Category: históricos

  • A dominação do espectáculo sobre a vida……………. La domination du spectacle sur la vie………………….

    Nous pouvons être d’ accord ou ne pas être d’accord avec les " Situationnistes" . Mais il faut reconnaître qu’ils ont été les premiers à penser les rapports entre la caméra et notre existence individuelle.

     

    Lisez le commentaire de la publicité :

     

    Source : "Internationale Situationniste " , nº 11, Octobre 1967 , p.57

     


     

    Podemos estar ou não estar de acordo com os "Situacionistas". Mas há que reconhecer que foram os primeiros a pensarem a relação entre a máquina de filmar e a nossa existência individual.

     

    Leiam o comentário da publicidade :

     

    "Esta publicidade para a máquina de filmar Eumig ( verão 1967 ) evoca , muito precisamente, a glaciação da vida individual que se inverteu no âmbito da perspectiva do espectácular : O presente é dado a viver , imediatamente, como lembrança. Com esta espacialização do tempo que se encontra submisso à ordem ilusória dum presente acessível em permanência, o tempo e a vida perderam-se juntos. "

     

    Fonte : " Internationale Situationniste" , nº 11 , Outubro 1967 , p.57.

     

  • Festejar Mafalda para melhor esquecer Quino? Commémorer Mafalda pour mieux faire oublier Quino?

    On commémore actuellement les 45 ans de la naissance de “Mafalda “.

     

    Mais la Bande Dessinée  “Mafalda” , n’est pas la seule à fêter. Par exemple , les éditions “Glénat ”  fêtent aussi leurs 40 ans. Les éditions “Glénat” ont publié un nombre impressionant de Bd , et elles ont surtout donné naissance à une Bd qui a proposé une vision differente de l’histoire et, surtout, du Moyen-Age. ( Lisez Hermann ).

     

    La Bd est entrée au Louvre et elle a maintenant droit de cité. Belle hypocrisie.

     

    Quino a travaillé pendant 10 ans sur la Bd ” Mafalda” . Mafalda est une petite fille qui pose des questions existentialistes. Ses questions font sourire. Elles ne dérangent pas. Mafalda vit dans un monde protegé. Elle a même le droit de ne pas aimer la soupe du dîner. Ce qui est un paradoxe pour une grande partie des argentins ( Quino est argentin ) et sud américains.

     

     

     

    Quino arrêtera ( en 1973 ) la publication de Mafalda. Il veut proposer un autre type d’humour. Un humour acide en noir et blanc fondé sur les inegalités sociales et la dégradation de la planète.

     

    La Vision du monde que le Quino d’ après Mafalda nous donne ne semble pas donner beaucoup de place au comique.

     

    E Viva o Porto !

     


     

    Festejam-se, actualmente, os quarenta e cinco anos do nascimento da Banda Desenhada : ” Mafalda”.

     

    Todavia, esta BD não é a única a festejar. Por exemplo, as edições ” Glénat ” também festejam os seus quarenta anos. Estas edições publicaram um número impressionante de bandas desenhadas. E deram, sobretudo, nascença a obras que propõem uma visão diferente do dia-a-dia e, sobretudo, da Idade Média. Leiam Hermann. Salvo erro meu, muitas obras editadas pela “Glénat” foram traduzidas e publicadas em Portugal pela ” Meribérica” ( não estou certo quanto ao nome  e é com prazer que aceito correções ).

     

    Vivam os festejos !  A Banda Desenhada entrou no Louvre e , agora, tem direito a ser citada. Bela hipocrisia !

     

    Quino trabalhou durante dez anos a BD ” Mafalda “. Depois, abandonou.  Mafalda é uma menina que se levanta perguntas existenciais. Estas fazem sorrir. Elas não incomodam. Mafalda vive num mundo protegido. E até tem direito de não gostar da sopa. O que é um paradoxo para a grande maioria dos sul-americanos.

     

     

     

     

    Quino parará, em 1973 , a publicação de Mafalda. Ele quer exprimir um outro tipo de humor. Um humor fundado sobre as desigualdades sociais e a degradação do planeta.

