Category: tudo isto é arte
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O Facebook e as Pessoas, Que São Todas Iguais
A segunda é de vez. Está decidido. O meu voto de ano novo? Iniciar 2019 desinfetado da rede social Facebook.
Confesso que não é fácil, até porque já havia decidido e anunciado isto há pouco mais de um ano e fracassei, não tendo resistido à tentação e por lá me fui arrastando.
Mas soam as campainhas e disparam as luzes de emergência quando em pouco tempo me vejo forçado, por uma questão de atitude, a bloquear o meu perfil a duas pessoas bastante idóneas e com quem há mais de 10 anos sabia dialogar por estas vias e hoje não há espaço nem para as ver espirrar na mais selvagem de todas as redes sociais. As pessoas em geral agridem-se gratuitamente, não medem atos e palavras, não medem nada. De ataques a orgasmos tudo se despeja na rede social.
O que se passa com o Facebook?
Talvez Os Azeitonas ajudem a perceber com esta resenha bem atual.
As pessoas são todas iguais, canta a banda portuense no seu último álbum. Uma pérola. Mordaz sem o ser, uma leitura da sociedade sem o parecer, uma boa critica aos que só já não deixam cair a máscara porque fazem questão de fazer login desmascarados. Sem dor nem pudor.
Porque alí há coisas que irritam todos os dias ver, ou ler, vomitadas na rede, e que se personificam em: a miúda do cabelo azul; o cavalheiro ali atrás; o homem do olhar obtuso; e a senhora de uma certa idade.
Indo por partes,
A miúda do cabelo azul. Os azeitonas vingam desde a sua nascença, entre outras coisas, pelo conteúdo substancial que colocam nas suas músicas, seja a nível lírico ou musical. Com o cabelo azul temos claramente uma alusão ao filme “A Vida de Adele“, onde uma das duas lésbicas protagonistas se destaca por este estilo de cabelo. E se dúvidas houvessem elas desfazem-se quando o letrista decide intruduzir a partir do sexto verso uma clara alusão ao mundo da psicanalise, com a filha a chamar pela atenção do pai que a ignora. Trata-se de uma abordagem ao denominado por Complexo de Electra, analogia desenvolvida pelo pai da psicanalise Sigmund Freud e na qual, segundo ele e mais alguns, justifica o desvio comportamental sexual das mulheres lésbicas. O facto do grupo musical optar por abordar esta temática pelo lado feminino da questão, ao contrario do mais habitual, que são os casos abundantes masculinos, comportamento este descrito na psicanalise pelo Complexo de Édipo – analogia idêntica onde Freud assenta a sua justificação para tal desvio (perdão pelo termo!) nos rapazes – e como por exemplo os Xutos & Pontapés já o fizeram há muitos anos aqui. A abertura da música com este tema na versão feminina, muito menos falado e conhecido, dá azo, talvez , a uma sátira a corrente em voga #metoo.
O Cavalheiro ali atrás, esta é fácil, é de caras, ao cavalheiro a vida corre-lhe bem, se o país cai nas mãos dos espanhois, tanto lhe faz. Representa o grosso da classe média portuguesa, que se abstem nas eleições. Preocupada com a sua vidinha e, desde que esta lhe corra bem, está-se a marimbar para o ir votar.
Já O homem do olhar obtuso é um caso mais sério. Não suporta gente como o “indigente cavalheiro ali atrás”. Mais, o grunho de olhar obtuso tresanda a bafio, por baixo da sua manga à cave deve aplicar o mesmo desodorizante do grande Salazar e o cheiro é a perfume patchouli. Os modos, os trejeitos, os tiques machistas, a falta de tolerância, é estilo “Deus, Pátria e Família”. Uma representação ou medo da possivel crescente franja de extrema direita em portugal.
E A senhora de uma certa idade. Também não é difícil. Saudosista, nostálgica, mais do que agarrada à mala marron, abraça-se aos velhinhos discos de vinil que não são os do tempo da sua juventude, mas sim da nossa, os que crescemos nos anos oitenta. Ver representada uma velhinha de cabelos brancos abraçada ao LP sensação do Kenny Rogers nos eighties, coloca-me, e com propriedade, no papel de um velho de 90 anos, quando se chega a condição dos, vá lá… três dias – para ser generoso – de sintonia na M80 sem mudar de estação.
