Category: press

  • Em Abril Dragões mil ! …………………………………….. ………………………….. En Avril le Dragon fait son lit !

     

    Pendant quarante huit ans le Portugal a vécu sous un régime fasciste.

    C’était un pays qui vivait isolé et replié sur lui même.

    Le taux de la mortalité infantile était l’un des plus élevés au monde malgré la richesse des colonies. 

    Sur le plan sportif le foot était roi. Mais seuls les clubs de la capitale étaient champions. 

    Comme dans l’Espagne Franquiste ou l’Italie de Mussolini.

     

    La Révolution des Oeillets (25 avril 1974) a donné la liberté au peuple portugais.

     

    Ce n’est qu’après la chute du fascisme que le FC Porto peut exprimer son génie.

    Il devient l’un des meilleurs clubs du monde grâce à ses titres.

    Il est aussi le premier à offrir une Coupe d’ Europe à un joueur africain (Madjer).

    Le document ci-joint nous semble dévoiler cela.

     

    Source: República, 18 Mar 1974

    Nuno

     

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    Em 25 de Abril de 1974 é derrubado um dos sistemas fascistas mais longos da história Europeia.

    Quando é anunciada o início da Revolução dos Cravos, nenhum média Francês tinha um correspondente permanente em Lisboa.

    Pior que isso: Nenhum média internacional estava em condições de retratar os acontecimentos Lusos.

    Portugal fazia parte do que se chama “zonas cinzentas do planeta”. Não existia… 

    Para os jornalistas estrangeiros, a imprensa estava demasiada comprometida para ser fiável.

     

    No que toca ao desporto, o futebol era a modalidade posta em relevo.

    Durante cinquenta anos, os clubes de Lisboa são campeões.

    O que é curioso!? Os dados falam só por si!

    Tal como na Espanha Franquista os clubes da capital são campeões.

    Só após a queda do fascismo foi possível ver o FC Porto, clube popular do Porto, ser campeão nacional.

    Um clube que se tornou famoso graças aos seus títulos europeus e mundiais.

    É também o primeiro a ter proporcionado a um jogador Africano (Madjer) ser campeão Europeu.

     

    A peça aqui apresentada parece elucidar o que foi exposto. 

    Sporting e Porto estão separados por dois pontos no topo da tabela.

    Um jogo que se realizou uma semana antes do 25 de Abril.

     

    Fonte: República, 18 Mar 1974 

    Nuno

  • Star Wars: Um Paradoxo Terrestre? ………………….. Star Wars: Un Paradoxe Terrestre? …………………..

     

    La “guerre des étoiles” sur Terre? Voilà ce qui laisse scéptique beaucoup d’amateurs de la saga de G. Lucas… 

    C. Delsaux met en oeuvre les personnages de Star Wars dans des décors ou paysages terrestres.

    Source: Dark Lens, Cédric Delsaux, éd. Xavier Barral, Oct 2012 / Photo: Libé, p.VI, 19 oct 2011

    Site: www.cedricdelsaux.com

    Nuno

     

     

    O fotografo Cédric Delsaux acaba de editar um livro que nos apresenta planos, imagens, cenas e lugares onde as paisagens humanas se misturam com as personagens da obra de George Lucas, Star Wars.

    Se George Lucas adora o livro, os fãs da saga estão muito mais cépticos…

    Fonte: Dark Lens, Cédric Delsaux, ed. Xavier Barral, Out de 2012. / Foto: Libé, p.VI, 19 de Out de 2012

    Site: www.cedricdelsaux.com

    Nuno

  • A Santa Ana: Um retrato inédito? ………………………. ……………………..La Sainte Anne: Un portrait inédit?

     

     

    No seu conjunto, a imprensa Francesa, na última semana de Março, apresentou a polémica e as interrogações técnicas levantadas em torno do restauro do quadro de Leonardo da Vinci: A Santa Ana.

    Dois membros da comissão de restauro demitiram-se. Certas críticas continuam. Assim, para alguns, a cara da Virgem parece esmagada.

    A operação demorou 18 meses, custou 200 mil euros e foi financiada por um mecenas Chinês.

