Category: música

  • Hallelujah (Louvado Seja Jah)

    Escrita originalmente num compasso de doze oitavas e em dó menor, evocando ao Rock ancestral com mistura de música sacra, Hallelujah de Leonard Cohen é considerada por muitos como uma das melhores músicas de todos os tempos.

    Do poema de Cohen, com fortes alusões aos Salmos e alguns personagens biblicos, vários outros artistas pegam e lançam as suas versões do mesmo tema.

    No entanto, do poema que sai da voz seca de Cohem, e entre vários que depois o cantam, como o foram Andrea Bocelli, Rufus Wainwright, Il Divo, Bon Jovi e mais recentemente e mais conhecida a cover de Alexandra Burke, é Jeff Buckley quem consegue musicar e entoar o tema com verdadeira essência e transparência. Daí, que de entre tantas, é a versão de  Jeff Buckley que acaba por fazer jus e transformar num verdadeiro louvor tida por maravilha do cancioneiro internacional que é, Hallelujah – termo da lingua hebraica que traduzido do seu original significa, Lovado Seja Jah, sendo Jah a abreviatura hebraica para o nome próprio e pessoal de Deus na Biblia, Jeová.  (Salmos 83:18 / Êxodo 6:3).

    É Buckley, que tira a musica do tom seco e monocordico do seu autor Leonard Choen, nessa interpretação do video em cima, temperando-a com um divinal choradinho de guitarra elétrica e introduzindo tons vocais ritmicos que variam entre os de arrependimento, o de prece e súplica, e que culminan com o refrão em modo de agradecimento e louvor, Hallelujah.

    Ninguém mais depois dele conseguiria musicar tamanho drama em que a letra da musica se baseia, que é o de amor, pecado, traição, tristeza, arrependimento e a mesiricórdia de Deus. O poema da musica é baseado no relato bíblico da historia de amor entre o Rei Davi com Betseba, descrita nos Salmos. E é disto que uma das musicas que mais coraçoes no mundo comove, trata. Hallelujah, Louvado seja Jah.

  • O Facebook e as Pessoas, Que São Todas Iguais

     

     

    A segunda é de vez. Está decidido. O meu voto de ano novo? Iniciar 2019 desinfetado da rede social Facebook.

    Confesso que não é fácil, até porque já havia decidido e anunciado isto há pouco mais de um ano e fracassei, não tendo resistido à tentação e por lá me fui arrastando. 

    Mas soam as campainhas e disparam as luzes de emergência quando em pouco tempo me vejo forçado, por uma questão de atitude, a bloquear o meu perfil a duas pessoas bastante idóneas e com quem há mais de 10 anos sabia dialogar por estas vias e hoje não há espaço nem para as ver espirrar na mais selvagem de todas as redes sociais. As pessoas em geral agridem-se gratuitamente, não medem atos e palavras, não medem nada. De ataques a orgasmos tudo se despeja na rede social.

    O que se passa com o Facebook? 

    Talvez Os Azeitonas ajudem a perceber com esta resenha bem atual.

    As pessoas são todas iguais, canta a banda portuense no seu último álbum. Uma pérola. Mordaz sem o ser, uma leitura da sociedade sem o parecer, uma boa critica aos que só já não deixam cair a máscara porque fazem questão de fazer login desmascarados. Sem dor nem pudor.

    Porque alí há coisas que irritam todos os dias ver, ou ler, vomitadas na rede, e que se personificam em: a  miúda do cabelo azul; o cavalheiro ali atrás; o homem do olhar obtuso; e a senhora de uma certa idade.

    Indo por partes,

     

    A miúda do cabelo azul. Os azeitonas vingam desde a sua nascença, entre outras coisas, pelo conteúdo substancial que colocam nas suas músicas, seja a nível lírico ou musical. Com o cabelo azul temos claramente uma alusão ao filme “A Vida de Adele“, onde uma das duas lésbicas protagonistas se destaca por este estilo de cabelo. E se dúvidas houvessem elas desfazem-se quando o letrista decide intruduzir a partir do sexto verso uma clara alusão ao mundo da psicanalise, com a filha a chamar pela atenção do pai que a ignora. Trata-se de uma abordagem ao denominado por  Complexo de Electra, analogia desenvolvida pelo pai da psicanalise Sigmund Freud e na qual, segundo ele e mais alguns, justifica o desvio comportamental sexual das mulheres lésbicas. O facto do grupo musical optar por abordar esta temática pelo lado feminino da questão, ao contrario do mais habitual, que são os casos abundantes masculinos, comportamento este descrito na psicanalise pelo Complexo de Édipo – analogia idêntica onde Freud assenta a sua justificação para tal desvio (perdão pelo termo!) nos rapazes – e como por exemplo os Xutos & Pontapés já o fizeram há muitos anos aqui. A abertura da música com este tema na versão feminina, muito menos falado e conhecido,  dá azo, talvez , a uma sátira a corrente em voga #metoo.

