Porque é que os Xutos chegaram onde chegaram?
Porque no longíquo ano de 1982, no país de Fátima, onde as velhas usavam bigode e se vestiam de negro, tiveram os tomatinhos no sítio para tocarem Blasfémias destas.
Ou porque ainda, neste primeiro álbum “78/82”, sem pejo se puseram dedos na ferida como o da trilha sonora abaixo reproduzida, “Mãe”, envolta de perturbações ligadas ao Complexo de Édipo. Em português, para Português ouvir, sem os subterfúgios duma lingua estrangeira.
De resto aprecie-se o leque de temas do primeiro álbum dos já trintões. Não era pra todos.
|
“Sémen” .1 “Quando Eu Morrer” .5 “Viuvinha” .8 |
|
Xutos & Pontapés | Faixa: 06 mãe | Albúm: 78/82 | Ano: 1982
|
Mãe tenho ciúmes do pai
Eu vim cá para fora |
Mãe eu já matei o pai Mãe Foi uma morte sem dor Agora sou só eu Mãe Agora és só tu Mãe Agora somos só dois E depois, e depois Mãe Morreste também Mãe Traíste-me assim Agora sou só eu Mãe E procurei o fim Mãe Eu vim cá para fora |

Comments
3 responses to “♫ pelas trilhas do vinil – 6”
Eis um texto que me parece essencial para o conhecimento ( connaissance).
Grande Chefe Apache: Pena que a letra da canção não apareça.
Entre 1974 e 1982 decorrem 8 anos. Sabe-se que a grande libertação, em parte, das mentalidades Portuguesas decorre nos anos 74-75.
O divórcio,proibido durante o fascismo, irá explodir com o 25 de Abril. Veja-se o testemunho de Maria de Medeiros.
As mulheres serão aquelas que ocuparão um lugar essencial, por razões políticas ou não, na vontade em verem os pais, filhos e maridos…regressarem das colónias. E talvez não seja um acaso ( em sociologia política não existem apostas) se Portugal é o primeiro país da latinidade a ver uma mulher primeiro ministro. E a nível Europeu é uma quse igualdade, questão de semanas, com Tatcher.
E curiosamente, existem diferenças muito importantes entre as duas. Uma é turboliberal, a Portuguesa é humanista.
A convergência da história pt-inglesa em falso contraponto como sempre ?
Ainda não tive tempo de pesquisar a letra de Mãe dos Xutos e pontapés. Mas o meu décimo sentido me faz pensar que essa problemática já aparece nos Doors.
Nuno
Mas é claro. como não me ocorreu?
Actualizado com a letra!
Sim, efectivamente, a problemática da violência do complexo de oedipe, já aparece em “the end” dos Doors. Existe pois continuidade entre os dois grupos, quanto ao tratamento desta problemática.
Nuno