Category: futebol: uma arena de morte?

  • “O Pintinho Piu” e a “Puta Mais Velha”



    Este video ao ser repescado da minha videoteca caseira e republicado à data corrente aparece um pouco descontextualizado, mas tem a sua razão de ser. 
    Convêm talvez referir que o discurso aqui patente de Pinto da Costa é proferido após decisão judicial
     (da verdadeira justiça, a civil) que o inocenta das acusações do Processo Apito Dourado, ao mesmo tempo que a pseudo justiça desportiva de Ricardo Costa na Liga de Futebol punia o FCP com a retirada de 6 pontos na clasificação, já campeão (com mais de 20 pontos de distância para o segundo lugar). Dai o calor do mesmo, e os aplausos em que foi recebido pela congregação portista, e que o mesmo presidente recupere um tom de discurso de guerrilha que já fora chão que dera uvas noutros tempos (anos 90). Quando alguns previam um Dragão ferido, verificasse apenas  ou sobretudo um Dragão bastante acossado.


    O ataque incisivo ao FCP (por via do seu presidente J.N. Pinto Costa) foi tão flagrante quanto estúpido ou inócuo. Basta referir que foi este «O Grande Processo» em que a Procuradoria Geral da República, do outro agora cessante, Pinto Monteiro investiu mais dinheiro e recursos.
    Num momento em que já se podem começar a escrever para memória futura, as memórias do “insonso” procurador Pinto M. , “há que dar o mérito a quem o tem” (João Pinto – capitão FCP dixit) e referir que sem dúvida se tivermos de enumerar o grande caso que se pode atribuir à passagem de Pinto Monteiro pela Chefia máxima do Ministério Publico Português, foi este… derrubar o FC Porto, com ordem expressa e inédita de recorrer para instâncias superiores sempre que os tribunais não validassem a posição do Ministério Público (que nunca validaram) e assim curiosamente se quis derrubar a única instituição de sucesso resistente, ou evidente, em Portugal, e crítica ao poder central. Sim porque, vá lá, deixemo-nos de estórias da carochinha: o tratamento de investigação e ação não foi igual nem neutro, perante as demais descobertas (acidentais?) patentes e abafadas do panorama desportivo no futebol português.

    Muitas linhas já foram escritas sobre o assunto, inclusive por mim na blogosfera em tempo ido, mas o curioso no meio disto tudo, e a esta distância, quando o Pinto abandona a cadeira de Procurador não deixando o sotaque de suas piadelas saudades a ninguém, foi verificar como o “sistema nacional” conseguiu pôr em sintonia discordâncias tão dispares que existiam entre os portistas (como a minha discordância contra a guerra Norte-Sul enveredada por J.N. Pinto da Costa nos anos 90, tempos do Penta) unindo um clube que se vai vendo obrigado a continuar a “chafurdar”, na filha da putice que é o futebol Português (hoje com outros donos), e onde o grande mérito de Pinto da Costa reside apenas em ser “A Puta Mais Velha”.



    Paulo C. Jerónimo
  • Futebol: uma arena de morte? …………………………. ………………………………E a Velha Questão do Apito

     

    Captação de imagens no Estágio Progresso I (2005) | Preparação Técnica de Árbitros 1ª Categoria da LPFP


    O homem que escreve a crónica aqui linkada, de seu nome Rui Santos, apelidado por uns de anti-SLB – e por isso já foi agredido à saida dos estúdios da SIC –  por outros de anti-FCP, e por outros ainda de anti-SCP, sendo que também a mim os seus argumentos “me tiram do sério” algumas vezes , só vem demonstrando ao longo dos anos ser um dos jornalistas com mais coragem no mundo desportivo.

    Ciente de que esta minha assunção será pouco popular entre os adeptos, onde me encaixo, pode ser precisamente na sua impopularidade entre os leitores/espetadores e o facto de ser considerado “anti-todos” dos três grandes clubes do futebol portugês alguns dos argumentos que só demonstram isso mesmo: a sua habitual isenção quando se trata de pensamento critico naquilo que analisa.

    A minha mulher já me perguntou algo do tipo: “porquê fazes tanta questão do ouvir, se vais começar já a resmungar com o que ele diz?”

    Precisamente por isso, porque normalmente gosto de investir mais tempo com quem me põe a movimentar repetidamente a cabeça no sentido lateral (da esquerda para a direita), discordando, do que quem me suscita ao movimento inverso concordante (cima-baixo), assumindo que sim.

    Eu explico caso tenha ficado confuso: dá mais gozo quem nos excita os neurónios pelo trânsito da massa cerebral, do que quem pelo exercício de “cocegas nos ouvidos” nos adormece a massa cinzenta.