     

    A Vision que o Quino , após Mafalda, nos dá do mundo não parace deixar lugar ao cómico fácil.

     

    E Viva o Porto !

  • Nós e os Outros ! ………………………………………….. ……………………………………….. Nous et les Autres !

     

    ERREUR DE PORTUGAIS

     

    Quand le portugais arriva

    sous une pluie battante

    Il habilla l’indien

    Quel dommage !

    S’il s’était agi d’une matinée ensoleillée

    l’indien aurait déshabillé

    le portugais.

     

    ( Oswald de Andrade – Poesias Reunidas -Rio 1945 )

     

    Ou Alors …

     

    " Pendant que les Espagnols envoyaient des commissions d’enquête pour rechercher  si les indigènes possédaient ou non une âme, ces derniers s’employaient à immerger des blancs prisonniers afin de vérifier par une surveillance prolongée si leur cadavre était , ou non , sujet à la putréfaction. ( … ) Le barbare, c’est d’abord l’homme qui croit à la barbarie".

     

    ( Lévi- Strauss -Race et histoire -pp.21-22-ed. folio essais ).

     

    La photographie, ci-jointe, montre un des premiers indiens Panará à rencontrer des blancs. Elle date de 1973 et fut prise par les frères Villas Bôas. La photo a été prise au moment où il apparut au bord de la rivière.

     

    ( Source Télérama -2005 ) 

    E Viva o Porto !


     

    ERRO DE PORTUGUÊS

     

    Quando o português chegou

    Debaixo duma bruta chuva

    Vestiu o Índio

    Que pena !

    Fosse uma manhã de sol

    o índio tinha despido o

    o português.

     

    ( Oswald de Andrade – Poesias Reunidas- Rio 1945 )

     

    Ou então …

     

    " Enquanto os Espanhóis mandavam comissões de inquérito para pesquisarem se os indígenas tinham uma alma ou não , estes últimos empregavam-se a imergir os prisioneiros brancos , afim de vigiar, graças a uma atenção prolongada, se o seu cadáver obedecia , ou não, à putrefacção. ( … ) . O  Bárbaro  é , antes de tudo , o homem que acredita na Barbarie ".

     

    ( Lévi-Srauss- Race et histoire -pp. 21-22 -ed. folio essais )

     

    A fotografia , aqui junta, representa um dos primeiros Indíos Panará  a entrarem em contacto com os brancos. A fotografia data de 1973 e foi tirada pelos irmãos Villas Bôas. Foi tirada no momento em que aparece junto à margem do rio.

     

    ( Fonte Télérama -2005 ) 

    E Viva o Porto !

  • A Volta a Portugal em bicicleta ou o nascimento duma nação ?

    A primeira volta a Portugal tem início em 1927. É uma cópia do "Tour de França"  (  volta à França em bicicleta ) . Como , aliás, todas as outras voltas Europeias.

     

     

    A volta à França em bicicleta  é inaugurada em 1903.

    Jean Luc Boeuf e Yves Léonard publicaram um livro fantástico : "La République du tour de França ".

    Como curiosidade, há que salientar que Yves Léonard, "Maître de Confèrences"  na conceituada escola superior de Sciences Politiques de Paris, é, hoje em dia, o melhor especialista Francês da história do Salazarismo.

     

    Os autores debruçam-se sobre a génese da história da volta à França. Penso que se podem, sem grande questionamento, aplicar certas noções à história de Portugal.

    Portugal no início do século está imensamente fragmentado. Não existe uma unidade cultural ( vejam-se as diferenças de trajes ou vestuário , as diferenças dialectais, as diferenças quanto aos núcleos familiares, no que diz respeito à herança, partilha do regadio, etc. ).

     

    Não por acaso que continuam a existir, ainda hoje, as expressões como a "minha terra" ( meu país ) ou " aquém do Marão ". Lembranças dum tempo anterior à globalização .

    A ideia de nação é uma ideia repúblicana.

    Creio que ninguém dúvida que reino e nação não têm a mesma a significação.

