Category: no desembainhar da espada

O número 1 é a vibração da unidade, do início absoluto e da força criadora. Ele não é apenas um algarismo, mas um símbolo de conexão direta com o Divino.

  • No Comboio da V\ida

    A noite está húmida. João Afonso confirma as horas. O Phillipe Arnol que tirou da gaveta e o acompanha nos últimos tempos, esta agora no pulso esquerdo, junto da pulseira de pedras de proteção que Beatriz lhe oferecera seis meses antes. Passa da meia-noite e a cebola preta-prateada indica que estão corridos os 40 minutos daquele dia vinte e cinco de abril do ano vinte e seis. Desfocado, à frente da sapatilha, chama-lhe à atenção a beata de cigarro que acabara de apagar no paradão da estação antes de sentar naquele banco de espera. Acende outro, traga o fumo, fecha os olhos, levanta a cabeça e expele para fora a fumaça, para o ar, com tanta vontade como de vontade tem de se ver livre daqueles pensamentos. Ao abrir os olhos o que se lhe oferece no céu é uma meia-lua nublada, nuvem esta que a corre rápido e lha leva ficando com um céu mais negro do que imagina e lhe contam que seria a sua avó preta.
    Baixa o olhar e vê, uma, duas, três, quatro… seis almas que se ajeitam calmamente do outro lado da linha, à espera do seu comboio. E se para além das horas o Phillipe Arnol apenas lhe diz e acrescenta a informação de que a bússola aponta sempre para norte, aquelas seis almas estão certamente na linha certa, Afonso é que estará em contra-mão. Será?


    – Não vale a pena João, se a dúvida vem para te parar, algo virá para te empurrar.

    -Mas eu não quero apanhar este comboio.

    – Nem nunca percas o comboio como nunca te atravesses à frente dele Little Joe. Apanha o comboio certo.”


    No ar ouve-se uma melodia viva do grilar do bicho preto que um dia João Afonso gostara de o fazer sair da toca com uma palhinha, melodia que faz coro com a mistura do coaxar de rãs em águas algures ali próximas, e abre-se o altifalante da estação que anuncia que o comboio partido de Santa Apolónia em Lisboa com destino a Campanhã no Porto circula com uma hora e catorze minutos de atraso, mas, valha-nos que – consola a voz do altifalante àquelas seis almas – que a a sua Besta Cinza está mesmo a chegar.

    Afonso ri-se.  Anauê meu quinquagéssimo Vinte e Cinco de Abril! E menos mal, que ainda que atrasado, o comboio chega sempre a Portugal. Afonso levanta e segue estação fora misturado com a romaria de povo que ali desembarcou. Sem destino segue os paralelos gastos acabando sentado no Castelo Palacial. Quadragéssimo dia na cidade, e ao segundo que lá dentro se senta, local que percebe ali gostar de se reunir a comunidade maioritáriamente africana misturada com alguns brasileiros. Outras nacionalidades por ali passam, da para ouvir o castelhano latino-americano, o italiano, francês e ingles. Isto junção de algumas tardes de sol poente já tidas de sua esplanada nos dias antecessores. E e se bem comunga em paz tal mixelândia de culturas naquele espaço, em casa se sentira uma Alma Velha de qualquer portguês. Afonso pede o seu Balão de Aguardente Velha Aquecido almejando pela calma de uma noite tranquila.
    Deitou-se. O tijolo-preto Galaxy A51 insiste em não querer assumir a carga quando lhe é feito o coito com a ficha do cabo do carregador. Foda-se, puta que pariu! Ficas sem capa de uma vez por todas. Caralhos fodam a ranhura de carga seu monte de plástico, que… 
    E assim se calaram os pensamentos rebeldes de Afonso, com a imagem serena e refletiva da foto de Beatriz que dentro da capa do tijolo estava guardada. Por cima dela o papel amarelo com piropo de pacote de açúcar daquele descafeinado pingado de fim de almoço que Bi lhe dera e reza – És como o Café Nicola: Quero Sempre Mais. 
    Afonso sorri. Se ao espelho se visse encontraria na cor daquele sorriso o reflexo da cor do pacote-piropo. Dá um beijo na foto e pede perdão por tamanha indecisão, não sobre os sentimentos, que esses são certos, mas sobre os cortes radicais. Te farão crescer, ou cair ainda mais? Num olhar esguio ao papel do piropo de Bi lhe vêm o ensinamento proferido pelo Maricon Garçon que lhes servira o almoço naquele dia: “Primeiro as Senhoras, Depois os mais bonitos.” Éh Afonso, sábias palavras as daquele Bicha. Que por maior que seja o teu Ego, ou mais bonito o espelho to reflita, primeiro servem-se sempre as Senhoras, são elas a Mãe da Vida. Porque a Vida te dá, ou a vida te leva, seja uma Filha do Capeta, ou a Mulher Mais Bela. E respeitarás as Mulheres e os seus sentimentos. Rebaixa-te à pequenez do Balão de Aguardente que bebes perante a grandeza destes ensinamentos de piropos de café, em boca de Bicha, ou pacote de papel.

