Author: penaleve11

  • Eu, PortoMaravilha, sou um narrador radiofónico…

     

    Algo que me deixa perplexo :

    Muitos analistas não repararam que quase toda a imprensa internacional escrita, citando a actualidade de Tunis até ao Cairo, omite o papel da rádio no desempenho dos acontecimentos nestes dois países.

     

    Como se a rádio não existisse !

    Porquê ?

    Nuno

  • a gERAÇÃO…

     

    Chamam-lhe música de intervenção.

    “Parva que sou” – a nova música dos Deolinda, estreou no Coliseu do Porto há cerca de duas semanas, cumprindo o espectáculo mais duas repetições naquela sala, e outra no Coliseu de Lisboa.

     

    A receptividade do público foi abismal, surpreendendo pelo visto os próprios artistas, que já anunciaram que estão a tratar da masterização do novo tema a fim de ficar disponível nos próximos dias para as rádios e público em geral, sendo que gravações amadoras da música extrapolaram de imediato para as redes sociais online.

    Um “novo hino dos Deolinda”, dizem, que reflecte as preocupações de uma geração.

    Interessante: em vinte anos a questão evoluiu de “rasca” para … “parva” (?).

    Naquele tempo mostrava-se o cu. Hoje cada vez mais, “quem tem cu, tem medo”.

     

    Edit (14.02.2011): Nem à propósito, anuncia-se um toca à reunir e protestar, aqui.

     

    “Sou da geração sem remuneração e não me incomoda esta condição.

    Que parva que eu sou!

    Porque isto está mal e vai continuar, já é uma sorte eu poder estagiar.

    Que parva que eu sou!

    E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.

     

    Sou da geração casinha dos pais, se já tenho tudo, pra quê querer mais?

    Que parva que eu sou!

    Filhos, marido, estou sempre a adiar e ainda me falta o carro pagar.

    Que parva que eu sou!

    E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.

     

    Sou da geração vou queixar-me pra quê? Há alguém bem pior do que eu na TV.

    Que parva que eu sou!

    Sou da geração eu já não posso mais que esta situação dura há tempo demais

    E parva não sou!

    E fico a pensar, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar..


    —

    Relacionado: Um Chá com um cheirinho de Fado, por favor !

  • Os homens não têm seios: Têm pectorais …………….. Les Hommes n’ont pas de seins: Ils ont des pectoraux

     

    La chirurgie esthétique est à la mode chez les hommes.

    La réserve de patients masculins est énorme. Ceux-ci cherchent l’élixir de la jouvence, mais de façon très discrète.

    Et cela contrairement aux femmes.

    C’est que les hommes n’ont pas de seins mais des pectoraux !

    Et ceux qui la cherchent sont surtout les cadres supérieurs encadrés et soumis à une compétion sanglante entre mâles.

     

    Dessin : Tarzan, 1943, Edgar Rice Burroughs, Inc / Ed. Soleil, p.399, Toulon 1993, ed. fr

    Nuno

     

     

    A cirurgia estética está na moda junto dos homens.

    A reserva de pacientes masculinos é enorme. Estes procuram o elixir da juventude, mas de modo discreto.

    Isto, contrariamente às mulheres !

    É que os homens não têm seios, mas pectorais !

    E quem a procura, essencialmente, são quadros superiores enquadrados e submissos a uma competição sangrenta entre machos.

     

    Desenho : Tarzan, 1943, Edgar Rice Burroughs, Inc / Ed. Soleil, p.399, Toulon 1993, ed. fr

    Nuno

  • Esta noite só estou para o António… …………………. Ce soir je n’y suis que pour António… ………………..

     

    Pendant six mois la MC93 va recevoir en résidence António Lobo Antunes.

    C’est sans doute un plus pour la Lusophonie.

    Toutefois, malgré tout, il est questionnant de voir le silence qui entoure l’oeuvre qui a fait connaître Lobo Antunes : Le Cul de Judas

    Le Cul de Judas est un texte qui a trait à tous les pays qui ont connu des guerres coloniales. Est-ce cela qui dérange ?

     

    “…je haissais, Sofia, ceux qui nous mentaient et nous opprimmaient, nous humiliaient et nous tuaient en Angola, les messieurs sérieux et dignes qui de Lisbonne, nous poignardaient en Angola, les politiciens, les magistrats, les policiers, les indics, les évêques, ceux qui aux sons d’hymnes et de discours nous poussaient vers les navires de la guerre et nous envoyaient en Afrique, nous envoyaient mourrir en Afrique, et tissaient autour de nous de sinistres mélopées de vampires.”

