Category: cinema

  • A Transmissão Simbólica nº24 …………………………. La Transmission Symbolique nº24 ……………………..

     

    “Le cinéma, c’est juste un moyen pour parler du temps qui passe…”

     

    Source: Blutch, BDCAF’mag, Sept-Oct 2011, p.13 / Image: Couverture de la Bd de Blutch

    Ce post peut être lu comme la suite de A BD e o Elixir da Eterna Juventude

    Nuno

     

     

    “O cinema é só uma maneira de falar do tempo que passa…”

     

    Fonte: Blutch, BDCAF’mag, nº39, Set-Out de 2011, p13.  / Imagem: Capa da Bd de Blutch.

    Este post pode ser lido como a continuação de A BD e o Elixir da Eterna Juventude

    Nuno

  • A BD e o Elixir da Eterna Juventude

     

     

    Entrevistado pelo cinéfilo Mário Augusto acerca da estreia de se novo filme no papel de Johnny English, Rowan Atkinson assume que parou com o personagem de Mr. Bean porque via o mítico  e bem sucedido “Sr. Feijão” como um Personagem de Banda Desenhada, e em BD os Personagens não envelhecem.

     

    Logo, persistir o ator em interpretar Mr. Bean na tela seria envelhece-lo e , interpreto eu segundo seu argumento, deteriora-lo.

    Sim, faz sentido.

  • Godard, Cinema e Futebol ………………………………. Godard, Cinéma et Football ……………………………..

     

    Bertrand Bonello, le réalisateur de L’Apollinide (Souvenirs de la maison close),  film en compétition à Cannes 2011 et qui sera en salle dès le 21 de ce mois de Septembre 2011 a donné un entretien à la revue So Foot.

    Je n’ai pas résisté à la tentation de publier ses propos sur Godard:

     

    “Le rêve de Jean-Luc Godard, c’était de réaliser un match de foot, avec tf1 je crois. Mais ils se sont dits: “Il est si dingue qu’il va tout filmer sauf le ballon.” Et je pense que c’est ce qu’il aurait fait.”

    Je me suis demandé: où se trouve la folie cinématographique en tout ce qui concerne le football?

     

    Ce post peut être lu comme une suite de Mentiras e Limites da Camêra no futebol

    Source: So Foot, sept 2011, p.211 / Image: photo du film: L’ Apollonide

    Nuno

     

     

    Bertrand Bonello, autor de L’Apollonide (Souvenirs de la maison close), filme em competição em Cannes 2011 e que estará nas salas no dia 21 deste mês de Setembro de 2011,  foi entrevistado pela revista So Foot.

    Não resisti à tentação e à revelação de publicar o que nos apresenta sobre Godard:

     

    O Sonho de Jean-Luc Godard, era de realizar, creio,  um jogo de futebol com a tf1. Mas eles disseram-se: “É tão maluco que vai filmar tudo menos a bola.” E penso que é o que teria feito.”

    Fiquei a pensar: O que é a loucura cinematográfica, no que diz respeito ao futebol?

     

    Este post pode ser lido como uma continuação de Mentiras e Limites da Camêra no futebol

    Fonte: So Foot, Setembro de 2011, p.123 /  Imagem: Foto do filme : L’Apollonide

    Nuno

  • Habemus Papam: Poder e Liberdade? ……………….. Habemus Papam: Pouvoir et Liberté? …………………

     

    Michel Piccoli qui a tourné avec de grands réalisateurs ( Buñuel, Ferreri, Godard, Oliveira, Varda… ) incarne de façon fabuleuse le Cardinal de Melville, le film événement (de Nanni Moretti) de cette rentrée.

    Le Cardinal de Melville ne semble pas vouloir être Pape. Ce n’est pas une révolte contre la Papauté ou les systèmes financiers… C’est une crise intime… Mais aussi intime soit elle, elle questionne le poids de la responsabilité collective et individuelle.

     

    Dans le long entretien que Michel Piccoli à accordé à Télérama, il me semble que ces propos qui suivent peuvent nous autoriser à mieux comprendre l’histoire du cinéma (et du thêàtre): ” Aujourd’hui toutes les filles veulent faire du cinéma ou du théâtre. Avant, dans les familles aisées comme modestes, c’était une honte, presque de la prostituition. Maintenant, c’est valorisant… 

     

    Ce post peut être lu comme la suite de Le Pape Terrible

    Source citée: Télérama, nº 3215, août 2011, p.11 /  Photo: Affiche du film

    Nuno

     

     

    O filme de Nanni Moretti é um acontecimento cinamatográfico invulgar.

    Ele põe em cena o Cardinal Melville que não quer ser Papa.

    Não quero, com isto, escrever que o Cardinal de Melville fosse contra o Papado, o capitalismo… Ele queria era ser livre. Daí o seu silêncio e o enorme grito que rasga o silêncio.

