O psiquiatra gatafunhou CARALHO+CABRÃO = GRANDE FODA, rasgou a página e entregou-a à enfermeira.
Quem escreve isto é António Lobo Antunes. É sem dúvida, actualmente, um dos maiores autores de Língua Portuguesa. E, após F. Pessoa, aquele, que mais foi traduzido no estrangeiro e vendido ( pelo menos em França ).
Vejamos a tradução Francesa : Le psychiatre gribouilla ENFOIRÉ+MERDE = SACRÉ MERDIER, arracha la feuille et la remit à l’infirmière.
( consultar : " Memória de elefante", ed. Dom Quixote, p18 , 1983 / para tradução Francesa Christian Burgois Editeur, p 21, Paris 1998 ).
António Lobo Antunes sempre se queixou, talvez por isso tenha mudado várias vezes de tradutor, que os seus palavrões nem sempre apareciam com a afectividade, a sexualidade, etc. original. Com efeito, basta pegar na tradução Francesa, acima referida, para entender que não corresponde ao original.
Mas o que fazer ? As línguas têm um sexo !
Tá bom ! Para os mais puristas, eu corrijo : As palavras têm um sexo.
A brincar, a brincar… se pode expressar o essencial.
Quando ouvimos falar um Português que aprendeu ( e reconheça-se a fantástica capacidade dos Portugueses em aprender línguas ) Francês, não podemos deixar de perceber que, por vezes, há deslizes.
Deslizes naturais e saudáveis : Por vezes, o Português dirá : La courage, em vez de Le courage ; Une arbre, em vez de, Un arbre, etc.
Para o Português, coragem é do género feminino. Para o Francês, do género masculino.
Quem disse que as línguas não tinham sexo ?
Deslizes naturais e saudáveis que nos ensinam que o Mundo é grande e, também, que conceptualizar a coragem, a árvore, etc., como masculina ou feminina não é igual !
E Viva o Porto !