Category: mrcosmos

  • Do Panorama Televisivo Nacional

    Escrito e dirigido por Cristina Boavida, protagonizado por Ana Padrão e Diogo Morgado, este último na sua primeira aparição que o traria para o estrelato, “Amo-te Teresa” é uma co-produção da SIC corria o ano de 2000, que confirma a  reviravolta do panorama televisivo que se vinha encetando desde há três anos, sem a mínima concorrência, por este canal.

    E se à TVI e ao já Saudoso Nicolau Breyner com a sua produtora de conteudos NBP, se devem a subida da fasquia do extraórdinário melhoramento da produção de telenovelas em Portugal, que somado ao “grande pontapé” que revirou a seu favor a liderança das audiências nacionais, numa cartada dupla de telenovela com reality show – o primeiro que rebentou no pais e por este canal, com o roteiro exibido na telenovela “Todo o Tempo do Mundo” com Ruy de Carvalho e Eunice Muñoz, e que apartir dai foi sempre a somar; se à RTP, já mais recentemente, se deve o mérito das grandes produções de séries nacionais de alto gabarito, sejam de elas cariz Histórico mas não só;  já na SIC tempos houve (saudades…) em que era esta foi a senhora dos Tele-filmes e cujo expoente máximo do pequeno ecrã foi a a sua primeira longa metragem “Tentação” (1997) , produzida inicialmente para o canal de Carnaxide mas que acabaria a dar cartas no grande ecrã da sétima arte atingindo um recorde de vendas de bilheteira inigualável durante mais de uma década do cinema português. Neste aspecto foi preciso mais de uma década para “A Gaiola Dourada” (2013) do luso-francês Rubén Alves o destronar e que aqui pode recordar.

     

  • Do Panorama Radiofónico Nacional

     

     

    A forma como o panorama do audiovisual português se alinha tem o seu quê de interessante.

    Verifica-se uma trilogia de sectores que definem uma linha condutora e acaba no traulitar dos consumidores.

    Essa trilogia divide-se entre o mundo da arte musical, passando pela produção generica audiovisual, que em Portugal se resume a telenovelas, acabando nas playlists das rádios.

    E se as rádios nacionais, em conluio com as editoras, deram cartas outrora formatando o percurso de bons ou maus músicos e músicas, hoje são as telenovelas que marcam o passo.

    Vide o caso da música aqui hoje. Ela é de 2009, integra a banda sonora da telenovela sensação do momento e  que surgiu no final deste verão, e acabou na berra das playlists das rádios portuguesas ao ponto de integrar, até, a da conservadora Antena 1 – Emissora Nacional Portuguesa.

    Às radios mais atentas se quiserem, sobretudo as locais que por vezem têm mais problemas de identidade ou dificuldade de uma boa playlist, fica a dica: basta anteciparem-se.

    A excessão dos temas criados para os genéricos das telenovelas (o videoclip de abertura) enquanto ela esta no ar, porque se for depois de essa novela sair de cena já terá maior potencial de sucesso (fenomeno nostalgia), para a seleção de musicas novas para a playlist e com dois dedos de testa, percebe-se que o segredo reside no apostar em músicas com ritmos que peguem no ouvido de estaca. É o que as telenovelas fazem, e as radios nacionais depois vão atras das proprias seleção das novelas que estão na berra.

    Esta música no inicio do post já tocava numa rádio local há mais de dois anos, e o critério de escolha foi esse, associado ao imaginário de quem a escolheu (eu próprio), das duas gajas que se beijam no final do vídeo, invertendo toda uma letra e mentalidades, que a Antena 1 nem sonha…

  • Terapias provincianas para o trânsito de Lisboa

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     Aqui vão umas dicas terapeuticas caseiras tipo “mezinhas d’avó” que a gente tanto gosta na aldeia, porque:

    1. Se chegas-te a Lisboa tens de ter noção de que ‘aqui é Portugal e o resto é paisagem’.

    2. Provinciano: nunca esqueças as tuas origens pois nas mesmas descobrirás segredos terapêuticos que nem a tua gaja sabia que tinhas dentro dessa braguilha. 