    Diz-se que não é amanhã que terá lugar o restauro dum outro quadro de Da Vinci… O último foi em 1950.

     

    Existem tabus que nos escapam?

     

    Foto: La Croix, 30 Mar 2012, p.22

    Este post deve ser lido como a continuação de Perguntas Indiscretas? Nº7

    Nuno

  • A Árvore de Tchernobyl .. //.. L’Arbre de Tchernobyl

     

    Écrire pour ne pas mourir…

    Le témoignage de Hídeo Furukawa, écrivain de science fiction né à Fukushima, nous interroge:

     

    “…j’ai vu s’élancer de branche en branche des singes équipés de dosimètres relâchés à titre expérimental. L’homme qui se dit supérieur aux singes ne peut qu’avoir de la considération et de la reconnaissance pour euxQu’était cette catastrophe? Qu’est-ce qui s’est vraiment passé?Pour moi, le travail du créateur, ce n’est pas de fournir une réponse, c’est de garder la question éternellement vivante.” 

     

    Ce post est à la croisée des chemins entre:

    Fukushima ou la Dialectique de la nature  @nd  Sois Singe et Crie! 

     

    Source: Télérama, 7 mars 2012, p.26 | Photo: L’arbre qui a subsisté de la forêt de Pripiat. Les autres, trop radioactifs ont été coupés (L’Autre Journal, nº1, Mai 1990, archives perso). 

    Nuno 

     

     

    Escrever para não morrer…

    O testemunho de Hídeo FuruKawa, escritor de ciência ficção nascido em Fukushima, questiona:

     

    “…vi macacos, soltos a título experimental e equipados com dosímetros, saltando de ramo em ramo, partirem rumo às montanhas contaminadas. O homem que se diz superior aos macacos só pode ter reconhecimento e consideração por eles… O que foi esta catástrofe? O que é que se passou realmente? Para mim, o trabalho de criador não é de dar uma resposta, é de guardar a pergunta viva eternamente.”

     

    Este post é uma encruzilhada entre:

    Fukushima ou a Dialéctica de Natureza @nd  Sê Macaco e Grita!

     

    Fonte: Télérama, 7 de Mar de 2012, p.26 | Foto: A árvore que subsistiu da floresta que rodeava a estrada de Pripiat. As outras, devido à sua radiotividade, foram cortadas (L’autre Journal, nº1, Maio 1990, arquivo pessoal)

    Nuno

  • Vasconcelos, Versailles, Viana

     

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    A revista cultural Muze deste trimestre apresenta um excelente dossier sobre a cultura Portuguesa declinada no feminino. São 50 páginas muito bem documentadas com várias entrevistas e referências.

    Marca-me a entrevista com Joana Vasconcelos. Esta criadora vai expor a partir de 2 de Junho nos jardins do Palácio de Versalhes. Se já em Novembro tinha discutido com uma colega a propósito da obra de Joana Vasconcelos e da sua mensagem poética-política, a entrevista com Joana Vasconcelos esclarece-me quanto a um velho provérbio Português.

     

    Mas vamos por movimentos:

     

    Os trabalhos da autora reenviam para a condição da mulher e para a sua exploração cotidiana. A presença de inúmeras peças feitas à base de “crochet” tenta mostrar que as mulheres Portuguesas fizeram mais “crochet” que as outras Europeias. Como se o “crochet” fosse um antídoto contra a liberdade de palavra e de expressão.

     

    O sapato feito com tachos, de Cinderela ou de Marilyn Monroe, tal como o candeeiro feito com pensos higiénicos, reenviam para a condição da mulher, reclusa entre a sexualidade e a vida doméstica, presa entre a tradição e a sedução. 

     

    Nunca percebi porque, em Portugal, se diz: “Quem não conhece Viana não conhece Portugal“. Talvez, graças às palavras de Joana Vasconcelos, entenda agora melhor. Versalhes é o símbolo absoluto do luxo Europeu. Em Portugal é a jóia Vianense em forma de coração que simboliza o luxo. De norte a sul, esta jóia é símbolo de comunicação social. Logo, “quem não conhece Viana não conhece Portugal“.