    A volta a Portugal, na altura durava três semanas, deu uma imagem de unidade. Unidade materializada pelo solo, chão ou estradas.

     

    Num país em que eram precisas mais de 12 horas para ir da Covilhã ao Porto, a volta a Portugal ensinou ou fabricou , junto dos Portugueses, a consciência duma unidade geográfica ou territorial.

     

    A volta a Portugal tentou ensinar a pertência a uma nação.

    Oups : Já agora, as ideias repúblicanas nasceram no Porto.

     

    E Viva o Porto !

     

     

     

     

     

     

     

     

  • O Salazarismo defendeu e protegeu o Nazismo

    O semanário "O Jornal do Fundão" tem, desde há dois anos, vindo a dar a conhecer, ao grande público, os seus arquivos. Arquivos que nos permitem estudar melhor o passado , para melhor tentar entender o presente e advinhar,racionalmente, o futuro.

     

    O semanário "O Jornal do Fundão" é , praticamente, desconhecido junto do grande público em Portugal. Lembro-me, aquando da minha última estadia em Portugal, o coro de gargalhadas que ouvi quando pronunciei o nome do semanário. Onde fica ? Quem é ? etc.

     

    Esta publicação foi uma das raras, durante o fascismo, a ter desafiado o regime. E, por isso, foi suspenso durante seis meses em 1965.

     

    Grandes nomes e ensaistas de expressão Portuguesa publicaram, regularmente, crónicas e ensaios no "Jornal de Fundão" : Eduardo Lourenço , Saramago, Eríco Veríssimo, José Cardoso Pires, João Cabral de Melo e Neto., Mário Claúdio, Lídia Jorge, Jorge Amado e perdoem-me os que não citei.

     

    Foi graças às crónicas de Carlos Drummond de Andrade, publicadas de quinze em quinze dias, que conheci o "Jornal do Fundão". Na altura fiquei atordoado. Um dos maiores poetas de expressão Portuguesa ( senão o maior / F. Pessoa, para mim, releva da filosofia ) escreve crónicas para o que era considerado um jornalzito sem qualquer dimensão mediática ?

     

    Mas a poesia porque é poesia não está ao serviço de ideologias. E o argumento do número é-lhe, totalmente, indeferente. O importante é tentar defender a humanidade.

     

    Para memória, fica, bem expresso, na peça junto, um exemplo do emprego do lápis azul que abençoava o genocídio Nazi. 

     

    A peça presente foi editada, pelo "Jornal do Fundão", em 29 de Maio de 2008.

     

    E Viva o Porto ! 

  • O Alienista

    A novela "O Alienista" do escritor Brasileiro , Machado de Assis, faz parte das maravilhas da literatura mundial. São setenta páginas  de humor que podem e devem ser colocadas entre todas as mãos .

    A estória é simples : Simão Bacamarte parte para Coimbra para aperfeiçoar os seus estudos e teorias. Regressa, em seguida, à sua terra natal : Itaguai, povoado do Estado do Rio.  Decidido a pôr em prática e em aplicar  as suas teorias manda construir uma Casa Verde. É nesta Casa Verde que mandará internar todos aqueles que lhe parecem loucos. Inclusive a sua esposa : hesitar entre um colar ou uma pulseira é um indício dum comportamento contrário ao bom senso e a razão.

     

    A novela escrita em 1881 denuncia, quase com um século de antecedência, o arbitrário do poder médico. Foi preciso esperar os anos 1970 para ver aparecer uma corrente médica contestar os dogmas da psiquiatria.

    A novela levanta bem a problemática : O alienista é aquele quem cura a loucura ? Aquele que a fabrica ou aquele que a transporta ?

     

    E Viva o Porto ! 

  • Woodstock: 40 anos, e obrigado ao PortoMaravilha!

    "Mr : Woodstock foi algo fantástico ! O Poder da Flor ficou !

    E Viva o Porto !

    Portomaravilha a 14 de Agosto de 2009 às 22:05

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    Ora aí esta um bom tema para dares azo!

    conta-nos como foi….

