Category: orgulho lusitano

  • Equador à venda em DVD: Obrigado, mas dispenso!

     

     

    A mais cara de sempre, e comungo, para mim também a melhor produção/adaptação nacional de um livro para tv até à data, está por esta altura a ser badalamente anunciada como colecção disponível em DVD. Apesar de me parecer que seu lançamento oficial fora já pelo último Natal, obrigado na mesma, mas, dispenso!

    Com o livro já lido aquando da sua apresentação por episódios no canal responsável pela produção, a TVI, foi com entusiasmo que recebi a boa nova desta adaptação sobre a guerra de interesses comerciais provenientes dos produtos das colónias portuguesas, questionadas, e fortemente prontas a serem repremidas, pela coroa Inglesa.

    Desde minha infância e que me lembre de existir um gravador VHS lá em casa, que me encontro aficionado no hobby das gravações caseiras,

    nas coletas, busca e pesquisa de cartazes, recortes de revistas e jornais, tudo com a finalidade do encadernamento de uma caixa personalizada

    das cassetes, e cadastramento com listagem da videoteca, alfabeticamente metódica, sendo que hoje aguardam digitalização para DVD boa parte delas.

    Pelo que foi religiosamente com as maiores das naturalidades que nem pensei duas vezes em gravar, semana após, semana todos santos pisódios exibidos pelo canal, alias, 29, descontada a gafe de ter perdido apenas, um unico episódio, o nº 10 :-(.

     

    Eu a vocês, não sei, mas aqui o Mr, até que estava capaz de comprar toda a colecção. Não que pelo facto de a transcrição agora feita pela produtora para DVD ter sido directa de HD nativo me dislumbre, mesmo sabendo tratar-se de uma tecnologia e qualidade não disponivel no canal de exibição a partir do qual gravei. De resto, nem os autoproclamados canais HD portugueses exibem na verdadeira exigência de um puro HD, mera publicidade enganosa, portanto. Em suma, HD’s não me deslumbrariam trocas, quando em causa esta uma colecção ‘única’ , pessoal e intransmissivel, devidamente encadernada e masterizada em DVD, artesanalmente com estas mãozinhas.

    Antes, o desafio de adquirir a colecção em mercado passaria sim, pelo colmatar da aquisição do episódio em falta, ou, pelas suas mais de 1:30 horas de extras e bastidores, disponíveis.Tentação!

     

    Para quem não leu o livro, esta colecção DVD não será a mesma coisa… ou vice-versa para quem só assistiu ao tele-romance, um formato não substitui o outro, complementam-se. Tirando a introdução ‘na tela’ de algumas personagens não existentes originalmente no livro, mas em em contrapartida, a fidelidade das narrações, episódios e espirito envolvido no originalmente lavrado pela mão do autor, garante-se (o Mr) : não desilui nem pouco mais ou menos.

    PC Jerónimo da Silva

  • Portistas de Bancada forever

    (começar por agradecer ao figurante virtual de ‘Diabo Bermelho’ , Sr. Diácono do Espaço, pelo facto de não interromper o seu retiro espiritual, para exegir os seus arcoiris futebolisticos aqui no Cosméticas.)

     

    E depois de uma graçola entre parênteses, antecipada por um ‘adjectivo’ no título que ao último gestor do blogue em causa também certamente, e quando muito, lhe provocaria sorrisos amarelos, de tão esverdeada e boçal conotação em epígrafe, dizer que é de facto  já despido de jocosidades, que seriamente visto luto pelo finar de mais um de meus blogues de eleição, o primeiro azul e branco que conheci, para uma última homenagem ali ao lado na nossa lista de (blogues) finados. Dos mais requisitados na bluegosfera e citados, até na imprensa não raras vezes, e de visita assídua que me era.

    A titulo de curiosidade, ou para quem desconhece, Zirtaev  foi seu fundador, Zé Luís seu 1º colaborador e último administrador, e contou entre outros, bastante válidos, também com o VIP Rui Moreira entre seus editores.

    Já cá ando ao tempo suficiente para saber que nestas coisas os finados, de repente até podem ser ressuscitados… mas, seja como for, o espírito de Portistas de Bancada já existia antes da blogosfera, um "Tribunal da Antas" menos elitista, e continuará sempre presente. Forever. O Blogue que agora fina sempre fez jus ao nome.