     

    O Cavalheiro ali atrás, esta é fácil, é de caras, ao cavalheiro a vida corre-lhe bem, se o país cai nas mãos dos espanhois, tanto lhe faz. Representa o grosso da classe média portuguesa, que se abstem nas eleições. Preocupada com a sua vidinha e, desde que esta lhe corra bem, está-se a marimbar para o ir votar. 

     

    O homem do olhar obtuso é um caso mais sério. Não suporta gente como o “indigente cavalheiro ali atrás”. Mais, o grunho de olhar obtuso tresanda a bafio, por baixo da sua manga à cave deve aplicar o mesmo desodorizante do grande Salazar e o cheiro é a perfume patchouli. Os modos, os trejeitos, os tiques machistas, a falta de tolerância, é estilo “Deus, Pátria e Família”. Uma representação ou medo da possivel crescente franja de extrema direita em portugal. 

     

    A senhora de uma certa idade. Também não é difícil. Saudosista, nostálgica, mais do que agarrada à mala marron, abraça-se aos velhinhos discos de vinil que não são os do tempo da sua juventude, mas sim da nossa, os que crescemos nos anos oitenta. Ver representada uma velhinha de cabelos brancos abraçada ao LP sensação do Kenny Rogers nos eighties, coloca-me, e com propriedade, no papel de um velho de 90 anos, quando se chega a condição dos, vá lá… três dias – para ser generoso – de sintonia na M80 sem mudar de estação.

    Os Azeitonas é que sabem e sabem-na bem, antes vê-los ou ouvi-los a eles, do que viver com gente desta diariamente a espreitar na janela do ecrã. 

    A música é uma arte, aliás, a mãe das artes. E como tal, cada um a ouve, vê e interpreta como quer, de maneira distinta ou igual. Já o José Mario Branco dizia: “A Cantiga é uma Arma“. 

    Já quanto ao Facebook, acabaram-se emissão de opinião direta, respostas a comentários provocadores, fica para um simples canal de propaganda dos posts do blog. Já que é lá que a carneirada para toda, sempre se faz desta forma um favor à sociedade.

    Rest in peace FB.

     

  • Do Panorama Radiofónico Nacional

     

     

    A forma como o panorama do audiovisual português se alinha tem o seu quê de interessante.

    Verifica-se uma trilogia de sectores que definem uma linha condutora e acaba no traulitar dos consumidores.

    Essa trilogia divide-se entre o mundo da arte musical, passando pela produção generica audiovisual, que em Portugal se resume a telenovelas, acabando nas playlists das rádios.

    E se as rádios nacionais, em conluio com as editoras, deram cartas outrora formatando o percurso de bons ou maus músicos e músicas, hoje são as telenovelas que marcam o passo.

    Vide o caso da música aqui hoje. Ela é de 2009, integra a banda sonora da telenovela sensação do momento e  que surgiu no final deste verão, e acabou na berra das playlists das rádios portuguesas ao ponto de integrar, até, a da conservadora Antena 1 – Emissora Nacional Portuguesa.

    Às radios mais atentas se quiserem, sobretudo as locais que por vezem têm mais problemas de identidade ou dificuldade de uma boa playlist, fica a dica: basta anteciparem-se.

    A excessão dos temas criados para os genéricos das telenovelas (o videoclip de abertura) enquanto ela esta no ar, porque se for depois de essa novela sair de cena já terá maior potencial de sucesso (fenomeno nostalgia), para a seleção de musicas novas para a playlist e com dois dedos de testa, percebe-se que o segredo reside no apostar em músicas com ritmos que peguem no ouvido de estaca. É o que as telenovelas fazem, e as radios nacionais depois vão atras das proprias seleção das novelas que estão na berra.