     

    Concordando com a argumentação da crónica de Rui Santos sobre quem realmente aproveita, ou tenta aproveitar, pressionando a arbitragem -que são as equipas que procuram acautelar por esta via pontos perdidos por falta de um futebol capaz em campo – e sobre a falta de condições e margem de erro para a arbitragem portuguesa, continuo a discordar na sua insistência da “verdade desportiva demagógica”, como o é no caso do recurso à vídeo-arbitragem na grande parte da mesma.

    Basta, ai sim, perder tempo, a apreciar as guerras de faca e alguidar do folclore televisivo do “dia seguinte” à jornada de futebol, para se chegar a mesma conclusão que ouvi lançada certa vez por um árbito perzpicaz na plateia do XIII Encontro Nacional da Associação de Árbitros Portuguesa (APAF) e que calou o já então comentador desportivo Fernando Seara (pertencente ao painel de intervenientes da mesa do encontro) perante a conclusão lançada pelo árbitro na plateia: “Se é verdade que 3 homens em campo (árbitros) falham  por vezes ao tomar alguma decisão, não é menos verdade, que três homens, num programa televisivo de segunda feira à noite (“Jogo Falado” – onde Fernando Seara era comentador), analisando as mesmas jogadas gravadas, não chegam a conclusão nenhuma …” .

    Este raciocínio (palmas!) só demonstra a subjetividade presente no recurso à video arbitragem: se pode servir de ajuda? pode. Se vai apaziguar os espíritos mais indignados com as decisões contrariantes às vontades? pelo contrário, incendiará mais. Porque depois dirse-a nos programas de segunda feira à noite, e pelos cafés deste pais: “Olha que até depois de verem o lance gravado tiveram coragem de nos roubar!!” 

     

    Não sendo a video arbitragem tecnologia de “verdade científica” – ao contrario do “Chip na Bola” e demais tecnologias para a linha de golo – a mesma está ferida de morte numa “cultura da bola” como a nossa. 

    E digo isto inclusive com convicção técnica, com a experiência exata e específica na recolha de imagens vídeo para análise posterior de exercícios nos próprios estágios de treino da Arbitragem Portuguesa de 1ª categoria. Existem sempre casos pontuais onde os próprios árbitros (e quem mais capacitados do que eles?) analisando as imagens, não chegam a um concenso. Vão ser os apaixonados comentadores e adeptos que observam as mesmas imagens a chegar lá?

    Como tal, e perante uma duvida tão existencial quanto ao dentro ou fora da linha de Grande Área (?) , conforme sucede na dúvida que resulta da decisão do primeiro penalti marcado contra o S.L. Benfica na última jornada, concluir pelas imagens de uma câmara (pensada para os fora-de-jogo)  que não se encontra devidamente alinhada com a linha em causa onde o lance se desenvolve, é uma falásia. Sei-o, tecnicamente, e no exercício especifico de alinhamento de câmaras e recolha de imagens precisamente para avaliação de casos idênticos (em ambiente de treino) que estando a camara atrasada como esta, então os dados estão desde logo viciados para que se possa concluir sim ou não, como Rui Santos, defensor da video-arbitragem, o faz.

     

    Depois, mais uma vez, Rui Santos cai em cima de uma personalidade que me convence ser cada vez mais um dos seus “ódios de estimação”: Vitor Pereira, Presidente da Comissão de Arbitragem.

    Objectivo é que Vitor Pereira tem sido, também ele, considerado “anti-todos os três grandes clubes”, seja observando-se as reclamações dos adeptos ou dos vários agentes de futebol entre os 3 Grandes, conforme as coisas correm mais ou menos de feição. Sendo que uns demonstram-no de forma mais espalhafatosa do que outros. Aqui, e escusando-me a fazer juízos de valor sobre os outros, ao contrário da crónica em questão, as conclusões parecem-me também bastante obvias, e conforme já inicialmente concluído no que isto traduz quanto a isenção de atuação. Se agrada/desagrada a todos praticamente em igual medida…

     

    Pergunta: sabem qual foi o tema em analise e discussão naquele XIII Encontro Nacional de Arbitragem Portuguesa no longíquo ano de 1999 em Porto de Mós?

    Resposta: Andou à volta dos prós e contras quanto ao recurso às novas tecnologias pela arbitragem. A discussão prolongou-se pelos dois anos seguintes: no XIV Encontro em Tomar, e no XV – o de Almada-Seixal, conforme tive oportunidade de acompanhar todos eles perante a solicitação de minhas intervenções técnicas ligadas ao registo e produção audiovisual.

