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Nos protestos recentes em França, contra o aumento da reforma, foi marcante ver uma imensa multidão sobretudo de juventude, a defender os interesses imediatos, não deles, mas dos mais “velhotes” (a quem se quer obrigar a adiar a idade de reforma).
Qualquer comparação ou inspiração com os protestos no mundo Árabe, soariam no mínimo à ridiculo, onde jovens lutam por paises democráticos (Liberdade, igualdade, Fraternidade, lembram-se?) pelo futuro do seu povo e do país, de um bem comum.
Em Portugal, daqui à algumas semanas, tentam suduzir pares em condição precária de trabalho a reunir e protestar, mas com cuidado para não ferir subsceptibilidades (políticas, leiam-se).
E de repente lembro-me: “eh lá, espera aí, que tu não és licenciado! Este protesto não é para ti. Como o dos profesores, os da Função Pública, os dos Polícias, não são, ou foram, para tí.”
A questão subjacente à este post, foi basicamente colocada algures no último debate televisivo “Prós e Contras” , cujos promotores do protesto marcado para Lisboa e Porto em simultâneo, no próximo dia 12 de Março, recusaram o convite de se fazerem representar e assim exporem melhor os motivos que os movem.
Às duas por três um interveniente no debate afirma, e cito de cor, tentando transcrever em síntese a ideia expressa: “Os Jovens portugueses têm muitas habilitações mas poucas qualificações”. Outro: “Qualquer dia o “homem do talho, ou o “trolha” serão pagos a preço de ouro” (por escasses de qualificados nestes sectores detentores de mau estigma e sujeitos a um preconceito crasso.
E eu desde o primeiro dia que tomei conhecimento do protesto que me pergunto o que se pretende: se defender o direito das qualificações, como citado no manifesto, ou se o que está em causa é o direito ao reconhecimento das habilitações (licenciaturas e afins).
Já havia torcido o nariz quando o site oficial do manifesto “Geração à Rasca” me recusou a publicação do seguinte comentário que a seguir se transcreve. Mal ou bem, vou ficando com a impressão que até os aspirantes a “protestantes” do amanhã (Os mais “habilitados”), percebem desde cedo que isto de sair à rua e fazer barulho é coisa de elites, já não é para operários.
E digo mal ou bem, porque eles (organizadores) fazem questão de não esclarecer ou permitirem-se a ser confrontados com o questionamento às suas reais motivações ou frustrações.
Participar ou nao participar desta manifestação? Eis a indecisão.
Que me revejo na Geração à Rasca, Quinhentista, dos Recibos Verdes, etc e tal? Revejo. Sei bem o que isso é!
Mas nunca fui de alinhar em rebanhadas.
Pior, pois depois de, à partida, começar por engraçar com o protesto em causa, com os dias que passam cada vez mais me convenço que em causa esta um lutar pela permanencia de um Portugal dos Pequeninos, o do beija-mao e do “Sim Sr. Doutor Engenheiro” !
Fica o meu comentário citado cujo site “Geração à Rasca” entendeu em censurar (não Publicar) no site.
MrCosmos à 14/02/2011 :
” Boa iniciativa, e bom sucesso!
Revejo-me, até porque de resto tenho tido oportunidade de dissertar em concreto no tema (Geração Rasca) de há alguns anos à esta parte, e a propósito do tema dos Deolinda, ainda à dias colocava-me a questão da evolução geracional de rasca para parva aqui .
Seria outro debate, mas têm um ponto na vossa “lista de reivindicações” que me suscita algumas reticências: “Direito ao reconhecimento das qualificações…”.
Direito ao reconhecimento, ou direito ao Privilégio? Apenas pergunto.
Desculpem o off topic, mas já não vivemos no tempo em que um canudo representava segurança e status. E quanto a mim é esta mentalidade que persiste indelevelmente e tem de ser repensada em Portugal e entre os Portugueses.
Que jovens e que qualificações é que Portugal precisa?
Um engenheiro, pode dar mais ao pais do que um carpinteiro?
Até que ponto merecem distinção na forma, reconhecimento, tratamento ,enfim permitam-me: privilégios (que deixaram de existir num mercado inundado de licenciados sem necessidade e aplicação objectiva)?
Dia 12 vai-se reivindicar o quê, ou para quem?
Este tipo de manifestações e reivindicações estão demasiado coladas aos licenciados (já assim foi com a Geração Rasca), quanto a mim, e perdem o apoio dos jovens profissionais, técnicos qualificados, que sempre andaram “neste barco” o barco da precariedade, onde agora os mais qualificados também se encontram, por saturação do mercado.
É-se parvo por admitir a condição de “escravo” a quem andou a estudar? Ou a parvoíce é pura e simplesmente persistir a condição de “escravidão” no séc. XXI ?
É hora de unir, não de dividir e sei que é isso que se pretende.
Força!
Chamam-lhe música de intervenção.
“Parva que sou” – a nova música dos Deolinda, estreou no Coliseu do Porto há cerca de duas semanas, cumprindo o espectáculo mais duas repetições naquela sala, e outra no Coliseu de Lisboa.
A receptividade do público foi abismal, surpreendendo pelo visto os próprios artistas, que já anunciaram que estão a tratar da masterização do novo tema a fim de ficar disponível nos próximos dias para as rádios e público em geral, sendo que gravações amadoras da música extrapolaram de imediato para as redes sociais online.
Um “novo hino dos Deolinda”, dizem, que reflecte as preocupações de uma geração.
Interessante: em vinte anos a questão evoluiu de “rasca” para … “parva” (?).
Naquele tempo mostrava-se o cu. Hoje cada vez mais, “quem tem cu, tem medo”.
Edit (14.02.2011): Nem à propósito, anuncia-se um toca à reunir e protestar, aqui.
“Sou da geração sem remuneração e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar, já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração casinha dos pais, se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou!
Filhos, marido, estou sempre a adiar e ainda me falta o carro pagar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração vou queixar-me pra quê? Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração eu já não posso mais que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar..
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