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Poderíamos também ter escrito: F como Femme e M como Mulher.
Mísia afirma-se como uma grande cantora que não tem receio em clamar que os seus discos são os seus espectáculos.
Pouco conhecida, segundo parece, em Portugal, Mísia dá uma dimensão diferente e feminista ao fado.
Interpreta o “blues Português” com palavras de mulher: as suas e as de outras poetisas, como Florbela Espanca por exemplo.
Uma maneira de mostrar que, no Fado, as mulheres também podem ser criadoras e não unicamente interpretes.
De notar que o fado é cada vez mais apelidado “blues Português“, o que deixa antever uma evolução do género.
Fonte / Source: Télérama Sortir, 25 Jan 2012, p.10
Nuno








Chamam-lhe música de intervenção.
“Parva que sou” – a nova música dos Deolinda, estreou no Coliseu do Porto há cerca de duas semanas, cumprindo o espectáculo mais duas repetições naquela sala, e outra no Coliseu de Lisboa.
A receptividade do público foi abismal, surpreendendo pelo visto os próprios artistas, que já anunciaram que estão a tratar da masterização do novo tema a fim de ficar disponível nos próximos dias para as rádios e público em geral, sendo que gravações amadoras da música extrapolaram de imediato para as redes sociais online.
Um “novo hino dos Deolinda”, dizem, que reflecte as preocupações de uma geração.
Interessante: em vinte anos a questão evoluiu de “rasca” para … “parva” (?).
Naquele tempo mostrava-se o cu. Hoje cada vez mais, “quem tem cu, tem medo”.
Edit (14.02.2011): Nem à propósito, anuncia-se um toca à reunir e protestar, aqui.
“Sou da geração sem remuneração e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar, já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração casinha dos pais, se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou!
Filhos, marido, estou sempre a adiar e ainda me falta o carro pagar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração vou queixar-me pra quê? Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração eu já não posso mais que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar..
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