    Pois é, a Arbitragem Portuguesa já discutia isto, e penso que deva ter tirado as suas conclusões, há 13 anos atrás…

    Vitor Pereira, convidado no XIII encontro a emitir a sua opinião resultante das experiências colhidas pelo próprio nos testes relacionados com o assunto, salvo erro meu, no Mundial de Futebol dos Estados Unidos em que esteve presente, recordo ter pairado sobretudo  a convicção de que as paragens para analise/decisão nos monitores video era prejudicial para a dinámica do jogo e para os próprios atletas que tendiam a “arrefecer” com mais esta paragem de jogo forçada.

     

    Captação de imagens no Estágio Progresso II (2007) | Preparação Técnica de Árbitros 1ª Categoria da LPFP

     

    No que toca as novas tecnologias a Arbitragem Portuguesa tem estado na vanguarda ao longo dos anos.

    Em Porto de Mós, 1999, a Arbitragem Portuguesa foi responsavel por um dos primeiros, senão mesmo o primeiro (pelo menos naqueles moldes) “live Stream”, e que sucesso (!) das primeiras transmissões video em direto do encontro na internet, o que alargou o debate e intervenção para pontos tão longiquos quanto o Zimbabwe, onde foi observado. Estavamos 5 anos antes do nascimento do YouTube…

    Pela Arbitragem portuguesa tem sido  recorrente o uso e importância dadas ao apoio audiovisual dos treinos/estágios; a nossa é das ligas pioneiras no recurso a comunicação rádio entre a equipa de arbitragem, vulgo auriculares; várias outras ligas da europa, nomeada e concretamente os seus setores de arbitragem, têm os olhos postos no que se faz por cá; organismos como a UEFA e FIFA reconhecem tal vanguarda de métodos implementados pela Arbitragem portuguesa e apoiada também em novas tecnologias; em 2005 os métodos de treinamento da Arbitragem Portuguesa fizeram “furor” no Brasil. Tudo isto se deve a… Vitor Pereira.

    Disto tudo, a pena que fica, é constatar que Vitor Pereira se encontre posisionado anos-luz à frente do futebol nacional. Não por ele obviamente, mas pelo futebol e mentalidades em si, atrasadas que são, estão e temos. Aliás, o facto de os nossos árbitros serem premiados como os melhores à escala planetária, e queimados dentro de portas, só demonstra realmente o nosso atraso, e não que o homem apenas seja “bom de sedução” internacionalmente, caro Rui Santos.

     

    Afinal onde está o erro fundamental? Cadé o défice? O que é que precisa realmente mudar? Será tanto na arbitragem?

    Então e os jogadores (que falham de baliza aberta), os treinadores, os dirigentes, adeptos, opinion makers, imprensa? Estes são para cozer com batatas e feijões… em lume brando.

     

    Paulo C. Jerónimo
  • Futebol Clube do Porto 1982-2012 ……………………. …………………….(Os Trinta Anos de Pinto da Costa)

     

     

    The famous Madger’s back heel goal that baptize this type of move in the Final of the European Champions Cup

      

    When I returned to Portugal in 1983, FC Porto was taking its first steps on a long journey that goes on still today.

    After doing a long “journey in the desert” fasting for 19 years without a title from the Portuguese League (1959 – 1978); it was the duo of Jose Maria Pedroto (Coach) and Jorge Nuno Pinto da Costa (Head of Football Department) who gave back the taste of victory to the blue and white adepts of the Portuguese championship in 78/79 season. It was under Américo de Sá presidency, and this was the starting point to a new cycle of many exuberant victories.

     

    The “Futebol Clube do Porto” has always had in its matrix the practice of the football sport, being the oldest football club in Portugal, founded in 1893 by António Nicolau d’Almeida, a merchant of Oporto Wine who has discovered football on his travels to England, however, the Club has always paid special attention to the other sports too.

    Jorge Nuno Pinto da Costa, who had began in the sports leadership with the section of  Hockey Skates of its hometown the so called “Invicta” – the very Noble and Loyal City of Oporto” (D. Maria II, Queen of Portugal) ascends to the presidency of FC Porto in 1982, marking a definite turning point in the club history.

     

    Concerning sport FC Porto wins in the very same year its first international title: the Cup of the Cups Hockey skates and two years later, reaches the final of the same competition but this time in football, losing the Cup against “Juventus”. The street hockey, which until 1982 did not have any title – national or international – made the Cup – Winner Cup – the first step in a journey towards the top of Portugal and World top… Back to the Winner Cup it won several Cups in 1983 winning a “pentacampeonato” (5 consecutive championships) between 1982 and 1987 and was crowned Champion of Europe in 1986 and 1990. Concerning athletics, Aurora Cunha adds titles, she won the Road World Championship 3 consecutive times (1984/85/86).

     

    When I arrived to Portugal, the new cycle initiated by Pinto da Costa had only a few months, but beyond the major factor that was the equipment of FCP, and also the City where I lived and had this football club – San Sebastian. There was Paulo Futre a football player hired from the ranks of SL Benfica was giving the first signs around the world, and I also succumbed to his talent, making me one of his enthusiastic fans.