     

    A obra de Joana Vasconcelos pode também ser consultada aqui .

    Parabéns à revista Muze nº67 (av, mai, ju 2012) pela qualidade do trabalho apresentado.

     

    Fonte: Muze nº67

    Nuno

  • O Porto e a Caverna de Ali Babá ………………………. Porto et la Caverne de Ali Baba ………………………..

     

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    Ler anunciado, aqui em França, que é possível passar um fim de semana cultural, em Portugal, é raríssimo.

    Tanto mais raro que a revista Télérama Sortir parece se ter sentido obrigada a especificar:

    a) A bela portuguesa não são só os cais, o vinho do Porto…

    b) A Casa da Música merece, só por si, a viagem…

     

    O artigo apresenta a programação da Casa da Música que em 2012 celebra a França. 

    Ver e ler aqui o programa .

    Três embaixadores prestigiosos aceitaram o convite: P. Boulez, P. Dusapin e C. Rousset.

    Uma programação prestigiosa que prestigia a cidade do Porto.

    A Casa da Música, segundo J.Chaine, é a “materialização” do Porto capital Europeia da Cultura 2001.

     

    Esta obra é da autoria do arquitecto Holandês Rém Koolhaas.

    E, desde sempre, a Casa da Música está presente neste espaço, conforme nossa lista de Links à direita: “Invictos, Nobres e Leais”.

     

    Fonte / Source: Télérama Sortir, 1 Fev 2012, p.16

    Nuno

  • F como FADO, M como MÍSIA ……………………………. F comme FADO, M comme MÍSIA ………………………..

     

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    Poderíamos também ter escrito: F como Femme e M como Mulher.

    Mísia afirma-se como uma grande cantora que não tem receio em clamar que os seus discos são os seus espectáculos. 

    Pouco conhecida, segundo parece, em Portugal, Mísia dá uma dimensão diferente e feminista ao fado.

    Interpreta o “blues Português” com palavras de mulher: as suas e as de outras poetisas, como Florbela Espanca por exemplo.

    Uma maneira de mostrar que, no Fado, as mulheres também podem ser criadoras e não unicamente interpretes.

    De notar que o fado é cada vez mais apelidado “blues Português“, o que deixa antever uma evolução do género.

     

    Fonte / Source: Télérama Sortir, 25 Jan 2012, p.10

    Nuno

  • Pinto Da Costa: Formas Simples ………………………. Pinto Da Costa: Formes Simples ……………………….

     

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    A revista So Foot deste mês de Fevereiro de 2012 apresenta um dossier fora de série a propósito daquele que foi e é o mais carismático futebolista de todos os tempos: Sócrates. São 16 páginas sensacionais.

    E é neste mesmo número que a So Foot se questiona para saber se o presidente do FC Porto não é o melhor presidente de clube do mundo.

    A apresentação é feita de modo irónico: Quem é Pinto do Porto?

    O FC Porto é o clube Português mais conhecido e mais apreciado em França.

    Mas, exceptuando os conhecedores, o grande público não conhece Pinto da Costa.

    E talvez não seja um azar se a foto que ilustra o título, lemos da esquerda para a direita, apresente a sentença seguinte:”Acho isso engraçado que os Franceses pensem ser melhores que todo o mundo“… Um artifício para despertar o interesse do leitor!?

    O texto não ensina nada de novo. A revista decidiu pôr também em relevo as seguintes frases:

     

    Recusei ser presidente do Benfica, mera e simplesmente, porque não gosto do Benfica. Detesto o Benfica

     

    Muitos clubes grandes compram jogadores em lugares diversos e variados que, uma vez em campo, não fazem nada. Enquanto o FC Porto quando vende um jogador, é um jogador que vai fazer ganhar a sua nova equipa

     

    Não quero um treinador que chegue ao clube e que quer mudar tudo, fazendo tudo à sua maneira. Aconteceu-me uma vez. Disse-lhe: “Arranja outro presidente

     

    Se a primeira frase justifica o título, as duas seguintes exemplificam e respondem positivamente ao questionamento: Pinto da Costa é o melhor presidente de clube do mundo!?