    Deu um beijo na foto querendo tocar a Alma da Bi.

    Se foi Deus que ma deu, não fui eu que a escolhi…

    Abriu a perna de segurar a capa em pê e percebeu que para o tijolo-preto já não lhe servia, e a função de moldura de foto com seis meses , agora e apenas, lhe devolveu.

    E agora ali está ela no seu lugar, emoldurada na cabeceira de um Lar, em que ela sorri enquanto a ele só lhe apetece chorar.
    Apagou a luz, sem saber para onde aquele comboio o conduz.

    «O Último F. » Pena-Leve Eleven /26ABR26

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  • ABOUT

    Sobre COSMéTICAS.org: é um domínio registado online na World Wide Web em 2009 pelo autor dos seus escritos, e cujo nickname web nasce em 1999 e é daí em diante mantido. depois de alguma experiencias pem Blogs.Surge para dar aso à forma de expressão onde o seu autor se sente mais à vontade, a escrita.

    Depois de se dedicar a refletrir sobre temas quotidianos da vida, em 1 de Novembro de 2009, algo bate em MrCosmos e dá-lhe para sentar no sofá e começar a escrever neste mesmo espaço a sua autobiografia, que intitula de «O Último F», O F isolado abrevia a palavra\ Fôlego. Nela, os nomes das personagens vivas no momento em que se escreve são fictícios, o nome das personagens mortas são reais, mas ambas existem na realidade. Neste periodo o autor regista “F” – o Prefácio do escrito (2009); “Todos Os Santos”(2009); “Bat, Bi, Hiru, Lau”(2009); “A Torre da Grandeza no Pior da Sua Crueza”(2017); e “I Need A Hero”(2018).

    Em 2026, depois de mais 7 anos de interregno de registos, o autor volta a sentir necessidade de sentar-se de novo no sofá seja o de sua casua, ou noutros botecos, como sejam bancos de jardins públicos ou de estações ferroviárias, esplanadas de café, e por aí vai, e terminais de entroncamentos de transportes nas suas viagens percorridas. Prossegue então neste ano do seu cinquentenŕio com o registo das suas vivências. Neste intervalo de tempo nasce Pena-Leve Eleven, personagem que dá nome a figura principal deste relato que não deixa de seruma autobiografia. Pena-Leve pega, e eleva, para outro patamar os registos, ampliando o ciber-espaço local de onde fora criada e alojada inicialmente a Cosmoslândia, da plataforma Blogs.sapo.pt – na sequencia do anuncio do fecho desta plataforma de blogs web que anuncia o seu fecho de portas para o dia 30JUN2026 – e amplia agora Pena-Leve Eleven os registos COSMéTICOS para a Órbita da WordPress.

    Em 26ABR2026, é agora aqui publicada e dada abertura para a continuidade desta “epopeia”, com o relato da primeira Cosmichão com que se sente o autor, e que regista os acontecimentos do seu dia anterior, ocorrido no 52.º Feriado do Dia da Liberdade em Portugal.As imagens matrizes constantes nesta Cosmoslândia são recolhidas pela mão do autor, sendo a sua versão final publicada com recurso à “cosmética” da IA Gemini da Google Coorp. sob a tentativa de cruzamento das filosofias de Numerologia com Manga – Banda Desenhada japonesa com Origem no Século XII, esta última contemporânea com a origem do Reino de Portugal, onde se desenrolam a maior parte dos acontecimento, aqui denominhado por Lusolândia.Não se petende aqui qualquer tipo de omissão dos acontecimentos nem tão pouco de jactância pessoal.

    COSMéTICAS.org nasce com o impeto do autor pôr o dedo nas suas próprias feridas, procurandocurando curar e cicratiza-las, correndo o risco, é certo, de pisar terrenos alheios e mecher em feridas de terceiros.Não propositada ou levianamente mas no exercicio de que Liberdade acarreta responsabilidade, na humildade da sua existência e respeito pelas respectivas Entidades abordadas no relato, vivas ou mortas – ambas existem.

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