Category: mitos

  • Se dúvidas houvessem

    Começa-mos com o pé esquerdo. Perdemos!

    E depois? Quantas vezes já nos erguemos?

    Quantas já nos levantamos? Quantas mais ainda perderemos?

    • Só quem nunca estremeceu ao ouvir o timbre daquele hino arrepiante;
    • Só quem nunca chorou desalmado, com um golo de calcanhar, rejubilante!
    • Só quem nunca ficou com o coração cem-a-hora;
    • Só! Quem nunca soube o que é andar-se de cabeça à nora;
    • Perder o dia desconcentrado enquanto a bola não ruma à proa;
    • Só quem vive agarrado ao passado; não sonha; não cria; e nada sua alma povoa…

    …não entende a magnitude de ver os seus, de suas nobres vestes reais trajadas.

     

    Azuis e brancas,erguem a bandeira.

    Em tempos monarquia, agora, sem eira nem beira.

    A esperança polula entre homens dignos e por isso envergam escudo nacional ao peito, invocando. Seu lema: não envorgonhar suas gentes, lutando.

     

    Com um atrevimento conquistador desmesurado dobram cabos das tormentas.

    Temerosos. Mas lutam sem medo.Corajosos.

    Que se lança pelo mar a dentro, por tubarões do velho continente dominado.

    A cada ano, em busca de mais glórias, partem na descoberta, com ímpeto renovado.

     

    Foi por isso que  os próprios mouros antes pré-dominantes se renderam.

    Vitória! Venceram.

    Primeiro conquistaram o mundo, e vede que agora nasce um luso profundo, em qualquer lado . Existirá coisa igual? 

    E conjogou Homem de Mello: "Como não por no Porto uma esperança, se daqui houve nome Portugal?"

    AMO-TE, Porto.

     

    «Die Meister, die Besten, les meilleurs equipes, the champions!»

     

     

    Dedicado à minha fiel mulher de armas, Esperança Vitória, de sua graça.

    Porque há amores assim.

  • A Dictadura da Orthographia !

    Muito se fala do acordo ortográfico entre os países de língua Portuguesa. Há quem seja contra e há quem seja a favor.

    Mas, sem dúvida, muito se fala sem conhecimento de causa.

    A grafia não é mais que um código. Escrever acto ou ato, cágado ou cagado, por exemplo, não altera mesmo nada a compreensão da mensagem. Se uma letra só tem essência no âmbito duma palavra, igualmente, uma palavra só têm essência no âmbito duma frase. E nem sempre o código reproduz a oral. Se assim fosse, os alunos não dariam erros nos ditados. Acho, aliás, curiosíssimo, que aqueles que são contra uma simplificação do código escrito ainda não se tenham manifestado, com petições e manifestações, contra os sms. Não querem escrever em “Brasileiro”, mas escrevem todos os dias em sms. 

     

    Reparem nestes dois textos . Ambos são de António Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa. O primeiro é reproduzido tal como, originalmente, foi escrito. O segundo é o que, hoje em dia, as edições Portuguesas apresentam.

     

    “Hontem á tarde um homem das cidades

    Fallava á porta da estalagem.

    Fallava commigo tambem.

    Fallava da justiça e da lucta para haver justiça

    E dos operarios que soffrem,

    E do trabalho costante, e dos que teem fome,

    E dos ricos, que só teem costas para isso.”

     

    “Ontem à tarde um homem das cidades

    Falava à porta da estalagem.

    Falava comigo também.

    Falava da justiça e da luta para haver justiça

    E dos operários que sofrem,

    E do trabalho constante, e dos que têm fome,

    E dos ricos, que só têm costas para isso.”

     

    Onde está a diferença ? 

    Talvez mais interessante :

    “De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, nao ipomtra a odrem plea qaul as lrteas de uma plravaa etaso, a uncia csioa iprotmatne é que a piremria e utmilia lrteas etejasm no lgaur crteo.”

    O mesmo texto em Francês ( a minha filha de 11 anos leu sem hesitações ) : 

    « Sleon une edtue de l’uvinertise de Cmabrigde, l’odrre des ltteers dans un mto n’a pas d’ipmrontncae, la suele coshe ipmrotnate est que la pmeirere et la dreneire soient à la bnnoe place. « 

     

    Isto porque o cérebro humano não lê letra por letra mas a palavra como um todo. 

    Interessante né ? Ou : Interessante não é ?

     

    E Viva o Porto !