     

    O Zé Luís foi (é) GRANDE! De todos, foi com o post »Quadra pascal em momento musical« que mais me deliciei. Custa-me deixa-lo de poder ler assiduamente, porque sua assertividade e lucidez, mais do que ao clube fazem falta a este país.  Bem Hajas!

     

    Excerto do post "the end" (a imagem acrescento eu):

     

    Da blogosfera portista há apenas um ou dois que se aproveita. Não é difícil descobrir. Do resto, os vermelhuscos são os patuscos do regime, autenticamente dos couratos e "Sagres" da moda, de uma boçalidade assustadora do pouco que, por vias travessas, fui vendo sem comentar porque é lixo verdadeiro que só a eles interessa; os esverdeados sabem mais das coisas do seu clube com o defeito congénito do "calimerismo".

     

    Vou andar por aí a ler blogues, que não são o lixo de que fala Miguel Sousa Tavares tão pouco propenso, até, para ouvir críticas (li no CM) fora da blogosfera ao seu trabalho de volta ao que chama "jornalismo" na SIC, com aquela inenarrável e maltrapilha entrevista a Gonçalo Amaral em que foi tudo menos jornalista, nem sério nem isento, depois de bom comportamento na estreia com o PM Sócrates. Aprendo muito nos blogues, mais de política onde leio de todos os quadrantes menos da cambada de malfeitores que, como avisei, invadiu todo o espaço mediático, incluindo a blogosfera. Não aprendi muito, confesso, sobre futebol, só confirmei o que sabia sobre a "iliteracia" da esmagadora maioria dos adeptos da bola que são o reflexo da péssima Imprensa da especialidade de visão enviesada e partidária do futebol, com incidência na intoxicação televisiva que, não só no futebol, encaixa no nível medíocre da intelectualidade das audiências.

     

  • Na pai pus Nazerenus!

     

    Conhecendo como conheço, por dentro e fora, o Carnaval da Nazaré e suas gentes, eu cá não tenho dúvidas que aquele, é de todos, o mais genuíno, típico, tradicional e pitoresco, dos Carnavais Portugueses! Não tem sons, nem ritmos, nem meninas brasileiras. Mas em contrapartida… é um Entrudo à Portuguesa.

     

    Este vídeo está a ser devidamente destacado pelos programas da TVI sobre futebol.  Merecidamente! Na Pai pá kêla genti.

     

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  • A imagem de Portugal no mundo: P. Abrunhosa na revista Latitudes ………………………….(aussi en fr)

     


     L’image du Portugal dans le monde : Pedro Abrunhosa dans la revue Latitudes

     

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     Source / fonte: Latitudes , nº 36 , out 2009 , pp . 83 , 84 , 85 , 86

     

    Louvo e agradeço a gentileza da revista “Latitudes” que autorizou a tradução desta entrevista levada a cabo por Dominique Stoenesco e Odette Branco.

    Nuno

     


     

    Latitudes : Em nota introdutória a esta entrevista, poderiamos começar pelo seu percurso pessoal. E nomeadamente pelo Porto, a cidade que lhe é tão querida.

     

    Pedro Abrunhosa : Em primeiro lugar Porto sigifica “port”, um porto de acolho, aquele ao qual regresso sempre. Nasci no Porto e vivo no Porto, mas estou sempre em “transit” porque viajo muito, sobretudo para Nova Iorque por razões totalmente profissionais e é aì que se encontra a indústria musical do disco. Mas o Porto é sempre o sítio a onde regresso sempre, é a minha casa, aqui sinto-me bem. O Porto é a cidade do granito, dos poetas, é uma cidade de cultura com profundas raízes históricas. O nome “Portugal” nasceu aqui no Porto, entre Porto e Gaia que está na outra margem do rio Douro. Ele vem da junção destes dois lugares, Porto e Gaia que no tempo dos Romanos se dizia Calem, daí Portocalem, depois Portugal. Tudo começou aqui. Para mim, há asseguradamente indicadores sociológicos que fazem um pouco a diferença entre o Norte e o Sul : Somos um país feito de diversidades culturais, mas também de unidade cuja língua é o factor essencial. Por outro lado, esta língua deu nascença a um enorme espaço, chamado Lusofonia, que permite hoje em dia o contacto entre povos geograficamente muito afastados. Isso representa sem dúvida uma mais valia.