    Eu que sou menos académico que os jornalistas da “So Foot” vejo uma frase chave para explicar o sucesso de Pinto da Costa como presidente. Está no texto e é de Artur Jorge. É simples. Pinto da Costa tem um percurso totalmente atípico no mundo actual: O seu amor constante pelo clube. E o amor é muito mais que a paixão…

     

    Fonte / Source: So Foot Fev. 2012 pp 52-55

    Nuno

  • Vinil & Memória? ………..//……….. Vynil & Memoire?

     

    Je ne pense pas que la famille est en crise. Ce qui a changé ce sont ses formes traditionnelles.

    Si avoir une seule mère et un seul père n’est plus un modèle, il continue à subsister dans la famille une dimension qui renvoie au sacré et au bien être.

    Citons, par exemple, ce slogan “Comme disent mes deux mamans, la famille c’est sacré.”,…

    Le supplément Sortir (21 déc 2011) a choisi le vynil pour annoncer les restos, les musées…pour les fêtes en famille. Pourquoi ce choix?

     

    Photo: Op. cit. 21 déc 2011, p.4

    Nuno

     

     

    Não creio que a família esteja em crise. O que mudou foram as suas formas tradicionais. 

    Se uma só mãe e um só pai já não são um modelo de referência, subsiste na visão da família a dimensão do sagrado e do bem estar.

    Citando dois slogans publicitários Franceses: “Como dizem as minhas duas mamãs, a família é sagrada“, “como dizem a minha mamã e o seu namorado que tem idade de ser meu irmão mais velho, a família é sagrada.”, ….

    O suplemento da revista Télérama, Sortie, (21 de Dez. de 2011) dedicou várias páginas que publicitaram espectáculos sobre a família durante as festas.

    A abertura faz-se sobre fundo de vinil: Porquê tal escolha?

     

    Foto: Op. cit. 21 de Dez. de 2011, p.4

    Nuno

  • Coppola: No Labirinto do Sonho? ……………………… ………………..Coppola: Dans le Labyrinthe du Rêve?

     

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    Ce post peut être lu comme la suite de Les projets futurs de Copolla

    Nuno

     

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    No final de Outubro de 2011, para marcar o acontecimento da retirada das tropas US do Iraque, o diário Libération decide reproduzir a entrevista com F.F. Coppola realizada, por Marc Kravetz. Foi há 32 anos.

     

    Não farei qualquer comentário. Lembro apenas que Star Wars, interpretando as palavras de Coppola, é já na época muito mais que uma simples saga…

     

    Segue a tentativa de tradução da entrevista:

     

    Um filme sobre a guerra do Vietname, uma história onde o Vietname não é mais que o cenário duma viagem interior, o filme trata de uma guerra diferente, da sua guerra?

    A melhor coisa que fiz foi ultrapassar os problemas de actualidade a propósito do Vietname. O que estava a fazer a América no Vietname? Qual era a política do governo Americano em relação aos movimentos que nos Estados Unidos tentavam parar com a guerra… São perguntas que o meu filme nunca aborda. Isto não tem nada a ver com a condição humana nem com os temas que queremos explorar, a moral confrontada com os seus limites, o horror. É verdade, o Vietname é utilizado como o cenário duma enorme peça concebido como um mistério da Idade Média. (…)

     

    Disse numa entrevista que Georges Lucas, o realizador de “Star Wars”, podia se o desejasse fabricar um presidente dos Estados Unidos…

    Sem qualquer dúvida. Pode-o verdadeiramente.

     

    E você?

    Provavelmente também. Excepto que o presidente dos Estados-Unidos já não tem grande peso. Eu tenho mais importância que ele.

     

    Como isso?

    Na medida em que posso dizer peguemos em quinze milhões de dólares e façamos um filme, escolhendo todos os ingredientes necessários para agradar a um vasto público e em temas que podem ser entendidos e transformados em acção. Pode-me dizer qual outra pessoa é susceptível de tomar esta decisão e realizar um tal objectivo?

