França : Maio de 1968 e Outubro de 2010 ………….. France : Mai 68 et Octobre 2010 ……………………….

 

Il me semble que les propos du sociologue Olivier Galland analysent très bien la montée de la politisation de la jeunesse française.

Entre mai 68 et octobre 2010 il y a deux mondes.

 

Lisons :

Voyez-vous des ressemblances avec Mai 68 ?

Ça me semble assez éloigné. En mai 68, il y avait quelque chose qu’il n’y a pas du tout aujourd’hui : l’utopie, l’idée que l’on pouvait transformer de fond en comble la société. Il y avait aussi un conflit de générations très fort, notamment à propos des moeurs. Aujourd’hui c’est le contraire : les jeunes vont manifester pour la retraite des vieux, ce qui semble parfois surréaliste.

Source : Libé, 21 oct, p.5

Photo : Médias fr / Place de la République, 19 oct 2010

Nuno

 

 

Há quem compare os acontecimentos de Maio de 1968 aos de Outubro do ano em curso.

Os dois movimentos parecem-me muito diferentes. A imprensa Francesa e internacional parece ter medo, calando os acontecimentos actuais Franceses. Tal não foi o caso em 1968.

Desde então a França mudou.

A foto que, aqui junto segue, e que já é o retrato dos acontecimentos mostra que as preocupações mudaram e os actores também.

As palavras do sociólogo Olivier Galland, em entrevista ao diário “Libération” (21.10.2010), parecem-me resumir com agudeza o contexto dos acontecimentos actuais Franceses.

 

Passo a transcrever :

Vê semelhanças com Maio de 68 ?

Parece-me bastante diferente. Em Maio de 1968, havia algo que não existe, mesmo em nada, hoje : A Utopia, a ideia que se podia transformar dos pés até à cabeça a sociedade. Havia também um conflito muito forte entre gerações, nomeadamente a propósito das questões ligadas ao modo de vida. Hoje é o contrário : Os jovens vão manifestar pela defesa da reforma dos velhotes, o que parece, por vezes, surrealista.


Fonte : Libé, 21 de Out de 2010, p. 5

Foto : Mídias Fr / manif : Place de la République, 19 de Out de 2010

Nuno

Comments

7 responses to “França : Maio de 1968 e Outubro de 2010 ………….. France : Mai 68 et Octobre 2010 ……………………….”

  1. Eunice Avatar
    Eunice

    ISTO JÁ É VELHO… e a ladroeira também! Quem disse que a história balbucia?
    1.-
    Soneto quase inédito

    Surge Janeiro frio e pardacento,
    Descem da serra os lobos ao povoado;
    Assentam-se os fantoches em São Bento
    E o Decreto da fome é publicado.

    Edita-se a novela do Orçamento;
    Cresce a miséria ao povo amordaçado;
    Mas os biltres do novo parlamento
    Usufruem seis contos de ordenado.

    E enquanto à fome o povo se estiola,
    Certo santo pupilo de Loyola,
    Mistura de judeu e de vilão,

    Também faz o pequeno “sacrifício”
    De trinta contos – só! – por seu ofício
    Receber, a bem dele… e da nação.

    JOSÉ RÉGIO Soneto escrito em 1969, no dia de uma reunião de antigos alunos.
    Tão actual em 1969, como hoje…
    E depois ainda dizem que a tradição já não é o que era!!!
    ================================================
    2. –
    “Um povo imbecilizado,humilde e macambúzio fatalista e sonambulo, burro de carga, besta de nora,aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia de um coice, pois que já nem com as orelhas é capaz de sacudir as moscas”
    Guerra Junqueiro 1886

    1. MrCosmos Avatar

      Grandes verdades Eunice. Grandes, nuas, duras e cruas.
      É o retrato politico e social de Portugal que perdura há décadas e sabem-se lá quantas mais ainda irá perdurar.

      Eu costumo dizer que isto só lá vai com mais uma ou duas gerações…

  2. Eunice Avatar
    Eunice

    ES AMARGA LA VERDAD QUIERO ECHARLA DE LA BOCA !
    Tristes verdades umas presentes e outras antigas (e que se repetem)
    verdades cruas e terríveis narradas por um jovem recém-casado (6 meses), o avô do meu marido durante a guerra 1914-1918. Os diários dos oficiais não criticam, o de Joseph Prudhon critica : aliás perdeu um irmão, um cunhado, primos e amigos de infância.
    Escrito em francês, claro e publicado esta semana. Coragem! Enquanto há vida há ESPERANÇA.

    http://www.editions-harmattan.fr/index.asp?navig=catalogue&obj=livre&no=32442

    JOURNAL D’UN SOLDAT
    1914-1918
    Recueil des misères de la Grande Guerre
    Joseph Prudhon
    Texte présenté par Eunice et Michel Vouillot
    Mémoires du XXe siècle
    Paris, HRMATTAN

    Joseph a tenu son journal chaque jour jusqu’à son retour du front, témoignage poignant de ces années de malheur. Avec ses camarades d’infortune, il a vécu quatre ans, enterré dans la boue, sous les obus, sous les bombes et les gaz. Tous, ils ont subi la rigueur des hivers et la fournaise des étés ; ils ont mangé du pain moisi et de la nourriture avariée ; ils ont subi des brimades et des marches épuisantes ; ils ont été exposés aux épidémies ; ils ont aussi fraternisé dans la douleur.