    Futre and Gomes – Fernando Gomes: a duo of advanced players that made “weep” large crowds, some with joy and other for disappointment or terrible envy…

     

    Yes, I cried, and I remember perfectly even being eleven years old, sitting in a kitchen bench, watching the game in a black and white television, and there was my Porto: in the final of the trial queen of the football competitions: The European Champions Cup, now called UEFA Champions League.

    We were in 1987 when it was the “great glory” of FCP concerning football, with the conquer of this trophy, the European Champions Cup in Vienna against Bayern Munich with a memorable goal from heel Rabah Madjer, which consequently put the team playing in the Intercontinental Cup against Peñarol of Montevideo, during this match the Portuguese team won, and that “only” represents the title of the World Champion Club! And finally “we” played the European Super Cup in 1988 against the Amsterdam club – Ajax.

     

    Also internally FC Porto began to draw a domain that has extended till today.

    The 1990s were especially successful for the football team which was eight times a champion, five consecutive times this was the “Penta” history, who had never been achieved in Portuguese football History. FC Porto was also being successful in roller hockey (including the international level, winning two Cups ESRB), basketball, swimming and boxing. In 1993, the Cultural Council has organized several cultural events to mark the centenary of FCP and has been edited a commemorative numbered medal. FC Porto in 1995 surpassed the 100 thousand members and the following year, was the first time an athlete from FC Porto won an Olympic medal: Fernanda Ribeiro won the 10,000 meters and brought the gold medal from Atlanta (four years later she would bring the bronze medal from Sydney). Concerning handball, FC Porto in 1999 regained the title of national champion which had fled 31 years ago. As a matter of fact, 1999, has been the year of “Penta” too, scored a perfect season for the club who won the four most important modalities concerning the Portuguese sports panorama: football, hockey, handball and basketball.

     

    At the beginning of the XXI century Jose Mourinho arrived to Antas after having worked as head coach at Sport Lisboa Benfica and having been outstanding in União de Leiria. It was thanks to him that Porto football team returned to international titles.

     

    Winning the UEFA Cup, today called Europe League in 2003 and the UEFA Champions League in 2004, already in the new Dragão Stadium – it was a time when FC Porto again achieved full national recognition, it became champion in the four ways. In the very same year, the coach Victor Fernandez won the second Intercontinental Cup which would be added to the “portista” trophy list, a endured game and in the end, after his victory offered to “portistas”, it makes me go back to my 11 when I still was a kid any kid like me in 1987 would have liked it…

     

    FC Porto is now a recognized Portuguese Club, which “gives cards” and is respected as one of the leading ones among the best international teams, being very well known. Its records, surpassed this year (2011) the rival SL Benfica: record of national football titles (68) and some of these – thirty – are very recent and so I could watch them happening…

     

    The following major conquests are: the National and International Championships, dozens of others have been discounted here many Cups and Super-Cups of Portugal could be included in its records:

     

    1983 – Cup Winners Roller Hockey Cup.

    1984 – First European Football Final (Cup Winners).

    1986 – European Champion Clubs’ Cup and Continental Roller Hockey Cup.

    1987 – European Champion Clubs’ Cup, Intercontinental Cup and European. Super Football Cup.

    1990 – European Champion Clubs’ Roller Hockey Cup.

    1994 – CERS Hockey Cup.

    1995/96/97/98/99 – National Championship, National Football “Pentacampeão”

    1997 – CERS Hockey Cup.

    1999 – National Handball title (after 31 years) and national Basketball Championship.

    2003 – Champions of the UEFA Cup (Football).

    2004 – Champions of the UEFA Champions League, Intercontinental Cup

    2006/2007/2008/2009 – National Championship – National Football “Tetracampeão”.

    2011 – National Champion, Champion of the Europe League, in football. National Handball title, national Basketball title, national hockey title (“decampeão” 2000 – 2011 consecutive).

    2012 – National football Championship.

     

    Paulo Jerónimo

    Trabalho desenvolvido no âmbito de formação de Lingua Estrangeira

  • Perguntar Não Ofende ………………………………..#13

     

    Perigo de pedra no sapato{#emotions_dlg.unknown}

     

     


    Depois de eleminados no Mundial  2010 pelos espanhois com um golo em fora de jogo na parte final, só faltava a Portugal chegar a um dos seus melhores níveis exebicionais de sempre e o caraças dos vizinhos que teimam em não deixar de ser estraordinários.