    3. Se ouves buzinar no transito -sim esse ruído mesmo que te tira do sério a cada 3 minutos- manda-os para um sítio qualquer. Provinciano que se preze nem tem papas na língua, nem se exprime com eufumismos (i.e. adjetivo masculino plural; ‘rodriguinhos’ em lx)  pois que essas são daquelas palavras de sete e quinhentos.

    4. A partir da terceira buzinadela que ouvires, e que mesmo não tendo certeza, assumes como tendo sido para ti, já podes manda-los pr’ó caralho, mas com estilo: acrescenta “morcão” se és do Porto, “vacão” se és de Leiria, ou outro qualquer’ão da tua provincia, que é tão rica nestas terapias.

    5. Buzinas, buzinas, e mais buzinas…. sejam 4 da tarde ou 4 da manhã. Os alfacinhas são – tirando os do Belenenses assim mais armados ao pingarelho porque vivem ao lado do Palácio de São Bento – conas todos os dias. Comodistas por natureza. Assim da-lhes portanto o desconto terapêutico de quem tem um QI abaixo dos 69. É que nunca leram as leis de trânsito sobre  a obrigação de substituir as buzinas por sinais de luzes apenas que anoiteça, ou as civis da República Portuguesa no que estabelece sobre horário limite de ruído público. 

    6. Em Lisboa conduz sempre de vidro aberto. Faça chuva ou faça sol. És da província, canudo! E vais precisar dele. Para fumar aquele cigarro terapêutico que te restabelece os índices de raciocínio, confiança e calma santa, tantas vezes necessárias para pores a mão de fora e lançares aquele pirete a que só os provincianos se dão ao trabalho. Aquele torcer de dedos bem desenhado. Porque a arte de um pirete aprende-se na provincia. É de coragem e feito com os colhões no sítio, tipo: os  dedos indicador e anelar simetricamente enrolados paralelamente ao “pai de todos” bem centrado e esticado. 

    7. quando regressares à província, esquece lá essa moda urbana de que as rotundas são o prolongamento por natureza das várias vias que se lhe confluem, blá,blá… ide más é ler o que do uso da buzina a lei diz. Portanto, deixa-te de merdas e de entrar nas rotundas da aldeia depois, sempre a acelerar. Mesmo sem sinais de stop, as rotundas na província tem um código de conduta próprio para se respeitar.

    8. Os piretes são uma arte, já disse. Não os esbanjes. Tinhas nada que ensaiar assim à sucapa – umas linhas aqui acima, que eu bem ví – se és ou não artista de enrolar os dedos simétricamente. Guarda esses ensaios para quando no trânsito, e a ver vamos se com estas terapias não te comportas lindamente no meio do barulho.

     

  • Da co-adoção e da sociedade transvestida

     

    Sobre o assunto existem estudos científicos originados pelo pai da psicanálise Sigmund Freud. É evidente que uma criança educada por dois homens ou duas mulheres enquanto pais, alterará o seu percurso humano. Chama-lhe a medicina de ‘O Complexo de Édipo’, e podes ler sobre ele aqui .

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     Édipo, segundo a mitologia grega, mata o pai por desejar sexualmente para ele a mãe

     

    A co-adoção por casais do mesmo sexo foi a primeira lei aprovada pelo novo governo de estrema esquerda ainda antes mesmo de ser assumida a sua posse. 

    Aprovada que está, e lamentavél que quem foi, ou é contra a lei, nunca tenha argumentos válidos que defendam a sua ideia para além dos seus próprios autos de fé e valores cristãos, de resto, atitude em nada distinta da argumentação utilizada pela esquerda parlamentar na defesa da imposição de seus fanáticos dogmas politicos. Exagerado será não ver que estamos perante a imposição de uma anarquia muito para além daquilo que são valores individuais, pois que interfere com a saúde clínica de um ser em crescimento em Portugal, logo, com o futuro da sua sociedade.