    (Extrait du livre Le Cul de Judas)

     

    Nuno

     

     

    Durante seis meses a MC93 de Bobigny vai acolher uma parte da obra de António Lobo Antunes em residência.

    Tal encenação e programação é algo inédito no que toca à cultura Portuguesa em França.

    No que diz respeito à divulgação da obra de Lobo Antunes, não deixa de ser questionante que se tenha esquecido o livro que lhe deu uma dimensão internacional.

    Os Cus de Judas, talvez por dizer respeito a países que conheceram guerras coloniais, ficou nas brumas da memória. Ou talvez que essa mesma memória ainda não seja bruma e que, por essa razão, se tente apagar o que ainda hoje continua válido :

     

    “…eu odiava, Sofia, os que nos mentiam e nos oprimiam, nos humilhavam e nos matavam em Angola, os senhores sérios e dignos que de Lisboa nos apunhalavam em Angola, os políticos, os magistrados, os polícias, os bufos, os bispos, os que ao som de hinos e discursos nos enxotavam para os navios da guerra e nos mandavam para África, nos mandavam morrer em África e teciam à nossa volta melopeias sinistras de vampiros. “

    (Extracto da obra Os Cus de Judas)

     

    Nuno

  • 2,3 – 1,64 = ?

     

    En 2010, 1,64 millions de personnes étaient licenciées à la FFF.

    En 2006, il y avait 2,3 millions de personnes licenciées.

    La FFF perd environ 10% de licenciées par an depuis trois ans.

    Les causes sont me semble-t-il explicites !

     

    Source : Libé, 19 Déc 2010, p.17 / Dessin : Charlie Hebdo : Hors-Série, Mai-Juin 2010, p.34

    Nuno

     

     

    Em 2006, a Federação Francesa de Futebol apresentava 2,3 milhões de jogadores filiados.

    Em 2010, já só são 1,64 milhões.

    A perda é, aproximadamente, de 10% por ano. Como explicar tal hemorragia ?

    As autarquias e as colectividades hesitam, cada vez mais, em apostar no futebol.

    A falta de sponsors, as receitas de bilheteira em queda livre e a grave crise económica que atravessa a França não podem explicar tudo.

    A imagem do futebol, em França, degradou-se, afugentando milhares de jovens.

    A violência gerada pelos hooligans (linchagens e assassinatos, espancamentos, racismo, homofobia…) criou condições insuportáveis para a imagem de marca do futebol Francês que está em concorrência directa com o andebol, o rugby…

     

    Há que lembrar que o presidente do PSG proibiu as curvas aos ultras desde o início da época, transformando-as em espaços familiais. O que salvou, por agora, o clube !

    Paralelamente, os comentários televisivos dos jogos de futebol passaram a ser uma repetição de “replays” onde os jornalistas, à grande e à portuguesa, só discursam sobre as decisões dos árbitros, esquecendo o futebol jogado.

    E, por essa razão, talvez não seja um acaso se, em 2010, o número de formadores e dirigentes de clubes amadores diminuiu de 20 por cento.

     

    Fonte dos números citados: Libé, 19 de Dez de 2010, p17 / Desenho: Charlie Hebdo: Hors-Série, Maio-Junho 2010, p.34

    Nuno

  • Rugby e Futebol : O Bom e o Vilão ? ………………… Rugby et Foot : Le Bon et le Vilain ? …………………

     

     

    Graham Henry a connu la défaite face au XV de France lors de la Coupe du Monde de 2007.

    Dans un entretien donné au Journal du Dimanche en date du 2 Janvier de 2011, l’entraîneur des All Blacks ne commente pas l’arbritage.

    En réponse aux questions du jornaliste sur l’arbitrage, G. Henry réponds : “Je ne veux pas en parler“.

    Combien d’entraîneurs de foot refusent de parler de l’arbitrage et autres vidéos ?

     

    Source : Journal du Dimanche, 2 jan 2011, p.20 / Photo : Op. Cit, p.20

    Nuno

     

     

    Graham Henry conheceu a derrota, perante a França, nos quartos de final do Campeonato do Mundo de 2007.

    Numa entrevista dada ao Jornal du Dimanche do dia 2 de Janeiro, o treinador dos All Blacks recusa comentar a arbitragem.

    Respondendo às perguntas do jornalista sobre a arbitragem, responde : ” Não quero falar “.