     

    cartune: HenriCartune
  • Cristiano Ronaldo: Nouvelles Lettres Portugaises

     

     Foto: “Porto: Fotografias e texto de Werner Radasewsky e Gunter Scheneider”, ed. Nicolai


    Em Portugal o futebol é o desporto rei e é omnipresente. Para uma população de 10 milhões de habitantes existem três diários desportivos que, essencialmente, só tratam de futebol. Se acrescentarmos que as publicações diárias e semanais dedicam várias páginas ao futebol e sem esquecer as edições em linha, podemos pensar que o gosto dos Portugueses pelo futebol é um fenómeno invulgar. E é tanto mais questionante que Portugal, em futebol, a nível nacional, nunca ganhou nada. 

     

    Portugal tem, no entanto, hoje em dia, pela primeira vez na sua historia, um futebolista que já é lendário. Pelé, Eusébio, Platini… foram excelentes jogadores, mas não são, propriamente dito, lendários. Best ou Cantona, por exemplo, sim. 

    Cristiano Ronaldo desespera os Portugueses. Estes últimos que tanto gostam de lendas, quando tem uma viva e ao seu alcance fogem dela. Cristiano Ronaldo é um “contentamento descontente”, para os Portugueses.

     

    Num país em que a imagem do Homem está ainda ligada, essencialmente, à ruralidade (não é uma ofensa), Cristiano Ronaldo incomoda. Este não é só um jogador fora de série, é também um “metro sexual”. E talvez seja a sua urbanidade, a sua “metro sexualidade” que não lhe é perdoada. 

    O conceito, o termo “metro sexual” é criado por Mark Simpson. Este jornalista Inglês debruça-se, a partir dos anos 2000, sobre a evolução da “masculinidade”. O homem “metro sexual” deseja ser desejado e, isto, é uma forma de libertação. Beckham, por exemplo, incarna este movimento. São os homens que vão expor o seu corpo: Tatuagens, piercings, depilação, gel… passam a serem símbolos da identidade pessoal. O narcisismo já não é o apanágio das mulheres.

     

     

    Os homens já não tem vergonha de dizer que gostam de ver a imagem de outros homens. O corpo tornou-se um dos últimos acessórios da sedução masculina. O corpo do Homem tornou-se um objecto por vontade própria do Homem. Tudo no corpo é desenhado, estilizado, modelado até ao penteado, até ao ultimo detalhe. Isto, para poder agradar e competir com os outros homens. Mas também para poder conquistar e partilhar o poder das mulheres. Numa sociedade em que a imagem alcançou um estatuto maior, o desejo de ser desejado passa pela obrigação de ser visto no mundo da imagem tecnológica (televisão, webcam, etc..). E São as mulheres que compõem a maioria dos telespectadores.


    Cada vez mais, as mulheres afirmam gostarem de ver cenas de amor entre os homens. Como cada vez mais abrem “boîtes” com striptease masculino. Penso que é neste contexto que se insere a imagem de Cristiano Ronaldo. Ela pertence à adolescência da primeira geração “metro sexual”. A imagem do futebolista levanta sentimentos de frustração e de medo na sociedade Portuguesa? O que é certo é que tal imagem baralha os dados. Como se fosse necessário seduzir os homens, para seduzir as mulheres.

     

    Há quarenta anos, David Bowie pré-figurava esta evolução. Beckham deu-lhe uma forma simples e Ronaldo uma forma complexa ou artística.

     

    Sobre a ilustração de C.R.: ver aqui

    Nuno

  • Perguntar Não Ofende ………………………………..#12

    É pra rir ou pra chorar{#emotions_dlg.unknown}

     

    [as pérolas de capas desportivas que antecedem o jogo dos quartos de final Euro 2012]


    Isso, deem-lhes motivação! E papel para forrar as paredes…

    O Tuga é mesmo vacão! Passa do oito ao oitenta, de besta a bestial, da humildade à arrogancia, como que do “pé pra mão”.

    Boa sorte Portugal.

  • Dois €uros por um Gol€…

     

    A excelente revista mensal So Foot dedica, no número deste mês de Junho, um artigo aos jogadores naturalizados que jogaram ou jogam pela selecção do país de acolho. E estabelece uma classificação que engloba 25 jogadores.

    A naturalização não é um fenómeno novo no mundo do futebol. Basta lembrar Di Stefano e Ferenc Puskas que, uma vez naturalizados, jogaram pela Espanha. Existe ainda, quanto à Espanha, o exemplo de Marcos Senna, nascido no Brasil. Jogador que ajudou a “selecion” a conquistar um titulo maior em 2008. O que não acontecia desde 1964.  

     

    O topo da classificação é encabeçado pelo “naturalizado” Deco. A chamada do maestro do FC Porto à “selecção” aparece como a mais controversa devido às declarações na altura de Figo: “Isso prejudica o espírito de equipa. Se nasceu na China, muito bem, joga pela China“. E, uma vez Figo citado podemos ler, ironicamente: Se Deco tem os olhos em amêndoa é porque tem sangue Japonês e não Chinês.

