Category: poesia

  • “her”, filme realista?

     

     

    her é um filme escrito e realizado por Spike Jonze. Um filme em que a ficção pode ser realidade e onde as semelhanças com as nossas vivências não são, totalmente, fortuitas. A película descreve um universo em que os computadores têm consciência de si próprios e de outrem. Um universo em que os computadores inter-reagem com cada um de nós. Assim, Spike Jonza remete para uma era digital que, no fundo, pode estar mais ou menos próxima. 

     

    Teodoro vive na cidade de Los Angeles, urbe em que tudo pode ser possível. Teodoro domina perfeitamente bem a escrita. Sabe fabricar as boas frases e encontrar as palavras exactas para descrever os sentimentos e falar de amor.  

    Apesar destas qualidades, Teodoro vive só, sofrendo com a solidão. O seu apartamento, o seu lar é demasiado grande e, esse espaço, reenvia-o para o divorcio, para o falhanço do seu único casamento com Catarina. Os jogos vídeos, os vários ornamentos em 3D não compensam as noites solitárias. 

    Para combater o vazio e o tédio da sua vivência, Teodoro investe na compra dum programa informatico, uma inteligência artificial concebida para se adaptar à personalidade de cada humano, ou seja, a voz de Samanta. E, assim, a voz feminina suave, intuitiva e divertida de Samanta vai seduzir Teodoro que, pouco a pouco, vai ficar loucamente apaixonado.

    Eis o ponto de partida para um idílio insensato e irreal. A magia do relato assenta nos inúmeros detalhes agenciados por Spike Jonze, tal como a proeza dos actores, tornando realista, romântico e poético o que, inicialmente, não o era.

     

     

    Ficha Técnica: her, realizado por Spike Jonze, com Joaquin Phoenix, Amy Adams, Rooney Mara, Chris Patt… – voz de Scarlett Johansson / USA 2014, 2h06, cores

     

    Nuno

     

     

     

     

  • Porto; Ponte, Vida – 1

     

     

    Em seis de Agosto de 1968, Miguel Torga, visitou Vilarinho das Furnas, no Gerês, véspera do dia em que esta Aldeia foi inundada. Como outras comunidades comunitárias foi escolhida consciente e politicamente pelos Serviços Florestais dependentes do governo fascista. Os sectores geográficos correspondentes à construção das barragens foram determinados, essencialmente, por razões ideológicas. Era necessário desenhar uma unidade que nunca existiu. Aceitar que “para lá do Marão mandam os que lá estão” não era compatível com o conceito de centralismo.

     

    A diversidade de inúmeras “minha terra = meu país” não é incoerente com uma vivência de 8 séculos no âmbito da mesma fronteira administrativa e nacional. Miguel Torga como Fernão Magalhães é Transmontano. Se Miguel Torga, prémio Internacional de Poesia em 1972, é um ilustre desconhecido em Portugal, Fernão Magalhães, o maior navegador Português, não figura no monumento realizado em honra dos descobrimentos.

     

    Não se trata, nesta nova rubrica, de construir novas teorias ou ideias. Sim de disponibilizar documentos sobre a cidade do Porto e a sua história que o centralismo lisboeta procura apagar ou normalizar na memória colectiva dos Portugueses.

     

    Na foto, tirada em 1963/4, aparece a seleção de andebol da cidade do Porto. Esta seleção reunia jogadores de vários clubes da cidade Invicta e participava em torneios na Galiza. O quadro da foto é o campo de andebol do antigo complexo desportivo do FC Porto, situado na Rua da Constituição. Este complexo, guardando-se a fachada, foi totalmente renovado. 

     

    Fontes: Miguel Torga, En franchise intérieure, ed. Aubier Montaigne, Paris 1982, p.347 | O Título é tirado do nome duma novela, em honra do Porto, do escritor Brasileiro Moacyr Scliar | A foto é minha

    Nuno

  • TABUCCHI: I tre ultimi giorni di Fernando Pessoa. ……………………………………………………Un delirio

     

     

     

    António Tabucchi foi um europeu convencido. Era Francês, Italiano, Português…?

    Era universal como o era o seu combate contra todas as ditaduras. 

    Quando jovem, compra em Paris um livro de Pessoa e fica apaixonado, inaugurando uma cumplicidade literária extraordinária.

    O seu texto Soustiene Pereira é também feito filme.

    É Mastroianni quem desempenha o papel de Pereira.

    Um jornalista que toma consciência da natureza do Salazarismo e torna-se opositor do fascismo.