     

    Tem encontro com a História, mas fica sentado enquanto a multidão o espera vê-lo no balcão, na Praça São Pedro, em Roma.

    A noção de responsabilidade colectiva e pessoal é questionada pelo filme.

    O Cardinal de Melville é, fantasticamente, incarnado por Michel Piccoli.

    Michel Piccoli deu uma grande entrevista à revista Télérama. Passo a traduzir as palavras, deste grande actor, que me parecem pôr em relevo a evolução do cinema (mas também do teatro) no seio das nossas sociedades ocidentais.

     

    Leia-se:

    A sua carreira dá uma impressão de liberdade, de diversidade, mas também de fidelidade: A Ferreri, Buñuel, Varda, Sautet, Godard, Oliveira…

     

    O que sempre me interessou na minha profissão foi de viajar, de poder fazer tudo e ainda mais. Estando sempre atento às pessoas que pediam para trabalhar comigo. Tive a sorte de ter sido escolhido por pessoas excepcionais e duma grande elegância. Foram encontros e relações apaixonantes… Nunca calculei para atingir o cume. O que é o cume? Se queremos guardar prazer para exercer esta profissão, é preciso estarmos disponíveis, egoistamente, para as coisas mais enriquecedoras. Para si mesmo. Mesmo se tenho a pretensão de pensar que fiz muitas coisas que eram enriquecedoras para o público. Mas a profissão de actor é cada vez mais “dificultuoso” (“difficultueux” no texto Francês). Insisto nesta palavra. Hoje todas as moças querem seguir cursos de cinema ou de teatro. Antes, nas famílias abastadas como modestas era uma vergonha, era quase prostituição. Hoje é valorizante…

     

    Este post pode ser lido como a continuação de O Papa Terrível

    Fonte citada: Télerama, nº 3215, Agosto 2011, p.11 /Foto: Cartaz do filme.

    Nuno

  • Homenagem a Raúl Ruiz ………………………………… Hommage a Raúl Ruiz …………………………………….

     

    Selon Raúl Ruiz :

    “Toutes les techniques du cinéma vont désormais dans le sens de vous capturer. On “capture” l’attention du spectateur.”

     

    Citation: Libé, 21 aout 2011

    Photo: L’Autre Journal, oct de 1990, p.102 ( archives perso) / Une autre image du Che parmi d’autres

    Ce post peut et doit être lu comme la suite du post Mystères de Lisbonne

    Nuno

     

     

    Segundo Raúl Ruiz:

    “Todas as técnicas do cinema desaguam, desde agora, no sentido de vos escravizar. Escraviza-se a atenção do espectador.”

     

    Citação: Libé, 21 de Agosto de 2011

    Foto: L’Autre Journal, Out de 1990, p.102 ( arquivo pessoal ) / Uma imagem do Che diferente entre outras…

    Este post pode e deve ser lido como a continuação do post Mystères de Lisbonne

    Nuno

  • Sê Macaco e Grita… // … Sois Singe et Crie…

     

    Tu as encore le temps…

    Va voir, La Planète des Singes: Les origines, de Rupert Wyatt.

    Tu ne seras pas deçu(e).

     

    Photo: Le Figaro Magazine, 12 aout 2011, p. 76

    Nuno

     

     

    Foram precisas décadas para que se desse, finalmente, uma continuação conseguida ao romance de Pierre Boulle: La Planète des Singes.

    Continuação que o realizador Rupert Wyatt soube elaborar.

    Pierre Boulle, conheceu os acontecimentos da segunda guerra mundial. Em 1963, elabora o seu romance, La Planète des Singes. Não é só um romance de ciência ficção. É também um questionamento sobre o funcionamento das sociedades humanas.

    Esta obra, tornando-se um clássico, começa a questionar a sociedade Francesa. Se acrescentarmos, a este suceso de edição, o sucesso da canção de Françoise Hardy, tous les garçons et toutes les filles de mon âge, praticamente publicado na mesma altura, podemos pensar que as premissas de Maio de 68 estavam reunidas nestas duas obras.

     

    Curiosamente, a primeira versão cinematográfica do livro de Pierre Boulle sai nos USA em 1968. O Filme é de Schaffner, tendo como actor principal C. Heston.

    Da obra de Pierre Boulle, nascerão Bandas Desenhadas, folhetins televisivos e vários filmes. Em 2001, Tim Burton, tentou uma adaptação demasiada pretensiosa (opinião subjectica) que não teve qualquer êxito.

    O filme de Rupert Wyatt, focando a pesquisa sobre a doença de Alzheimer, nos remete para a memória do texto e da tela.