     

    O que terá levado Figo a tais declarações? Não era ele um jogador habituado ao cosmopolitismo? Não conhecia ele a historia de Di Stefano e Puskas? As palavras de Figo espelham uma sociedade Portuguesa que é racista? Uma sociedade que esqueceu que é fruto duma enorme mistura? Pode ser racista uma sociedade em que qualquer família tem, no mínimo, um familiar que é e/imigrante?

    Porque e quem tanto incomodava o “maitre à penser de Porto“? Por ser do FC Porto? Por ter sido descoberto pelo FC Porto? Por não incarnar nem o centralismo lisboeta nem a ruralidade Portuguesa?

     

    A politica sempre esteve, embora em graus diversos, presente no mundo do futebol. Há quem compare a Ucrânia de hoje à Argentina de Videla. 

    Dezasseis selecções e trinta e um jogos. Até 2 de Julho haverá dois Euros: Um dirá respeito ao futebol; Outro à moeda e à economia. Os governos em dificuldade apostam no Euro para fazerem ilusão ou diversão. Já o governo Francês não terá representantes oficiais na Ucrânia.

    Explicitas são também as palavras do capitão Alemão, Phillipp Lahm: “A minha posição sobre os direitos fundamentais, direitos humanos, liberdade de expressão ou de imprensa não correspondem à situação actual da Ucrânia.” Quando o primeiro ministro Espanhol pede ao seleccionador Espanhol para ganhar o Europeu, para dar alegria ao Espanhóis, Del Bosque responde-lhe com sabedoria e razão: “… a possivel vitoria no Euro não é a solução para os problemas do país.(Libé, p.4 / 6 jun) 

      

    E se tudo ainda não estivesse podre? 

      

    Fontes: So Foot, n°97 ; Libération, 6 Juin 2012

    Nuno

  • Conversas com os botões da camisa (1) : …………… ………..Carlos Lisboa – Um Paradigma da Atualidade

     

     

    (clicar para ampliar / cliquez pour agrandir)

     

    Tendo contacto com «a rede» e revendo-me nela, cosidero-me pertencente àqueles apelidados pela geração web, surgida nos anos 90.

    Nessa mesma década, profissionalmente, tive de contornar o que já me era completamente estranho e considerava arcaico, a solicitação de contacto via Telefax, perguntando de imediato as empresas do outro lado da linha: “Qual é o  seu email”? 

     

    Sou do tempo e “estive por dentro” do Mirc, dos chats, do estouro do vídeo online e em tempo real, tudo ainda no sec. XX. Ou agora no XXI, sou igualmente apolinário da blogosfera ou das redes sociais.

    De modo que acaba por ser intrinseco e pacifico entre as novas gerações o descriminar abertamente «na rede» as suas etapas de vida, alguns dados pessoais, fotos, e gostos pessoais online. E toda esta prosa para aqui chegar: à lista de gostos pessoais.

     

    Carlos Lisboa teve sempre um lugar cativo nos meus gostos, e foi sempre transportado no meu leque de “exemplos de atitude de vida” pessoais. O basketball foi o único desporto que levei mais a serio enquanto praticante, e de atividade escolar.

    A lista apresentada na imagem inicial, foi a única que, entre  as outras várias de preenchimento para o perfil, quando a compus, tive o cuidado da manter por ordem cronológica, conforme fui estabelecendo contacto emocional com os atletas que considero influentes e exemplos relevantes a destacar.

    Tal como Cristiano Ronaldo nunca me foi considerado digno de entrar nesta galeria desportista pessoal, onde como digo, pesa mais e sobretudo o exemplo de atitude do atleta do que os êxitos desportivos em geral (porque para mim desporto é isso: formação de pessoas) – depois disto, Carlos Lisboa e pior: enquanto treinador (formador) em que o atleta se veio a tornar, também não podia lá continuar. 

     

    O problema não é o errar. O grave é não reconhecer, não emendar.

    Impresionante como a clubite acaba por destruir personalidades que um dia já foram, acima de tudo, icones nacionais.

    Tristes os que se revêem na sua atitude e como exemplo a louvar…

    No dia Internacional da criança, talvez vale-se a pena pensar em que “homens” estamos a formar.

    Paulo Jerónimo

  • Futebol: Uma arena de morte? …………………………. ………………………………Football, une arène barbare

     

    Lorsque « Grand Chef Apache » a crée l’étiquette « Futebol : Uma arena de Morte », il était loin de se douter que peu de temps après, l’universitaire Marc Perelman allait écrire un article intitulé « Football, une arène barbare ».