    É a lei de Murphy (se pode correr mal, vái correr mal). Quando se teme que o caldinho de governo que temos na Assembleia da República se possa preparar para transformar o velho pais de brandos costumes no, de todos, brevemente o mais liberal da Europa e, porque não, do mundo. O que não sendo uma ideia propriamente desagradável, também não sei se agrada de todo.

    Vamos-nos deitar a advinhar? Então vá lá, advinha-se portanto o que o próximo decreto da esquerdalha – [i.e.] esquerda + canalha – garotos na gíria popular (os do BE), e de quem os come ao pequeno almoço (PCP) estará a preparar como uma das grandes revoluções e prioridades do país: a despenalização das drogas leves? In extremis, direito dos pais ao infantícídio, como na América?

    Eles andaram foi a estagiar e fazer Erasmus demais no país das papoilas holandesas.Só pode.

    Mas alguém os avisou que aquilo não era para fumar?

     O Complexo de Édipo musicado pelos Xutos e Pontapés

    Paulo Jerónimo

  • O Melão de T3LL0

     

    Pelo sim pelo não, porque já me arrempendi de não o ter feito na altura de se terem averbado no dragão outros 5-0 noutro clássico, ou porque nas redes sociais (culpadas da suspensão de assuntos neste blog) os temas são tão efémeros e voláteis, deposito neste obituário o pensamento de ontem pelo pê de T3LL0. E desafio o Nuno PortoMaravilha a fazer o mesmo.

     

     

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    É pá, isto não se faz!
    Faltam ainda 10 minutos para acabar o jogo mas tenho de solicitar desde já o livro de reclamações aos senhores do Dragão.
    Então a malta compra bilhete para assistir àquilo que se espera ser um grande clássico de futebol e apresentam-nos em palco um Bailinho da Madeira?!

    Não vale!
    Ao menos digam ao Jackson onde estamos, que em portugal tal dança não tem passo doble… ao quaresma que se deixe de invenções porque esta não é uma coreografia cigana, é da terra do amigo Ronaldo portanto não vale trocar o passo ao adversário, não vale… e ao Lopetegui que não estamos no País Basco nem na tropa, pois que o Bruno de Carvalho não é propriamente dirigente da ETA nem era preciso acertar-lhe o passo… é que sinceramente… assim não há condições!

    Paulo Jerónimo

  • Génesis: o alfa e o ómega, o principio do fim

     

    Os temas bíblicos sempre deram panos para mangas… e polémicas qb.

    Escritores, poetas, coreógrafos, todos gostam de explora-los. A sétima arte também.
    Sobre o primeiro livro do cânone bíblico podem-se ter várias opiniões e dissertar várias conclusões, mas tenho para mim uma que sempre achei desconcertante: é que revela-nos a crueza da Criação à Destruição! Com este filme «Noé» aguarda-se portanto um “Dilúvio”… 

    “Será isto o fim de tudo?” – Questiona a Paramount Pictures no seu facebook oficial.

     

     —

    Paulo Jerónimo

     

     

    Estreia nos cinemas a 10 de abril

    Realizador: Darren Aronofsky

    com

    Russell Crowe

    Jennifer Connelly

    Emma Watson

    Anthony Hopkins

  • Bravô! Palma de Ouro à Gaiola Dourada ……………… …………….Conversas com os botões da camisa (6)

     

     

      

    “Quando a esmola é grande o pobre desconfia” e tanta propaganda que se viu no pré-lançamento do filme de Rúben Alves A Gaiola Dourada – um retrato dos portugueses, resultante da epopeia de sua emigração nas últimas décadas – confesso que me levou a sentar na sala com a esperança e espetativa de que ia enganado.

     

    Tentando apaziguar a discussão entre meus dois neurónios frontais contra um ocipital, degladiavam-se: “lá tás tu Paulo… vai-se a ver e na volta o filme até que merece mesmo uma Palma de Ouro, à grande e à francesa (link). Espera…”

    1.ª Surpresa: a sala começava a mostrar-se demasiadamente bem composta.