     

    Latitudes : Num documentário mostrado na televisão Francesa, há já alguns meses , no programa “Des racines et des Ailes ” , dizia que o Porto é uma cidade de inovação e de criação artistica em várias áreas , como a foto , a música , o cinema e a literatura.

     

    P. A . : Sim, o Porto é uma cidade de cultura. Creio que uma cidade , um país , mesmo uma pessoa são antes identificados através da cultura do que da política. Somos o que fazemos , o que dizemos, o que sentimos e o Porto é uma cidade muito activa , muito criativa . Podemos citar a escola de Arquitectura, reputada, Manoel de Oliveira, um dos maiores cineastas, originário do Porto, Eugénio de Andrade que embora não sendo originário de aqui ,sempre aqui viveu toda a sua vida. Ou ainda a Universidade do Porto que acolhe inúmeros estudantes vindos do espaço lusófono. Em seguida a Casa da Música que é também um ponto de encontro e de modernidade. Não se pode ser mais ousado que a Casa da Música. Citemos ainda o museu Serralves , o museu mais visitado em Portugal , e o Teatro de São João, também muito frequentado.

     

    Latitudes : Falemos agora do seu itinerário musical. Se hoje é o que é , autor duma notável criação musical, é graças ao seu trabalho pessoal e ao seu talento , mas também porque foi formado numa boa escola , por exemplo Coleman ou Bily Hart !

     

    P.A . : Sim, é verdade. Frequentei o Conservatório de Música aqui no Porto e fiz estudos em Budapeste , passei por todas as etapas par ser contra-baixo e especializei-me em Wanger. O meu domínio dizia respeito à direcção de orquestra e à composição. Após isso, vamos dizer que o Jazz chegou naturalmente e, depois, do Jazz à Pop só havia um pequeno passo. The Duke tinha uma citação interessante : Dizia que havia dois tipos de música : A boa e a má. O meu percurso musical construi-se também em simbiose com a literatura. As palavras são muito fortes.

     

     

    Latitudes : Conhecemos as suas fontes principais de inspiração : O amor, a ausência , a separação… Com efeito, dá uma enorme importância ao texto e à sua escrita. Além disso, num site Francês que lhe é consagrado e que é animado por uma jovem de origem Portuguesa , Fátima Leitão, esta presta-lhe uma grande homenagem a propósito das suas canções e dos seus textos : ” É o mais belo encontro que tive com a língua Portuguesa , que me abriu a porta dos seus poetas e me deu vontade de ir ao seu encontro… “

     

    P. A. : A língua Portuguesa é uma língua muito bela que se presta maravilhosamente bem para a escrita de canções. Os Brasileiros, por exemplo, fazem-no muito bem. A canção seduz-me imensamente. É por isso que tomo todo o meu teu tempo para escrever os meus textos. Digamos que a metade do trabalho é a música e, após, começo a dar corpo às palavras e que, por vezes, levo um ano para acabar o trabalho musical em curso. A canção , sobretudo aquela que conhecemos desde a canção Francesa ( Gainsbourg, Reggiani, Moustaki , Brel , que é Belga mas que canta em Francês ) , é na maior parte das vezes uma estória que ocorre em 4 minutos. Para mim, isso representa um formidável mistério ! Também é o caso para Bob Dylan . Este é capaz de contar uma estória completa, com um princípio e um epílogo , com metáforas, etc… , no tempo duma canção.

     

    Latitudes : Há pouco, entrando aqui, atrevi-me a comparar o seu trabalho com o do cantor e compositor Brasileiro Lenine. Porque também ele dá muita importância ao texto. Penso que trabalharam juntos.

     

    P. A. : Convidei Lenine para tocar comigo, há seis anos , para gravar algumas das minhas canções. Fizemos um álbum no Rio de Janeiro e quando saiu foi um sucesso enorme. Subitamente, as minhas canções com a voz de Lenine agradaram imenso . Fizemos vários espectáculos juntos. Por outro lado, já tinha feito o mesmo tipo de trabalho com Caetano Veloso e, neste momento, faço-o com Maria Bethânia. Vou publicar um álbum no Brasil com 16 canções minhas , cantadas por vários artistas Brasileiros, Lenine e outros cantores como Arnaldo Antunes, Milton Nascimento , Caetano Veloso , Chico Buarque, etc.  Com Lenine temos verdadeiramente uma história em comum. Quando nos encontramos em cena, banhamos na felicidade e também na angústia porque há sempre aspectos sociais que evocamos nas nossas canções. Com Lenine em concerto é o máximo : É um dos mais importantes músicos contemporaneos. Penso que Caetano Veloso transmitiu-lhe o testemunho, podemos dizer que é o porta-voz da cultura Brasileira contemporanea.