    1. PortoMaravilha Avatar

      Olá Eunice !

      Calma e Muitos Parabéns pela publicação das memórias de Joseph. Deve ter sido um trablho árduo. Mas muito preciso porque a memória se perde.

      Será que aceitas para, este pequeno blog, uma entrevista, em pt e em fr, dedicada ao vosso trabalho de recuperação da memória ?

      Quanto às citações que mais acima escreves e que o Paulo conjuga.

      Queria só lembrar : Quantos povos se libertaram sós e só pr si do Fascismo /nazismo ? Creio que o povo carneiro Português foi o único a fazê-lo. Um paragdima na história da Europa !

      Nuno

  3. Gisleuda Gabriel Avatar
    Gisleuda Gabriel

    Nuno, embora ainda não tinha nascido, bem recordado!

    Alguns historiadores afirmaram que essa rebelião foi o acontecimento revolucionário mais importante do século XX, pois não se deu numa camada restrita da população, mas a uma insurreição popular que superou barreiras étnicas, culturais, de idade e de classe.

    Muitos viram os eventos como uma oportunidade para sacudir os valores da “velha sociedade”.

    Então, levando em consideração sua comparação com os dia atuais e fazendo uma analogia com que foi dito, seria então a idéia de que muitos viram ‘a oportunidade’ para sacudir os valores de uma “sociedade velha”?

    Sim, os tempos mudaram.

    Abraços,

    Gisleuda Gabriel.

    Segue o link de um artigo publicado na Folha (2008) sobre o acontecimento de maio 68:
    http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u396741.shtml

    1. PortoMaravilha Avatar

      Gisleuda,

      Bem aparecida. Nem imaginava. Grande prazer em te ler aqui.

      Agradeço o link que li atentamente.

      Eu sou um pouco filho de Maio de 68. É ! Estou a ficar velhinho.

      Maio de 68 foi essencialmente uma luta contra as questões do modo de vida. Lendo com recuo, a maior vitória de Maio de 68 foi a imposição da “mixité” nas escolas e, também, várias questões ligadas ao modo de vida ( sexualidade, homo-sexualidade, arte, etc ).

      Foi um combate necessário.

      Os líderes de Maio de 68 são essencialmente jovens que pedem e reclamam o direito de poderem consumir. A maior parte deles ocupa hoje ( conheci alguns bem de perto ) lugares de decisão. Não existem, em 68, subúrbios tal como hoje os conhecemos, ou melhor, não existem reservas de lumpen-protelariado sem eira nem beira.

      Talvez por isso, Maio de 68 tivesse tanta cobertura mediática. Exceptuando alguns grupos, o sistema não estava em causa. Era uma utopia longe da realidade. A manifestação silenciosa logo após Maio 68 mostrou isso mesmo.

      O pensador norte americano, Marcuse, exporá na altura as suas teses que defendem que a vontade de consumir alimentará o sistema. Foi na altura julgado como um extra terrestre. Quando vemos o massacre da floresta Amazónica, acho que tinha razão.

      As conquistas sociais em França datam da Frente Popular e do após guerra. Os moços e moças que, actualmente, manifestam, manifestam por essas conquistas sociais que estão a ser postas em causa.

      Isso já é muito mais incomodativo. E aí, a sociedade do espectáculo tal como a pensou Guy Debord talvez se sinta menos à vontade.

      Já não se trata de pensar ideais. Mas defender conquistas sociais.

      E, deste ponto vista, é interessante verificar a ausência de comentários nos mídia quanto à presença massiva dos jovens das escolas profissionais nas manifs.

      As universidades pouco ou nada estão presentes ( 7 sobre 87 / não sei se são os bons números , mas quase certo a mais um ou menos um número ).

      Mas haveria muito mais que escrever…

      Abraços,

      Nuno

      1. Gisleuda Gabriel Avatar
        Gisleuda Gabriel

        Nuno, o prazer é sempre meu em ler seus ‘posts’.

        Kkkk Estamos a ficar velhinhos Nuno, que bom então!
        Na falta da ‘presença’ para as conversas, o blog será um verdadeiro e melhor aliado.
        Sempre aprendo muito com você.
        Obrigada pela resposta.

        Sim, Marcuse tinha razão e me pergunto aonde tudo isso vai dá.

        Abraços,

        Gisleuda Gabriel.