Author: penaleve11

  • Facebook: ……………………………………………………. ……Hello, I Love You: Won’t you tell me your name?

     

    Vous connaissez les apéros géants organisés via les réseaux de Facebook.

    Et aussi ses drames.

    On remarquera qu’ internet accusé de favoriser l’isolement des personnes dans un monde virtuel , semble dans ce cas précis être le vecteur de réunions bien en chair et en os.

    Moi , pour m’inviter il faut me contacter par courriel. Je ne suis pas sur Facebook.

     

    Photo : Apéro de Rennes du 25 Mars ( Libération , 14 mai 2010 )

    Musique: The Doors – Hello, I Love You

    Nuno

     

     

     

    Eu nunca serei convidado : Faço parte dos 20 % de Franceses que não estão no Facebook.

    Um fenómeno recente que está totalmente a ultrapassar as autoridades Francesas.

    Desde o início do ano , aperitivos gigantes e espontaneos tem sido organizados via a rede do Fecebook.

    A morte dum homem de 21 anos em Nantes , devido ao excesso de álccol , começa a preocupar as autoridades.

    É que os aperitivos se transformam em grandes borracheiras.

    Se a ambiência é calma e convivial , não deixa de ser verdade que o excesso de álcool é um problema de saúde pública.

    Actualmente, o recorde a bater é ultrapassar o número de 19 000 pessoas reunidas. Está previsto para Paris, no dia 23 de Maio.

    Certamente, um desafio às autoridades.

     

    Indo além do sensacionalismo ou do anedótico , não deixa de ser interessante o seguinte :

    Acusou-se a internet de isolar as pessoas . Ora, este fenómeno parece provar o contrário.

    Reuniões gigantescas são organizadas nos centros das cidades.

    Reuniões que são reais e não virtuais.

     

    Foto : Aperitivo de Rennes em 25 de Março ( Libération , 14 / V / 2010 )

    Música: The Doors – Hello, I Love You

    Nuno

  • A Lógica da Inquisição Portuguesa …………………… La Logique de l’Inquisition Portugaise ………………..

     

    Les archives des Tribunaux de l’Inquisition fournissent une abondante documentation.

    En bref, la modernité à laquelle contribue l’Inquisition Portugaise n’est autre que celle des systèmes totalitaires qui ont vu leur essor au cours du vingtième siècle .

    Surveiller pendant 24 heures le prisonnier grâce à ” l’oeil de Judas ” .

    Une invention de l’Inquisition Portugaise qui annonce la modernité des totalitarismes : Le prisonnier n’a plus droit à son jardin secret.

    Ce texte doit être lu comme la suite de ” Maus : Un Chef d’Oeuvre de la Bd “.


    Sources : Michel Foulcault ” Surveiller et Punir ” et aussi Nathan Wachtel ” La Logique des Bûchers “.

    Image : La première page de Maus

    Nuno

    .

     

    A língua Portuguesa não possui , a meu conhecimento , uma só e única palavra para designar aqueles que acendiam as lareiras gigantes que queimavam vivos as e os acusados pela Inquisição.

    Porquê ?

    Tanto mais estranho que esta existe em outras línguas.

    A Inquisição Portuguesa abriu um novo cíclo na história da humanidade.

    Ela inventou os ” cárceres de vigia ” onde os prisioneiros eram vigiados dia e noite sem o saberem.

    O prisioneiro deixa de ter alma. Não tem direito ao recolhimento.

    Tudo devia concorrer para a uniformização da sociedade.

    A Inquisição Portuguesa é ou foi a modernidade dos Totalitarismos.

    Este post deve ser lido como a continuação de ” Maus : Uma obra prima de Bd “.

     

    Algumas Fontes : Michel Foulcault “Surveiller et Punir ” e , sobretudo,  Nathan Wachtel “La Logique des Bûchers “

    Imagem : Primeira página de Maus

    Nuno

    Les archives des Tribunaux de l’Inquisition fournissent une abondante documentation.

     

    En bref, la modernité à laquelle contribue l’Inquisition Portugaise n’est autre que celle des systèmes totalitaires qui ont vu leur essor au cours du vingtième siècle .

     

    Surveiller pendant 24 heures le prisonnier grâce à ” l’oeil de Judas ” .

     

    Une invention de l’Inquisition Portugaise qui annonce la modernité des totalitarismes : Le prisonnier n’a plus droit à son jardin secret.

     

    Sources : Michel Foulcault ” Surveiller et Punir ” et aussi Nathan Wachtel ” La Logique des Bûchers “.

     

    Image : La première page de Maus

    Ce texte doit être lu comme la suite de ” Maus : Un Chef d’Oeuvre de la Bd “

     

    Nuno

     

  • Michael Jackson e o sapato ……………………………. Michael Jackson et la chaussure ………………………

     

    La chaussure était l’ un des objets prisés par Michael Jackson .