     

     

    Latitudes : Em Julho 2007 veio a França para apresentar o seu álbum “Luz” . Tem, várias vezes, palavras muito simpáticas para com a França . Donde vem o seu amor pela França e pela cultura Francesa ? Diz mesmo que se considera como fazendo parte da francofonia.

     

    P. A. : Li Victor Hugo com a idade de 16 anos, era o momento da epifania ! Abriu-me os olhos para o futuro. Devorei a literatura Francesa clássica, de Balzac a Flaubert e de Cocteau a Baudelaire. E não esqueço também o cinema que tem uma importancia enorme, citemos Truffaut , Godard … Tudo isso influenciou a minha formação porque pertenço a uma geração, a última acho, que não só em Portugal mas também na Europa em geral, teve uma grande influência cultural Francesa e isso deu-me uma mais-valia. Todavia, agora com a globalização, é a influência anglo-saxónica que domina. Não é forçosamente um mal, mas há inconvenientes : As crianças só sonham com play-stations e cinema americano, elas perdem a noção que o cinema pode ser filmes, histórias e não unicamente bombas que arrebentam… Portanto, pertenço a essa geração muito influenciada pela francofonia , vivi em França alguns meses para trabalhar como músico de jazz no início, depois regressei várias vezes para concertos, de Strasbourg a Marseille. Também estudei em Lausanne, na Suiça. Mas há uma outra razão mais sentimental : Tinha uma amiga Francesa , refugiada de guerra que tinha 82 anos e dum carinho infinito. Criou-nos, eu e os dois meus irmãos, e isso explica porque domino bastante bem o Francês.

     

     

    Latitudes : Diz também que, infelizmente, a língua Portuguesa pode ser um obstáculo para poder penetrar o mercado Francês. Ainda é o caso hoje ?

     

    P.A. : Toquei muito em França e creio que estamos a fazer um bom percurso porque fazemos mexer um pouco as coisas. Primeiro, trabalhando em Nova Iorque onde fiz adaptações para o mercado americano. Para mim, é o mercado de Nova Iorque que me interessa. Já fiz o Brasil, a Argentina, o Chili , as minhas canções também funcionam muito bem no Japão, na Coreia , já toquei em Hong-Kong , na China , mas não me consegui impor verdadeiramente em França porque é em português e isso é talvez uma barreira. Mas as coisas mexem. O concerto que dei no “Zénith” diante de 7000 pessoas foi formidável. Tinha feito uma conferência na “Fnac des Halles” nos dias precedentes e dirigia-me, sobretudo, à terceira geração dos jovens de origem Portuguesa que estavam felizes por verem um músico que vinha do Rock e que lhes dava um sopro de renascimento, uma outra visão da cultura Portuguesa em cena. Esses jovens vieram com os seus amigos e estavam orgulhosos por serem Portugueses porque não se reconhecem nessa imagem fora de moda da antiga cultura que Portugal exporta ainda hoje. É esse o problema : É preciso mudar imperativamente a  imagem de Portugal no mundo. Todavia, essa imagem ultrapassada é também culpa dos próprios Portugueses. Perdeu-se demasiado tempo a dar uma imagem do Portugal da saudade e das mulheres vestidas de preto. O mercado anglo-saxónico domina tudo e contra esse mercado é preciso apostar na qualidade.

     

    Latitudes : Na literatura temos esse mesmo problema da língua. Certos editores Franceses têm a coragem de publicar autores lusófonos traduzidos em Francês mas é muito insuficiente.

     

    P.A . : Aí o problema é absolutamente político. A França investiu muito na Francofonia com o Instituto Francês que está presente no mundo inteiro, a Inglaterra com o British Council , a Espanha com o Instituto Cervantes. Compreenderam que para ganhar na área da economia é preciso primeiro conseguir na área da cultura. Ora a cultura é a língua, mas Portugal não investe na sua própria língua. Temos um património literário lusófono enorme com autores como Mia Couto ( Moçambique ) , Eduardo Agualusa, Luandino Vieira ( Angola ) , Mário Claúdio, Agustina Bessa-Luís, A. Lobo Antunes , José Saramago ( Portugal ) , etc… temos uma grande dificuldade em exportar a nossa cultura e não podemos fazê-lo sós, de maneira isolada. Ora , em França, precisamente, em qualquer cidade em que dava concertos , Nantes , Lyon, etc . , excepto Bordeaux onde o cônsul veio-me ver , não senti qualquer apoio. É uma questão de prioridade política ; Se fosse uma reunião política, mesmo da 3ª divisão , penso que todos os embaixadores estariam presentes , para figurarem na foto. Mas um músico é só um músico e nada mais.