    Existem demasiados paplimpsestes, piscadelas…, na obra de Wyatt para que se possa resumir tudo. O filme apresenta uma vitória do dominados sobre os dominantes. César deveria chama-se Espartacus…, por exemplo.

     

    O filme de Rupert Wyatt, sem 3D e sem cenas de sexo ou violência deliberada, convida-nos a pensar a ciência e o progresso.

    Interessante verificar que, novamente, Andy Serkis, após a sua prestação no “Senhor dos Anéis”, no papel de Gollum, se torna o actor que sabe actuar com os seus olhos, qualquer que seja o disfarce ou a técnica elaborada.

    O Planeta dos Macacos: A origem, é um filme que nos leva a meditar sobre a ciência, o progresso e a violência.

    E talvez melhor que certos pomposos tratados filosóficos.

     

    Foto: Le Figaro Magazine, 12 de Ag de 2011, p. 76

    Nuno

  • Amanhã, Grande Chefe ir caçar o troll ……………….. Demain, Grand Chef aller chasser le troll …………….

     

    Les trolls font partie de la mythologie nordique. Un fait sans sans doute ignoré du grand public. Les troll ce sont des êtres agressifs qui peuplent les contes et les montagnes de la Norvège.

    The Troll Hunter d’André Ovredal n’ est pas Indiana Jones. Mais c’est un film d’une très bonne qualité, surtout pour un budget aussi petit.

    Nuno

     

     

    Os trolls, contrariamente ao que se poderia em aparência pensar, fazem parte da mitologia Nórdica. São seres agressivos que povoam as lendas e as montanhas da Noruega.

    The Troll Hunter, realizado por André Ovredal,  não é Indiana Jones. Mas é um filme que me parece de muita qualidade, tendo-se em conta os muito poucos meios disponíveis para a rodagem.

    Nuno

  • A Transmissão Simbólica nº23 ………………………… La Transmission Symbolique nº23 …………………….

     

    Selon Christophe Honoré, réalisateur de “Les Bien Aimés”:

    Ma génération a commencé sa vie amoureuse et sexuelle dans la terreur du sida. Il me semble qu’elle ne s’en est jamais vraiment remise.”

     

    Source: Télérama, nº32111, p12 /  Photos: Télérama, nº32111, p.14 & Libé, 18 Jul 2011

    Nuno

     

     

    Segundo Christophe Honoré, realizador de “Les Bien Aimés“:

    “A minha geração começou a sua via amorosa e sexual debaixo do terror da sida. Parece-me que, realmente, nunca se tranquilizou quanto a esta.”

     

    Fonte: Télérama, nº32111, p12 /  Fotos: Télérama, nº32111, p. 14 & Libé de 18 de Jul de 2011

    Nuno

  • Sonhas em preto e branco ou a cores? ………………. Tu rêves en noir et blanc ou en couleur? ……………..

     

    Autour du film “Rita & Chico” (bande annonce ici) de Fernando Trueba et Javier Mariscal, on peut caresser les fausses promesses de la statue de la liberté.

    Cuba dans les années cinquante est un état gangrené par la corruption et les dollars.

    A travers l’histoire d’amour entre ces deux personnages, c’est un hommage qui est rendu au cinéma d’animation et au Jazz des années cinquante.

     

    Images: Médias fr

    Nuno

     

     

    O filme de Fernando Trueba e Javier Mariscal mergulham-nos numa história de amor onde o Jazz é rei.

    Se o cenário decorre no fim dos anos 40 em Cuba, país poluído pela prostituição e os dólares, o mesmo cenário mostra-nos que os Cubanos integrarão no Jazz novos ritmos latinos e africanos.

     

    O filme “Chica & Rita” (trailer aqui) é uma bela obra muito bem documentada que mostra que o cinema de animação ainda existe.

    Interessante observar que os mídias Franceses optaram, quer pela imagem em preto e branco quer pela imagem em cor, no que diz respeito à apresentação do filme.

    Este filme é não só uma homenagem ao cinema de animação como também é uma homenagem ao Jazz dos anos cinquenta.

     

    Imagens: Midias fr

    Nuno

  • Porque o 3D não funciona e nunca singrará. …………………………………. Caso encerrado.

     

     

    Após o sucesso de bilheteira que foi Avatar tomei conhecimento do artigo de Walter Murch, descrito como o “designer” e editor de som mais respeitado no cinema moderno.

    Walter Murch, vencedor da academia de Oscars, é responsavel pelo desenvolvimento e introdução do sistema de som em canal 5.1 que revolucionaria o cinema elevando-o para um novo patamar a titulo sonoro, e basicamente na sua carta enviada a o 3D nunca singrará. Segundo o texto de Roger Ebert:

     

    Recebi uma carta que encerra, em meu entender, a discussão sobre 3D. Ele não funciona com o nosso cérebro e nunca Singrará.
    A noção de que somos convidados a pagar um prêmio para testemunhar uma imagem inferior por inerência de nos confundir o cérebro é ultrajante. O caso está encerrado.