    Mais de metade dos lugares ocupados, tendo em conta que estamos ao meio da tarde de um dia de semana, no pais que, contam  as estatísticas, tem a mais baixa taxa de cultura cinéfila (ou de leitura, já agora…) bom, isto por si só já é obra.

     

    Vês o efeito da propaganda? Picardava o neurónio ocipital.

     Achas que sim, oh cromo? Vinte e seis dias depois da estreia nacional? Ripostava um dos do lóbulo frontal.  Em parte, talvez… mas no todo, duvido – atiçava o segundo dos frontais, prosseguindo: Ó “neurónio ressabiado”, pá. Aqueles anos de neve na infância passada pelos Pirenéus Bascos afetaram-te mesmo do clima, com certeza…” E a Sala continuava enchendo.

     

    É relevante e sintomático o percurso cultural dos Portugueses.

    Eles aprenderam a ver televisão, antes mesmo de terem tido oportunidade de aprenderem a ler. Sim, literalmente. E esse fenómeno, de certo modo prolongado pelos próximos 30 anos é determinante para o nível e exigência cultural que demonstramos hoje. Com o aparecimento das primeiras emissões da RTP nos anos 50 num pais maioritariamente analfabeto como o era o nosso, o povo entra em transe com emissões de futebol, festivais da canção ou concursos. Entre os prazeres de assistir, ver e ouvir as emoções de “Gabriela” ao vivo, in loco na pequena “caixa mágica” ou deleitar-se na leitura da mesma, escrita pela pena de Jorge Amado, a escolha seria óbvia.

    E se hábitos de leitura  nunca pegaram, os da sétima arte então, nunca vingaram.  Os Portugueses continuam a ser os cidadãos da Europa

    que menos cinema frequentam, onde mais salas fecham ou as cadeiras livres abundam.

     

    Mas cultura? O que é isso da cultura?

    Depois de alguns anos de investimento nesse sentido, o atual governo português retrocede dizendo-nos que, por culpa da crise… há que exterminar, precisamente este Ministério, o da Cultura. Foi a primeira das Reformas de Estado a pôr em prática, aquando da remodelação de Ministérios. A população, a que “sabe ler” inclusive nas entrelinhas, retira daqui outras leituras: demonstram-nos o modo como os dirigentes do país, eles próprios uns incultos, encaram o assunto. Numa atitude “comezinha”, “portuguesinha”, revivem-se memórias antigas: “cultura é no campo, no lavradio. A cultura do ancinho, da enchada, do terreno que germina. Recupere-se a agricultura, a verdadeira cultura.” Como em tudo, há que definir prioridades.

     

    Alors, e o filme? O filme… bon, c’est ça: “La Cage Dorée” –  A Gaiola Dourada escreve-se, fala-se e protagoniza-se na mais francesa e incontornável de todas as cidades – aquela que, dentre todas as outras, mais portugueses acolheu em todo o mundo: Paris.

    Na película estereotipa-se uma família emigrante portuguesa. Mas a estória extravasa o que se possa considerar ou etiquetar como sendo exclusivamente a imagem ou vivências experimentadas pelos nossos emigrantes franceses. Porque as emoções que ali se vivem, assistindo-se à película, universalizam-se. Serão as mesmas e comuns a quaisqueres outras experiências de vidas em qualquer outro país onde quer que exista um portuga estrangeiro

     

    Cada um experienciará o filme à sua maneira mas eis uma das cenas que se me mostrou particularmente das mais marcantes:

    Maria e Zé (Rita Blanco e Joaquim de Almeida) na arrecadação da casa vão selecionando alguns haveres, presume-se que para levarem de regresso para a terra natal. Como plano de fundo na imagem temos um grande placard de ferramentas, à imagem do personagem, o Zé, um humilde e prestável pedreiro, biscateiro habilidoso, de quem os vizinhos franceses tanto apreciam e recorrem (interesseiramente).

    Enquanto Zé enrola o fio de um berbequim, Maria  puxa de um monte de roupas antigas um par de calças que o filho já há muito não veste desdobrando-o e apelando à memória de Zé: “Lembras-te como o Pedro detestava estas calcas?”.