    A tradução Francesa de I tre ultimi giorni di Fernando Pessoa.Un delirio é de Jean-Paul Manganaro.

    Editada em 1994 pela Seuil, a publicação apresenta desenhos de Júlio Pomar que ilustram Pessoa.

    A literatura de Tabucchi é um hino à fantasia e à liberdade.

    Nuno

  • Perguntar Não Ofende …………………………………#2

     

    Terá o povo razão ao assumir que “Não há pecado maior que o da língua”{#emotions_dlg.unknown}

     

    “Eu não tenho vergonha
    de dizer palavrões,
    de sentir secreções
    (vaginais ou anais).
    As mentiras usuais
    que nos fodem sutilmente
    essas sim são imorais,
    essas sim são indecentes.”

     

    Leila Míccolis – “Ponto de vista”

     

    Este post deve ser lido na continuação de Meteo: Um Ovni?

    Paulo Jerónimo

  • Portugal: Une Bd d’Exception ou un Monument Anthropologique ?

     

    La Bd, Portugal, de Cyril Pedrosa est grave et légère au même temps.

    La Bd nous montre la vie de Simon Muchat, auteur de Bd en quête d’inspiration.

    Pour combler ce manque, Simon Muchat part à la recherche de ses origines. Saisissant une invitation à un festival de Bd, il part au Portugal pays de ses ancêtres.

    Cette Bd questionne les rapports intimes que les adultes ont ou/et peuvent avoir avec leur enfance et leur passé.

    Cette Bd est l’ un des succés les plus importants da la rentrée pour le rayon Bd.

    Cette Bd a été publiée avec le concours du “Centre National du Livre”.

     

    Photo: Planche de la Bd.

    Nuno

     

     (clicar para aumentar / cliquez pour agrandir)

     

    A Bd Portugal não é uma obra de leitura fácil.

    Se o belo grafismo do autor, Cyril Pedrosa, é fácil e deslizante, já menos poderão ser os sentimentos complexos que o autor trata na sua obra.

    Não creio que esta Bd seja uma obra, meramente, autobiográfica.

    Existem, todavia, nela aspectos que reenviam para a memória: Simon Muchat, autor de Bd, deixou de ter inspiração criativa e parte em busca das suas origens, desaguando em Portugal. E desagua em Portugal porque é convidado para um festival de Bd.

     

    Portugal é o país do avô de Simon Muchat. E Simon Muchat descobre, pouco a pouco, uma parte das suas origens.

    A reflexão que nos livra Cyril Pedrosa é leve. Mas, ao mesmo tempo, grave porque questiona as relações que os adultos podem ter com o seu passado e com a sua infância.

    Esta Bd é, actualmente, um dos maiores sucessos da “Rentrée”, sendo destacada quer nas livrarias especializadas quer nas revistas especializadas.

    O Albúm foi editado graças ao apoio do “Centre National du Livre”.

    E, graças a este apoio, a Bd não foi publicada, passem-me a expressão, em fatias de salpicão, ou seja, em folhetins.

     

    Foto: Prancha da Bd.

    Nuno

  • Fernando Pessoa , Vieira da Silva & Armand Guibert

     

     

    As edições “fata morgana” publicaram em 1980 um livro fora de série.

    A tiragem foi de 750 exemplares . O que mostra na altura o pouco impacto ou a falta de conhecimento da cultura Portuguesa em França . E não me venham cá falar de Amálias e de Eusébios como embaixadores de Portugal. A tiragem fala só por si.

    Este livro apresenta a Ode Marítima de Fernando Pessoa traduzida por Armand Guibert . Revestem ainda mais importância os dois prefácios de Armand Guibert . O primeiro foi escrito entre 1943-1955 e o segundo em 1980. Existe continuidade entre os dois prefácios. No segundo prefácio , Armand Guibert continua a afirmar que ” Ode Marítima ” não envelheceu.

     

    A tradução é ilustrada por Vieira da Silva . (imagem em cima à direita)

    Que mais pedir ?

     

    Desde então a cultura Portuguesa tem ganho existência na sociedade Francesa .  Fernando Pessoa foi publicado na prestigiada colecção ” La Pleiade ” .

