Category: mundo cósmico

  • Diário de Bordo (IV) – Donostia, San Sebastian – Matando o tempo

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    Não lhe conheço o nome, não lho perguntei, não quis saber. Estava matando o tempo, escrevendo num caderno, com uma Canon 30D pousada no arrebate ao seu lado.
    Senhor, perdoe-me por interromper, posso-lhe perguntar o que significa esta mensagem que está um pouco por todo lado nas paredes? Eu não sei interpretar Euskara [o idioma basco]. Não tem problema nenhum, precisava mesmo de uma pausa, e com todo o gosto te explicarei. Então, trata-se de uma mensagem revindicativa da comunidade basca dirigida a Madrid, exigindo que os presos por crimes cometidos enquanto militantes da ETA , e não importa se concordamos ou discordamos do modo de atuação antigo ou atual do partido, para que os mesmos sejam mudados para prisões dentro do território da comunidade basca. Porque desde sempre e neste mesmo momento, a maioria deles estão espalhados por prisões de toda a Espanha, e não recebem visitas dos seus familiares que não têm a facilidade de se deslocar. Então, “devolvam os presos da ETA ao país basco”. Parece-me justo, obrigado. Vai uma foto para recordação?

     

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  • O Cosmos em Guimarães Rosa ……………………….. …………………….. Le Cosmos chez Guimarães Rosa

     

    Le texte de Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, est l’une des oeuvres majeures de la littérature d’expression portugaise. Il est traduit en français chez “Albin Michel”. Le livre comporte une préface de Vargas Llosa. Et la traduction est de Maryvonne Lapouge-Pettorelli. 

    Nuno

     

     

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    O texto de Guimarães Rosa Grande Sertão: Veredas é o maior romance da literatura de expressão portuguesa. Este texto está para a literatura de expressão portuguesa como Finnegans Wake de J. Joyce está para a literatura de expressão inglesa.

     

    É um livro que assenta numa linguagem criada por G. Rosa para definir o seu Cosmos (tal como o fizera Joyce). Um Cosmos que é uma combinação e oposição simultânea entre: O “material” e o “espiritual”, o bem e o mal… O “material” é a linguagem, a luta pela expressão; O “espiritual” é a memória, a luta entre valores (bem / mal), o porvir. Para que as personagens possam ser fluidas, combinando oposições, o autor dá nascença a uma nova língua.

     

    As primeiras páginas não são fáceis de entender. Mas com o decorrer da leitura o universo “Roseano” abre-se. Existe um dicionário pensado por Nei Leandro de Castro que pode ajudar: Universo e Vocabulário do Grande Sertão (Livraria J. Olympio Editora, Rio). Mas continuo a pensar que depressa se entende que “canoar” é navegar em canoa ou que “ventear” é produzir vento…

     

    O Sertão é o Cosmos que pinta a união e a oposição entre o aquém e o além, o bem e o mal…Na descrição da evolução da batalha entre as bandas rivais de jagunços todas as formas e temas maiores são salientados: O romance de cavalaria, o romance épico, o pacto com o diabo, o naturalismo, a crença, o esoterismo, o existencialismo…

     

    O nome dos personagens é também muito importante. Tomemos, por exemplo, Riobaldo e Diadorim. Riobaldo é o jagunço letrado que vai para a guerra. Ele tem que vencer e faz um pacto com o diabo. Está também apaixonado por Diadorim. O seu código proíbe amar homens. A sua existência fica dividida por esta oposição. Na batalha final, Diadorim morre e Riobaldo descobre que a sua paixão é uma mulher disfarçada em homem. Um tema muito clássico da literatura medieval: Diadorim disfarça-se de mulher para poder acompanhar o seu pai na guerra. Como é também um tema muito clássico o pacto com o diabo. Está presente quer em Goethe (Fausto) quer em Pessoa.

     

    De novo se expressa a noção de movimento: O bem, o mal, o convencional, o “inconvencional”… num perde-ganha-perde-ganha… O subtítulo da obra é “o diabo na rua, no meio do redemoinho…” dá a sensação de agitação, mudança, novidade…

     

    Já é menos clássico que o pacto com o diabo apareça, linha menos linha, no centro da narração, criando uma simetria. Já é menos clássico a polissemia do nome Diadorim: Dia-dor-im. A primeira sílaba reenvia para a palavra “dia” e também para a primeira sílaba das palavras “diabo” e “diálogo”… O dia da dor? O diabo da dor? O diálogo da dor?… Podem haver várias interpretações. O sufixo “im” é um sufixo que acentua a insistência como, por exemplo, na palavra “mandarim”: Mandar+im. O nome da personagem Rio+balde evoca, sobretudo, a palavra rio que lembra a água, a vida, a viagem, a foz, novos mundos. 

     

    O texto elaborado por Guimarães Rosa termina com o símbolo do infinito. A palavra “fim” não pode existir no Cosmos, no diálogo entre o aquém e o além, entre o bem e o mal. Deste permanente diálogo nasce da boca de Riobaldo a frase que atravessa repetitivamente toda a narração: “Viver é muito perigoso”. O Cosmos é Deus e o diabo é o seu subconjunto, não podendo um existir sem o outro. E Riobaldo explica que quem decide somos nós e que somos nós os únicos responsáveis por nossas decisões. Eis as últimas palavras do texto que antecedem o símbolo do infinito:

     

    “Amigos somos. Nonada. O diabo não há! É o que eu digo, se for… Existe é homem humano. Travessia.”

     

    O texto de G. Rosa conheceu outras edições. E é estranho que algumas tenham esquecido o símbolo do infinito como também transformado a capa com todos os pormenores e signos desejados pelo autor.

     

    Porquê? Sim, porquê? 

    Nuno 

    obs: Para Gisleuda, o prometido é devido.

  • Mundo Secular

     

     

    Nos últimos dois séculos as sociedades ocidentais sofreram uma intensa secularização.

    Por um lado, o sistema económico (capitalismo) privilegia os valores materiais em detrimento  dos valores espirituais.

    Por outro, a ciência transformou-se numa nova religião que se assume como capaz de responder a todas as questões.

     

    Quantas e quantas das verdades cientificas não passarão de mera fé?

  • Uma Vida de Amor e de Água? …………………………. Une Vie d’Amour et d’Eau? ……………………………….

     

    H.G. Wells a pensé que les habitants de Mars étaient hostiles.

    Depuis Mars est devenue une planète sympathique.

    La présence de l’eau s’est avérée en Mars.

     

    Life on Mars ? comme chantait David Bowie en 1971?

     

    Nuno

     

    H.G. Wells pensou que os seus habitantes eram hostis.

    Mas, desde então, Marte é um planeta amigo.

    A presença de água verificou-se em Marte.

     

    Life on Mars ?  Como cantava David Bowie em 1971 ?

     

     Nuno