Category: mrcosmos

  • Conversas com os botões da camisa (5) : …………… ………………………………………………..Da Boçalidade

     

    Confirmar a boçalidade patente no povo português em pleno 2013 é preocupante.

    As redes sociais dizem que isto é o grande sucesso do verão…
    PS: Já agora um pouco de cultura segundo a Wikipédia: “Jah é a forma poética abreviada de Jeová, o nome do Deus Altíssimo. (Êx 15:1, 2)”.



  • Perguntar Não Ofende ………………………………..#18


    Palma d’Ouro à Gaiola Dourada {#emotions_dlg.unknown}

     

    Ce film a été très plébiscité au Portugal! On dit aussi qu’il a connu un franc succès en France. C’est à se demander si “La Cage D’Orée” n’a pas eu la Palme d’Or. Voici la bande annonce.

     

     

    Dizem que o lançamento em França foi um sucesso. Tem sido uma propaganda tal por cá que até desconfiamos ser película digna de alguma Palma d’Ouro… Aqui o trailer.

  • Perguntar Não Ofende ………………………………..#17

    “Deus escreve direito por linhas tortas” {#emotions_dlg.unknown}

     


     

    Morreu Hugo Chávez

    O Presidente da Venezuela morreu hoje na sequência de um cancro. Reeleito para um quarto mandato, não resistiu até à tomada de posse, cuja data estava em aberto. (Link)

  • Conversas com os botões da camisa (4) : …………… …….e O Complexado Ensino Profissional Português

     

     

    Dizem-me que este é um complexo que existe ou existiu num passado recente um pouco por todas as sociedades de países que foram outrora colonizadores. A ideia deriva duma pseudo atitude envergonhada mas não claramente assumida, de que executar “trabalhos manuais”, desprezíveis que são – até porque historicamente estão associados à mão de obra escrava, ou nas décadas mais recentes, à população analfabeta – não será uma ambição por aí além louvável… Cidadão que se preze almeja um oficio mais “intelectual”, investirá nisso, desmedidamente se necessário. 

     

    Acrescentarei eu que no caso português, como em demais outras matérias, o problema agrava-se, porque, neste capitulo da educação e formação para o mercado de trabalho, levamos mais de 20 anos de atraso em relação à Europa, iludidos que vivemos durante este tempo todo com utopias megalómanas que resultam em conclusões do género: “a atual população de jovens portugueses que chegam ao mercado de trabalho é a melhor preparada e qualificada de todos os tempos”.  A questão que se impõe é: qualificada para que? 

    Este governo cairá (um dia), não porque em abstrato a linha orientadora delimitada inicialmente fosse de todo errada – era evidente que tínhamos de descer à terra e passar a viver à medida das nossas posses, deixar de nos armar em “novos ricos” – mas cairá então um dia este governo, de tanto baixar as calças e se prostituir a soldo do país que ousou outrora sonhar em desenhar uma cruz suástica para toda a Europa.Dai que faz notícia hoje o Ensino Profissional (EP). Parece que o atual ministro com a pasta da educação, Nuno Crato, quer-me convencer, a mim e a uns quantos que, se o vamos fazer mais e melhor (o EP) é porque a Angela Merkel o demostrou mandou. Sim porque para bom entendedor meia palavra meia notícia (como esta) basta.  

     

     

    Deixemos-nos de merdas, que isto não é uma questão de imitar ou ser cordeirinhos dos Alemães e os Portugueses sabem disso muito bem. A lavagem cerebral que determinados políticos bem como o “4.º poder” – a imprensa voraz – gosta de fazer ao público tem tanto de ridículo como de excecional!
    O Ensino Profissional em Portugal já tem barbas. Já se tentou implementar e discute-se há muito ano. Salvo erro meu, o espirito subentendido seria o de uma evolução do antigo modelo das Escolas Técnicas, Comerciais e Industriais das quais não sou contemporâneo. Mas o lobby das universidades que rebentavam como cogumelos nos anos 90, aliado ao complexo tuga que se instalou entre os pais da Geração de Abril de que só quem fosse Doutor ou Engenheiro é que era alguém na vida, até porque em boa verdade era essa a realidade que os mesmos viviam, nunca permitiu que esta politica  tivesse pernas para andar.