Os Azeitonas é que sabem e sabem-na bem, antes vê-los ou ouvi-los a eles, do que viver com gente desta diariamente a espreitar na janela do ecrã.
A música é uma arte, aliás, a mãe das artes. E como tal, cada um a ouve, vê e interpreta como quer, de maneira distinta ou igual. Já o José Mario Branco dizia: “A Cantiga é uma Arma“.
Já quanto ao Facebook, acabaram-se emissão de opinião direta, respostas a comentários provocadores, fica para um simples canal de propaganda dos posts do blog. Já que é lá que a carneirada para toda, sempre se faz desta forma um favor à sociedade.
Rest in peace FB.
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Les Grandes Ondes (à l’ouest): ………………………… ………………………uma comédia àcerca do 25 d Abril
Dois jornalistas, ou seja, um reporter já de idade e machista e uma jovem feminista, são enviados a Portugal em Abril de 1974. Acompanhados por Bob, um técnico perto da reforma, são encarregados de cobrirem, para a Televisão Suiça, o contributo das doações Helvéticas para o desenvolvimento das escolas no Portugal fascista.
Apesar da boa vontade de Pelé, o jovem tradutor Português, nada ocorre como previsto. Os temas pensados estão longe de serem interessantes e, além disso, existe muita tensão entre os dois jornalistas. A pequena comitiva decide, assim, abandonar o seu projeto de reportagem quando, subitamente, surge a Revolução. Um acontecimento que vai ditar e acelerar a democratização da Espanha, Grécia…
Esta mesma equipa vai dar cobertura jornalística a este evento, vivendo momento raros. Les Grandes Ondes (à L’OUEST) é uma comédia histórica onde a poesia e o burlesco coabitam. O realizador Suíço, Lionel Baier, realizou um filme com poucos meios. Contudo, graças a uma alegre e descomplexada mistura de géneros – até uma sequência comédia musical apresenta – o filme ganhou uma dimensão, certamente, inesperada. Sem publicidade, não passando em todas as salas, a realização de Lionel Baier soube seduzir os telespectadores que se fizeram seus embaixadores… Esta ultima razão explica que o filme ja esteja auto-financiado e, igualmente, que tenha sido eleito por entidades culturais e recreativas Franco – Portuguesas como suporte de festejos do 40° aniversario do 25 de Abril de 1974.
Ficha técnica: Suiço, Fr, Pt – 2014 – 1h24 – a cores
Realizado por Lionel Baier. Com: Valérie Donzelli, M. Vuillermorz, Patrick Lapp, Francisco Belard, Jean-Stéphane Bron
Nuno
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A Transmissão Simbólica nº 26 ………………………… La Transmission Symbolique nº 26 …………………….
“On dit beaucoup de conneries sur l’art de réaliser des films. Il faut arrêter avec cette entreprise de mystification. Réalisateur, ce n’est pas faire de l’art comme la peinture ou l’écriture. C’est plus proche de l’entraîneur de football.” S. Mendes
Source: So Film N°5, Nov 2012, p.76
(tag: La transmission symbolique n°26-feuillets)
Nuno

“Dizem-se muitas caralhices sobre a arte de realizar filmes. É preciso parar com essa empresa de mistificação. Ser realizador não é criar arte como a pintura ou a escrita. É mais próximo do treinador de futebol.” S. Mendes
Fonte: So Film N°5, Nov 2012, p.76
Nuno
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Bestiário Ilustríssimo: Os Quatro Elementos

Bestiário Ilustríssimo é uma recolha de cinquenta textos em roda da Arte e, mais especialmente, da música. Li o livro de Rui Eduardo Paes na Auvergne, no centro da França. Esta região é também uma região de “antigos” vulcões. Marco Santos, no prefácio à recolha, escreve que o livro foi escrito em Marte. Mas, se o homem já visita Marte, nunca visitou o fundo da Terra nem dos vulcões. E são quatro os Dragões que guardam o segredo da vida que só a Arte sabe expressar.