    Quantos treinadores de futebol recusam falar sobre a arbitragem e outros vídeos ?

     

    Fonte : Journal du Dimanche, 2 de Jan de 2011, p. 20 / Foto : Op. Cit, p.20

    Nuno

  • A Transmissão Simbólica nº 18 ………………………… La Transmission Symbolique nº 18 …………………….

     

    Cette phrase (ou est-ce une sentence? ) de l’actrice Penelope Cruz fut choisie comme l’une des phrases osées de 2010 par Libération :

    “C’est une bonne chose d’être vieux, parce que cela signifie que vous n’êtes pas morts, non?“

     

    Source : Libé, 31 dec 2010 / Photo : Femina, 2 jan 2011

    Nuno

     

     

    Esta frase (ou sentença?) da actriz Penelope Cruz foi escolhida pelo diário Libération como uma das frases atrevidas do ano de 2010 :

    “É uma boa coisa sermos velhos porque isso significa que não estamos mortos, não é ?”

     

    Fonte : Libé, 31 de Dez de 2010 / Foto : Femina, 2 de Jan de 2011

    Nuno

  • Boas festas, boas Cosméticas! …………………………. ……………………….. Bonnes fêtes, boas cosméticas!

     

    On a déjà dû comprendre que je suis fan de ce mec…
    Ma femme ne le supporte pas. En réalité, Rui Unas appartient à ce groupe de personnages qui sont typiquement “moches,cochons et mauvais”.
    Je suis d’accord avec tout cela, mais je ne peux m’empêcher d’applaudir celui qui arrive à réinventer notre quotidien portugais d’une façon moins sage (lien), celui qui arrive avec un peu de magie et avec des retouches à embellir et à faire en sorte que le “moins bon” devienne qualque chose de rayonnant et hilarant.

    Bonnes fêtes, boas Cosméticas,
    Bonne 2011!

     

     

    Já deve ter dado para perceber que sou fã do gajo…

    A minha mulher não o suporta. Na realidade, Rui Unas pertence àquele grupinho de homens tipicamente “feios, porcos e maus”.

    Concordo, mas não deixo de aplaudir quem consegue reinventar o quotidiano de forma menos sisuda (link). Ou por outra: quem consegue, com alguns pozinhos e retoques de maquilhagem, embelezar e tornar o “menos bom” numa coisa irradiante ilariante.

     

    Boas festas, boas Cosméticas,

    Bom 2011!

  • O Orgasmo Feminino : Um Tabu Salazarista ………… L’ Orgasme Féminin : Un Tabou Salazariste ………….

     

    Le texte de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta et Maria Velho da Costa, Nouvelles Lettres Portugaises, a été publié au début des années 70.

    Ce livre provoque un très grand scandale dans le Portugal fasciste. L’ouvrage est interdit par la censure et les auteures sont accusées de pornographie, outrage aux bonnes moeurs, …

    Les confidences de Maria Velho da Costa ( p.20 ) nous montrent à quel point le fascisme portugais encadrait la sexualité des femmes.

    L’orgasme féminin était un mot tabou et, donc, une réalité qui n’existait pas.

    Suit, ci-joint, l’article de la revue Latitudes dans son intégralité.

     

    Nous remercions vivement la collaboration de Latitudes.

    Nuno

     

    [clicar para ampliar / cliquez pour agrandir]

     

    A revista “Latitudes” publicou em Junho de 2006 um artigo fabuloso cuja autora é Maria Graciete Besse.

    Trata-se dum texto que re-visita a obra : Novas Cartas Portuguesas.

    Foi no contexto da época setenta que foi publicada. Foi uma obra que marcou o movimento feminista Europeu.

    Quanto a mim, este artigo mostra que o Fascismo Português vai muito além da PIDE e das torturas físicas.

    O Salazarismo foi também uma tortura psicológica, impedindo a palavra e diálogo que são indispensáveis à democracia.

    Quando lemos o artigo, é impossível não nos atardarmos sobre as confidências de Maria Velho da Costa ( p.20 ) : As mulheres Portuguesas, mesmo as mais esclarecidas não ousavam, nos anos setenta, falar de orgasmo feminino.

     

    Pergunto-me se mudou mesmo algo na sociedade Portuguesa ?

    Segue, “aqui” , na sua totalidade o artigo de “Latitudes“.

    Agradecemos, vivamente, a colaboração da revista Latitudes.

    Nuno