    Por mim falando, pelo menos há 2 décadas, quer desde que conclui o 9.º ano e fui desafiado a integra-lo (o EP), quer pelo tomar conhecimento mais de perto do estado do Ensino enquanto membro executivo de algumas Associações de Pais e Encarregados de Educação que integrei, que defendo esta modalidade de ensino profissionalizado como forte mérito provável de sucesso em grande parte de muitos casos de alunos na entrada e eventual conclusão do ensino secundário. Nesse tempo mais atrasado, inicio dos anos 90 (Governo de Cavaco Silva), existiam directrizes politicas do meu ponto de vista excelentes, não obstante tratar-se do mesmo ministério que pôs a mesma Geração Rasca de estudantes a virar o cu ao ministério da educação – uma vez mais pelo lobby das universidades querer vingar (pagamento de propinas). Recordo que, enquanto aluno a frequentar o secundário em regime profissional tal permitiria p. ex. acumular de apoios monetários (subsidiados pela UE e empresas envolvidas) na ordem dos 30 Contos de Reis por mês (150,00€), isto numa altura em que ainda era cultura enraizada nas famílias os jovens daquela idade começarem a ganhar dinheiro em detrimento dos estudos, e que o ordenado mínimo nacional rondaria os cerca de 40.000$ (200,00€).

     

     

    No caso que conheci por dentro, mas havia várias outras soluções no distrito, era um Curso Secundário com a área profissional de desenho de Moldes assistido em CAD CAM, apoiado por várias empresas na Marinha Grande. Houve até vários e variados cursos que arrancaram mas que nunca se percebeu o porque da pujança inicial destas modalidades de ensino secundário profissional arrefecer num ápice, acabando praticamente delegados à gaveta e alí permaneceriam durante vários anos em Banho Maria.

     

    Deixou-se cair inclusive tal modalidade num descrédito total. Ainda hoje esta forma de ensino é considerada ou olhada por muitos pais e professores como a solução obvia para alunos burros… Assim como o Ensino para adultos, chamem-lhe “Novas Oportunidades” ou seja lá o que quiserem, continua a pôr em alvoroço a pudica sociedade portuguesa que não admite depois de tanto dinheiro e prestigio pretendido para os seus filhos, que se venha agora atribuir equivalencias aos pobrezinhos!

    Há mais de 5 anos que se vinha notando um esforço considerável pelo ministério da educação em tentar recuperar esta modalidade e tempo perdido com o EP. Assim como há varios anos um punhado de profissionais lutam pela credibilização do reconhcimento do sistema de ensino a adultos muito para além da mera estatistica, a partir do desenvolvido das competências adquiridas, não obstante casos tipo “Relvas” fazerem questão de os enxovalhar – o que não deixa de ser curioso: este caso colocou as próprias e insuspeitas todas poderosas Universidades no centro da questão. 

    Mas Pronto… hoje o Expresso quer-me convencer que se o vamos fazer (reforço do EP) é porque a A. Merkel mandou. Tá bem abelha! Esqueçam isso.

    Conforme o slogan parvo que a empresa alema de grande implementação em Portugal, a Media Markt, gosta de lembrar aos matcho-mans tugas ou aos doutos inteligentes como os vídeos do Prof. Marcelo“eu é que não sou parvo”. Se há coisas que interessam e muito ao país de A. Merkel, é saber por exemplo se os latinos portugu€s€s já decidiram qual o próximo carro de alta cilindrada em que que se vão montar. E nesta luta renhida pela defesa dos valores da indústria automóvel europeia até a subsidiaria do bon ami François, que se sabe ser mais “camarada” dos pobrezinhos, Já anda em bicos dos pés a oferecer Renault Clios à assembleia da República! E porque não Fernando Assis? Vide aqui. 

     

     

     

     Paulo C. Jerónimo

  • E a Sugestão de Filme Cosmético 1 Hoje Vai Para… ………………………”Lost and Delirius” (filme completo)

     

     * qestionante e líbido qb

     

     

    “LOST AND DELIRIUS” | Lea Pool, Canadá, 2011

    Em Portugal: “A Outra Metade Do Amor” | No Brasil: “Assunto de Meninas”

     

    ficha do filme

  • Perguntar Não Ofende ………………………………..#16

     

    James Cameron Já escolheu o elenco para o “Avatar de Belo Monte”  {#emotions_dlg.unknown}

     

      

    “O Brasil, provavelmente, terá de meter aqui uma colherada.”