“O Dragão: Engolir-vos-ei humanos e sem qualquer distinção. Todos. Todavia, talvez salve alguns: Outros não”.
Este velho poema Inglês integra a introdução ao texto de Sérgio Luís de Carvalho: Anno Domini 1348. Relato que conta a vida dum tabelião que se fecha em casa para se proteger da peste que assola a Europa e Portugal. À luz duma vela, ele vai ler as pranchas dum bestiário ilustrado que lhe tinham oferecido em criança. Cécile Lombard, a tradutora, escolheu um título diferente para a edição Francesa: Le Bestiaire Inachevé.
Por associação, devido aos títulos, de ideias ou por deformação profissional… vi uma continuidade entre os dois livros.
Rui Eduardo Paes é musicólogo. Também é autor de vários ensaios sobre Jazz e arte(s) contemporânea(s)… O prazer dos seus textos, descobertos no blog “Bitaites” de Marco Santos, levou-me, naturalmente, à leitura da recolha: Bestiário Ilustríssimo.
1. Dragão de Terra
No seu primeiro ensaio, o autor cita em preambulo Álvaro de Campos (F.Pessoa):”Sentir de todas as maneiras…“. A obra de Rui Eduardo Paes é uma obra com entradas multiplas. O pacto de leitura que nos é proposto parece ser a vontade de desmascarar o discurso oficial sobre a arte. Num país que acaba de suprimir o “Ministério da Cultura”, a luta a contra a estupidez e a ditadura cultural não pode assentar num fechar sobre si próprio. O mérito do autor é ter posto o seu saber e as suas ideias ao serviço da compreensão do mundo que nos rodeia. Isto é, autorizando um olhar universal sobre a Arte. E só esta universalidade nos permite interpretar o título: A Arte combate a vulgaridade e a destrói a bestialidade que existe em nós (Deleuze).
2. Dragão de Água
Gosto da referência ao Homunculus (pp.64-67). A lembrança de José Gil e de Herberto Hélder remetem para o estilhaçar do indivíduo no mundo actual, conceito que Fernando Pessoa cria com a constelação dos heterónimos. Nesta perspectiva, Rui E. Paes expressa e elucida, claramente, apoiando-se em José Gil, a noção de que a tentiva para entender outrem e a filosofia também podem e devem ser arte(s). E, isto, antes de serem dissertação. Deste ponto de vista, F. Pessoa seria não um poeta, mas um filósofo. Em paralelo, não pude deixar de estabelecer uma associação com a “BD-Manga” culto de Hidéo Yamamoto: Homunculus. Não deixa de ser curioso que fosse num país onde o modo de vida capitalista atinge um enorme expoente que surgisse artisticamente a narrativa duma experiência sobre o cérebro (dum “sem domicílio fixo”) e o porvir do sentir. O que nos remete para um olhar critico sobre o início do século XXI: O homem estilhaçado, o sentir e o conceito, a besta e o homem,…3. Dragão de Fogo
No seu texto n°11, Retro-Inovadores, Rui Eduardo Paes apresenta a criação dum centro cultural polivalente na vila do Fundão. Construído a partir duma antiga fábrica de moagem, esta realização mostra que a arte é plural e interdisciplinar. Não sei se é um acaso ou não, a escolha de Rui Eduardo Paes. A vila do Fundão sempre foi um centro de resistência ao fascismo, ao colonialismo e aos seus crimes de guerra. O Jornal do Fundão compensou durante anos a não existência duma imprensa de dimensão nacional e livre. Foi uma publicação de resistência à estupidez e ao ordinário. Um pequeno semanário que se deu ao luxo de publicar textos de grandes vultos das artes de expressão Portuguesa. Um luxo as crónicas do poeta Brasileiro Carlos Drumond de Andrade… Assim, não é surpreendente, escreve Rui Eduardo Paes que “muitos criadores procurem no passado as suas referências”(p.68).