    Esta música no inicio do post já tocava numa rádio local há mais de dois anos, e o critério de escolha foi esse, associado ao imaginário de quem a escolheu (eu próprio), das duas gajas que se beijam no final do vídeo, invertendo toda uma letra e mentalidades, que a Antena 1 nem sonha…

  • Da co-adoção e da sociedade transvestida

     

    Sobre o assunto existem estudos científicos originados pelo pai da psicanálise Sigmund Freud. É evidente que uma criança educada por dois homens ou duas mulheres enquanto pais, alterará o seu percurso humano. Chama-lhe a medicina de ‘O Complexo de Édipo’, e podes ler sobre ele aqui .

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     Édipo, segundo a mitologia grega, mata o pai por desejar sexualmente para ele a mãe

     

    A co-adoção por casais do mesmo sexo foi a primeira lei aprovada pelo novo governo de estrema esquerda ainda antes mesmo de ser assumida a sua posse. 

    Aprovada que está, e lamentavél que quem foi, ou é contra a lei, nunca tenha argumentos válidos que defendam a sua ideia para além dos seus próprios autos de fé e valores cristãos, de resto, atitude em nada distinta da argumentação utilizada pela esquerda parlamentar na defesa da imposição de seus fanáticos dogmas politicos. Exagerado será não ver que estamos perante a imposição de uma anarquia muito para além daquilo que são valores individuais, pois que interfere com a saúde clínica de um ser em crescimento em Portugal, logo, com o futuro da sua sociedade.

    É a lei de Murphy (se pode correr mal, vái correr mal). Quando se teme que o caldinho de governo que temos na Assembleia da República se possa preparar para transformar o velho pais de brandos costumes no, de todos, brevemente o mais liberal da Europa e, porque não, do mundo. O que não sendo uma ideia propriamente desagradável, também não sei se agrada de todo.

    Vamos-nos deitar a advinhar? Então vá lá, advinha-se portanto o que o próximo decreto da esquerdalha – [i.e.] esquerda + canalha – garotos na gíria popular (os do BE), e de quem os come ao pequeno almoço (PCP) estará a preparar como uma das grandes revoluções e prioridades do país: a despenalização das drogas leves? In extremis, direito dos pais ao infantícídio, como na América?

    Eles andaram foi a estagiar e fazer Erasmus demais no país das papoilas holandesas.Só pode.

    Mas alguém os avisou que aquilo não era para fumar?

     O Complexo de Édipo musicado pelos Xutos e Pontapés

    Paulo Jerónimo

  • Vie Sans Sens Ou Sem Senso de Vida

     

     

     

    Se por vezes me questiono sobre a necessidade de alguma coragem para um Português atual se envolver, mesmo que esporadicamente, com o idioma francófono, não tenho qualquer dúvida de que aplicar a língua de Asterix e Obelix neste pais – onde a mentalidade “tuga” ainda polula – exige no mínimo e sem dúvida de ousadia.

    O tema do dia hoje pelo Facebook passou por aqui. 

    A coreografa e professora de dança Vanda Costa ousou concluir um espetáculo de dança, de forma sublime ao som do tema “Le Sens de La Vie” da artista Tal, a “Rihanna francessa” (chamemos-lhe assim)  e como tal, diz que não se livrou de ser questionada sobre o uso do francês ali.

     

    Nada que se estranhe entre o Mui Nobre Povo. Apenas mais um apanágio dum pais complexado por muitos dos “seus” , entre outros. Um povo mais enebriado por gostos prosaicos, bafejados por demasiadas americanadas boçais ou inglesadas banais. São os yes man atuais.

    Com a foto no topo, entretanto partilhada no FB da Gisleuda Gabriel, se poupa o meu parlapié. Azar de quem a não sabe “ler”.

     

     

    PS: mas se até a artista no videoclip oficial (link) comete o contrasenso de ostentar Nova Yorque… Há quem não se importe de descer uns degraus. Perdoai-lhes Senhor…

    Este post pode ser lido na continuação de Os Portugueses continuam a saber rir de sí mesmos… et “c’est ça que c’est bon!”


    Paulo Jerónimo

  • Perguntar Não Ofende ………………………………..#14

     

    E se os masoquistas portugueses que tanto gostam de congeminar e vomitar  “polémicas de cordel”, de cada vez que uma comitiva lusa segue para as olimpíadas, fossem aprender a ler “Os Lusíadas” na letra dos Anaquim?

     

     

     

     

    Este é o nosso triste fado
    Do vamos andando e do pobre coitado
    Velha canção em que a culpa é do estado
    Por ser o espelho do reinado.