    Um mero exemplo de uma entre várias cenas que resultará num potencial reboliço às entranhas de qualquer espectador que tenha vivido noutra comunidade ou cultura fora da sua terra natal. À qual lhe baterá um potente flashback rodeado de emoções à flor-da-pele, vestindo ele próprio aquelas mesmas calças e revendo-se no lugar do filho de emigrante, nas discussões matinais sobre a roupa para vestir e dentre as quais, eram por nós (crianças) de imediato descartadas todas aquelas peças de indumentária que evidenciassem a cultura portuguesa (ou imagem de coitadinho) num pais onde se é forasteiro. Basta o que basta, não se esperá-se que fosse o catraio, o primeiro naquele dia a acordar o estigma sofrido em qualquer recreio escolar estrangeiro pelo “típico filho do pedreiro e mulher a dias portugueses” que os nativos daquela terra fazem questão de nos recordar copiosamente, quotidianamente, direta ou indiretamente.

     

    E quando um filme nos arranca consecutivas gargalhadas com a mesma facilidade e naturalidade que a seguir nos leva às lágrimas, então arriscaria que não há dúvida: só podemos estar perante um grande filme, digno do mais prestigiado troféu de cinema francês e europeu, mas para o qual é preciso ser-se Português para o entender em toda a sua plenitude.

    BravôPalma de Ouro à Gaiola Dourada!

    E desengane-se: mais propaganda sim. É disso que precisam, afinal, os filmes portugueses. Para que os pobres de espírito deste pais deixem de encarar ofertas culturais como esmolas.


     

    Paulo C. Jerónimo

  • E Vão Quatro

     

    Quatro anos de cosmeticas.org. Faz hoje.

    Estamos a ficar cotas 🙂
  • Descomplicando a Câmara de Filmar …………………. ………………………………………….e Suportes Digitais

     

     

    Com o verão reaparecem sempre as velhas máquinas de filmar ou chega-se a conclusão que está na altura de as trocar. Parece-me por isso oportuno disponibilizar este texto que pode ajudar a melhor compreender o aparelho, e os seus suportes, que estão sempre a mudar.

    Ou até pode ser que quem se depare com este post seja um profissional que partilha destas várias complicações. Em resumo…

     

    A constituição da Câmara de Filmar passa fundamentalmente pela lente; o microfone; o corpo da máquina; deck de gravação; e fonte de alimentação.

    Debrucemos-nos sobre os mesmos.

    A lente (ou objetiva) é o utensílio destinado a captação de luz que permitirá detalhar o enquadramento, forma e nitidez dos objetos, através da manipulação do diafragma (ou iris), zoom e foco.

    O microfone, componente simples de compreender, serve para captação de áudio ambiente ou direcional, a ser enviado para o circuito de processamento de áudio no corpo da máquina.

    O corpo da máquina ocupará o maior espaço da câmara de filmar. Aqui incorporam-se : os CCD (charge-coupled device) componentes eletrónicos destinados ao escrutínio da luminância e crominância transportada pela luz recolhida pela lente – tecnologia com largas décadas de aplicação que rivaliza atualmente com a geração de CMOS assente em circuitos integrados. Incluem-se ainda no corpo da máquina: microprocessadores; microcontroladores; memórias RAM – onde se aparecem elementos de lógica digital para processar os mesmos dados; e placas ou componentes eletrónicos vários, destinados ao processamento de luz, som, imagem, registo/gravação, e gestão da alimentação/energia e ao deck de gravação.

    Este último, o deck de gravação, tem sido desde há várias décadas e até há bem pouco tempo um departamento do corpo da máquina todo mecânico e complexo, propenso a um desgaste acelerado, onde se insere a cassete para o registo magnético dos dados de som e vídeo, processados anteriormente pelos sistemas eletrónicos de registo da imagem e do som. Esta tecnologia tem vindo a perder mercado, quer no amador, bem como estando atualmente em fase de transição no mercado profissional. As longíquas cassetes vêm-se serem substituidas por suportes de dados em memórias flash, mais simplificados (sem mecânica) – vulgo cartões de memória.