    Il est séduisant de constater que deux personnes vivant dans des sociétés différentes, et n’ayant pas le même métier ont choisi un mot identique pour aborder des questions liées au monde du football :Arena / Arène

    Nuno

     

     

    Clicar para ampliar / Cliquez pour agrandir

     

    É imensamente curioso e sedutor ver que quando Grande Chefe Apache cria a etiqueta Futebol: Uma arena de morte?, passado pouco tempo Marc Perelman, professor universitário, escreve um longo artigo que apresenta quase o mesmo título. Penso que podemos descortinar semelhanças quanto a certos temas tratados como também diferenças. Mas a palavra que é a génese do pensamento sobre o futebol é a mesma: Arena. E não é uma palavra neutra…

    Curioso e sedutor ver que duas personalidades, vivendo em países diferentes e tendo ocupações laborais diferentes, empregam, praticamente, o mesmo vocabulário. Segue a tradução do artigo de M. Perelman, escrito em 23 de Novembro de 2009:

     

    • “Contrariamente aos recentes dizeres da “secretária de Estado encarregada dos desportos, Senhora Rama Yade, o estádio nunca foi um “santuário e um lugar de civilização apaziguada”. E poderá se tornar ainda menos esse lugar e esse santuário, apesar da produção de esforços muito mediáticos e, sobretudo, desesperados graças à nascença duma “célula nacional de prevenção contra a violência”, dum “primeiro congresso nacional das associações de adeptos”, tornando-se uma “federação nacional de adeptos”. De mesmo, a repressão posta em obra pela ministra da Justiça, Senhora Alliot-Marie, parece também ineficaz com a “sua resposta penal particularmente dura  e rápida”, o “seu carácter mais dissuasivo” graças às penas de proibição administrativa de entrar nos estádios. Estas políticas não entendem que a violência dos adeptos tornando-se rapidamente hooligans não decorre duma “minoria agitante”, de “parasitas” que tomam como refém o “futebol”.

     

    A violência é praticada por ferozes hordas de apaixonados por futebol, massas compactas de brutos sem amarras, muitas vezes bêbedos e imensamente eficazes no diálogo por projecteis interpostos com os poderes públicos, mas para quem o futebol é uma parte decisiva da sua vida e o estádio uma família, uma casa. A violência não é pois exterior aos estádios, em “margem” como se disse aquando da morte de Brice Taton acontecida antes do encontro Toulouse – Partisan de Belgrado; Ela não é obra de indivíduos estranhos ao futebol.

    As diferentes expressões de esta violência – dopagem, racismo, xenofobia, homofobia, “chauvinismo” – ressalvam duma “violência interna” consubstancial à única “lógica competitiva” e à qual o futebol está associado com todas as suas fibras. E esta lógica resume-se com palavras simples: Afrontamento, combate, choque, colisão entre jogadores de equipas dispostas a brigarem, batota. Esta violência toma forma nos estádios e também no desporto amador (o “Observatoire National de la Délinquance” indica uma subida preocupante da violência no futebol amador), havendo nos profissionais, entre outros, árbitros insultados, golpes provocando ferimentos graves, multiplicação de confrontos entre jogadores nos balneários ou entre espectadores nas bancadas: Tacos de basebol, navalhas, facas, armas de fogo são frequentes…

     

    Em alguns anos esta violência, sem deixar os estádios, deslocou-se para fora destes: Os Fights opõem adeptos de equipas inimigas. A violência desagua nas cidades e, muitas vezes, em seus centros que se tornam os novos territórios dos confrontos entre adeptos e polícias aquando dos combates de rua  e a sua lista de degradações, de lojas destruídas, de carros queimados, de agressões a pessoas… Os estádios já não chegam para conter a violência que o futebol desencadeia.

    Alegramo-nos demasiadamente depressa: Os estádios Ingleses, esvaziados dos seus hooligans, ter-se-iam tornado espaços de paz. Um derby recente, West-Ham-Millwall, degenerou em batalha campal entre hooligans embebidos de álcool e cujo racismo anti-imigrantes e orientação política de extrema direita é conhecida. As milhares de proibições de estádio e os preços extravagantes dos bilhetes deslocaram o problema para as divisões inferiores… Ora, é nos estádios do mundo inteiro e nas suas imediações, como na tranquila Suíça (jornalistas agredidos, batalhas campais entre hooligans na Basileia, em Zurique, em Sião.. a polícia utilizando balas de borracha e gás hilariante), passando pela Argentina (cinco adeptos mortos esta época em brigas), Marrocos, Tunísia e, sobretudo, Argélia (uma dezena de mortos desde 2005) que se manifesta “a violência provocada pelo futebol”. Os estádios tornaram-se os lugares privilegiados da expressão desta violência e não outros lugares de agrupamento como os concertos de música, o teatro, o cinema, a praia…

     