    MrCosmos a 20 de Abril de 2010


    Este post deve ser lido na continuação de A Barragem ‘Belo Monte’, Cameron, Le Clézio e Lula

  • “O Pintinho Piu” e a “Puta Mais Velha”



    Este video ao ser repescado da minha videoteca caseira e republicado à data corrente aparece um pouco descontextualizado, mas tem a sua razão de ser. 
    Convêm talvez referir que o discurso aqui patente de Pinto da Costa é proferido após decisão judicial
     (da verdadeira justiça, a civil) que o inocenta das acusações do Processo Apito Dourado, ao mesmo tempo que a pseudo justiça desportiva de Ricardo Costa na Liga de Futebol punia o FCP com a retirada de 6 pontos na clasificação, já campeão (com mais de 20 pontos de distância para o segundo lugar). Dai o calor do mesmo, e os aplausos em que foi recebido pela congregação portista, e que o mesmo presidente recupere um tom de discurso de guerrilha que já fora chão que dera uvas noutros tempos (anos 90). Quando alguns previam um Dragão ferido, verificasse apenas  ou sobretudo um Dragão bastante acossado.


    O ataque incisivo ao FCP (por via do seu presidente J.N. Pinto Costa) foi tão flagrante quanto estúpido ou inócuo. Basta referir que foi este «O Grande Processo» em que a Procuradoria Geral da República, do outro agora cessante, Pinto Monteiro investiu mais dinheiro e recursos.
    Num momento em que já se podem começar a escrever para memória futura, as memórias do “insonso” procurador Pinto M. , “há que dar o mérito a quem o tem” (João Pinto – capitão FCP dixit) e referir que sem dúvida se tivermos de enumerar o grande caso que se pode atribuir à passagem de Pinto Monteiro pela Chefia máxima do Ministério Publico Português, foi este… derrubar o FC Porto, com ordem expressa e inédita de recorrer para instâncias superiores sempre que os tribunais não validassem a posição do Ministério Público (que nunca validaram) e assim curiosamente se quis derrubar a única instituição de sucesso resistente, ou evidente, em Portugal, e crítica ao poder central. Sim porque, vá lá, deixemo-nos de estórias da carochinha: o tratamento de investigação e ação não foi igual nem neutro, perante as demais descobertas (acidentais?) patentes e abafadas do panorama desportivo no futebol português.

    Muitas linhas já foram escritas sobre o assunto, inclusive por mim na blogosfera em tempo ido, mas o curioso no meio disto tudo, e a esta distância, quando o Pinto abandona a cadeira de Procurador não deixando o sotaque de suas piadelas saudades a ninguém, foi verificar como o “sistema nacional” conseguiu pôr em sintonia discordâncias tão dispares que existiam entre os portistas (como a minha discordância contra a guerra Norte-Sul enveredada por J.N. Pinto da Costa nos anos 90, tempos do Penta) unindo um clube que se vai vendo obrigado a continuar a “chafurdar”, na filha da putice que é o futebol Português (hoje com outros donos), e onde o grande mérito de Pinto da Costa reside apenas em ser “A Puta Mais Velha”.



    Paulo C. Jerónimo
  • Perguntar Não Ofende ………………………………..#15


    “O melhor Povo do Mundo” {#emotions_dlg.unknown}

      

    Quatro manifestantes em nu integral no protesto frente à Assembleia da República,

    após serem públicos os detalhes do Orçamento de Estado 2013, alegando que ‘aquelas’ são as suas armas para lutar

      


    Irónico ou não, facto começa a ser que, 38 anos depois, a afirmação do Ministro Gaspar em relação às atitudes de revolta manifestas pelo povo português, são certamente uma grande questão. Um cravo aqui e teríamos a “cereja no topo do bolo”.


    Paulo C. Jerónimo

  • Futebol: uma arena de morte? …………………………. ………………………………E a Velha Questão do Apito

     

    Captação de imagens no Estágio Progresso I (2005) | Preparação Técnica de Árbitros 1ª Categoria da LPFP


    O homem que escreve a crónica aqui linkada, de seu nome Rui Santos, apelidado por uns de anti-SLB – e por isso já foi agredido à saida dos estúdios da SIC –  por outros de anti-FCP, e por outros ainda de anti-SCP, sendo que também a mim os seus argumentos “me tiram do sério” algumas vezes , só vem demonstrando ao longo dos anos ser um dos jornalistas com mais coragem no mundo desportivo.