     

     Fontes citadas : “Poèmes de Alberto Caeiro” , ed. “La Différence”, t. 4, p. 50, Paris, 1989 ; « Poemas de Alberto Caeiro », ed Ática, p.54, Lisboa, 1979»
  • Peditórios, moedinhas e o almanaque do povo

    Comprei-o esta manhã a um jovem rapaz que os acarretava debaixo do braço juntamente com um molho de pensos rápidos, caminhando pela avenida fora. Havia-o fitado ainda a distância, de médio porte, cabelo russo, interpelando os demais transeuntes que pululavam pela Av. Francisco Sá Carneiro em dia de mercado. Pelo que já ia com ela fisgada, de me esquivar deste tipo de peditório, de resto, uma questão de atitude que mantenho para com este género de campanhas, desde que um outro, pedindo por uma outra causa ou instituição qualquer havia sido extremamente mal educado para com a minha cara-metade, que se recusará em participar." Aí coitada! tenho de ir pedir tabém para a senhora…" respondeu-lhe ele com muito mau modo.

     

    E já  de pé atrás para me  desviar do dito cujo antes que me visse, a perspicácia de quem anda nisto certamente a algum tempo apanhou-me, duplamente desprevenido. Ofereceu-me o Almanaque que já procurava a mais de um ano, o mítico Borda de Água e com pena de não ter conseguido o de 2009, agarrei logo este para o ano de 2010, não que lhe dê muita importância, mas acho de certo modo castiço, e respeito a acertividade da ciência que este compendio contêm, e que se mantem regular até aos anos de hoje, sendo o guia ainda de gerações, nomeadamente as ligadas as sementeiras, e não só. Uma familiar minha procurava precisamente naquela altura consulta-lo para verificar algo relacionado com as fases da lua e o seu estágio de gravidez, mas paciência, este é de 2010 e só lhe servirá se engravidar novamente para o ano que vêm…

     

    Fiquei então com ele a troco de algumas moedas a mais do que o seu 1,50€ que depositei na palma da mão rogosa do jovem agradecido, e logo me bateu na ideia, que já fora numa abordagem parecida que havia conseguido a edição de 2008 que exebia todo satisfeito aqui.

    Lembrei-me do Fradique Gouveia Pinto, que frequentemente por aqui passa em "campanhas" identicas e facilmente me convenceu a ficar com alguns livros de poesia de sua autoria e um de poesias populares. Há ainda um rapaz alto, mulato, que traz sempre uns brindes todos catitas para ofertas, a Deficitprodut, Instituição de solidariedade no Porto, com artigos em pele de excelente qualidade fabricados por funcionários que padecem de alguma deficiencia e passam já à vários anos,  ou o Luppus, um jovem Romeno e sua filha, que um dia me apareceu no estúdio quase a súplicar para o deixar trabalhar, que limpava as vidraças a troco do que lhe quisessem oferecer, e desde então tem voltado da zona de Aveiro para aqui, de tempos em tempos, a fazer por aqui a sua volta.

     

    Não faz parte do meu feitio andar a bater no peito divulgando as esmolas (passe a expressão) que dou. A questão é que, aversão mesmo, tenho quando me oferecem autocolantes…

     

    Agora vou alí ver o que o Borda de Água me reserva para 2010, e já venho.

    PS: Parece que as luas não foram as certas nos dias de jogo da nossa Selecção, e então não vamos ao Mundial 2010. 😉 O Queiroz é que devia consultar este almanaque.

  • O Senhor que revolucionou a música

     

    Morreu, Les Paul, o homem que revolucionou a música com a invenção da guitarra electrica.

     

    Aos 94 anos, e em pouco tempo, o conhecido guitarrista Americano de Jazz (que até nem sabia ler nas pautas) gera  milhares de comentários de reconhecimento e agradecimentos na web, aquando da notícia da sua partida. Sou um entre esses milhares, ou milhões, que comungam dos mesmos sentimentos. A par com o saxofone, o som caracteristico e único produzido por uma guitarra electrica sempre foi dos que mais me cativou ao disfrutar de uma melodia. Com os anos houve nomes que aprendi a venerar pela enorme destreza em manusear sublime instrumento. De Mark Knopfler, à Eric Clapton, Carlos Santana, David Gilmour , ou Zé Pedro – entre vários outros – ouvir os acordes tocados por  este Senhor, Lester William Polfuss, mais conhecido por Les Paul, será sempre uma emoção. Ele, que um dia não satisfeito com a acústica caracteristica das gitarras clássicas, "ocas", engenha a primeira guitarra toda em madeira maciça, revolucionando a música, conforme a conhece-mos hoje.

    O homem parte, mas a obra e o nome para sempre ficam!

     

  • 30 anos The B-52’s

    Assinalam 30 anos de carreira os The B-52’s. Uma das bandas que marcam o pós-punk e o movimento new-wave, uma mistura fina de ritmos latinos com não sei bem o que, estilo pop contagiante, humor,  e apresentação algo bizarra de actuar. Os The B-52’s registam um leque de grandes canções que ainda hoje contagiam: Dance This Mess Around, Rock Lobster,  Planet Claire, ou já na ribalta dos anos 90 Good Stuff e Love Schack. Claro que não podia deixar de mencionar  Cosmic Thing…