “So Foot” dedica um dossier de várias páginas ao melhor numero 9 da atualidade.

    A exposição abre com a fotografia aqui presente. Uma fotografia que evita mil discursos. Não é necessário citar que entre Benfica, Saragossa e  Porto, o realismo ditava ser este o melhor clube para o futuro de Falcão.

    E Falcão vestiu a camisola n°9. E não a mais deixou.

    Esta mesma edição apresenta, igualmente, um dossier – entrevista com Lucho. El Comandante diz que o Porto é um clube voltado para o futuro.

    Mas já são muitas páginas e, assim, fico por aqui porque senão é cousa para não se crer. 

     

    Nuno

    obs: So Foot, Fev 2013, pp. 26-39

  • A Transmissão Simbólica nº 26 ………………………… La Transmission Symbolique nº 26 …………………….


    “On dit beaucoup de conneries sur l’art de réaliser des films. Il faut arrêter avec cette entreprise de mystification. Réalisateur, ce n’est pas faire de l’art comme la peinture ou l’écriture. C’est plus proche de l’entraîneur de football.” S. Mendes

     

    Source: So Film N°5, Nov 2012, p.76

     

    (tag: La transmission symbolique n°26-feuillets)

    Nuno


     

    Dizem-se muitas caralhices sobre a arte de realizar filmes. É preciso parar com essa empresa de mistificação. Ser realizador não é criar arte como a pintura ou a escrita. É mais próximo do treinador de futebol.” S. Mendes

     

    Fonte: So Film N°5, Nov 2012, p.76

    Nuno