    MrCosmos a 15 de Agosto de 2009 às 14:45"

     

    A única forma que encontro de responder e agradecer ao comentário que o amigo PortoMaravilha me deixou no post de ontem, respondendo ao apelo (que menciono em cima) de 15 de Agosto último, e dia do 40º Aniversário do Woodstock, foi por puxar para a primeira página a sua resposta ao repto que lhe lancei, e que aqui partilhou. Obrigado pelo teu testemunho, companheiro. É sempre um gosto especial refletir nas tuas estórias.

     

     

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    "Se a minha memória é boa : Alugava com a Michèle um pequeno andar. Ouvimos uma trovoada louca e logo a seguir uma chuva de uma extrema violência. O fenómeno não durou mais de 10 minutos. Tenho a certeza. O andar dava para pracita da cidadezinha. Esta ficou totalmente inundada. E a cave ou o porão do prédio sofreu uma inundação de praticamente um metro.

    Perdi todos os meus arquivos, tal como a Michèle, que estavam na cave. O nosso andar era pequenito e arquivavamos tudo na cave.

    Na altura, o Joseph e a Nina ainda não tinham nascido e, por assim escrever, viviamos sem necessidade de memória.

    Foi com o nascimento dos meninos, mas entretanto já tinhamos comprado casa, que me dei conta da importância da perda. Perder fotos e objectos antigos e pessoais não é agradável.

    Ora também perdi os meus dois albuns vinil de Woodstock nessa inundação.

    Festejam-se os 40 anos desse festival e eu gostaria ter esses discos.

    A qualidade de gravação era péssima, mas dois extractos valem bem a pena. Se a minha memória é boa após tantos anos : A retomada por J Hendrix do hino Americano e a retomada por Joe Cooker de " A little help for my friend" [ver aqui: link].

     

    Woodstock a última grande missa hippie, logo após Maio 68, marcará as mentalidades. Os Rollings tentarão organizar um festival concorrente que terminará no horror com mortos. Os Angels invadem e matam com sticks de bilhar espectadores. Mike Jagger impotente assiste ao espectáculo.

    Todavia, o Poder da Flor ficará.

    A luta contra a guerra no Vietnam é ganha e uma obra prima nascerá : "Apocalipse now ". Os Americanos exorcizam a guerra.

    Apesar de ter chovido sobre Santiago, veja-se o filme "il pleut sur Santiago / queda de Allende/ a Revolução dos Cravos , um ano depois, tal um castelo de cartas , fará cair quer o Franquismo quer a Grécia dos coloneis, atravessando o Atlântico. Daí Fado tropical de Chico Buarque ( o Rio Amazonas que corre em Trás os Montes ) e a retomada desta melodia por vários autores internacionais.

    Em Portugal, o grafismo liberta-se. Pode re-ligar-se com a sua memória, oprimida durante mais de 4 décadas. A grafia dos blogs pt é fantástica.

    A Brigada Vitor Jarra (nome em honra do guitarrista Chileno Vitor Jarra que ficou sem mãos cortadas pela dictadura de Pinochet ) recupera um enorme espolio musical ( ainda hoje mal aceite ) com séculos de história, mostrando a diversidade e costumes de Portugal.

    Etc, etc.

    Um vento soprou :

    Rene Dumont, em 1974, candidato às eleições Francesas, dá a volta à França em bicicleta para defender as ideias ecologistas. Ao mesmo tempo , Sergio Godinho cantava um tractor, um tractor…

    Rene Dumont teve , salvo 1,09 de votos.

    Mas desde então , um tractor , um tractor, a tomada de consciência ecológica cresceu.

    Já nenhum partido , da extrema direita à extrema esquerda, se atreve a pôr em causa a sua necessidade vital.

    Talvez sejam estes os sopros trazidos pelo vento do poder da flor.

    Poderia também acrescentar que, paradoxalmente, pelo menos em França, quer a direita quer a esquerda, começam a fustigar a noção de materialismo. Mas talvez seja cedo para adivinhar as reais intenções.

    Desculpa lá se chateei . Eu quando começo a escrever…

    E Viva o Porto !

    Portomaravilha, a 18 de Agosto de 2009.