Na semana posterior ao arranque do novo ano létivo escolar que introduziu a norma para a Língua Portuguesa ao abrigo do novo Acordo Ortográfico, era já curioso constatar como o “resmungão” povo luso já o vinha adotando sem se aperceber mesmo, pelo menos na leitura do seu dia a dia, desde há vários meses, nos jornais, telejornais ,blogs, outdoors, etc, sem assaltos nem alaridos.
Gostava de saber a resposta de quantos terão reparado objectivamente, e dado pelas diferenças nesta breve introdução do texto segundo as mais flagrantes alterações do AO…
Contam-se pelo menos três: léctivo ; adoptando; dia–a–dia (com hífens) – eventualmente quatro: tele-jornais (com hífem).
Importa de facto por isso recordar e repetir, o que destacávamos já aqui há atrasado numa entrevista de Rui Zink.
E sim, o “C” de facto não cai alí porque não é mudo, pronuncia-se, portanto, escreve-se.
“A elite portuguesa é ignorante” (aqui completa):
“-Jornal do Fundão – E é preciso tanto “barulho” sobre o novo acordo ortográfico?
-Rui Zink – Sou completamente a favor. Nós não somos os donos da língua… a única forma de evitar que a língua que nós falamos passe a ser uma espécie de mirandês, muito bonito, com interesse arqueológico, mas sem projecção internacional, é colarmo-nos ao Brasil. Quando as pessoas dizem “ai, mas nós é que falamos o bom Português”, eu não sabia que em Portugal havia tanta gente a falar bom português, a escrever bom português, a ler bom português e não sabia que nós tínhamos exactamente o mesmo sotaque de São Miguel ao Porto….
Houve uma coisa que me horrorizou… Há uns três anos fui a Paris e vi um dicionário “Francês – Brasileiro” e logo na introdução diziam que o português de Portugal já não tem nada a ver com o português do Brasil… Já são duas línguas completamente opostas. É evidente que a França aqui, embora seja nossa amiga, é rival. E eu tive oportunidade numa conferência que dei a certa altura dizer: “ah, pois, eu no outro dia estava com uns senhores que estavam a falar senegalês”. E aí os franceses levantaram-se logo a dizer “não é senegalês, é francês”… E eu disse: “Oh meus filhos da p***, se vocês falam do brasileiro e do português, então, também há o senegalês”. Quando o nosso adversário nos quer dividir, acho um tiro no pé este nacional-patriotismo em relação à ortografia perfeita, até porque nós não usamos a mesma ortografia que o Fernando Pessoa usou.”
Nota da redação: «“Oh meus filhos da p***» – palavra incognita e censurada pelo maior jornal português antí censura de sempre, Jornal do Fundão – em bom português, continua-se a escrever, ler e declamar da mesma maneira de sempre: Oh meus filhos da puta!