    Por fim temos a fonte de alimentação, comumente aplicada a uma bateria portátil, mas também passível de ser suportada por ligação direta via cabo à rede elétrica.

     

    O mercado comercial e industrial aliado à tecnologia em constante evolução e mutação tornam a última geração de equipamentos lançada hoje como obsoleta amanhã. Isto representa uma enorme dor de cabeça, quer se trate de um ávido entusiasta amador ou, sobretudo, para os profissionais.

    As problemáticas relacionadas com a evolução tecnológica e as suas influências sempre representaram um problema acrescido para qualquer um que precise de manter uma rotina atualizada sem perder acesso a consulta de dados por métodos mais antigos.

    No meu caso vou usar a titulo de exemplo a minha própria experiencia que se reporta a três gerações tecnológicas diferentes de câmaras de filmar que acompanharam o meu percurso profissional, entre a era de equipamentos analógicos; substituída entretanto pela geração digital standard (SD); esta que por sua vez, nos tempos correntes, também começa a ser considerada já obsoleta (digital SD) sendo que nos encontramos na era do despoletar definitivo da alta definição onde vingam os equipamentos de captação em Full HD.

     

    • Na imagem: 3 gerações de câmaras nos últimos 20 anos.

     

    Financeiramente estas questões de mutações constantes entre formatos, codecs, resoluções, tipo de suportes de arquivos, etc, não é uma questão fácil de gerir, pelo que não se compadecem com estas problemáticas a falta de perceção, timing ou perspicácia quanto ao momento exato para agir, sendo que na maior parte das vezes, decisões mal ponderadas ou mal atempadas, ações o inações diversas podem ditar fortes revezes, sobretudo num negócio.

     

    Para exemplificar alguma da complexidade do que se aqui se apresenta, e quanto a (r)evolução constante mencionada, recordo-me de uma opinião que partilhava num fórum da especialidade na internet, e que pode mostrar-se mais exemplificadora ainda da complexidade do que se tem estado a abordar.

    Numa altura, ainda relativamente recente, e que era de enormes incertezas para muitos sobre migrar ou não migrar do formato de captação e arquivo mais antigo, assente nas vulgares cassetes em fita magnética, sobejamente testado e que oferece determinadas garantias, impondo no entanto já várias limitações para as potencialidades e soluções da era de alta qualidade de imagem em Full HD em que nos encontramos, em contraponto com os atuais equipamentos e suportes mais compatíveis para estas novas filosofias de trabalho disponíveis em equipamentos de captação, ou nos suportes de arquivo, assentes na mídia digital (discos rígidos, cartões de memória Flash, discos óticos, etc) , considerados mais frágeis e suscetíveis de perdas ou danos.

     

    Um colega lançava portanto para a discussão o tema: “Fita, ainda faz sentido?” – ao que tentei contribuir com a minha opinião baseada na minha experiência e conhecimentos, quer técnicos, como dos factos:

     

    “Continuo preso às cassetes porque continuo a ter câmaras ao uso que as utilizam. Não fosse isso, e já teria deixado de recorrer a elas (cassetes). Mas não pretendo adquirir mais nenhuma câmara com mecânicas/cassetes. Portanto, sigam as memórias flash!

    Tenho vindo a migrar a minha “filosofia” de trabalho para suportes/arquivos em HDD desde há cerca de dois anos. Até aí o meu arquivo era feito exclusivamente, desde o ano 2002, em suporte ótico, DVD-r. Tendo em conta os preços para os quais caíram, armazenamento em HDD parece-me um método bastante acessível. Com custos equivalentes ao armazenamento em DVD-r.