    A mão que permitiu, quarta-feira passada, a vitória da França perante a Irlanda é a consequência directa da gigantesca pressão económica e sociopolítica que o futebol apanha nos seus laços, põe de molho nos estádios e, depois, amplifica e restitui numa gigantesca caldeirada: ganhar a qualquer custo, fazer batota para ganhar, mentir após ter-se feito batota e ganho. Tal é a ideologia deletéria que promove o futebol e não que o futebol sofre. O futebol não é um jogo: Constitui, com o estádio, o fogo activo, o lugar central onde a crise das nossas sociedades toma um novo fôlego. O futebol é o vector duma “desintegração” de todos os quadros duma sociedade, das suas referências fundamentais como a identidade nacional que depende duma cultura comum e duma língua e não duma equipa com pitões, – uma entidade passageira, artificial e aleatória. Uma bola, uns “protegem-canelas” e uns livres são insuficientes para fundar uma soberania nacional. E a identificação dos jovens a um ídolo nos estádios ou a uma equipa vencedora, a sua integração pelo futebol à sociedade não fundará nunca uma identidade nacional.

     

    É preciso agora pensar o futebol tal como ele é e não como o imaginamos ou o fantasmeamos. Assim, não é a violência que “gangrena” o futebol; Também não é uma minoria de ultras que contamina, parecendo que não, bravas pessoas calmas e pacíficas; E não são a mundialização ou ainda a mercantilização que corrompem e que sujam. A verdadeira gangrena que infesta a vida das nossas sociedades tem por nome futebol; E o estádio é intrinsecamente o lugar onde refogam as futuras explosões de violência porque os rancores (pesados) sociais e políticos amealhados se associam intimamente ao futebol; São orientados por este, exprimindo-se em caldeirões equipados para os receberem, os capturarem e os amplificarem até que desbordem na cidade, transformando-os em colunas guerreiras.

     

    A violência dos adeptos não é apenas a expressão duma aflição social; Ela está no coração do projecto futebol que é a expressão dessa aflição social; Os movimentos preocupantes de exaltação e de identificação, da fúria nacionalista entre o Egipto e a Argélia maciçamente enquadrados pela polícia e pelo exército não envenenam o futebol, o verdadeiro veneno chama-se futebol e o estádio serve-lhe de recipiente e a cidade torna-se o seu território.”

     

    Obs: Esta tradução, esperando que esteja bem, é uma homenagem ao Grande Chefe Apache.

    Nuno

  • Em Abril Dragões mil ! …………………………………….. ………………………….. En Avril le Dragon fait son lit !

     

    Pendant quarante huit ans le Portugal a vécu sous un régime fasciste.

    C’était un pays qui vivait isolé et replié sur lui même.

    Le taux de la mortalité infantile était l’un des plus élevés au monde malgré la richesse des colonies. 

    Sur le plan sportif le foot était roi. Mais seuls les clubs de la capitale étaient champions. 

    Comme dans l’Espagne Franquiste ou l’Italie de Mussolini.

     

    La Révolution des Oeillets (25 avril 1974) a donné la liberté au peuple portugais.

     

    Ce n’est qu’après la chute du fascisme que le FC Porto peut exprimer son génie.

    Il devient l’un des meilleurs clubs du monde grâce à ses titres.

    Il est aussi le premier à offrir une Coupe d’ Europe à un joueur africain (Madjer).

    Le document ci-joint nous semble dévoiler cela.

     

    Source: República, 18 Mar 1974

    Nuno

     

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    Em 25 de Abril de 1974 é derrubado um dos sistemas fascistas mais longos da história Europeia.

    Quando é anunciada o início da Revolução dos Cravos, nenhum média Francês tinha um correspondente permanente em Lisboa.

    Pior que isso: Nenhum média internacional estava em condições de retratar os acontecimentos Lusos.

    Portugal fazia parte do que se chama “zonas cinzentas do planeta”. Não existia… 

    Para os jornalistas estrangeiros, a imprensa estava demasiada comprometida para ser fiável.

     

    No que toca ao desporto, o futebol era a modalidade posta em relevo.

    Durante cinquenta anos, os clubes de Lisboa são campeões.

    O que é curioso!? Os dados falam só por si!

    Tal como na Espanha Franquista os clubes da capital são campeões.

    Só após a queda do fascismo foi possível ver o FC Porto, clube popular do Porto, ser campeão nacional.

    Um clube que se tornou famoso graças aos seus títulos europeus e mundiais.

    É também o primeiro a ter proporcionado a um jogador Africano (Madjer) ser campeão Europeu.

     

    A peça aqui apresentada parece elucidar o que foi exposto. 

    Sporting e Porto estão separados por dois pontos no topo da tabela.

    Um jogo que se realizou uma semana antes do 25 de Abril.

     

    Fonte: República, 18 Mar 1974 

    Nuno