    Ciente de que esta minha assunção será pouco popular entre os adeptos, onde me encaixo, pode ser precisamente na sua impopularidade entre os leitores/espetadores e o facto de ser considerado “anti-todos” dos três grandes clubes do futebol portugês alguns dos argumentos que só demonstram isso mesmo: a sua habitual isenção quando se trata de pensamento critico naquilo que analisa.

    A minha mulher já me perguntou algo do tipo: “porquê fazes tanta questão do ouvir, se vais começar já a resmungar com o que ele diz?”

    Precisamente por isso, porque normalmente gosto de investir mais tempo com quem me põe a movimentar repetidamente a cabeça no sentido lateral (da esquerda para a direita), discordando, do que quem me suscita ao movimento inverso concordante (cima-baixo), assumindo que sim.

    Eu explico caso tenha ficado confuso: dá mais gozo quem nos excita os neurónios pelo trânsito da massa cerebral, do que quem pelo exercício de “cocegas nos ouvidos” nos adormece a massa cinzenta.

     

    Concordando com a argumentação da crónica de Rui Santos sobre quem realmente aproveita, ou tenta aproveitar, pressionando a arbitragem -que são as equipas que procuram acautelar por esta via pontos perdidos por falta de um futebol capaz em campo – e sobre a falta de condições e margem de erro para a arbitragem portuguesa, continuo a discordar na sua insistência da “verdade desportiva demagógica”, como o é no caso do recurso à vídeo-arbitragem na grande parte da mesma.

    Basta, ai sim, perder tempo, a apreciar as guerras de faca e alguidar do folclore televisivo do “dia seguinte” à jornada de futebol, para se chegar a mesma conclusão que ouvi lançada certa vez por um árbito perzpicaz na plateia do XIII Encontro Nacional da Associação de Árbitros Portuguesa (APAF) e que calou o já então comentador desportivo Fernando Seara (pertencente ao painel de intervenientes da mesa do encontro) perante a conclusão lançada pelo árbitro na plateia: “Se é verdade que 3 homens em campo (árbitros) falham  por vezes ao tomar alguma decisão, não é menos verdade, que três homens, num programa televisivo de segunda feira à noite (“Jogo Falado” – onde Fernando Seara era comentador), analisando as mesmas jogadas gravadas, não chegam a conclusão nenhuma …” .

    Este raciocínio (palmas!) só demonstra a subjetividade presente no recurso à video arbitragem: se pode servir de ajuda? pode. Se vai apaziguar os espíritos mais indignados com as decisões contrariantes às vontades? pelo contrário, incendiará mais. Porque depois dirse-a nos programas de segunda feira à noite, e pelos cafés deste pais: “Olha que até depois de verem o lance gravado tiveram coragem de nos roubar!!” 

     

    Não sendo a video arbitragem tecnologia de “verdade científica” – ao contrario do “Chip na Bola” e demais tecnologias para a linha de golo – a mesma está ferida de morte numa “cultura da bola” como a nossa. 

    E digo isto inclusive com convicção técnica, com a experiência exata e específica na recolha de imagens vídeo para análise posterior de exercícios nos próprios estágios de treino da Arbitragem Portuguesa de 1ª categoria. Existem sempre casos pontuais onde os próprios árbitros (e quem mais capacitados do que eles?) analisando as imagens, não chegam a um concenso. Vão ser os apaixonados comentadores e adeptos que observam as mesmas imagens a chegar lá?

    Como tal, e perante uma duvida tão existencial quanto ao dentro ou fora da linha de Grande Área (?) , conforme sucede na dúvida que resulta da decisão do primeiro penalti marcado contra o S.L. Benfica na última jornada, concluir pelas imagens de uma câmara (pensada para os fora-de-jogo)  que não se encontra devidamente alinhada com a linha em causa onde o lance se desenvolve, é uma falásia. Sei-o, tecnicamente, e no exercício especifico de alinhamento de câmaras e recolha de imagens precisamente para avaliação de casos idênticos (em ambiente de treino) que estando a camara atrasada como esta, então os dados estão desde logo viciados para que se possa concluir sim ou não, como Rui Santos, defensor da video-arbitragem, o faz.

     

    Depois, mais uma vez, Rui Santos cai em cima de uma personalidade que me convence ser cada vez mais um dos seus “ódios de estimação”: Vitor Pereira, Presidente da Comissão de Arbitragem.