4. Dragão de Ar
O último texto n°50, Gigantes aos Ombros de Gigantes, levanta a problemática da partilha da criação musical na internet. Rui Eduardo Paes critica, com razão penso, a uniformização dos gestos e tendências que os majors da indústria musical querem impor ou fabricar. Respondendo, o nosso autor cita as ideias da militante libertária Esther Ferrer que associa o anarquismo à criatividade. Desconhecido muitas vezes, também existe um movimento anarquista em Portugal. O livro de João Freire (desertor e militante antifascista) apresenta a história desse mesmo movimento. Este foi criado em 1887 em Lisboa. O “Grupo Comunista Anarquista” obedece às orientações anarquistas da sua época. Por exemplo, rejeita o sentimento patriótico ou nacional, o egoísmo das raças, das religiões e das línguas…
Bestiário Ilustríssimo é uma bela recolha de textos. Estes podem ser lidos, independentemente, uns dos outros ou não. Uma obra Barroca que não se deixa fechar numa classificação determinante e determinada. Como os monstros que ornamentam as catedrais e colegiadas, os textos de Rui Eduardo Paes são um convite para pensar e sonhar.Uma a obra a ler e cujas muitas passagens são poesia. Linhas e parágrafos para serem lidos em voz alta, tal como a musicalidade da poesia. Mas não é para o nosso autor a música a mãe de todas as artes.
Nuno
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Cristiano Ronaldo: Nouvelles Lettres Portugaises

Foto: “Porto: Fotografias e texto de Werner Radasewsky e Gunter Scheneider”, ed. Nicolai
Em Portugal o futebol é o desporto rei e é omnipresente. Para uma população de 10 milhões de habitantes existem três diários desportivos que, essencialmente, só tratam de futebol. Se acrescentarmos que as publicações diárias e semanais dedicam várias páginas ao futebol e sem esquecer as edições em linha, podemos pensar que o gosto dos Portugueses pelo futebol é um fenómeno invulgar. E é tanto mais questionante que Portugal, em futebol, a nível nacional, nunca ganhou nada.
Portugal tem, no entanto, hoje em dia, pela primeira vez na sua historia, um futebolista que já é lendário. Pelé, Eusébio, Platini… foram excelentes jogadores, mas não são, propriamente dito, lendários. Best ou Cantona, por exemplo, sim.
Cristiano Ronaldo desespera os Portugueses. Estes últimos que tanto gostam de lendas, quando tem uma viva e ao seu alcance fogem dela. Cristiano Ronaldo é um “contentamento descontente”, para os Portugueses.
Num país em que a imagem do Homem está ainda ligada, essencialmente, à ruralidade (não é uma ofensa), Cristiano Ronaldo incomoda. Este não é só um jogador fora de série, é também um “metro sexual”. E talvez seja a sua urbanidade, a sua “metro sexualidade” que não lhe é perdoada.
O conceito, o termo “metro sexual” é criado por Mark Simpson. Este jornalista Inglês debruça-se, a partir dos anos 2000, sobre a evolução da “masculinidade”. O homem “metro sexual” deseja ser desejado e, isto, é uma forma de libertação. Beckham, por exemplo, incarna este movimento. São os homens que vão expor o seu corpo: Tatuagens, piercings, depilação, gel… passam a serem símbolos da identidade pessoal. O narcisismo já não é o apanágio das mulheres.

Os homens já não tem vergonha de dizer que gostam de ver a imagem de outros homens. O corpo tornou-se um dos últimos acessórios da sedução masculina. O corpo do Homem tornou-se um objecto por vontade própria do Homem. Tudo no corpo é desenhado, estilizado, modelado até ao penteado, até ao ultimo detalhe. Isto, para poder agradar e competir com os outros homens. Mas também para poder conquistar e partilhar o poder das mulheres. Numa sociedade em que a imagem alcançou um estatuto maior, o desejo de ser desejado passa pela obrigação de ser visto no mundo da imagem tecnológica (televisão, webcam, etc..). E São as mulheres que compõem a maioria dos telespectadores.
Cada vez mais, as mulheres afirmam gostarem de ver cenas de amor entre os homens. Como cada vez mais abrem “boîtes” com striptease masculino. Penso que é neste contexto que se insere a imagem de Cristiano Ronaldo. Ela pertence à adolescência da primeira geração “metro sexual”. A imagem do futebolista levanta sentimentos de frustração e de medo na sociedade Portuguesa? O que é certo é que tal imagem baralha os dados. Como se fosse necessário seduzir os homens, para seduzir as mulheres.