    La chaussure est un objet plein de symboles.

    Qui n’a pas vu “Cendrillon” ?

    La chaussure un receptacle symbolique pour le phallus ?

     

    Photo : Next , 8 / V / 2010

    Nuno

     

     

    O sapato !

    Vocábulo Árabe que a língua Portuguesa integrou .

    O sapato era um dos objectos queridos de um dos reis da pop : Michael Jackson.

    O sapato simbolicamente não é mais que um receptáculo .

    Receptáculo que acolhe o bom pé ( ou o bom Falo ? ) .

    Quem não viu a ” Gata Borralheira ” ?

     

    E como bem se canta :

    ” Eu fui de Lisboa a Sintra , mas a pobre criatura esqueceu-se das minhas precisões … ponha aqui o seu pézinho …”. (link)

     

    Foto : Next , 8 / V / 2010

    Nuno

  • A Transmissão Simbólica : Folheto nº 15 ……………. La Transmission Symbolique : Feuillet nº 15 ………..

     

    Les Munduruku appellent cet arbre géant vieux de plusieurs siècles :

    ” Mère de la Terre Noire ” .

    L’ Amazonie est un temple de la biodiversité.

    Aujourd’hui elle est le théâtre de conflits économiques.

    Lieu où le “capitalisme sauvage” montre sa barbarie.

    Ce post peut être lu comme la suite de ” La Barrage de Belo Monte , Cameron , Le Clézio e Lula “.

     

    Photo : Télérama hors série , mars 2005

    Nuno

     

     

    Os Munduruku apelidam esta árvore gigante com vários séculos : ” Mãe da Terra Preta ” .

    A Amazónia é um templo da biodiversidade .

    E hoje tornou-se o teatro de conflitos económicos .

    Lugar onde o ” capitalismo selvagem ” mostra a sua barbaridade.

    Este post pode ser lido como a continuação de ” A Barragem Belo Monte , Cameron , Le Clézio e Lula “.

     

    Foto : Télérama hors série , Março 2005

    Nuno

  • bat, bi, hiru, lau

    bat, bi, hiru, lau

    João já te disse o casaco é este e com botas de borracha e chiu! Mãe, outra vez esse casaco com botões aos pauzinhos… Tu deixas é de ser esquisito, vestes o casaco e embora que estás atrasado. João Afonso esgotara as alternativas. Era de entre os três irmãos o que mais regateava as vestimentas que a mãe lhe apresentava, mas Júlia já possuía um mestrado de habilitações validado pela educação dos três rapazes. Redundante e sem deixar margens para dúvidas, habituara-se a contornar aquelas birras do filho do meio, que repetia frequentemente quanto à angústia do traquinas de cabelo liso castanho, franja esticada de corte arredondado mal amanhado feito pelo próprio pai e que mais lembrava um capacete penico que lhe tapava as orelhas. Certo era que o rapaz mostrava complexo de vestir aquelas roupas mais saloias não lhe basta-se já ter o estigma social de ser um Português em terras dos Pirenéus espanhóis.

    Júlia Afonso era detentora de um intuito materno apurado e se havia coisa que não lhe faltava era a convicção de um suposto bom gosto abrilhantado por aquele toque algo refinado para a indumentária. Assim a vizinhança o confirmava, pois que eram frequentes os elogios que a mãe colhia entre pares pela apresentação esmerada dos miúdos, não obstante as dificuldades em cria-los sozinha o que não bastando, acrescentava-se ter ainda de sustentar o marido e aparar-lhe os golpes.

    Adios! Resmungou João Afonso enquanto batia atrás de si a forte e pesada porta que também o próprio pai fizera. Jorge Silva é angolano, neto de um Português de Espinho que fora para colónia portuguesa e fizera fortuna no comércio do café e diamantes entre outros. Jorge tivera portanto berço, e tinha as típicas boas maneiras da alta sociedade de Luanda. Cuidava que tal berço se refletisse nos filhos e lá tinham de comer os miúdos, pelo menos quando o pai estava à mesa, de garfo e faca desde tenra idade, nem que a refeição fosse frango assado. Mas era também um rebelde parido de nascença. Filho do menino mulato da casa com a empregada preta como a ferrugem, um castanho tão escuro como o café torrado mas linda e com um brilho nos olhos maior que o dos diamantes que o patrão comercializava. Jorge é o primeiro, o mais velho dos pelo menos 13 filhos de cinco mulheres distintas que eram reconhecidos ao avô Ilídio. Autodidata por natureza, com a mesma habilidade que cortava o cabelo aos filhos, Jorge construia uma porta lá para casa, levantava uma parede em tijolo se preciso fosse ou reparava eletrodomésticos, esta que era a sua ocupação nas horas vagas, quando não se encontrava metido em confusão da grossa ou agarrado aos copos de bebida branca.