    Objectivo é que Vitor Pereira tem sido, também ele, considerado “anti-todos os três grandes clubes”, seja observando-se as reclamações dos adeptos ou dos vários agentes de futebol entre os 3 Grandes, conforme as coisas correm mais ou menos de feição. Sendo que uns demonstram-no de forma mais espalhafatosa do que outros. Aqui, e escusando-me a fazer juízos de valor sobre os outros, ao contrário da crónica em questão, as conclusões parecem-me também bastante obvias, e conforme já inicialmente concluído no que isto traduz quanto a isenção de atuação. Se agrada/desagrada a todos praticamente em igual medida…

     

    Pergunta: sabem qual foi o tema em analise e discussão naquele XIII Encontro Nacional de Arbitragem Portuguesa no longíquo ano de 1999 em Porto de Mós?

    Resposta: Andou à volta dos prós e contras quanto ao recurso às novas tecnologias pela arbitragem. A discussão prolongou-se pelos dois anos seguintes: no XIV Encontro em Tomar, e no XV – o de Almada-Seixal, conforme tive oportunidade de acompanhar todos eles perante a solicitação de minhas intervenções técnicas ligadas ao registo e produção audiovisual.

    Pois é, a Arbitragem Portuguesa já discutia isto, e penso que deva ter tirado as suas conclusões, há 13 anos atrás…

    Vitor Pereira, convidado no XIII encontro a emitir a sua opinião resultante das experiências colhidas pelo próprio nos testes relacionados com o assunto, salvo erro meu, no Mundial de Futebol dos Estados Unidos em que esteve presente, recordo ter pairado sobretudo  a convicção de que as paragens para analise/decisão nos monitores video era prejudicial para a dinámica do jogo e para os próprios atletas que tendiam a “arrefecer” com mais esta paragem de jogo forçada.

     

    Captação de imagens no Estágio Progresso II (2007) | Preparação Técnica de Árbitros 1ª Categoria da LPFP

     

    No que toca as novas tecnologias a Arbitragem Portuguesa tem estado na vanguarda ao longo dos anos.

    Em Porto de Mós, 1999, a Arbitragem Portuguesa foi responsavel por um dos primeiros, senão mesmo o primeiro (pelo menos naqueles moldes) “live Stream”, e que sucesso (!) das primeiras transmissões video em direto do encontro na internet, o que alargou o debate e intervenção para pontos tão longiquos quanto o Zimbabwe, onde foi observado. Estavamos 5 anos antes do nascimento do YouTube…

    Pela Arbitragem portuguesa tem sido  recorrente o uso e importância dadas ao apoio audiovisual dos treinos/estágios; a nossa é das ligas pioneiras no recurso a comunicação rádio entre a equipa de arbitragem, vulgo auriculares; várias outras ligas da europa, nomeada e concretamente os seus setores de arbitragem, têm os olhos postos no que se faz por cá; organismos como a UEFA e FIFA reconhecem tal vanguarda de métodos implementados pela Arbitragem portuguesa e apoiada também em novas tecnologias; em 2005 os métodos de treinamento da Arbitragem Portuguesa fizeram “furor” no Brasil. Tudo isto se deve a… Vitor Pereira.

    Disto tudo, a pena que fica, é constatar que Vitor Pereira se encontre posisionado anos-luz à frente do futebol nacional. Não por ele obviamente, mas pelo futebol e mentalidades em si, atrasadas que são, estão e temos. Aliás, o facto de os nossos árbitros serem premiados como os melhores à escala planetária, e queimados dentro de portas, só demonstra realmente o nosso atraso, e não que o homem apenas seja “bom de sedução” internacionalmente, caro Rui Santos.

     

    Afinal onde está o erro fundamental? Cadé o défice? O que é que precisa realmente mudar? Será tanto na arbitragem?

    Então e os jogadores (que falham de baliza aberta), os treinadores, os dirigentes, adeptos, opinion makers, imprensa? Estes são para cozer com batatas e feijões… em lume brando.

     

    Paulo C. Jerónimo
  • Conversas com os botões da camisa (4) : …………… …………………………..Televisão: A Caixa de Pandora

     

      

    A evolução da TV, enquanto tecnologia, aliada aos meus próprios gostos e interesses pessoais, acabaram por influenciar a minha própria evolução enquanto profissional. Hoje tenho melhor noção disso.

