O semanário "O Jornal do Fundão" tem, desde há dois anos, vindo a dar a conhecer, ao grande público, os seus arquivos. Arquivos que nos permitem estudar melhor o passado , para melhor tentar entender o presente e advinhar,racionalmente, o futuro.
O semanário "O Jornal do Fundão" é , praticamente, desconhecido junto do grande público em Portugal. Lembro-me, aquando da minha última estadia em Portugal, o coro de gargalhadas que ouvi quando pronunciei o nome do semanário. Onde fica ? Quem é ? etc.
Esta publicação foi uma das raras, durante o fascismo, a ter desafiado o regime. E, por isso, foi suspenso durante seis meses em 1965.
Grandes nomes e ensaistas de expressão Portuguesa publicaram, regularmente, crónicas e ensaios no "Jornal de Fundão" : Eduardo Lourenço , Saramago, Eríco Veríssimo, José Cardoso Pires, João Cabral de Melo e Neto., Mário Claúdio, Lídia Jorge, Jorge Amado e perdoem-me os que não citei.
Foi graças às crónicas de Carlos Drummond de Andrade, publicadas de quinze em quinze dias, que conheci o "Jornal do Fundão". Na altura fiquei atordoado. Um dos maiores poetas de expressão Portuguesa ( senão o maior / F. Pessoa, para mim, releva da filosofia ) escreve crónicas para o que era considerado um jornalzito sem qualquer dimensão mediática ?
Mas a poesia porque é poesia não está ao serviço de ideologias. E o argumento do número é-lhe, totalmente, indeferente. O importante é tentar defender a humanidade.
Para memória, fica, bem expresso, na peça junto, um exemplo do emprego do lápis azul que abençoava o genocídio Nazi.
A peça presente foi editada, pelo "Jornal do Fundão", em 29 de Maio de 2008.
E Viva o Porto !