Há quarenta anos, David Bowie pré-figurava esta evolução. Beckham deu-lhe uma forma simples e Ronaldo uma forma complexa ou artística.
Sobre a ilustração de C.R.: ver aqui
Nuno
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TABUCCHI: I tre ultimi giorni di Fernando Pessoa. ……………………………………………………Un delirio

António Tabucchi foi um europeu convencido. Era Francês, Italiano, Português…?
Era universal como o era o seu combate contra todas as ditaduras.
Quando jovem, compra em Paris um livro de Pessoa e fica apaixonado, inaugurando uma cumplicidade literária extraordinária.
O seu texto Soustiene Pereira é também feito filme.
É Mastroianni quem desempenha o papel de Pereira.
Um jornalista que toma consciência da natureza do Salazarismo e torna-se opositor do fascismo.
A tradução Francesa de I tre ultimi giorni di Fernando Pessoa.Un delirio é de Jean-Paul Manganaro.
Editada em 1994 pela Seuil, a publicação apresenta desenhos de Júlio Pomar que ilustram Pessoa.
A literatura de Tabucchi é um hino à fantasia e à liberdade.
Nuno
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A Santa Ana: Um retrato inédito? ………………………. ……………………..La Sainte Anne: Un portrait inédit?

No seu conjunto, a imprensa Francesa, na última semana de Março, apresentou a polémica e as interrogações técnicas levantadas em torno do restauro do quadro de Leonardo da Vinci: A Santa Ana.
Dois membros da comissão de restauro demitiram-se. Certas críticas continuam. Assim, para alguns, a cara da Virgem parece esmagada.
A operação demorou 18 meses, custou 200 mil euros e foi financiada por um mecenas Chinês.
Diz-se que não é amanhã que terá lugar o restauro dum outro quadro de Da Vinci… O último foi em 1950.
Existem tabus que nos escapam?
Foto: La Croix, 30 Mar 2012, p.22
Este post deve ser lido como a continuação de Perguntas Indiscretas? Nº7
Nuno
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Vasconcelos, Versailles, Viana
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A revista cultural Muze deste trimestre apresenta um excelente dossier sobre a cultura Portuguesa declinada no feminino. São 50 páginas muito bem documentadas com várias entrevistas e referências.
Marca-me a entrevista com Joana Vasconcelos. Esta criadora vai expor a partir de 2 de Junho nos jardins do Palácio de Versalhes. Se já em Novembro tinha discutido com uma colega a propósito da obra de Joana Vasconcelos e da sua mensagem poética-política, a entrevista com Joana Vasconcelos esclarece-me quanto a um velho provérbio Português.
Mas vamos por movimentos:
Os trabalhos da autora reenviam para a condição da mulher e para a sua exploração cotidiana. A presença de inúmeras peças feitas à base de “crochet” tenta mostrar que as mulheres Portuguesas fizeram mais “crochet” que as outras Europeias. Como se o “crochet” fosse um antídoto contra a liberdade de palavra e de expressão.
O sapato feito com tachos, de Cinderela ou de Marilyn Monroe, tal como o candeeiro feito com pensos higiénicos, reenviam para a condição da mulher, reclusa entre a sexualidade e a vida doméstica, presa entre a tradição e a sedução.
Nunca percebi porque, em Portugal, se diz: “Quem não conhece Viana não conhece Portugal“. Talvez, graças às palavras de Joana Vasconcelos, entenda agora melhor. Versalhes é o símbolo absoluto do luxo Europeu. Em Portugal é a jóia Vianense em forma de coração que simboliza o luxo. De norte a sul, esta jóia é símbolo de comunicação social. Logo, “quem não conhece Viana não conhece Portugal“.
A obra de Joana Vasconcelos pode também ser consultada aqui .
Parabéns à revista Muze nº67 (av, mai, ju 2012) pela qualidade do trabalho apresentado.
Fonte: Muze nº67
Nuno
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Perguntar Não Ofende …………………………………#7
Onde acaba a arte e começa a ordinarice depende de quem cria ou de quem vê


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Paulo Jerónimo