    Acompanhei quando criança, e conheci de certo modo por dentro, ao ver televisores abertos na bancada de trabalho do meu pai, o que foi a “era mais arcaica” da tecnologia a válvulas e imagens a preto e branco. Assisti e conheci a transição para a tecnologia dos aparelhos assente em transístores e integrados e o “boom” da TV a cores. Conheci tecnicamente a tecnologia envolvida nas emissões dos sinais via analógica, e ultimamente ando embrenhado na transição para a emissão digital terrestre (TDT). Por outro lado, e de certo modo na última década, estive ligado a aprendizagem e desenvolvimento da “linguagem, comunicação e estética” numa “filosofia” que tem que ver com a produção dos seus próprios conteúdos, trabalhando no sector dos audiovisuais.

    Tais experiências ao longo dos anos têm-me aberto horizontes, gerado questões e opiniões, que por vezes se transformam em convicções, acabando eu próprio, não raras vezes, a avaliar esta nossa “caixa mágica” que é a televisão de forma algo crítica quanto baste.

     

    A televisão entrou na casa das pessoas, “sem precisar de bater à porta”, sobretudo a partir da década de 80. Pode-se de facto considerar que de todos os equipamentos técnicos domésticos que nos permitem ter acesso a bens culturais, o que mais se destaca é sem dúvida a televisão. Não importa a que estrato social cada família pertença, pois que “toda a gente” possui um televisor.

    É difícil imaginar um mercado mais competitivo do que o televisivo. Nos Estados Unidos, por exemplo, ou em vários países da Europa, os telespectadores tem dezenas de canais de televisão à sua mercê entre os quais poderão optar a qual assistir. Todos os anos fortunas incalculáveis são gastas para produzir programas de televisão, com o intuito de conquistar grandes audiências. No entanto, a cada ano, uma grande parte das produções fracassa. Isto apesar de o diagnóstico estar mais que feito e de qualquer produtora de TV saber que o sucesso depende do saber definir e conquistar o seu público-alvo.

    Público-alvo é o termo utilizado para indicar o segmento específico de uma audiência potencial de público que determinada emissão televisiva pretende atingir. A maioria dos anunciantes, que basicamente são quem sustenta a indústria televisiva por meio da publicidade, tem preferências demográficas. Por exemplo, se uma marca pretende publicitar calças jeans, o seu público-alvo será composto de adolescentes e jovens. Neste caso o anunciante dificilmente estará interessado em patrocinar programas de cariz político ou informativos, que atrairiam plateias mais velhas.

    Um outro conceito que tem que ver com o sucesso e bom retorno do investimento televisivo passa pelo aproveitamento do horário nobre. Horário nobre refere-se a períodos de programação exibidos durante as noites ou no horário de almoço, quando a audiência é maior. A maior parte da faturação das emissoras de TV provem destas faixas horárias e representa cerca de 80% do lucro total anual das cadeias televisivas no Brasil, por exemplo. Em Portugal o horário nobre é compreendido entre as 20h e 23h. É portanto neste horário que a publicidade se torna mais cara.

    Depois há as técnicas, basicamente estereotipadas, para se chamar e prender a atenção do telespectador com o objetivo de que a mensagem passe, pois disto depende o sucesso das emissões. Continuando a usar como exemplo o meio publicitário, discriminam-se algumas técnicas ou truques utilizados, o que não invalida que várias delas acabem aplicadas em outros estilos de produções, sobretudos os que se pretendem mais mediáticos.

     

    • Imagens sedutoras. Alguns anúncios vendem mais estilos de vida do que produtos. Senão, como informar objetivamente o odor de um perfume televisivamente?
    • Músicas sugestivas. O som é uma das peças chave para atrair o espectador para a cascata de imagens e sonhos que em poucos segundos são apresentadas para o convencer da qualidade do produto anunciado.
    • Bombardeamento audiovisual. Quantos planos de imagens aparecem em media nos anúncios? O ritmo é muito mais rápido que o de outros géneros televisivos.
    • Comparação radical. Apresentam-se dois produtos, do publicitado só se destaca o positivo, do opositor não se assinala o bom e contrapõe-se de forma radical (bom/mau).
    • Impulsividade. Incita-se à compra imediata, sem refletir sobre o valor objetivo do produto anunciado.
    • Reiteração. Repete-se até à exaustão um anúncio publicitário, para fazer o telespectador interiorizar a «qualidade» do produto.
    • Inovação. Vende-se como novo algo que já o foi uma infinidade de vezes. A novidade continua a ser um valor que atrai, capta e vende socialmente.
    • Slogans e sons. Frases simples, facilmente memoráveis e familiares, conseguem que os telespectadores recordem a marca durante todo o dia; também quando vão às compras.