     

    Não é “o” poder; Unicamente aquele que modifica algumas ideias…

    O que há de mais importante? Como fizeram os nazis antes de obterem a totalidade do poder? Lembre-se que só conheciam o cinema a preto e branco. Imagine o que se pode fazer na idade da electrónica, quando o planeta poderá ver, ao mesmo tempo, as competições olímpicas, a entrega dos óscares em Hollywood ou um combate de Mohamed Ali.

     

    Tem uma grande confiança na tecnologia?

    Um dia alguém inventou uma máquina que permitia fabricar barato tecido em grande quantidade, isso provocou a revolução industrial. As pessoas que lêem o jornal nos seus sofás predizem que nada acontecerá e, contudo, um dia isso acontece. O cinema é muito pujante. A televisão mais ainda. Tudo o que pensamos, a nossa ideia do bem ou do mal, os nossos gostos, a nossa linguagem são formados pelos média. O progresso tecnológico vai decuplar tudo isso, permitir a difusão imediata das produções audiovisuais. Tenho a impressão que os governos não tratam verdadeiramente dos média, não vêem até ponto tudo está prestes a arrebentar. Finalmente, é bom sinal. Se as pessoas que estão no poder não estão conscientes do que lhes acontece, não ficarão muito tempo no poder. (…) A América, uma certa América, está a morrer. A minha ideia, talvez o meu sonho, é que estamos na véspera duma mudança incrível, o maior da época moderna e que, daqui a oito ou dez anos, já não viveremos no mesmo mundo. Os Estados Unidos vão morrer, mas o país é tão rico, tão diverso com as suas populações vindas de todos os lados que renascerá de maneira mágica. Mas já não se tratará dos Estados Unidos. (…)

     

    Neste filme, acumulou os símbolos culturais americanos, “bunnies”, “steaks”, “surf” mas também”hasch”, “lsd”, “a música rock”, sub-conjuntos apresentados como pertencentes a sistemas com valores antagonistas?

    Sim. Queria mostrar que o Vietname dos Americanos não era mais que a própria América, que tudo o que se passava em Los Angeles também se passava no Vietname. É por isso que no barco, a um dado momento, se vê uma foto de Manson que matou para protestar contra a guerra. O personagem acaba de receber uma carta da sua namorada com o recorte do jornal e bolachas. Ele come as bolachas e vê a foto. E acha que esse Manson é decididamente esquisito. Todavia, ele está no Vietname. Ele vive diariamente no horror. A loucura está em todos os sítios. As pessoas que não gostam do filme dizem-me que Brando não diz nada. Brando diz muita coisa. Lê o “script”. Trabalhámos consideravelmente sobre o seu texto. Era preciso dar a aceitar um rosto que fale num plano muito grande, contrariamente a todas as regras cinematográficas. Ver-se, por fim, tal como se é e aceitar-se, mesmo ao preço da morte. É isso que quer dizer Brando no fim.

     

    Podemos dizer que Apocalypse Now é a guerra fora de si e dentro de si, um Vietname espiritual ao mesmo tempo que uma rigorosa re-construção?

    Exactamente. Não é a crónica verista duma guerra verídica. É a guerra na sua essência.

     

    Que diz o produtor Coppola no dia seguinte de Apocalypse?

    Tenho vontade, agora, de trabalhar num estúdio à moda antiga, como no tempo da Warner. Tenho uma série de filmes na minha cabeça, alguns são realmente fantásticos, mas não os poderei realizar com uma máquina. O estúdio é a máquina. Vou tentar construir um. Evidentemente, é um empreendimento de centenas de milhões que não posso assumir só. Preciso encontrar sete ou oito realizadores que estejam de acordo para se lançarem nesta aventura. Um estúdio “hollywoodiano” na tradição da MGM. Mais pequeno, com certeza. Enfim, não muito mais pequeno. A MGM era fantástico. Mais pequeno, apesar de tudo.

     

    Este post pode ser lido como a continuação de Os projectos futuros de Coppola

    Nuno