     

    Na sua carta Murch explica, numa argumentação técnica, as dificuldades e questões que eu proprio me colocava ao assistir ao 3D, sem resposta para elas. É que ao longo dos anos, até hoje, o 3D sempre me gerou o desabafo de: “Isto soa a falso”.

    Passamos a traduzir a carta de Walter Murch à Roger Ebert, onde as inserções introduzidas em parentesês rectos são de minha responsabilidade, complementando o que entendo ser a interpretação da argumentação original do autor.   


    Walter Murch

      Olá Roger,

     

      Eu li sua opinião sobre o “Green Hornet”,

      e embora não tenha visto o filme, concordo

      com  seus comentários sobre 3D.

      A imagem 3D é escura, como menciona,

      e pequena. De alguma forma os óculos

      “reúnem-se com” a imagem – mesmo em uma

      tela Imax enorme –  e ao olhar-se sem óculos,

      a imagem aparece a meia distância.


      Eu editei um filme 3D na década de 1980,

      “Captain Eo”, e apercebi-me que o movimento

      horizontal estroboscópico ocorre muito mais

      cedo em 3D do que em 2D. Isto era verdade

    na época,e ainda é verdade agora. Tem algo a ver com a quantidade de energia do cérebro dedicada a estudar as bordas das coisas. Quanto mais conscientes estamos das bordas, mais depresa um efeito estrábico [desalinhamento/desfoque] salta à vista.


    O maior problema com o 3D, porém, é a “convergência / foco” associada. Um par de outras questões , tal como a escuridão e a “pequenez”, são pelo menos teoricamente solucionáveis. Mas o problema mais profundo é que o público deve focar seus olhos no plano da tela – que dizem estar à 80 metros de distância. A distância é constante e nada mais importa.
    Mas o que os olhos vêm na tela [a realidade tridimensional que se tenta representar] deveria convergir em talvez 10 metros de distância, de 60 pés [18mt], 120 pés [36mt], e assim por diante, dependendo da ilusão pretendida. Assim, filmes em 3D nos obrigam a concentrar em uma distância [sempre fixa: a distância a que estamos colocados da tela/ecrã]  mas convergem para outra [a distância (profundidade) variável da realidade filmada]. E 600 milhões de anos de evolução nunca apresentaram esse problema antes [ao cérebro]. Todos os seres vivos colocam os olhos sempre, focados e convergentes, no mesmo ponto.



    Se olharmos para o saleiro na mesa, perto de nós, vamos concentrar-nos em seis pés [182cm] e os nossos olhos convergem (tilt in) [movimento descendente] em seis pés. Imagine a base de um triângulo entre os olhos e o vértice do triângulo repousa sobre a coisa que está olhando. Mas, então, ao olhar pela janela e concentrar-se em 60 pés os olhos convergem também para 60 pés. O triângulo imaginário que tem agora “abriu” para que suas linhas de visão sejam quase – quase – paralelos uns aos outros.
    Podemos fazer isso. Filmes em 3D não funcionariam se não pudéssemos fazê-lo. Mas é como que estar a bater na cabeça e esfregando seu estômago, ao mesmo tempo: difícil. Assim, o “CPU” do nosso cérebro perceptual tem trabalho duro extra, e é por isso que depois de mais ou menos 20 minutos muitas pessoas têm dores de cabeça. Elas estão fazendo algo para o qual em 600.000 mil anos de evolução não foram preparadas. Este é um problema profundo que nenhuma quantidade de ajustes técnicos pode corrigir. Nada vai corrigi-lo de repente na produção “holográfica” real de imagens.

    Conseqüentemente, a edição de filmes em 3D não pode ser tão rápida quanto para filmes em 2D, devido a esta mudança de convergência: é preciso um número de milissegundos para o cérebro/olho “pegar” o que o espaço de cada “disparo” [plano/imagem] é, e ajustar.


    E, por último, a questão da imersão. Filmes em 3D lembram ao público que eles estão em um relacionamento “perspectiva” certos para a imagem. É quase um truque brechtiano. Se a história do filme tem realmente agarrado uma audiência na ilusão de que eles estão “dentro” da imagem, em uma espécie de sonho no espaço “sem espaço”, uma boa história vai dar-lhe mais dimensionalidade do que a assistência consegue realmente enfrentar.

    Portanto: escuro, pequeno, estrábico, induzindo dor de cabeça, alienante. E caro. A pergunta é: quanto tempo vai levar as pessoas a perceberem e ficarem fartos?

     

    Texto original | este post pode ser lido na continução/contradição de “A Transmissão Simbólica: Folheto N.º 8

    PC Jerónimo da Silva