     

    Latitudes : Define-se com um cantor comprometido ou de intervenção ? Deve o artista desempenhar um papel social ou político no seio da sociedade onde vive ? Estou a pensar em Chico Buarque no Brasil , durante a ditadura militar.

     

    P. A. : Não forçosamente : Podemos evocar também Bob Dylan , Lou Reed . Mas o que eu faço é antes de tudo rock  e o rock deve ser incómodo e aí penso de novo em Dylan que inventou o rock e que continua presente , ou em Lou Reed com as suas canções que falam das prostitutas de Nova Iorque e dos seus bairros mais sórdidos. Ele faz parte dos maiores músicos de rock de todos os tempos. Mas para voltar à sua pergunta : Não sou um cantor de variedades, sou antes alguém que se apoia nas palavras para brincar com a realidade. Não escondo a realidade, mas ao mesmo tempo não creio que seja o papel da música de mudar o mundo ; Acredito no empenho de todos para mudar o mundo. Vê-mo-lo com o fenómeno Obama : É a partilha do sonho, fazer sonhar as gentes. Obama pertence à geração rock e é esta geração que ele conquistou , uma geração que o ajudou a ganhar as eleições. Eis o próximo desafio da Europa : Encontrar Obamas que ouçam rock e que não tenham medo das palavras duras.

     

    Latitudes : Assim, Obama representa para si uma mudança importante , pelo menos simbolicamente. mas por lado tem um juízo bastante severo sobre a sociedade Americana.

     

    P.A. : Com certeza, há duas Américas : Uma reacionária, de direita , fechada sobre si própria, conservadora , católica ou protestante , profundamente religiosa , puritana ; Outra cosmopolita , mais aberta. Resumindo é um país esquizofrénico …

     

     

     Latitudes : Será que estamos na boa direcção actualmente ?

     

    P. A. : O problema está aí . Começamos mal, começamos outra vez pela economia e o conceito de Europa que estamos a desenvolver é ,mais ou menos, o mesmo que o do após guerra mundial quando era preciso fazer frente à presença soviética. Na altura era pausível. Mas agora a ideia seria mais a de combater a invasão cultural dos Estados Unidos e a homogeneização anglo-saxónica. As crianças de 12 ou 13 anos só conhecem esta …

     

    Latitudes : Criticou severamente os fracos meios que Portugal dá à sua cultura. Cita o número de 0,4 % do seu orçamento.

     

    P. A. : É uma vergonha ! Para os políticos a cultura é qualquer coisa que vem depois. Primeiro tem a preocupação de privatizar as escolas , os hospitais , etc. Nós, cantores , poetas , somos vistos como trovadores que animam um pouco a festa. Mas Não ! Não estamos aqui para isso. Somos os verdadeiros embaixadores de Portugal , somos também o património cultural deste país e 0,4 % é uma vergonha. A fraca visão dos homens políticos deixa-me perplexo e até me mete medo. Ignorar a cultura é mergulhar o país na miséria. Com efeito , é um erro pensar que a única  prioridade para um pobre é ter meias e umas calças. Mas se não começamos a lutar contra a ignorância , esse pobre ficará sempre pobre mesmo se lhe damos meias. A cultura faz parte dos alimentos da alma, como a água e a necessidade de comer para o corpo.

     

    Latitudes : Em que trabalha neste momento e quais são os seus projectos ?

     

    P. A. : Tenho um grande projecto orientado para o Brasil onde estamos a realizar um álbum . Já gravámos 7 músicas e faltam 9 . Há também Nova Iorque onde vivo neste momento e onde trabalho com o productor de Leonard Cohen para realizar uma adaptação do disc à realidade nova-iorquina. Por fim , há também o meu próximo álbum que deve sair em Portugal . Sem esquecer os concertos que continuam …

     Porto, 19 de Junho de 2009

    Fonte : Latitudes , nº 36 , out 2009 , pp . 83 , 84 , 85 , 86

     

    Nuno

     

  • Convosco, Madeira ::with you ::avec vous ::con usted

      

    O COSMéTICAS.org apresenta aqui suas condolências às famílias da Madeira.