    As cassetes (da era digital) sempre as regravei, largas dezenas de vezes cada uma, mas aqui trata-se de suporte DVC-Pro [marca proprietária da Panasonic, material mais robusto]. As DV ou DVCam [marca proprietária da Sony e menos fiável para uma regravação constante] nunca me atrevi a “apertar” tanto com elas, nem pouco mais ou menos. Seria outro debate…

    Isto para dizer que, no fundo, o tipo de utilização que sempre dei as cassetes foi numa filosofia de reutilização que agora as memorias flash vêm colmatar, ou devidamente sustentar/garantir. Passando em concreto ao debate que o lançado, eis as vantagens e desvantagens que encontro em gravação/armazenamento:

     

    Em HDD ou Cartões, disponibilidade dos dados de forma muito mais versátil, volátil e rápida. Espaço Físico que ocupam reduzido. Isto é o que me ocorre logo à cabeça. No entanto considero os dados nestes suportes mais vulneráveis à perda, quer por acidentes/avaria dos suportes, que acontece, se calhar com mais frequência do que alguns desejariam, mas tenho poucas dúvidas que tais perdas de dados estarão mais ligadas ao facilitismo/menosprezo do utilizador e falta de métodos/políticas de segurança bem interiorizadas, mais propriamente do que por falta de fiabilidade nos suportes. Claro: não subestimar a qualidade do fabrico dos ditos cujos.

    Trabalhar com dados nestes suportes exige uma disciplina acrescida na sua gestão, comparativamente com as cassetes. Parece-me um facto.

     

    Em Cassete o armazenamento fica mais facilitado, e quanto a mim sujeito a bem menos riscos. Para apagar os dados não basta um simples “delete” de teclado acidental durante o manuseamento. Regra geral será necessário percorrer (“regravar”) o espaço de fita em causa. Ainda que se prima o REC por lapso numa fita que supostamente não se deveria, a quantidade de dados perdidos dependerá do tempo que permanecermos na ignorância da importância de tal cassete. E a probabilidade de tal suceder, comparativamente com o manuseamento de um Disco HDD, parece-me drasticamente menor.

    E acho que reside aqui a principal, senão única, vantagem da cassete. É um suporte mais individualizado devido a baixa capacidade de armazenamento, é um suporte “palpável”: está ali na prateleira. Agora, será um tipo de armazenamento prático? E Se for preciso reconstituir ou fazer alterações num projeto (software) mais antigo que já saiu da estação de trabalho? É possível, mas estou em crer que poucos têm os cuidados específicos necessários de backup para tal. E nesse caso há um “pormaior” relevante: a necessidade de equipamento disponível passados alguns meses/anos para a leitura dos dados, e o seu consequente desgaste.

     

    Deixando o campo de armazenamento, passando para a questão primária da gravação, é aqui também, no desgaste e avarias das mecânicas dos equipamentos destinados a leitura/gravação de cassetes, que reside a maior desvantagem deste tipo de suporte se o compararmos com gravação em flash (cartões). É neste “pormaior” do desgaste/avaria (ou interferências temporárias: lixo, gorduras, humidades, etc) da mecânica dos equipamentos de cassete que reside boa parte dos erros de gravação/leitura associados a estes suportes, os típicos e mal fadados DROP’s de fita, por exemplo. Para não falar na quantidade de vezes que uma cassete gravada num determinado equipamento, deixa de ser devidamente sobretudo quando reproduzidos em equipamento terceiro, devido a desalinhamentos típicos das mecânicas com o uso.

    A Panasonic neste capítulo foi pragmática: salvo erro meu, este fabricante já não tem no mercado equipamentos novos com mecânicas/cassete. Pelo menos anunciou essa pretensão/decisão há pelo menos 2/3 anos. Quanto a mim foi uma boa decisão, pois ver-me livre de mecânicas representa ver-me livre de algumas boas chatices traduzidas em custos financeiros.

     

    Se a fita ainda faz sentido? Ainda faz. Cada vez menos, mas faz. Acho que é uma questão de tempo para que na prática se venha a tornar um género de suporte popularmente obsoleto. Tempo esse que não me parece muito longínquo.”

     

    Paulo C. Jerónimo

    in “2012 – O Homem Sonha e o Mundo Pula e Avança”