    Já na rua, João Afonso tirou as perneiras das calças para fora das galochas pretas, descalçou as luvas que amarrotou para dentro dos bolsos do casaco impermeável caqui azul escuro com risca vermelha e branca, o seu preferido que andava sempre escondido na mochila para dias de emergência. Fez-se pela ladeira abaixo deixando para trás a Villa Namur em Pasai Antxo, povoação da periferia de San Sebastián, área dos subúrbios da cidade e que contava com 370 mil habitantes, daquela que era a capital da província espanhola de Guipúscoa situada na região autónoma do País Basco. Está no limite de fronteira do Noroeste de Espanha com a entrada oeste de França. A província Basca é a segunda mais poderosa economia do país, logo a seguir a de Madrid. Jorge Silva sabia-o, por isso para ali desertara de Portugal e fora embarcadiço nos primeiros tempos de San Sebastian cidade com alto movimento portuário. Por aquelas montanhas os dias eram brancos de neve naquele dezembro de 1982.

    Espera João! Que também estou de saída, ouve o pequeno Afonso que voltou-se e lá vinha o companheiro das tropelias, Iñaki, de sete anos, mais um que João Afonso, também ele irmão do meio dos Iglesias, de Iker o mais velho, e Paloma a irmã mais nova por quem o coração do João palpitava.

    Conho! Que teu adorado Luis Miguel Arconada deu-me ontem uma grande alegria. Mas que fífia aquele golo. Cô-coro-cô-cô! Cacareja Iñaki enquanto com os braços dobrados imita uma galinha a dar às assas. O pequeno chavalo não podia desperdiçar a oportunidade. Sabia como poucos da adoração que João Afonso nutria pelo guarda-redes da Selecção Espanhola, personalidade que era o orgulho do clube de futebol da cidade, o Real Sociedad. Luis Miguel Arconada, guarda-redes da equipa do campeonato espanhol que traja de azul e branco viria-se a tornar no maior ícone de sempre do Real Sociedad. De resto, Arconada era tão somente um nome que começava a ter tanto de sonante que se tornaria lendário no futebol mundial pela destreza entre postes, e conforme constataria o jovem João Afonso anos mais tarde. Já Iñaki era ferrenho adepto do clube da cidade portuaria vizinha de onde era oriunda a família, a capital da província de Biscaia com o seu clube rival o Atlético de Bilbao. Faziam os dois miúdos neste capítulo um curto circuito autêntico. Mandavam patanisca cheirava a queimado. Ostias, Iñaki! Gracias por el recuerdo, atirou Afonso de soslaio à provocação do Iglesias, prosseguindo, olha, já te disse que estamos a aprender o nome dos números nas aulas de euskera? Não, mas diz-me, o que sabes já tu em euskera? Já aprendi umas coisinhas, a contar até quatro por exemplo. João afina a garganta e emite os sons dos primeiros quatro algarismos do idioma nativo Basco: bat, bi, hiru, lau, e acrescenta, a la mierda el BILBAO! Joder João, que te den por culo, cabron de mierda que te agarro. Retira o que dizes! João corre, iñaki busca, atravessam desalmadamente a Plaza Central, saltando os primeiros bancos de madeira, fintando-se entre os anonimos que por alí passam indo à sua vida, com algumas paragens pelo meio para se abastecerem de bolas de neve a serem atiradas. Retira o que disseste, exigia Iñaki. A la mierda el Bilbao, devolvia João afonso – Bat, bi, hiru, lau. Acalmaram por fim com o estridente soar do sino da Igreja de San Firmin situada ali em plena praça. Batia a hora certa que é a mesma de entrada na escola logo alí ao lado. Já viste que ridículas estas batas, a dos parbulitos? Cala-te que ainda há poucos meses andavas com uma igual, devolveu-lhe Iñaki Iglesias, enquanto aguardavam pela passagem da fila dos alunos de parbulitos, as classes de pré-primária na escola espanhola.

  • Todos os Santos

    Todos os Santos

    Um de novembro de dois mil e nove. João Afonso desliga o televisor, enfadado. Lá fora a borranha teima em cair e João Afonso sorri, o tempo já não é  o que era, mas dias como este têm o seu quê de gostoso, frescos e com chuva miudinha a acompanhar, convida a ficar em casa, meditar.