     

     

    Faça o que estiver ao seu alcance. Pedimos a quem possua informação de meios para ajuda, oficiais, que os disponibilize, para divulgar-mos.  infos para: diaconodoespaco@sapo.pt .

     

    HELP THE VICTIMS OF THE STORM ON THE ISLAND OF MADEIRA. THANKS!

    Aidez et soutenez  les habitants de Madère  victimes de la tempête

    Ayude a las víctimas de la tormenta en la isla de Madeira

     

     NOTÍCIA SOBRE LINHAS DE CRÉDITO E APOIOS

     

     

  • ‘Podia acabar o mundo’ , que a Rosa fica…

     

    A cultura Portuguesa está de luto com o desaparecimento de Rosa Lobato Faria.

    «Desaparecimento», salvo seja, pois Lobato Faria deixa uma marca indelevel que perpetuará com o seu nome. Actriz, escritora e compositora, é sobretudo nesta última faceta que o "timbre" RLF influencia sobremaneira, nomeadamente, boa parte de gerações mais novas.

     

     Até se lhe pode ter acabado o mundo , mas o perfume da Rosa, esse fica…

     

  • Res publica: o cambalear do Rei que vai nu

    Iniciaram este domingo, oficialmente, as comemorações do centenário da instauração do regime republicano em Portugal, cujo mote foi a evocação a uma anterior tentativa, à de 5 de Outubro de 1910, mal sucedida e decorrida na cidade do Porto à 31 de Janeiro de 1891.

     

    E continua a fazer confusão a muito boa gente, a denotada capacidade de branqueamento, a curta memória, e o "estar-se nas tintas", de um povo, subjugado que foi a um novo regime sob golpe de estado – imposto mediante actos extremistas e de acção terrorista.

     

    E assim se veste de gala um país alegremente, cobertos pela devida pompa e circunstância que se requerem – e perdoe-se-me a inconveniência de dizê-lo – para comemoração de um dos actos que ficou marcado perante o restante mundo que assistiu, se não dos mais vergonhosos, pelo menos dos mais confrangedores… [link]

  • Fernando Pessoa

     

     

    Lisboa, 30 de Novembro de 1935, morre Fernando António Nogueira Pessoa , poeta e escritor português.

     

    É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, atinge um "estatuto" entre a literatura portuguesa comparado ao de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou a sua obra um "legado da língua portuguesa ao mundo". 

     

    Aos sete anos muda-se para Africa do Sul, em virtude do casamento de sua mãe, pelo que foi alfebitizado em inglês, sendo 3 de suas obras publicadas em vida nesta língua, e apenas uma em português.

    Profissionalmente actuou no Jornalismo, na Publicidade, no Comércio e, sobretudo, na Literatura. Como poeta, desdobrou-se em diversas personas conhecidas como heterónimos, em torno das quais se movimenta grande parte dos estudos sobre sua vida e sua obra.

     

    Fernando Pessoa morreu de cirrose hepática aos 47 anos, na cidade onde nasceu, faz hoje 74 anos. Sua última frase foi escrita em Inglês: "I know not what tomorrow will bring… " ("Não sei o que o amanhã trará").

  • Amália, o filme

     

    Só por estes dias tive oportunidade de assistir ao filme Amália, que se debruça sobre a vida da falecida diva do fado.

     

    Fiquei muito bem impressionado com o seu início, onde pormenores técnicos de fotografia e luz mostravam mais uma boa produção cinéfila portuguesa, que não fica a dever a ninguém, mas logo o “triste” guião do filme começa a absorver-nos, e foi aqui que pensei para mim, que o filme perde.

    A concentração do argumentista em volta do lado mais galdério de Amália e na sua obsessão pela morte, faz deste filme um triste fado. Aquela até pode ser a imagem da personagem, mas pergunto-me, visionado o filme, se a vida da diva se resumiu àqueles episódios macabros.

    Filho das novas gerações, nunca apreciei esta artista, já a sua sucessora Mariza, é outra cantiga, mas voltando ao assunto, Amália – o filme, não faz jus àquela que tem o mais alto estatuto da sonoridade portuguesa. Isto digo eu, que não percebo nada do assunto.