    Nuno

  • ♫ pelas trilhas do vinil – 4

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    O desbravar da agulha pelas trilhas da bolacha preta de hoje, pertencente a um dos álbuns LP, dono de uma das grafias mais marcantes de que tenho memória, pelos jogos de tons e cores, acertos e beleza, bem como os encaixes entre a capas e envolucro, parece um daqueles livros de histórias cujas paginas se desdobram e revelam outras formas. Privilégios do formato, para demonstrar noutra altura, pois não será nisso que a cosmética deste post hoje se debruça… Este, acaba por ser a continuação, e o cumprimento de uma promessa feita a nossa estimada leitora Eunice, aquando de seu comentário ao meu post “Mitos, mariquices, e paneleirices” publicado no dia em que Portugal se tornou o 8º país do mundo a aprovar a lei de casamento homossexual.

    A Eunice tem este dom, o de perfumar, com “suas poesias”, até mesmo temas que para muitos, à partida, lhes tresandaria à “Tabu” – antiga marca de perfume – leia-se.

    E foi com este aroma, o que de seguida reproduzo mais abaixo, que nossa amiga, mais uma vez, nos trouxe uma lufada de ar fresco. Acabou recordando-me o tema hoje em destaque pela edição 4 do trilhas do vinil, e, já dizia o grande Veloso, mas o Tripeiro e Português, o Rui, que “O prometido é devido”. Já tinha-mos saudades do seu perfume, pela nossa caixa de comentários, minha cara.  Bem aparecida seja,e, recordar é viver!

    .                  de Eunice a 9 de Janeiro de 2010

    Mr Cosmos, diga lá : e se o Mário de Andrade tivesse escrito este poema para um homem chamando-lhe amiga, que resultaria? Haveria, na dimensão do Amor, alguma diferença?

    Poemas da amiga

    Mário de Andrade

    Gosto de estar a teu lado,
    Sem brilho.
    Tua presença é uma carne de peixe,
    De resistência mansa e de um branco
    Ecoando azuis profundos.

    Eu tenho liberdade em ti.
    Anoiteço feito um bairro,
    Sem brilho algum.

    Estamos no interior duma asa
    Que fechou.

    Caetano Veloso: “Cores, Nomes”, LP 1982

    MrCosmos a 10 de Janeiro de 2010

    A Eunice perfuma este blog!
    Sobre a abertura dos brasileiros: Este fim de semana encontrei o LP vinil de Caetano Veloso “Cores, Nomes” numa feira de antiguidades, (novo, capa de um grafismo BESTIAL!) cuja uma das músicas, com destaque de capa e tudo, é: “Ele me deu um beijo na boca” e caetano veloso diz que gostou, o malandro. 🙂

    Prometo postar aqui essa música, mais uma promessa… a ser cumprida.

     

    PC Jerónimo da Silva

  • Google sabe traduzir Fernando Pessoa? …………….. Google sait-il traduire Fernando Pessoa? ……………

     

    Le poème Autopsychographie de Fernando Pessoa présente le travail et les étapes de la création artistique. C’est un poème qui n’a plus besoin de carte de visite.

    Suivent , ci-joint, deux traductions en français de ce même poème. Une par le philosophe José Gil  et une autre par deux écrivains- poètes , M. Chandaigne et P. Quiller. 

    Ces deux traductions expriment la difficulté de la traduction. Pour moi, toutes les deux sont justes . Elles soulevent aussi des questions concernant l’exercice ou la pratique de la traduction.

     

    Avez vous déjà essayé de lire la traduction robotisée de Google du dit poème ?

    Ce texte doit être lu comme un prolongement du post sur F. Pessoa.

     Nuno

     

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    O poema Autopsicografia de Fernando Pessoa resume o trabalho e as etapas da criação poética. É um poema conhecido universalmente.

    Seguem aqui duas traduções em Francês do respectivo poema  : Uma do filósofo José Gil e outra de dois escritores e poetas , M. Chandaigne e P. Quiller.

    Estas duas traduções exprimem a dificuldade da tradução. Para mim, ambas são válidas e questionantes.

     

    Já tentaram ler a tradução robotizada de Google do referido poema?

    Este texto deve ser lido como uma continuação do post sobre F. Pessoa.

    Nuno

     

     

  • ‘Podia acabar o mundo’ , que a Rosa fica…

     

    A cultura Portuguesa está de luto com o desaparecimento de Rosa Lobato Faria.

    «Desaparecimento», salvo seja, pois Lobato Faria deixa uma marca indelevel que perpetuará com o seu nome. Actriz, escritora e compositora, é sobretudo nesta última faceta que o "timbre" RLF influencia sobremaneira, nomeadamente, boa parte de gerações mais novas.

     

     Até se lhe pode ter acabado o mundo , mas o perfume da Rosa, esse fica…