    Perdido em pensamentos, depressa sua veia mais sonhadora o transporta para tempos invernios mais longínquos, tempos  dos seus dias de inocência, já idos, para os pedidos que ao divino fazia para a chuva voltar ou acabar, conforme mais lhe conviesse ficar ou sair de casa. Certo é que em tais tempos idos aquela chuva-molha-tolos mais facilmente coincidiria com um pedido de oração. Agora, a chuva era um bem  escasso e orações eram caso de pouca fé. A campainha interrompe-o regressa à realidade. Pão por Deus! Anunciam do lado de lá enquanto João Afonso roda as trancas à porta, e ao abri-la, pasma-se, com três rapazolas mal enjorcados. 

    Quê que andam ainda a fazer por aqui, a estas horas? Ao Pão por Deus, quê que havia de ser? Tens? O puto da frente, desfraldado mas diligentemente bem penteado esticou-lhe uma saca de pano grená. João Afonso apercebendo-se do conteúdo pigarreia, eh lá! Vens bem aviado, posso provar um bolinho desses? Deixa-te de cenas, tens Pão por Deus ou não? Pá, sabes como é isto da crise… Não ouviste ontem o Sócrates? Um euro a cada um ainda que talvez se arranje. Então dá cá e não inventes, devolveu-lhe o petiz de sorriso contido entredentes. Obrigadinha!  Atira o outro rapaz no fundo do patamar já na pose da oferenda enquanto oterceiro já tocavam na campainha do apartamento ao lado. Ficou ainda por instantes encostado à ombreira da porta a aprecia-los, enquanto regateavam a divisão dos cinco euros em moedas que lhes havia dado. Mas logo pensou ser melhor voltar para dentro, não fossem os diabinhos tece-las e, ao aperceberem-se pelos caculos bicudos,  reclamarem por uma conta mais certa de dividir por três. 

    De volta ao sossego da sala, dá com os olhos no computador portátil pousado no sofá. Hávido que era por tirar aquele tipo de dúvidas instantâneas, senta-se pousando-o em cima das pernas. Queria pesquisar sobre aquela caricata tradição levada a cabo por miúdos e outros mais graúdos, nos dias envoltos ao “feriado de todos os santos”. Nunca havia praticado aquele ritual, crescera entre outros credos religiosos, e aos trinta e quatro anos de idade era a primeira vez que havia feito tal oferta. Sempre que abria a página da wikipédia, como era agora o caso, lembrava-se do conselho de um amigo, de que se tratava de “coisa para turista consultar”, remetendo assim o tal amigo “franciu” narigudo no alto de suas conviçoes e não se trata-se o mesmo de um professor da prestigiada faculdade de ciencias politicas de Versalhes habituado portanto a ferramentas e fontes mais credíveis.  Tal plataforma de edição livre, a ” wikicoisa”, como lhe chamava o amigo era para João Afonso a primeira maravilha da web, à qual se seguia o youtube. A primeira revelação da pesquisa: que ao contraio do que João supunha , o Dia de todos os Santos” antecedia o Dia de Finados. Afinal não eram o mesmo dia conforme pensava na sua ignorância induzido em erro pelas romarias ao cemitério do dia um, feriado religioso. Nunca venerara ou velará qualquer morto, mesmo que ente-querido. Pelo que verificado que afinal o dia dos fiéis defuntos correspondia ao 2 de novembro, decidira que era chegada a hora de pensar em visitar a campa de um familiar perdido há alguns anos e que tinha por referência. 

    Voltou a ligar o televisor, o Porto ganhava, um a zero. Nem queria acreditar que se esquecera do jogo, mas do mal o menos que naquela época a lavareda do dragão andava um tanto ao quanto abafada. Iam três jornadas sem vitórias, e os tripeiros continuavam a perder terreno para os outros dois rivais que completam o trio dos três grandes, os eternos candiatos ao título, Benfica, Sporting e Porto.

    João afonso remexe-se no sofá, incomodado, qualquer coisa alí augura. O adversário acaba por empatar a partida e tal como o dia, a esperança fora sol de pouca dura. Desligou o televisor, enfadado. Valia-lhe que na noite de véspera que fora a do halloween, o Benfica conhecera uma verdadeira noite das bruxas, em Braga. À oitava jornada os rivais de sempre, em tempo das mais altas afrontas duma coisa chamada Apito Dourado, o campeonato estava acesso, o Futebol Clube do Porto ainda acusava, e bem, esta cacetada a partir de Lisboa e que lhe havia cortado as pernas,  vale que João afonso teria o seu trunfo na manga para a conversa de cafe no dia seguinte, pois que os encarnados perderam. Provavam assim pela primeira vez daquela época o agridoce sabor da derrota imposta num pico de euforia que o país desportivamente já vivia. Apagou a luz, consolado. Amanhã era 2ª  feira. Amanhã era um outro dia.

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    in «O Último F» – Autobiografia