     

    E a história, por mais do que uma vez
    Foi mais cruel que a de Pedro e Inês,
    Levou-nos o que tanta falta nos fez
    Sem deixar razões ou porquês.

     

    Temos fuga ao fisco, estradas de alto risco
    Temos valiosos costumes e tradições.
    O que eu não percebo, se nos maldizemos
    Quais as razões?

     

    Temos Chico espertos, burlas e protestos
    Temos tantos motivos para sorrir
    O que eu nem imagino qual será a desculpa,
    Que vem a seguir?

     

    Gosto tanto deste país
    Só não entendo o que o faz feliz,
    Se é rir da miséria de outros quando a vemos
    Ou chorar da nossa própria quando a temos.

     

    Gosto tanto deste país
    Só não entendo quando ele se diz:
    Senhor do futuro, maduro, duro, mas seguro,
    E eu juro que ainda não o vi.

     

    música: “Os Lusiadas” – Anaquim

     

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    Paulo Jerónimo

     

  • Dissonante qb

     

     

    “Mel do Monte” é a miúda.

    “Miúda” , que é precisamente o nome do agrupamento com este tema musical arrojado, e que conta com Pedro Puppe (OIOAI) nas letras, bem como com Tiago Bettencourt juntamente com Fred (Orelha Negra) nos arranjos musicais.

    Mais uma “apadrinada” pela Antena 3, que tem tudo para rebentar em pouco tempo pelas restantes rádios nacionais. veremos…

     

    Mais que uma evolução, com a entrada do novo mílénio a música portuguesa tem conhecido uma certa e assinalavel revolução, nos seu vários estilos.

    No entanto, este «Com quem eu quero» não deixa de ser um tema tipo “pedrada no charco”, pela sua rebeldia. O Albúm para download e mais algumas curiosidades estão disponíveis aqui.

  • Vinil em Trás-os-Montes …………………………………. ……………………………… Le Vinyl au Delà des Monts

     

    Ce vinyl a été édité par Radio France en 1980.

    C’est un travail de recherche fabuleux.

    Il est l’oeuvre de la Section d’Ethnomusicologie du Musée Instrumental de Bruxelles.

    Curieusement il n’y a pas d’explications en portugais…

    Nuno

     

     

    Devido ao fascismo, a região Portuguesa de Trás-os-Montes viveu em autarcia e num isolamento total até à queda da ditadura.

    Esse isolamento autorizou conservar tradições rurais, sociais, económicas… antiquíssimas.

    Por exemplo, fica-se a saber que a gaita de foles transmontana guardou uma forma mais arcaíca que a galega. 

    O vinil que apresentamos é uma fonte de informações riquíssimas. 

    É uma fabulosa pesquisa editada pela Radio France em 1980.

    Ela é, essencialmente, o fruto do trabalho da Section d’Ethnomusicologie du Musée Instrumental de Bruxelles.

     

    Como podem ler, não existam explicações em Português.

    O que é curioso, já que a Secretaria de Estado à Cultura (Portugal) deu a sua contribuição. 

    Muito curioso mesmo…

    Nuno

  • ♫ Pelas Trilhas do Vinil – 9 ……………………………… …………………………….. ♫ Sur les traces du vynil – 9

     

    La culture musicale française n’a pas eu une influence déterminante sur la jeunesse portugaise des années 80-90. Cependant certains disques, certaines mélodies et certains thèmes nous arrivaient par le biais de l’émigration. Pour moi, la chanson “28º à l’ombre” de Jean François Maurice (1978) en est un exemple. C’est un classique à la maison. Un 45 tours qui se bonifie de jour en jour avec ses grésillements, sa nostalgie et son romantisme…

     

     

    Não teria sido propriamente a cultura musical francesa que dominaria a juventude portuguesa dos 80/90 , no entanto haveriam discos, melodias e temas que nos chegariam às mãos atraves dos “parentes do mês de agosto” e demais ligações emigrantes.

    28º a l’ombre (Monaco) de Jean-François Maurice (1978) é um desses casos cá em casa, pelo que vai para este clássico francês a estreia Pelas Trilhas do Vinil a 45 rotações, com direito a grainhas e os sulcos do ligeiro empeno no disco, como bónus. 

    Melódica, nostálgica, e com romantismo qb – mais que nem fosse, pela lingua: a roçar o lamechas,  🙂 .

     

    Paulo Jerónimo