     

    Dados apontam que uma pessoa passa em média três horas por dia a assistir televisão. O sector audiovisual na União Europeia representa mais de um milhão de postos de trabalho. É um sector que move grandes interesses comerciais conforme explanado, mas que também deve colocar questões de diversidade cultural, de serviço público e de responsabilidade social. É portanto nesta vertente que se pode considerar que surgem confrontos entre valores e interesses, onde sinceramente os pratos da balança sofrem um forte desequilíbrio acabando a televisão, pelo seu poder junto das sociedades, por influir na sua decadência.

     

    Resuma-se portanto a este propósito naquela que considero (inclusive pela própria experiência profissional) como uma das mais poderosas armas esgrimidas pela  linguagem audiovisual, está que infelizmente, no sector televisivo, é basicamente mercenária, e que se encontra fora da perceção obvia ou consciente dos telespectadores mas que ganha consistência com o tempo, acabando por entram na esfera do consciente e por influenciar o modo de pensar e de agir. Refiro-me a filosofia e ao “poder” das «mensagens subliminares», neste campo sempre presentes. Com os seus conteúdos a televisão tende a nivelar as mentes dos que assistem às transmissões e será ingénuo desperceber que quem dirige os canais televisivos tem prioritariamente objetivos comerciais. Como tal, considere-se que  “o poder da antena” manifesta-se em grande medida no dar azo à capacidade de formar mentalidades, manipular consciências, do proveito da persuasão e o desbarato da argumentação. Vide casos mediáticos como os de “Maddie Mccan”; “Esmeralda”; “Escutas Telefónicas”; etc.

    Conforme a legislação europeia e já aqui referido, ao sector industrial da área da televisão são delegadas responsabilidades de diversidade cultural, de serviço público ou responsabilidade social, exigindo-se sobretudo dos canais dos Estados que deem o exemplo, mas tal responsabilidade – desenganemo-nos –  não se espere que venha a ser assumida pela televisão.

    Educar significa contribuir para o desenvolvimento harmonioso de uma pessoa por meio de boas relações com a realidade em que tal pessoa vai vivendo. Assim a educação não pode ser concebida como qualquer coisa estática, à margem da experiência concreta do educando.

    Relacionado com o fenómeno de comunicação para “massas” sem grande investimento literário, encontrou-se na década de 90 a designação de uma nova realidade ainda não catalogada por sociólogos ou classificada em dicionários. Trata-se da expressão “Pimba” que passa a aplicar-se a tudo o que tem que ver com a invasão dos circuitos de comunicação e entretenimento de massas (televisão, rádio, edições fonográficas, cinema, imprensa, etc.) pelo gosto popularucho, suburbano e banal (por vezes ordinário) de uma grande maioria da população que se mantém semianalfabeta, pouco exigente e dada à boçalidade e ao riso prosaico. Uma breve consulta pelas grelhas de programação das televisões generalistas é, quanto a isto, esclarecedora.

     

    A reflexão e a experiência ao longo dos tempos tem-se tornado esclarecedora. Entre amigos ou conhecidos, em fugazes comentários ou pequenas tertúlias, sabe quem me conhece que facilmente será por esta ordem de ideias, mais ou menos balizadas, que cairá o meu argumento quando se comentam casos mediáticos na ordem do dia ou as trivialidades dos efémeros programas de entretenimento em voga pela “Antena Emissora Portuguesa”.

    Verificar tal proselitismo de ideias e ideais impingidos entre o comum dos cidadãos são coisas que me aborrecem sobremaneira. 

    Quando em 1939 a RCA Corporation apresentou o primeiro protótipo de um televisor, estava-se longe de imaginar a influência que tal aparelho viria a exercer sobre a vida das pessoas. Hoje pode-se compreender que a evolução da televisão generalista nas últimas décadas tem amiúde demonstrado que, premir o botão que a desliga, pode não raras vezes, ser uma das ações mais ajustada!

     

    Paulo C. Jerónimo

    in “2012 – O Homem Sonha e o Mundo Pula e Avança”